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	<title>Blog dos Perrusi</title>
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	<description>Crônica, política, doidice, o escambau!</description>
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    <title>Blog dos Perrusi</title>
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		<title>Mauvaise Conscience</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 11:38:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Perrusi Pai</dc:creator>
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O ex-sacerdote Leonardo Boff, teórico da Teologia da Libertação, xodó da esquerda católica dos anos de 1960-70, declarou, em entrevista recente a uma mídia paulista, que Bento XVI, apesar de ser um grande teólogo, deveria renunciar ao cargo de papa por “motivos de saúde”.
O senhor Boff não esclareceu de que tipo de doença sofria Sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class=" wp-image-7064 aligncenter" title="1073-1758-thickbox" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2012/02/1073-1758-thickbox-300x300.jpg" alt="" width="400" height="400" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O ex-sacerdote Leonardo Boff, teórico da Teologia da Libertação, xodó da esquerda católica dos anos de 1960-70, declarou, em entrevista recente a uma mídia paulista, que Bento XVI, apesar de ser um grande teólogo, deveria renunciar ao cargo de papa por “motivos de saúde”.</p>
<p>O senhor Boff não esclareceu de que tipo de doença sofria Sua Santidade, deixando seus admiradores livres para especulações, algumas, sem dúvida, cruéis e inoportunas.</p>
<p>Certamente, não seria nenhum tipo de demência senil, desde que Bento acabara de publicar o segundo volume do seu “Jesus de Nazaré”. Dizem, aliás, que ele provou, por <em>a</em> mais <em>b</em>, que Jesus realmente existiu e que teria nascido de uma virgem.</p>
<p>No entanto, Bento também acabara de afirmar publicamente que os ateus haviam sido uma das principais causas do Nazismo, por “tentarem esvaziar a ideia de Deus do povo alemão”.</p>
<p>Tenho minhas dúvidas, embora reconheça que ele deve conhecer o assunto melhor do que eu, que não pertenci à Juventude Nazista. É claro que não se pode culpá-lo disso. Na época, todos os jovens alemães eram obrigados a fazê-lo, sob o risco dos pais serem internados num Campo de Extermínio.</p>
<p>É verdade que dizem que as coisas que se passam na adolescência se enterram no subconsciente para, de vez em quando, atormentarem a vida adulta, em forma de <em>mauvaise conscience</em>.</p>
<p>Não sei! Não se conhece nenhuma declaração de Ratzinger contemporânea do Nazismo. Quando adolescente, ele era calado demais.</p>
<p>De qualquer maneira, a tese de Bento XVI é tão original e inédita, dentro da imensa bibliografia sobre o Nazismo, que, se ele conseguisse prová-la, ganharia sem dúvida o Prêmio Nobel das Ciências Sociais (existe?).</p>
<p>Não concordo com a opinião de Leonardo Boff. Uma vozinha frágil e, como diria, quase efeminada, não indica qualquer estado doentio. Além disso, o noticiário intelectual está tão vazio que precisamos de alguém que diga uma ou outra idiotice.</p>
<p>De vez em quando!</p>
<p>Mas, tampouco posso imaginar como caracterizar as opiniões do Papa.</p>
<p>Ora, ele sabe muito bem que a ICR apoiou o fascismo italiano, em troca da criação do Estado do Vaticano e do monopólio do ensino religioso obrigatório nas escolas públicas da Itália (Tratado de Latrão de 1929, entre Mussolini e Pio XI).</p>
<p>Ele sabe, também, que a ICR foi, no mínimo, omissa quanto ao regime nazista na Alemanha, além do seu apoio declarado e incondicional ao Generalíssimo Franco na Espanha.</p>
<p>E o que dizer das ditaduras recentes da América do Sul?</p>
<p>Não foi, por acaso, o mesmo Cardeal Ratzinger, num ato fascista de censura, que mandou Leonardo Boff se calar quando este, inclusive, criticava corajosamente nossa Ditadura Militar?</p>
<p>Não! Bento XVI não parece vítima de nenhuma doença. Aliás, mesmo que fosse verdade, eu não me atreveria a diagnosticá-la. Não sou médico.</p>
<p>Nem tampouco ousaria classificar suas opiniões como produtos de desonestidade intelectual.</p>
<p>Por outro lado, parece que a hierarquia católica romana esqueceu a gravidade dos crimes nazistas e se pronuncia publicamente sem um mínimo de decência sobre assuntos de moralidade privada, como sexo, por exemplo.</p>
<p>Javier Martinez, Arcebispo de Granada, em 31 de Dezembro último, comparou a lei do Aborto na Espanha “com o regime nazista, cujos crimes não eram tão repugnantes quanto o ato do aborto”.</p>
<p>Nem tampouco os de Franco, apoiado eternamente pela ICR espanhola, inclusive por Martinez.</p>
<p>Isso faz lembrar o episódio de outro Arcebispo, muito próximo da gente, que condenava, com os olhos brilhando de lubricidade cruel e obscena,  pela TV, uma menina de nove anos de idade, vítima de estupro, e paciente de um aborto legítimo, legal e, clinicamente, necessário.</p>
<p>O Arcebispo pouco se incomodou com o sofrimento da criança e de sua mãe.</p>
<p>Mas, o que dizer do senhor Luiz Gonzaga Bergonsini, Bispo de Guarulhos, quando afirma que “as mulheres mentem ao dizer que foram estupradas&#8230; para apenas conseguir a liberação da lei para a prática do aborto”?</p>
<p>Um Bispo espanhol dizia que os meninos estuprados por padres ficavam de costas, propositalmente, para provocar seus subordinados.</p>
<p>Outro padre espanhol, de uma maneira mais folclórica, pediu que mandassem medir seu ânus para provar que não era homossexual. Seu nobre órgão não estaria suficientemente dilatado. E precisa?</p>
<p>Em suma, afirmações e atitudes de membros da ICR que me provocam asco.</p>
<p>Dizem que a ICR é uma instituição religiosa decadente. Pode ser.</p>
<p>Mas poderia ter, pelo menos, um pouco mais de compostura. E menos ganância e soberba em suas fraudes habituais.</p>
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		<title>Monopólio da Violência</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 08:37:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Político]]></category>
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		<description><![CDATA[Faz pouco, indignei-me com o que aconteceu na Cracolândia, aquele “tratamento” baseado na dor e no sofrimento; agora, a violência cometida em Pinheirinhos. Como estou viajando, não tenho tempo de comentar as conexões entre tais acontecimentos. Assim, recomendo a leitura desse texto (aqui).
