Fim do mundo

5 de março de 2010, às 10:14h

Há sinais do fim do mundo, claro. Acredito, piamente. Tenho, apesar disso, dificuldade em perscrutá-los. Mas esse abaixo é tão óbvio, tão evidente…

Boneca inflável para cachorros

Primeira Sex Doll para cães do mundo já está disponível no mercado

A primeira boneca do mundo para cães praticarem sexo que foi lançada oficialmente na 8º edição da Pet South America em julho deste ano no Brasil, já está disponível no mercado para compra.

Há razões para crer que isso não resolve o problema.

Estou, agora, na praia de Intermares, esperando o tsunami…

Porra, esqueci a cerveja!

Boneca inflável para cachorros
POR VIVES | EM SEM CATEGORIA | TAGS: CÃES

 

   

    


 

  

 

   




 





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Você deve conhecer ou já deve ter ouvido falar sobre essas bonecas para
homens que são populares em Sex Shops de todo o mundo. Existem
aquelas infláveis, inteiras de silicone, entre outros modelos. Pois é, agora
uma empresa com sede no Brasil e Estados Unidos iniciou as vendas da
primeira boneca para cães do mundo. É isso mesmo, uma boneca para cães
praticarem sexo. A maioria dos cães não castrados e até mesmo alguns que
são castrados, vivem atrás de alguma coisa para tentar praticar relações
sexuais. Eles tentam cruzar com almofadas, bichos de pelúcia, pernas alheias e até mesmo com
outros animais.
Para acabar com isso, e melhorar a vida dos cãezinhos, a empresa PetSmiling, está trazendo ao
mercado a DoggieLoverDoll: uma cadela fabricada em borracha macia (vinil) de alta resistência e
com canal vaginal de silicone.
A boneca está disponível no tamanho pequeno e em breve terá suas versões em tamanho médio e
grande para poder atingir todas as raças existentes. “Tive a idéia de fabricar a boneca, quando meu
maltês começou a querer pegar a perna de todo mundo. Fui pesquisar sobre o produto para comprar
e não encontrei em lugar nenhum do mundo. Resolvi fabricá-lo!”, revela Marco Giroto, proprietário
da empresa PetSmiling, responsável pela novidade mundial. O produto é exclusivo e já foi
patenteado nos principais países do mundo onde ele será comercializado. O produto demorou um
pouco para ficar disponível, pois foi preciso melhorar o produto deixando o brinquedo com mais
aspecto de cão, ou seja, essa versão já é uma segunda versão melhorada. A novidade mal foi lançada
e já recebeu pedidos de vários países, inclusive, dos Estados Unidos, Alemanha, Itália, Japão, China
entre outros.
Durante a fase de testes do produto, com alguns cães, inclusive com o maltês Flock (responsável
pelo surgimento da idéia), os animais mostraram uma melhor qualidade de vida que foi medida pela
diminuição da ansiedade, menos latidos, menos demarcações de território. Ou seja, os cães vivem
melhor, pois colocam para fora toda sua sexualidade reprimida, durante anos, em alguns casos.
Quando o cão tenta cruzar com pernas, bichos de pelúcia e outros objetos, ele dificilmente consegue
chegar à ejaculação; já com a DoggieLoverDoll, ele consegue. Os cães possuem um grande apetite
sexual e essa novidade, com certeza, irá melhorar a vida deles. Lembrando que nem todos os cães
aceitam a novidade. É necessário um pequeno treinamento com o cão para que ele se acostume com
o brinquedo, pois não existe nenhum atrativo para o animal uma vez que tal atrativo poderia deixar
o cão mais ansioso. O brinquedo serve também como um educador para que o cão saiba que é neste
brinquedo que ele tem que “praticar” e não em pernas alheias.
A novidade pode ser encontrada em breve nos melhores pet shops do mundo e já está sendo vendida
pelo site www.petsmiling.com ou pelo telefone (11) 4063-7007. O produto custa R$260,00 para o
tamanho pequeno. Os pet shops que quiserem revender a novidade, que promete sacudir o mercado
PET (em pleno crescimento), poderão entrar em contato com a empresa no telefone (11) 4063-7007
ou pelo e-mail contato@petsmiling.com.

