Faust

11 de março de 2010, às 20:49h

Rogério, o cientista de Boston, que procura movimentos sociais na Era Lula e não encontra, coitadinho, envia um vídeo do Faust:

FAUST – It’s a bit of a Pain

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Outra versão:

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Um show ao vivo:

Krautrock – Faust

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A banda, experimentando nos idos de 1971:

FAUST (1971, rare footage documentary)

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Não conhecia o grupo. E ele é antigo. Foi fundado em 1971. Talvez desconhecesse o Faust porque era uma banda alemã. Pelo que li, parece ter sido uma banda meio experimental, influenciando o desenvolvimento de texturas ambientais e industriais (não sei o que significa isso; não sei por que escrevi isso). Foi formado por  Uwe Nettelbeck, Hans Joachim Irmler, Jean Hervé Peron, Werner “Zappi” Diermaier, Rudolf Sosna, Gunther Wusthoff e Armulf Meifert.

Nettelbeck converteu uma antiga escola num estúdio de gravação. A banda passou meses isolado totalmente do mundo. O som que saiu dessa experiência era uma cacofonia experimental. Era uma música de endoidar qualquer um, principalmente algumas velhinhas, suas vizinhas. O primeiro disco era um vinil transparente (!) encapado por uma luva também transparente. Não fez sucesso, mas se fez mito. Há de ser ouvido com vasodilatadores cerebrais.

O disco Faut IV foi um fracasso tão retumbante que sua gravadora, a Virgin, recusou-se a lançar o quinto LP da banda. Ela se desfez em 1975. Depois de várias reencarnações, voltou em 1993. Salvo engano, pois não tenho certeza, seu último disco é de 2009 e tem um nome curioso: “c’est com…com…compliqué”.

Sei que não é qualquer um que escuta Faust. É preciso personalidade; um ego forte e dilatado ao extremo. Não se escuta Faust em vão, cá entre nós.

Conversa oca

8 de março de 2010, às 14:03h

Umas das minhas crônicas favoritas de Dimas.

Por Dimas Lins

Ela levantou da rede e foi em direção à cozinha buscar outra garrafa de vinho, enquanto eu permaneci jogado no sofá perdido em nenhum pensamento. Ao retornar desta vez, trouxe à mão um vinho francês com uma composição de uvas cabernet sauvignon-syrah, bastante popular nos supermercados brasileiros. Observei quando ela derramou na minha taça um líquido de cor púrpura muito escuro, quase roxo, com pouca transparência. Depois, encheu também a sua taça e me deu um beijo na boca. Parou alguns segundos e, ainda em pé, ela me olhou de cima e me perguntou em quê eu estava pensando.

- Em nada – respondi.

(Um amigo me disse certa vez que o homem, e só ele, conhece a metafísica do vazio, a nulidade do ser. Ele diz que as mulheres costumam nos apontar o dedo e perguntar “o que você está pensando?”. Elas não acreditam na capacidade masculina de pensar em absolutamente nada. Esta é a sua tese. E a minha também.)

- Ninguém pensa em nada, pois o cérebro não pára. E como ele é o órgão do pensamento e da coordenação neural, você, com certeza, devia estar pensando em alguma coisa.

- Se você entende o pensamento como uma atividade química, eu concordo. Mas há uma grande diferença entre isso e uma atividade psíquica consciente e organizada. No exato momento em que você me perguntou, posso lhe assegurar, meu cérebro agia de maneira livre, independente e incondicionada. Ou seja, ele estava oco, como a touca de um bebê sem cabeça.

E eu ri à beça.

- Toda essa conversa sem pé nem cabeça para ocultar um pensamento?

- Querida, o fato é que mulher nenhuma acredita na intersecção nula, no vão, no oco, no vácuo, no nada.

- Acredito na nulidade de ação dos homens, não do pensamento. O homem existe, logo pensa… Ainda que sejam apenas tolices.