Ao mesmo tempo, houve violência contra estudantes no Piauí e no Recife (aqui) – [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Faz pouco, indignei-me com o que aconteceu na Cracolândia, aquele “tratamento” baseado na dor e no sofrimento; agora, a violência cometida em Pinheirinhos. Como estou viajando, não tenho tempo de comentar as conexões entre tais acontecimentos. Assim, recomendo a leitura desse texto (<a href="http://descurvo.blogspot.com/2012/01/dez-mentiras-que-cercam-o-pinheirinho.html" target="_blank">aqui</a>).</p>
<p>Ao mesmo tempo, houve violência contra estudantes no Piauí e no Recife (<a href="http://acertodecontas.blog.br/atualidades/professores-da-fdr-condenam-acao-da-pmpe/" target="_blank">aqui</a>) – na terrinha, o “tratamento” dado aos estudantes foi realizado por um governo dito de centro-esquerda.</p>
<p>O monopólio da violência, paradigma do Estado Moderno, está sendo utilizado pela direita e pela esquerda. Nesse caso, o uso da violência é &#8220;técnico&#8221;, pois está embutido numa &#8220;formalidade jurídica&#8221;. O uso legal, assim, é neutro, porque elimina qualquer julgamento de valor; com isso, cria um permanente problema de legitimidade. É a imposição racionalizada da força (a razão pura da violência) , independentemente do regime de governo (sim, estamos numa democracia &#8212; diante de um cassetete, a democracia é &#8220;formal&#8221;). E o mais paradoxal é sua legalização jurídica, defendida como “direito” pelos governantes. É o direito da violência, cuja vítima não vale nada – há uma indiferença total quanto às consequências do uso do monopólio da violência do Estado. Não há espaço para perguntas banais: quem são as pessoas? Qual é a alternativa à violência? O que fazer com as vítimas? Elas não valem o sacrifício. Pode parecer um paradoxo, mas revela a violência que funda o Estado de Direito Moderno.</p>
<p>Numa sociedade desigual, como a brasileira, a violência é banalizada e se legitima na naturalização da desigualdade (já, já descobrirão o &#8220;gene&#8221; da pobreza). Quanto mais desigual uma sociedade, mais as possibilidades de autoritarismo atualizam-se no cotidiano. O apoio substancial da população paulistana às ações de limpeza social da Cracolândia é uma manifestação, ainda localizada e dirigida à ralé, dos monstros que habitam nossa &#8220;democracia liberal&#8221;.</p>
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		<title>Museu de Obscenidades</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Jan 2012 12:18:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tsé-Tsé</dc:creator>
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&#160;
─ Reverennnndô! Reverennnndô!
─ Que escândalo é esse, Fiofó?
─ É a mãe!
─ Vai menino, deixa de ser besta. Diz logo, Joãozinho Furico.
─ É a mãe!
Voltei-me para minha ilustre visita e não me contive:
─ Tá vendo, Aninha! Aqui, tá todo mundo doido. Fala, seu Buraco de Agulha.
─ É a mãe! É a mãe!