Diversão tucana

4 de março de 2010, às 20:08h

Na inauguração da Cidade Administrativa Tancredo Neves, a multidão, presente ao ato, grita:

_ Aécio presidente! Aécio presidente!

Serra está lá. Não pisca, rosto impassível. E não ri. Faço a hipótese de que jamais tenha rido. Seu sorriso é apenas um rictus, uma contração labial ou facial, um reflexo muscular — não tem sentido. Aécio conta às gargalhadas que, um dia, fez Serra rir, causando câimbras na sua boca. Tudo tremia: dente, gengiva, língua, bochecha, lábios, nariz, olhos, pestanas. Com as convulsões faciais, Serra perdeu um dente. A animosidade entre os dois vem dessa época. Embora Aécio pagasse o dentista, Serra não o perdoa por tê-lo feito rir.

Impressiona como os tucanos gostam de humilhar os… tucanos. É divertido. Aliás, é a maior diversão da política brasileira. Dá vontade de rir.

E a diversão continuou… Parece que os mineiros pensaram em almoçar com Serra. O prefeito de Duque de Caxias, Zito (PSDB-RJ), conta como foi:

_Encontramos com ele, íamos almoçar e nada. O cara é gelado. Imagine quando era ministro.

De fato, é muito divertido.

Grafite

2 de março de 2010, às 16:43h

Olha aí o golaço de Grafite, eterno jogador do Santinha, que tem a bandeira sagrada pendurada na sala. Há boatos de que o canal pago, aquele que faz propaganda descarada da Máfia dos 13,  foi entrevistá-lo, mas queriam que tirasse a bandeira do recinto. Recusou, de forma enfática. Propuseram a bandeira do time do Morumbi ou do Brasil. Novamente, Grafite recusou. Findaram fazendo a entrevista, mas cortaram a cena da sala quando Grafite beijava a sua amada bandeira.

Claro, são boatos. Foi Tsé-Tsé que me contou toda essa estória. Ele conhece o eterno artilheiro do Clube do Santo Nome. Ele me disse que Grafite ficou injuriado com a conduta do canal pago.

O artilheiro deseja ser o sucessor de FBC no clube. Terá meu voto.

_Quando voltar! — teria dito.

Foi convocado, mas não faz parte da “família Dunga” — argh!

Lá vai:

Imagem de Amostra do You Tube

Depois do jogo: soube agorinha que Grafite tentou entrar no jogo com a camisa do Santinha. Sem dúvida, um sinal de amor louco pelo seu clube. Houve discussões e ponderações. Dunga vetou, de forma autoritária, mas não notou que a camisa continuava debaixo da do Brasil. O seu passe de calcanhar a Robinho teve a mística da camisa, com certeza. Grafite é muito melhor do que Adriano, essa imposição imperial da Globo; mas, apesar disso, não será chamado para a Copa. O artilheiro reeditará a injustiça que fizeram com Nunes, o cabelo de fogo, aquele centroavante que jogou, depois, em dois clubes cariocas, que não me lembro mais os nomes, mas já numa etapa decadente de sua carreira.

QI e fidelidade

1 de março de 2010, às 20:25h

Cuidado, é uma burrice.

Muitas vezes, a psicologia evolutiva e a economia (elas se encontram nalguns pontos das ciências humanas) apresentam uma vulnerabilidade bem tosca: ao pensarem que são ciências protegidas pelo rigor do método, esquecem que são influenciadas pelo contexto histórico e social. Certa economia, por exemplo, pensa que o indivíduo é uma máquina de calcular competindo com outras máquinas num ambiente de mercado. Matematiza-se a ação racional dessas máquinas e se joga no computador, como simulação. No ambiente virtual, tudo funciona perfeitamente; na vida real, são outros quinhentos. Por isso, essa economia, geralmente afinada com o mundo financeiro, nunca dá uma dentro… Não, não, estou sendo implicante. Essa economia funciona muito bem para ganhar dinheiro (no mercado, até se pode imaginar as pessoas funcionando como máquinas racionais, compulsivamente atrás de grana) — ela é, na verdade, um desastre para prever crises e ajudar o bem comum.