E ela riu e riu e ria. E continuou:

- O nada é a negação da existência ou a não-existência! Então, segundo a sua teoria, se você pensa em nada, logo você não existe. Neste caso, você seria apenas a conseqüência do vazio da minha taça ou o resultado da antimatéria do vinho que eu tomei.

Eu gaguejei e disse sim, mas sim, mas não, nem isso.

- Pensar em nada não nega ao ser a sua existência, embora, nessas circunstâncias, os impulsos elétricos do sistema nervoso central se aproximem de zero tendendo ao infinitivo. É como atingir o Nirvana! Pensar em nada é a supressão da consciência individual!

Ela não respondeu e caímos no silêncio. Tomei minha taça nas mãos e olhei-a como se fosse um filósofo e tivesse criado a frase definitiva do conhecimento humano: “pensar em nada é suprimir a consciência individual!”. Tomei um gole do vinho e abri um leve, mas enigmático sorriso.

- De quê você está rindo?

- De nada – respondi.

- Pensar em nada, eu já nem consigo engolir, mas ri de nada? Impossível! Como a supressão da consciência pode causar espasmo nos músculos faciais?!

- Desta vez o nada não foi absoluto, mas relativo. Não pensava em nada, mas algo que não significava nada. Na gradação do valor do pensamento, o que acabei de pensar não tinha relevância.

- Irrelevante, mas capaz de causar um espasmo muscular?!

Fiquei em silêncio, mas ela manteve-se na ofensiva.

- Você está apaixonado?

- Eu sempre estou apaixonado.

- Por quem?

- Por você, por uma música, por um livro, por um verso… Por muitas coisas.

-Você está apaixonado por outra pessoa?

- Por que essa pergunta oca agora?!

- Quando um homem ri assim e está com a cabeça distante é por que está apaixonado por alguma mulher!

- Meu bem, você está ansiosa e a ansiedade é a expectativa da dúvida.

Sorri, valorizando, por causa do vinho, a frase que acabara de dizer: “a ansiedade é a expectativa da dúvida!”.

- Basta de filosofia! – ela gritou, deixando o nada de lado e partindo para o tudo.

Retrocedi, pois sabia que aquela conversa oca ia dar em nada. Respirei fundo, bebi um pouco de vinho e dei-lhe um beijo na boca. E ela correspondeu aquele beijo.

Caminho a percorrer

8 de março de 2010, às 13:50h

É quase ontem, agora (escrevo às 23:58h). Foi o dia internacional da mulher. Não postei nada sobre o assunto. Mas me lembrei de como o jornalismo de esgoto da Folha e de seus funcionários tratam as mulheres. Lembrei-me de um ato machista e de sacanagem política. Lembrei-me desse post de Josias de Souza, no qual aparece o título “Notas vadias de um domingo de notícias vagabundas” e, logo abaixo, a foto de Dilma Roussef, junto com a ex-prefeita Marta Suplicy.

A melhor forma de comemorar uma emancipação, de qualquer emancipação, é lembrar que temos ainda muito caminho a percorrer.

Editorial explosivo

8 de março de 2010, às 13:48h

Cacetada, olha aí o editorial do O Estado de Minas.

Detonou Serra. Aliás, é bomba por todos os lados.

“Minas a reboque, não!”

Atualizado e Publicado em 08 de março de 2010 às 16:27

Editorial do jornal O Estado de Minas

Indignação. É com esse sentimento que os mineiros repelem a arrogância de lideranças políticas que, temerosas do fracasso a que foram levados por seus próprios erros de avaliação, pretendem dispor do sucesso e do reconhecimento nacional construído pelo governador Aécio Neves. Pior. Fazem parecer obrigação do líder mineiro, a quem há pouco negaram espaço e voz, cumprir papel secundário, apenas para injetar ânimo e simpatia à chapa que insistem ser liderada pelo governador de São Paulo, José Serra, competente e líder das pesquisas de intenção de votos até então.