─ Bobagem, Joãozinho, todo mundo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2012/01/gk029-the-maiden.jpg"><img class="size-full wp-image-7039 aligncenter" title="gk029 the maiden" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2012/01/gk029-the-maiden.jpg" alt="" width="400" height="395" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>─ Reverennnndô! Reverennnndô!</p>
<p>─ Que escândalo é esse, Fiofó?</p>
<p>─ É a mãe!</p>
<p>─ Vai menino, deixa de ser besta. Diz logo, Joãozinho Furico.</p>
<p>─ É a mãe!</p>
<p>Voltei-me para minha ilustre visita e não me contive:</p>
<p>─ Tá vendo, Aninha! Aqui, tá todo mundo doido. Fala, seu Buraco de Agulha.</p>
<p>─ É a mãe! É a mãe!</p>
<p>─ Bobagem, Joãozinho, todo mundo sabe que você deu pro padre. Por que não assume?</p>
<p>─ Não dei. Foi ele quem me agarrou por trás. A pulso!</p>
<p>─ E o que você fazia lá na sacristia da Matriz da Torre?</p>
<p>─ Aprendendo a história de Davi e Golias com o padre Bó. E foi só um agarrão. Saí correndo que nem um condenado.</p>
<p>─ Tá bem, menino! E por que tá gritando desse jeito?</p>
<p>─ Doutor Quim Júnior tá chamando o senhor para a cirurgia espiritual. Já está tudo pronto.</p>
<p>─ Pois diga a ele que espere. Tô com uma visita importante que veio de longe. Daqui a pouco, chego lá.</p>
<p>De fato, havia convidado Ana Paula, essa flor de menina que é o orgulho da cidade de Jampa, para uma conversa profissional sobre o tal romance entre Hannah Arendt e o pilantra do Heidegger. Não se tratava de cartas, mas de cerca de vinte e duas fotos eróticas tiradas pelo casal, digamos assim, no calor da hora.</p>
<p>O álbum já era conhecido na Europa do pós-guerra. Havia sumido e muitos duvidavam de sua existência. Foi quando, milagrosamente, Ana Paula, filósofa e gente finíssima de João Pessoa, as descobriu num obscuro sebo local.</p>
<p>Desde a década de 1950, durante meu Doutorado em Roma, interessava-me pelo assunto. Meu professor de Teologia do Tronchismo, na Gregoriana, havia dito que Heidegger era o maior filosofo do vácuo sobre a terra. E citava alguns dos seus mais ilustres conceitos como, por exemplo:</p>
<p><em>E se o Ser, no seu estar-a-ser, faz o uso do estar a ser do homem? E se o estar-a-ser do homem assenta no pensar da verdade do Ser? Então, o pensar tem que poetar no enigma do Ser. Traz a madrugada do pensado à proximidade do há que pensar.</em></p>
<p>Enfim, tem gente que gosta!</p>
<p>Na época, tanto em Roma quanto em Paris, meninos e meninas, com um ar pálido e desolado, pensavam na existência do Ser enquanto bebericavam um <em>vin chaud, </em>de bar em bar, esperando pela hora de dormir em bando.</p>
<p>Nada contra!</p>
<p>Pra mim, Heidegger não passava de um oportunista da Filosofia do Ser e do Não Ser ou, quem sabe, do Vir a Ser ou do Já Foi.</p>
<p>Mas não convidei Aninha por causa disso. Além de querer conhecê-la pessoalmente, o que muito me honrou, precisava discutir a compra do álbum de fotografias da transa entre Arendt e o filósofo, que estava na posse da menina,  segundo ela própria afirmara ao Dr. Artur Perrusi.</p>
<p>Nosso Museu de Obscenidades, já bastante enriquecido com as obras de Gilberto Freyre, recebera uma verba do Prefeito de Bel-O-Kan e precisava de algo mais exuberante do que o nenhenhem freyriano. E, até mesmo, do cardosiano, do luliano e do dilmaniano.</p>
<p>─ E, então, Aninha! Trouxe as fotos? ─ Perguntei ansioso.</p>
<p>─ Trouxe, Reverendo. Mas tenho vergonha de mostrar. São muito obscenas.</p>
<p>─ Bobagem, minha filha. Todo sacerdote é especialista em obscenidades. Na verdade, a Religião é a menos importante delas.</p>
<p>─Mas, Reverendo, trata-se de uma verdadeira demonstração existencial do Kama Sutra.</p>
<p>─ Isso me lembra, Aninha, das aulas teóricas sobre o Sutra que eu ministrava no Convento da Torre, na Disciplina Ética Cristã. As noviças adoravam. Meu Deus, como o tempo passa tão rápido. Deixa eu ver, deixa eu ver!</p>
<p>Impressionante! Heidegger fazia uso do seu “estar-a-ser” no “vir-a-ser” de sua estudante. Não admira que ele tenha sido grande incentivador da JN (leia-se Juventude Nazista e, não, Jornal Nacional). Contudo, o que mais me surpreendeu foi a feiura ingênua, e um pouco desengonçada, de Hannah, embora parecesse emocionada e entusiasmada com a chegada da “madrugada do pensar” no seu “já foi”.</p>
<p>Talvez tenham sido tais cenas vividas que inspiraram a futura filósofa em sua tese sobre a banalidade do mal, quando escrevia sobre o julgamento de Eichmann.</p>
<p>Duvido um pouco. Afinal de contas, uma suruba universitária tão intensa e bela não poderia mesmo lembrar nada do horror nazista.</p>
<p>Nem mesmo Heidegger!</p>
<p>No final da conversa, minha linda visitante recusou-se a vender as fotos ao nosso Museu. Antes, preferiu doá-las sob a condição de que fossem usadas na educação das criancinhas da Comunidade.</p>
<p>Fiquei pensando no Ser e no Tempo. O Ser, essa coisa maravilhosa, que flui eternamente do Éden.</p>
<p>O Tempo, essa desgraça que me corrói!</p>
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		<title>Choque</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 17:30:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dona Ana Paula, filósofa e especialista na vida sexual escandalosa de Hanna Arendt, envia o vídeo &#8220;A Doutrina do Choque: a Ascensão do Capitalismo do Desastre&#8221; da jornalista canadense Naomi Klein.