Já certa psicologia social esconde-se atrás da evolução para legitimar crenças morais. Evolução vira “progresso” e, no fundo, uma filosofia moral. Possui um desprezo impressionante pelas ciências sociais, oferecendo respostas fáceis a problemas sociais e históricos complexos, e faz o gosto da mídia — faço a hipótese de que a mídia prefere comumente uma explicação simplista a uma mais complexa, que exigiria mais esforço cognitivo e mais pesquisa.

Leiam aqui, por exemplo, essa pérola sobre a função evolutiva do estupro:

Do ponto de vista evolutivo, ele foi vantajoso para os homens. Pegar mulheres à força permitia que um macho fizesse dezenas, centenas de filhos, coisa que contou pontos no jogo da evolução.

Desse ponto de vista, meus caros amigos, recomendo a prudência, já que, dentro de nós, existe um monstro violador. Aposto que um de vocês, nesse exato instante, teve uma fantasia sexual extremamente violenta. Ahá, peguei você, hein, seu tarado!

Outro exemplo interessante é o estudo de um especialista em psicologia evolutiva da London School of Economics, Satoshi Kanazawa, que tenta demonstrar que

homens inteligentes estão mais propensos a valorizar a exclusividade sexual do que homens menos inteligentes.

Em suma, seu estudo vincula o QI baixo à infidelidade. Leiam aqui. Cito alguns trechos da reportagem:

Kanazawa analisou duas grandes pesquisas americanas a National Longitudinal Study of Adolescent Health e a General Social Surveys, que mediam atitudes sociais e QI de milhares de adolescentes e adultos.

Ao cruzar os dados das duas pesquisas, o autor concluiu que as pessoas que acreditam na importância da fidelidade sexual para uma relação demonstraram QI mais alto.

De acordo com o estudo, o ateísmo e o liberalismo político também são características de homens mais inteligentes.

Evidentemente, ele tem toda razão a respeito do ateísmo. Sou a prova viva dessa constatação :mrgreen: . Errou, claro, em relação ao liberalismo político…

Kanazawa acrescenta, ainda, que o estudo conclui

que o comportamento “fiel” do homem mais inteligente seria um sinal da evolução da espécie

Vejam que o termo “sinal da evolução da espécie” é normativo, significando apenas o sentido comum de “progresso” e de um tipo que implica “evolução moral”. O homem evoluído é um indivíduo liberal, ateu e fiel — moralmente superior, quem sabe. Deve ser anglo-saxão, pelo visto.

Discutindo essa instigante questão numa mesinha de bar, um colega, que não é nem um pouco inteligente, chorava suas tolices. Num instante de lucidez, levantou a seguinte conjetura:

_Os homens de QI mais alto são inteligentes porque nunca foram descobertos.

Fiquei espantado com a hipótese. Kanazawa, do alto de sua inocência positivista, esqueceu-se, talvez, desse pequeno detalhe. Confesso que não quero nem pensar nas consequências evolutivas e morais, caso essa suposição se confirme cientificamente. Fico assim calado. Diante do indizível, é melhor fechar a boca. No fundo, achei o devaneio de meu colega uma temeridade.

De todo modo, mesmo um burro pode ter seus momentos de clarividência. Meu colega sabe que não é inteligente, pelo menos do ponto de vista da psicologia evolutiva, porque pulou feio a cerca e foi pego de maneira vergonhosa. Imaginem, usou seu cartão de crédito num lugar muito, muito suspeito. E tem conta conjunta, a anta. Além do mais, sua mulher é bancária…

Vai ser burro assim no raio que o parta.

Cuba e Links

1 de março de 2010, às 18:00h

Para quem não conhece, lá vai o endereço do blog da dissidente cubana, Yoani Sánchez: Generación Y

Um artigo seu, sobre a morte do dissidente cubano, apareceu aqui.