Atarantados com o crescimento da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, percebem agora os comandantes do PSDB, maior partido de oposição, pelo menos dois erros que a experiência dos mineiros pretendeu evitar. Deveriam ter mantido acesa, embora educada e democrática, a disputa interna, como proposto por Aécio. Já que essa estratégia foi rejeitada, que pelo menos colocassem na rua a candidatura de Serra e dessem a ela capacidade de aglutinar outras forças políticas, como fez o Palácio do Planalto com a sua escolhida, muito antes de o PT confirmar a opção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na política, a hesitação cobra caro, mais ainda numa disputa que promete ser das mais difíceis. Não há como negar que a postura vacilante do próprio candidato, até hoje não lançado, de atrair aliados tem adubado a ascensão da pouco conhecida candidata oficial. O que é inaceitável é que o comando tucano e outras lideranças da oposição queiram pagar esse preço com o sacrifício da trajetória de Aécio Neves. Assim como não será justo tributar-lhe culpa em caso de derrota de uma chapa em que terá sido apenas vice, também incomoda os mineiros uma pergunta à arrogância: se o mais bem avaliado entre os governadores da última safra de gestores públicos é capaz de vitaminar uma chapa insossa e em queda livre, por que Aécio não é o candidato a presidente?

Perplexos ante mais essa demonstração de arrogância, que esconde amadorismo e inabilidade, os mineiros estão, porém, seguros de que o governador “político de alta linhagem de Minas” vai rejeitar papel subalterno que lhe oferecem. Ele sabe que, a reboque das composições que a mantiveram fora do poder central nos últimos 16 anos, Minas desta vez precisa dizer não.

Abandono do barco

8 de março de 2010, às 13:47h

Pesquei a animação no blog Quanto Tempo Dura?

Cliquem na animação, do contrário não funciona. Vá saber…

Leiam também a entrevista de Jarbas Vasconcelos no Acerto de Contas. Desânimo geral.

Marina e Avatar

7 de março de 2010, às 14:59h

Marina queria ser assim

Marina Silva, candidata à Presidência da República, gostou de Avatar (aqui).  Ela gostou mesmo. Faço algumas citações:

A guerreira na’vi bebendo água na folha como a gente bebia.

Bonito essa identificação aquática.

Me tocou muito ver a guerreira na’vi ensinando os segredos da mata. Veio à mente minhas andanças pela floresta com meu pai e minhas irmãs.

Não consegui aprender nenhum segredo da floresta com a guerreira Na’vi. Fui na floresta, aquela que está dentro da UFPB, e não consegui fazer nenhuma relação entre a sua vegetação e a da floresta de Pandora. São planetas diferentes, penso eu. Além do mais, o ar de Pandora é venenoso. Acho essa informação importante, politicamente: Pandora é venenoso para os humanos.

É incrível revisitar, misturada à grandiosidade tecnológica e plástica de Avatar, a nossa própria vida, também grandiosa na sua simplicidade.

Minha vida é menos simples do que complicada. É uma pena, pois queria ser simples, sem complicação. Para o bem ou para o mal, não consegui fazer relação alguma entre a babaqu… ops! o filme Avatar e a minha vida.

Chorei diversas vezes e um dos momentos mais fortes foi quando derrubam a grande árvore. Era a derrubada de um mundo, com tudo o que nele fazia sentido

Não chorei e, agora, estou com uma baita consciência de culpa. Posso ainda chorar?

E, em seguida, a grande beleza da cena em que, para ser novamente aceito no grupo, tem a coragem de fazer algo fora do comum, montando o pássaro que só o ancestral da tribo tinha montado, num ato simbólico de assunção plena de sua nova identidade.

Tive acesso ao roteiro original. O herói foi morto pelo bicho monstruoso. Ele arrancou seu coração e o comeu. Foi um final mais dramático e mais realista.