Ana choca-se por qualquer coisa. Claro, é filósofa. Além de se chocar com tudo, é perplexa, também.  O Reverendo  Tsé-Tsé considera-a como uma neta, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dona Ana Paula, filósofa e especialista na vida sexual escandalosa de Hanna Arendt, envia o vídeo &#8220;A Doutrina do Choque: a Ascensão do Capitalismo do Desastre&#8221; da jornalista canadense Naomi Klein.</p>
<p>Ana choca-se por qualquer coisa. Claro, é filósofa. Além de se chocar com tudo, é perplexa, também.  O Reverendo  Tsé-Tsé considera-a como uma neta, mas desconfia que a menina não se cria.</p>
<p>_Ela se toma de espanto pelo mundo! Diz o Reverendo, meneando a cabeça.</p>
<p>Segundo a encarnação da perplexidade filosófica, o vídeo &#8220;<em>foi feito pelo cineasta mexicano Alfonso Cuarón para divulgar o livro &#8216;A doutrina do choque: a ascenção do capitalismo do desastre&#8217;.  É genial e perturbador ao mesmo tempo</em>&#8230;&#8221;</p>
<p><a href="http://www.blogdosperrusi.com/2012/01/19/choque/"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p>
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		<title>Defesa da igualdade do ponto de vista de um epidemiologista</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 00:07:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vídeo interessante de um epidemiologista, Richard Wilkinson, que discute, por meio de dados estatísticos, a relação entre saúde e desigualdade. É uma discussão bem didática. Como a saúde é um valor supremo na sociedade moderna, sua relação com a Vida Boa e com o Bem torna-se um debate ético e, ao mesmo tempo, político. Os números [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vídeo interessante de um epidemiologista, Richard Wilkinson, que discute, por meio de dados estatísticos, a relação entre saúde e desigualdade. É uma discussão bem didática. Como a saúde é um valor supremo na sociedade moderna, sua relação com a Vida Boa e com o Bem torna-se um debate ético e, ao mesmo tempo, político. Os números e as correlações positivas são instrumentalizados, enfim, por um valor, como a igualdade, <em>no sentido sanitário</em> &#8212; a numerologia, geralmente, era operacionalizada por ditames ditos &#8220;neutros&#8221; e de &#8220;oportunidades&#8221;. A estatística do Bem, quem diria &#8212; logo a estatística, ciência tão umbilicalmente relacionada ao Estado e ao mercado.</p>
<p><object width="526" height="374" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="wmode" value="transparent" /><param name="bgColor" value="#ffffff" /><param name="flashvars" value="vu=http://video.ted.com/talk/stream/2011G/Blank/RichardWilkinson_2011G-320k.mp4&amp;su=http://images.ted.com/images/ted/tedindex/embed-posters/RichardWilkinson_2011G-embed.jpg&amp;vw=512&amp;vh=288&amp;ap=0&amp;ti=1253&amp;lang=fr&amp;introDuration=15330&amp;adDuration=4000&amp;postAdDuration=830&amp;adKeys=talk=richard_wilkinson;year=2011;theme=not_business_as_usual;theme=rethinking_poverty;theme=unconventional_explanations;theme=medicine_without_borders;event=TEDGlobal+2011;tag=Culture;tag=Global+Issues;tag=data;tag=money;tag=social+change;tag=visualizations;&amp;preAdTag=tconf.ted/embed;tile=1;sz=512x288;" /><param name="src" value="http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf" /><param name="pluginspace" value="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed width="526" height="374" type="application/x-shockwave-flash" src="http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf" allowFullScreen="true" allowScriptAccess="always" wmode="transparent" bgColor="#ffffff" flashvars="vu=http://video.ted.com/talk/stream/2011G/Blank/RichardWilkinson_2011G-320k.mp4&amp;su=http://images.ted.com/images/ted/tedindex/embed-posters/RichardWilkinson_2011G-embed.jpg&amp;vw=512&amp;vh=288&amp;ap=0&amp;ti=1253&amp;lang=fr&amp;introDuration=15330&amp;adDuration=4000&amp;postAdDuration=830&amp;adKeys=talk=richard_wilkinson;year=2011;theme=not_business_as_usual;theme=rethinking_poverty;theme=unconventional_explanations;theme=medicine_without_borders;event=TEDGlobal+2011;tag=Culture;tag=Global+Issues;tag=data;tag=money;tag=social+change;tag=visualizations;&amp;preAdTag=tconf.ted/embed;tile=1;sz=512x288;" pluginspace="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" /></object></p>
<p>Parece que acabou o tempo da naturalização da desigualdade, embora o uso da epidemiologia, uma ciência médica, talvez sinalize a naturalização da <em>igualdade</em>. A epidemiologia, armada com a estatística, sempre foi biopolítica; agora, tornou-se mais do que nunca bioética, ao basear a Vida Boa e o Bem. Não se enganem: discutir saúde é discutir também e até&#8230; confiança.</p>
<p>Nesse momento de crise, as diferenças acintosas (renda, padrão de vida, saúde&#8230;) estão cada vez mais intoleráveis. As consequências políticas são consideráveis, tanto à direita como à esquerda. A sensibilidade igualitária leva, numa situação de intolerância à desigualdade, a uma radicalização política. Por que determinados grupos de pessoas <em>vivem</em> mais e melhor do que outros? É um pergunta política, mas que pode sofrer um deslocamento bioético: por que tais grupos de pessoas são mais&#8230; saudáveis do que outros?</p>
<p>Os tempos mornos acabaram?</p>
<p>A &#8220;luta de classes&#8221; voltou&#8230; Uma luta saudável.</p>
<p>PS: incrível, até Fukuyama disse que a estagnação da renda média dos americanos e o aumento da  desigualdade causaram a bolha. Fukuyama é aquele que tinha decretado o fim da história; logo, a eternidade do liberalismo e do <em>modus vivendi</em> americano. São os liberais cuspindo no prato do liberalismo. Podem cuspir à vontade, pois estão mesmo podres de rico. Só os liberais tucanos, tipo Pérsio Arida,  ainda são cães fieis aos donos do dinheiro. Segundo o financista, a culpa da crise é da oferta de grana e das pessoas, principalmente desses mortais comuns que idolatram a mufunfa e, por isso, endividam-se &#8212; não são racionais como os banqueiros, por exemplo. E, evidentemente, é contra aumento de salário mínimo, embora seja a favor de aumento do salário máximo dos executivos do mercado financeiro.</p>
<p>(Assim como o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo e suas férias de 60 dias, os executivos precisam ganhar fortunas para preservarem a sanidade mental. Ganhar muito dinheiro no mercado desgasta muito; cansa até)</p>
<p>Criticar os donos do dinheiro é ingênuo e ineficaz. Banco é tão valioso que, se falir, a crise multiplica e afeta o povo. E, se banco perde dinheiro, empresta menos, e a economia, por isso, cresce menos.</p>
<p>Todo mito é real. Sendo real, vira verdade. Mas podemos imaginar um cenário distópico: a moeda é pública (não é bem assim) e o crédito é privado (não é bem assim), o Estado acaba com os bancos privados, desapropria a privatização do crédito, cria uma rede bancária estatal e pública, e pronto, estamos de volta ao pesadelo de todo tucano: um mundo sem bancos privados. Sem crise? Não, não, o mundo ia acabar. É tudo imaginação, viu?! Imaginar é que nem vinhozinho gaulês, é bom e só faz bem. Além do mais, antes de mesmo de escutarmos as gargalhadas dos banqueiros tecnocratas, acabaríamos com o Estado&#8230;</p>
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		<title>Lia e esperava</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 17:24:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luvanor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Lia Veja e esperava. Estava no dentista. A leitura de Tio Rei e de Augusto Nunes deixaram-no completamente anestesiado. Recebera esse espetacular conselho. Vai ao dentista? Está com medo da dor? Leia Veja ou Caras. Não sentia mais nada no dente e pensou em se mandar. Hesitou na decisão e fez um teste: parou de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lia Veja e esperava. Estava no dentista. A leitura de Tio Rei e de Augusto Nunes deixaram-no completamente anestesiado. Recebera esse espetacular conselho. Vai ao dentista? Está com medo da dor? Leia Veja ou Caras. Não sentia mais nada no dente e pensou em se mandar. Hesitou na decisão e fez um teste: parou de ler Tio Rei. A dor voltou. Retornou rápido à leitura. Tio Rei chamava sua mulher de Dona Reinalda. Enquanto ria, afinal, <em>isso é muito engraçado</em>, seu lado esquerdo ficou paralisado. Justamente, o lado esquerdo, pensou, a Veja realmente é canhoticida. Como exagerara na dose, tentou diminuir a paralisia mudando de colunista. Leu assim Lauro Jardim, do dito Radar On-Line: “notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento”. Recuperou logo seu lado esquerdo, mas notou que não sabia mais o que era “negócios e entretenimento”. Seu raciocínio estava lento. Perdera a capacidade de ler. Aliás, o que era ler?! Balançou a cabeça. Parecia oca, embora algo se mexesse lá dentro, pra lá e pra cá. Sentiu-se perigosamente feliz. Estava burro, a condição necessária à felicidade. Sem querer, deixou a revista cair. Foi sua sorte ou seu azar, nunca se sabe. Olhou a revista no chão, perto de seus pés, e viu suas sandálias. Comprara no Mr. Cat. Eram invocadas. Cat era gato? Deu um riso debiloide: tinha uma sandália de gato? Ruá, ruá, ruá. Riu e gostou de rir. Ainda estava feliz. Mas a dor de dente voltara, e pegou a revista, novamente. Voltou a ler Tio Rei. Estava escrita a expressão &#8220;homens de bem&#8221;. Aaah, a anestesia&#8230; Procurou a dosagem certa de leitura e anestésico. Conseguiu um equilíbrio. A dica, quando a dor aparecia, era acreditar no que lia e levar tudo a sério quando a paralisia ia tomando conta. Leu mais. Era canalha, ali, petralha, acolá – todos fascistas e comunistas, ao mesmo tempo. Achou engraçado. A dor, a dor, não, não, tudo é sério! Canalhas e petralhas e fascistas e comunistas. Sim, sim, o Brasil é fascista e comunista, tudo misturado. Aaah, a anestesia&#8230; Como precaução, permaneceu sério e leu mais um pouquinho; pior, pensou seriamente e tirou, <em>horribile dictu</em>, conclusões.</p>
<p>- O Armagedon estava a caminho (tecnicamente, Armagedon é o nome de uma cidade pequena do interior de Pernambuco, onde se cultiva abacate).<br />
&#8211; Não havia como evitá-lo.<br />
&#8211; Aconteceria em Recife – por causa de João da Costa? Bem, começaria no Recife, de todo modo. Depois, espalhar-se-ia por todo canto.<br />