Impossível não fazer as conexões entre o mundo de Pandora, em Avatar, e nossa história no Acre.

Rapaz, não consegui perceber relação alguma entre Avatar e a história do Acre. Sou um insensível, e a ignorância nutre minha alma.

A ficção dialoga muito profundamente com a realidade.

Sei… o planeta é vivo.  Na verdade, a ficção dialoga com o realismo mágico da ecologia profunda.

Encontrei na tela, em 3D e muita beleza plástica e criatividade, um laço profundo e emocionante com a nossa saga no Acre, com Chico Mendes. E percebi que, assim como no filme, éramos considerados praticamente alienígenas, não humanos, não portadores de direitos e interesses diante dos que chegavam para ocupar nosso espaço.

Marina apelou. Não se deve invocar, em vão, o nome de Chico Mendes .

No Acre nos deparamos com muitos que viam nossos argumentos como sinônimo de crendices, superstição. Coisa de gente preguiçosa que seria “curada” pelo suposto progresso de que eles se achavam portadores.

Se os argumentos eram do naipe da profundidade política de um representante do povo Na’vi…  sei não. No Acre, gritava-se “Eywa, Eywa, Eywa”?! O fanatismo telúrico como política ecológica, eis a questão.

A força está em, de certa maneira, nos levar a sermos avatares também e a tomar partido, não só ao estilo do Bem contra o Mal, mas em favor da beleza, da inventividade, da sobrevivência de lógicas de vida que saiam da corrente hegemônica e proclamem valores para além do cálculo material que justifica e considera normais a escravidão e a destruição dos semelhantes e da natureza.

Achei meu “povo”

E, se nada mais tenho a dizer sobre Avatar, quero confessar que aquele povo na’vi tão magrinho e tão bonito foi para mim um alento. Quando fiquei muito magra, na adolescência, depois de várias malárias e hepatite, me considerava estranha diante do padrão de beleza que era o das meninas de pernas mais grossas, mais encorpadas. Sofria por ser magrinha demais, sem muitos atributos. Agora tenho a divertida sensação de que, finalmente, achei o meu “povo”, ainda que um pouco tarde. Houvesse os navi na minha adolescência e, finalmente, eu teria encontrado o meio onde minhas medidas seriam consideradas perfeitamente normais.

No roteiro original, os Na’vi eram obesos e comedores de carne crua. Em tese, não tenho nada contra os gordos — será que são ecologicamente incorretos? Tudo bem, queria ser bonito como um Na’vi, embora os ache altos demais.

Marina é uma Na’vi, uma extraterrestre. Além de ser ambígua com o criacionismo, curte a deusa Gaia. Identifico-me com outra cepa ecológica e faço outro elogio à razão.  E, como Prometeu, odeio todos os deuses, em particular, os da moda, especialmente, Gaia.

Pelo menos, decidi que não votarei nela; sim, por puro sectarismo, confesso.

Acho que estou de mau humor…

PS: Avatar é uma mistura malfeita de clichês: os “avatares” de Matrix, as aeronaves de Guerra nas Estrelas, os bichos de Parque Jurássico, tendo como pano de fundo um sincretismo vulgar que combina misticismo ecológico, mito do bom selvagem, tecnofobia e anticapitalismo. Mas as cenas são lindas, de fato.

Encontrei na tela, em 3D e muita beleza plástica e criatividade, um laço profundo e emocionante com a nossa saga no Acre, com Chico Mendes. E percebi que, assim como no filme, éramos considerados praticamente alienígenas, não humanos, não portadores de direitos e interesses diante dos que chegavam para ocupar nosso espaço.

Zéfiro

7 de março de 2010, às 13:59h

Quem quiser um pouco de erotização antiga, bem leve, sem o peso vulgar do pornô atual, visitem esse site, aqui — aliás, quem gosta de desenho bem feito, vale a pena:

Carlos Zéfiro

Carlos Zéfiro (abraços, agora, amigáveis)

Jeff Healey – While My Guitar Gently Weeps

7 de março de 2010, às 11:59h

VanVan, o cientista cearense, envia um vídeo pauleira.

Curioso, não conhecia o cabra…

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Paranoia e Cinismo

6 de março de 2010, às 13:04h

A psiquiatria é uma ciência exata.

Querem um exemplo de paranoia?

Vejam, abaixo:

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Outro nome interessante para essa enfermidade é: cinismo.

Sair do armário

5 de março de 2010, às 11:49h

Há duas maneiras eficazes de fazer oposição a Lula: pela esquerda ou pela direita. Pela esquerda, talvez, Marina, embora eu não esteja convencido disso. Mas, até agora, ela vem comendo pelas beiradas, fazendo críticas de centro-esquerda e de esquerda ao governo Lula. Mesmo assim, quero esperar mais um pouco para avaliar. Pela direita… bem… er… a direita no Brasil — leia-se: a tentativa de fundar um liberalismo brasileiro — não tem força política suficiente. A falta de coerência nas ideias realiza-se na incoerência de sua prática econômica, ou o contrário, como queiram. Os capitalistas brasileiros são “liberais” de editorial do Estadão — são fantásticos os editoriais liberais do Estadão –, mas não deixam de recorrer aos juros subsidiados do BNDES, à grana do Banco do Brasil e ao Tesouro Nacional. Com essa prática econômica, tão dependente do Estado, não tem liberalismo que se aguente. A forma como se organiza o capitalismo brasileiro determina, em primeira instância, o cinismo dos grandes empresários tupiniquins.  Seria, por isso, que um liberal brasileiro é, antes de tudo, um hipócrita.

Assim, como fazer oposição a Lula pelo centro ou adotando uma postura social-democrata? Não tem como. E esse é o dilema do PSDB. Não é propriamente liberal e nem consegue assumir um discurso, de fato, social-democrata. O que se escuta mais, no PSDB, é o lamento de que o governo copiou seu programa e de que, no fundo, Lula continuou a obra de FHC.  Verdade ou engano, tal posição é completamente esquizofrênica e só cria ressentimentos. Mágoa distorce e destrói, caros amigos: cada vez que o PSDB assume o discurso do DEM, isto é, da direita liberal, perde sua identidade e se torna inócuo e descartável.

Os tucanos estão com graves problemas de reconhecimento, isto é, de identidade. Não se assumem, coitados. Há teses de que a melhor forma de assumir é sair do armário. Como sair do armário tucano? Ora, é assumir, de vez, que é cofundador do governo petista e que PT e PSDB são primos e parceiro na construção da hegemonia social-democrata no Brasil. Os tucanos precisam sair da oposição e oferecerem um apoio crítico a Lula e sua candidata, Dilma. Assumir que a única oposição social-democrata ao governo sairá, justamente, do ventre do Lulismo — uma oposição parceira, mas crítica. Ciro percebeu isso; Aécio está percebendo.

Essa solução pegaria mal aos tucanos? Ô, se pegaria! Contudo, o constrangimento seria rápido, rapidíssimo. Pois não subestimem a capacidade de Lula e do PT de reabilitarem inimigos de classe — aliás, qualquer tipo de inimigo. Têm uma lábia, os petistas. Um incrível poder de mudar os discursos, segundo suas conveniências. Eles têm dois atributos fundamentais do maquiavelismo: frieza e pragmatismo — desse ponto de vista, faço aqui um elogio. Não reabilitaram Delfim Netto, Sarney, Collor et caterva?! Seria doce de goiaba reabilitar FHC e Serra.

(conheço muito petista que está doido para elogiar FHC e Serra. Já escuto elogios rasgados a Aécio — contanto que não saia como candidato a presidente, claro)

(se o regime brasileiro fosse parlamentarista, provavelmente, os dois “primos” seriam aliados ou já estariam unificados)