&#8211; Estava na lista do Inferno. Não havia razão para estar nalguma lista celestial. Votei em Dilma, divagou, imagine só&#8230; (mas não votara em João da Costa ou João Paulo, o que lhe dava uma minúscula chance de escapar do fogo eterno).<br />
&#8211; Tudo era sombrio e pavoroso. Não havia luz no fim do túnel. E, se houvesse, era uma carreta na contramão.<br />
&#8211; O melhor a fazer era encontrar um boteco aconchegante e beber, até ficar absolutamente fora de sintonia com o mundo. Não ficar antenado, em suma. O mundo acabaria, e continuaria a beber.<br />
&#8211; Se, por acaso, o mundo não acabasse, sairia de seu emprego e trabalharia com seu irmão, demissionário da Eletrobrás, que começava a criar galinhas num alçapão em Cabrobó.</p>
<p>Parou de concluir. Era uma bela lista de conclusões. Voltou a ler. Tio Rei defendia as balas de borracha contra a Cracolândia. Deve doer uma bala de borracha. Sem anestesia, então. Fez uma associação, e pensou na dor de dente. Tentou outras conclusões. No entanto, não conseguiu mais nada. Havia um problema de fundo: era otimista. Não havia subtons morais na sua vida &#8212; sua biografia era reta e linear. Mesmo assim, sentia uma leve irritação quando não sabia distinguir a diferença entre o certo e o errado, principalmene diante de uma criança. O mundo podia acabar, mas ele sobreviveria – e bebendo, ainda por cima. Se havia alguma certeza na sua vida, principalmente nos momentos difíceis, era a convicção de que acabaria, inevitavelmente, por cima da carne-seca. O universo conspirava a seu favor, pensou. Sentia a obrigação de dizer isso ao mundo. Era tudo uma questão de estar no lugar certo na hora certa.</p>
<p>Estava, agora, no dentista.</p>
<p>O pensamento deixou-o meio desconcertado. O Armagedon, o Brasil no fascismo e no comunismo, e ele ali no dentista. Sentiu algo remexer dentro dele – na sua barriga, para ser exato. Era verme? Chegando em casa, tomaria Giamebil, à base de hortelã &#8212; mata todos os vermes. Imaginou vermes mortos e se acalmou.</p>
<p>De repente, a recepcionista chamou-o para entrar no consultório.</p>
<p>Houve um momento de hesitação, respirou fundo e entrou.</p>
<p><strong>Em tempo</strong>: antes de entrar no consultório, percebeu que não tinha nada no bolso. Tinha sua carteira, era certo, mas não valia como exemplo.  Pensou que jamais levava consigo algo realmente útil. Era uma falha gritante de seu caráter. Já Casanova, pensou, levava consigo, o tempo todo, uma pequena valise que continha &#8220;<em>uma côdea de pão, um pote de marmelada, selecionada de Sevilha, faca, garfo e uma colherinha para mexer, dois ovos frescos, envoltos</em> <em>com cuidado em lã virgem, um tomate ou uma maçã do amor, uma frigideira, uma pequena caçarola, uma espiriteira, um rescaldeiro, uma caixa de folha de flandres, com manteiga salgada, tipo italiano, dois pratos de porcelana com osso. Levava ainda uma porção de mel, como adoçane, para o hálito e para colocar no café. Por isso, escreveu que um verdadeiro cavalheiro deve sempre estar preparado para  um desjejum</em><em> à maneira de um cavalheiro</em><em>, mesmo com dor de dente e preste a entrar num consultório odontológico </em>&#8220;.</p>
<p>Enfim, incomodava-o profundamente estar assim despreparado num momento como aquele.</p>
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		<title>Paudurecência</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 22:08:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Edmar envia-me dois &#8220;youtubes&#8221; de Lobão; na verdade, duas entrevistas rápidas. O cabra detona. É uma franqueza que gosta de marteladas. Concordo com várias.
Por outro lado, não deixa de ser engraçado ver em ação o ego de Lobão. Do ponto de vista da psicopatologia, sempre é fascinante reparar nos autoelogios e nas umbigadas de um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Edmar envia-me dois &#8220;youtubes&#8221; de Lobão; na verdade, duas entrevistas rápidas. O cabra detona. É uma franqueza que gosta de marteladas. Concordo com várias.</p>
<p>Por outro lado, não deixa de ser engraçado ver em ação o ego de Lobão. Do ponto de vista da psicopatologia, sempre é fascinante reparar nos autoelogios e nas umbigadas de um ególatra. Mas, como diria Edmar: &#8220;mas sem isso, aí não seria Lobão, né&#8221;?!</p>
<p>Sem dúvida.</p>
<p>Abaixo, Lobão fala de MPB, Restart, e etc e tal. Como escreveu Edmar: &#8220;Paudurecência&#8217; é sensacional&#8230; os arquivos são curtinhos, dá para ouvir sem perder muito tempo&#8221;</p>
<p><a href="http://www.blogdosperrusi.com/2012/01/11/paudurecencia/"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p>
<p><a href="http://www.blogdosperrusi.com/2012/01/11/paudurecencia/"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p>
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		<title>Balas de borracha como persuasão</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jan 2012 12:15:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os colunistas da Folha vibram com os tiros de balas de borracha disparados contra os dependentes de crack. Agora, é a vez de Vinicius Mota. Afinal, bala de borracha causa dor e sofrimento; logo, haverá certamente adesão ao tratamento. E, claro, dão prazer aos colunistas.
Diante das críticas ao método policial sanitário da dupla Alckmin-Kassab, Igor Gielow [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os colunistas da Folha vibram com os tiros de <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,policia-usa-balas-de-borracha-na-cracolandia-no-centro-de-sp,819003,0.htm" target="_blank">balas de borracha</a> disparados contra os dependentes de crack. Agora, é a vez de <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/19038-a-droga-da-preguica.shtml" target="_blank">Vinicius Mota</a>. Afinal, bala de borracha causa dor e sofrimento; logo, haverá certamente adesão ao tratamento. E, claro, dão prazer aos colunistas.</p>
<p>Diante das críticas ao método policial sanitário da dupla Alckmin-Kassab, Igor Gielow <a href="http://www.blogdosperrusi.com/2012/01/06/dor-e-sofrimento-como-politica-publica/" target="_blank">alertava</a> seus leitores a respeito da &#8220;falácia esquerdista&#8221; e da &#8220;patrulha&#8221;. No fundo, para os dois colunistas, quem critica balas de borracha é de esquerda &#8212; o argumento é taxativo e irrefutável. Aliás, a crítica é dissimulação dos esquerdistas, pois podem notar uma coisa: eles adoram ficar na frente de balas de borracha (<a href="http://www.google.com.br/search?um=1&amp;hl=pt-BR&amp;client=firefox-a&amp;rls=org.mozilla:pt-BR:official&amp;gs_upl=9153l24807l0l25361l3l3l0l0l0l0l313l840l2-2.1l3l0&amp;bav=on.2,or.r_gc.r_pw.,cf.osb&amp;biw=1280&amp;bih=673&amp;q=movimentos%20sociais%20balas%20de%20borracha%20%20&amp;ie=UTF-8&amp;sa=N&amp;tab=iw&amp;ei=YdcKT6_3NcPAtgeLh4iHDw" target="_blank">aqui</a>). Já Vinicius Mota chama os críticos de preguiçosos, derrotistas e utópicos. Não ideologiza tanto os termos, embora tome a mesma direção:</p>
<blockquote><p>Tática contumaz do especialista preguiçoso é fazer-nos supor que todo problema é muito mais amplo do que parece. Depois, faz firula até mostrar que não há solução -quando não deixa implícito que a solução requer uma nova ordem social ou um novo partido no poder.</p></blockquote>
<p>Os especialistas são preguiçosos porque são revolucionários, e vice-versa. No fundo, a solução, defendida pela preguiça, é a tomada revolucionária do poder e a instauração de uma sociedade totalitária e sem mercado, mas sem drogados &#8212; na verdade, ao contrário do que pensa o colunista, fazer uma revolução dá um trabalho danado. Vai ver, inclusive, que os especialistas preguiçosos acham que a droga é uma problema burguês ou de direita.</p>
<p>A polêmica de Vinicius Mota não tem nome, não tem sujeito. É uma atitude típica do jornalismo de escândalo e inquisitorial. Acusa-se sem prova. Diverge-se do vento. Cadê o especialista preguiçoso? Nunca vi mais gordo &#8212; alguém conhece? É aquele ali tomando cervejinha e fazendo, a cada copo, revolução de botequim? Aí fica muito fácil&#8230;</p>
<p>A retórica é bem conhecida: arruma-se um inimigo fictício e bem caricatural; depois,  faz-se de conta que existe e que é poderoso; enfim, num <em>fiat lux</em>, faz-se a caricatura falar. Pronto, a polêmica está bem arranjada e pode-se detonar a crítica. Caricaturar o adversário é a forma mais fácil de se ganhar uma discussão. Essa manipulação retórica cria a sensação de diálogo, mesmo que seja com uma caricatura. E tem efeitos persuasivos bem reais, principalmente quando parte de uma plataforma de poder midiático, como a Folha.</p>
<p>E, finalmente, limpado o terreno, com a flagrante derrota do especialista preguiçoso, o colunista pode dar o arremate final:</p>
<blockquote><p>Não é preciso acabar com a exclusão social nem ter solução nacional para o crack a fim de melhorar bastante a situação calamitosa, mas específica, da cracolândia em São Paulo. O passo inicial é ajustar o foco e recusar a droga da preguiça, oferecida em qualquer esquina.</p></blockquote>
<p>A situação do crack em Sampa é específica, a tal ponto que precisa de porrada, dor, sofrimento e balas de borracha. Claro, há um limite, mesmo para um colunista da Folha; assim, &#8220;o passo inicial é ajustar o foco&#8221; ou, para usar uma caricatura, a mira &#8212; não acertar o olho do dependente, por exemplo, o que seria uma maldade, mesmo para um viciado em crack. Ah, sim, pior do que o crack é a droga ideológica do especialista preguiçoso, vendida em toda esquina de Sampa &#8212; em qualquer esquina? Uau! Sampa, uma cidade prestes a ter uma explosão bolchevique, quem diria&#8230;</p>
<p>Imagino uma conversa fictícia com um taxista alckminista (antigamente, eram malufistas) e escuto até sua opinião imaginária, mas sempre franca, sobre as balas de borracha:</p>
<p>_Balas de borracha?! Pra quê? Por que não matam logo?!</p>
<p>Abaixo, um vídeo sanitário de combate aos viciados; ainda mais,  com uma cuíca e um surdo, como fundo musical (fantástico!):</p>
<p><a href="http://www.blogdosperrusi.com/2012/01/09/balas-de-borracha-como-persuasao/"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p>
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		<title>Férias e sanidade mental</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Jan 2012 13:51:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Essa do Eremildo está ótima (aqui):
Eremildo é um idiota e vai procurar o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, doutor Ivan Sartori, para pedir-lhe que ampare sua reivindicação pessoal de férias de 60 dias.
O idiota leu que o desembargador defendeu as férias de dois meses para os magistrados porque elas preservam a &#8220;sanidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Essa do Eremildo está ótima (<a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/18875-a-sinofobia-prejudica-o-brasil.shtml" target="_blank">aqui</a>):</p>
<blockquote><p>Eremildo é um idiota e vai procurar o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, doutor Ivan Sartori, para pedir-lhe que ampare sua reivindicação pessoal de férias de 60 dias.</p>
<p>O idiota leu que o desembargador defendeu as férias de dois meses para os magistrados porque elas preservam a &#8220;sanidade mental do juiz&#8221;.</p>
<p>Eremildo lê o que pode sobre cretinismo e sabe que uma corrente de psiquiatras associa a idiotice à insanidade mental. Ele acha que, com a ajuda do doutor Sartori e férias de dois meses, deixará de ser idiota.</p></blockquote>
<p>Não nego a pertinência da reivindicação. Estudos do LSM (laboratório de sanidade mental) da Ufpb mostram, de forma cabal, que férias e sanidade mental têm uma correlação positiva. Uma vez, sem férias, por causa da greve, sumi e  passei dias perdido no bosque da universidade. Encontraram-me numa árvore, imitanto uma preguiça. Certo, não nego que enlouqueci, mas meus instintos básicos metaforizaram, pelo menos, um sentimento moral fundamental de todo Perrusi.</p>
<p>Não se sabe bem, ainda, o que faria um presidente de tribunal, absolutamente ensandecido por causa de férias curtíssimas de 30 dias &#8212; coisas lúbricas e abomináveis, certamente. Por isso, o decoro público exige férias longas para desembargadores e que tais. Sem férias longas, os juízes viram cretinos, eis a questão.</p>
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		<title>Dor e sofrimento como política pública</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 23:36:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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O que houve?
Estou perplexo com o &#8220;tratamento&#8221;, implementado pela dupla Alckmin-Kassab, para os dependentes de crack.
O que é isso? Que tipo de higienismo é esse?
E o discurso oficial é delirante: por meio da &#8220;dor e do sofrimento&#8220;, convencerão os dependentes a procurar os serviços de saúde. Propicie dor e sofrimento e haverá adesão ao tratamento. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2012/01/cracolandia-edit.jpg"><img class="size-medium wp-image-6959 aligncenter" title="cracolandia-edit" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2012/01/cracolandia-edit-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>O que houve?</p>
<p>Estou perplexo com o &#8220;tratamento&#8221;, implementado pela dupla Alckmin-Kassab, para os dependentes de crack.</p>
<p>O que é isso? Que tipo de higienismo é esse?</p>
<p>E o discurso oficial é delirante: por meio da &#8220;<a href="http://maierovitch.blog.terra.com.br/2012/01/06/cracolandia-entre-o-populismo-e-a-incompetencia/" target="_blank">dor e do sofrimento</a>&#8220;, convencerão os dependentes a procurar os serviços de saúde. Propicie <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,policia-usa-balas-de-borracha-na-cracolandia-no-centro-de-sp,819003,0.htm" target="_blank">dor e sofrimento</a> e haverá adesão ao tratamento. É uma revolução na saúde pública.</p>
<p>_Viciados, sofram e tenham dor, pois é o caminho da redenção e da conscientização!</p>
<p>Não seria surpreendente a venda de cilícios pelo governo paulista.</p>
<p>_Viciado em crack, experimente cilícios  Opus Dei, os que causam mais dor e sofrimento. Você correrá imediatamente para um médico!</p>
<p>Em São Paulo, a PM tem mil e uma utilidades: serve para criminalizar estudantes da USP e, agora, para &#8220;tratar&#8221; usuários de drogas. A dupla Alckmin-Kassab percebe situações de conflito e de saúde como uma questão de segurança, logo, de polícia. Política é segurança; política é polícia. A violência agora é explícita e se tornou política de governo. Tal atitude não pode se tornar política pública de jeito nenhum. Não pode se espalhar pelo Brasil. É um retrocesso democrático perigosíssimo.</p>
<p>E combater narcotráfico, ao mesmo tempo em que se &#8220;combate&#8221; dependência, <em>no local de venda</em> <em> das drogas</em>, parece &#8220;ingenuidade&#8221;. O traficante da venda não é tão importante quanto o traficante da produção. No local, não se encontrará quem organiza a produção e a distribuição no mercado. E, para encontrar os donos da droga, parece ser mais eficiente a inteligência do que a repressão. Esse tipo de política é um higienismo de espetáculo que faz a festa de programas de TV, como o de Datena.</p>
<p style="text-align: center;">(&#8230;)</p>
<p>Claro, essa minha reação pode ser vista como &#8220;patrulha&#8221; ou como &#8220;falácia esquerdista&#8221; (vide colunista da Folha, Igor Gielow). O colunista não critica a empreitada; no máximo, alega que é jogo eleitoral. Higienismo? Nem pensar. Aparentemente, apoia a medida combinando polícia militar e saúde pública (sem dúvida, tal combinação não caracteriza, pelo menos no manual de redação da Folha, &#8220;higienismo&#8221;). Mas acha que é um risco &#8212; para a estratégia eleitoral da dupla Alckmin-Kassab, evidentemente, e não para a saúde dos dependentes de crack. Aproveita e joga uma frase de efeito moral: <em>é ridículo dizer que os farrapos humanos que praticam crimes para sustentar sua doença têm direitos que se sobrepõem aos da massa impedida de andar pelas ruas do &#8220;centrão&#8221; sem correr riscos. </em>Desconfio de todo jornalista que começa a frase com &#8220;é ridículo&#8221; (além de ser bem adolescente). Ele não quer argumentar, e sim apenas impor sua opinião. E, lendo sua frase, o que alhos têm a ver com bugalhos? Afinal, quem quer sobrepor direitos? Na verdade, a ação policial anula direitos. Farrapos humanos contra massas impedidas? É ridículo. O raciocínio é parecido com a crítica conservadora que se faz aos direitos humanos &#8212; só serve para defender bandidos; neste caso, farrapos humanos. Afinal, <em>se alguém está ameaçado no seu ir e vir é o não usuário de crack. Vá à Luz e veja por si</em>. Não preciso nem sair da cadeira para perceber o uso liberticida, tão comum no jornalismo liberaloide, da noção de liberdade &#8212; em nome da liberdade, dane-se os direitos, pois são imposição do Leviatã, isto é, do Estado (ui, que medo). Já, já defenderão que o mercado é aquilo que sana, próprio para sanar, como elixir paregórico.</p>
<p>Atualmente, ser jornalista implica dor e sofrimento, por isso o nível do jornalismo político é tão redentor. Contudo, a preocupação não é com a qualidade da imprensa, e sim com o fato de existir gente que apoia e sustenta esse tipo de policiamento sanitário (para evitar o uso esquerdista do termo &#8220;higienismo&#8221;). O apoio é tão evidente que se tornou&#8230; jogo eleitoral.</p>
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