Do outro lado…

Uma versão bem diferente.

Aproveitem e leiam a defesa da “democracia” cubana no site “Agência Carta Maior”, aqui. Outra defesa, nesse endereço, aqui.

Pessoalmente, acho difícil discutir com esse tipo de esquerda: dá azia e vontade de vomitar.

Adorno chamava de fascismo de esquerda…

Anabela de Malhadas

1 de março de 2010, às 17:48h

Pesquei esse vídeo no NPTO – aliás, quem quiser uma boa discussão política passe por lá.

É um concurso de rádio lá em Portugal. As pessoas ligam e precisam acertar o peso de um saco. O locutor dá a margem permitida do peso. Anabela, a ouvinte, apesar da insistência do locutor, insiste em dizer sempre um valor fora da margem permitida. A conversa, aos poucos, fica surreal…

Imagem de Amostra do You Tube

Especulação

1 de março de 2010, às 8:41h

Tomando uma cervejinha com um amigo petista…

E querendo chatear…

_E se Serra desiste?!
_Aí, meu chapa, será a nossa glória e a humilhação dos tucanos!
_E se, com a desistência de Serra, Aécio topa sair candidato a presidente?

Houve um silêncio. O amigo tomou lentamente a cerveja. Colocou mais no copo. Disse que a cerveja estava meio quente.

_Por que você diz isso?
_É só uma especulação. Estamos num bar, lugar de especulação.
_Não gosto de especulação. Não faço como você, revoluções num bar.
_Não seja agressivo. E eu nem mais faço revoluções num bar. Desde 89, aliás… É um tempão. Só gosto de especular.
_Detesto especulações. Sou é pragmático! Pra mim, política é pão-pão, queijo-queijo!
_Justamente, se o pão e o queijo de Minas se candidatar e colocar Ciro como vice?

O amigo ficou verde. Afastou as batatinhas de si.

_Essa cerveja tá uma merda!
_Tá meio quente, né?! Mas tudo tá quente, aqui, em Recife.
_Não aguento mais esse calor. Tô me sentindo mal. Acho que foi aquele bolinho de bacalhau…
_Aécio, como candidato a presidente, e Ciro, como vice: é pauleira, hein?!

O amigo levantou-se da mesa. Olhou-me com uma cara meio de choro. No seu semblante, parecia dizer: _por que você faz isso comigo? Eu ia responder que faço porque sou mau feito um pica-pau. Mas ele  estava verde-escuro e, antes que esboçasse qualquer ação,  saiu correndo direto ao banheiro.

Era a terceira vez que acontecia tal fato; o terceiro petista consecutivo que corria ao banheiro diante de meras especulações. Ou era a especulação ou o bolinho de bacalhou do bar era, com efeito, uma porcaria.

Continuei a beber, sozinho. A cerveja, realmente, estava quente.

Herói

1 de março de 2010, às 7:48h

Neymar é um herói.

Que lençol deu em Chicão.

Foi a melhor resposta que podia oferecer ao cabra.

Foi ameaçado de “morte”.

Chicão foi humilhado na bola.

Justo.

(que mala, o Roberto Carlos. Contrataram o maior mascarado do mundo!)

Calor medonho

27 de fevereiro de 2010, às 13:15h

Todo mundo sabe que faz um calor danado em Recife. É oleoso, pegajoso, opressor. Por isso, morando perto do rio, junto da água, portanto, coloquei um calção de banho, minhas sandálias havaianas e fui andar na avenida. As pessoas me olhavam, alguns de maneira curiosa, outros mais inquisidores — as velhinhas, aparentemente, constrangidas. É um lugar de exercício e de passeio, a avenida Beira-Rio. Voltei ainda com mais calor.

Tinha que ir à cidade, ali no final da Boa Vista, perto da ponte e do rio. Com tamanho calor, fui como estava, isto é, de calção de banho e de sandálias, mais uma bolsa com meus pertences. Fui de ônibus, já que estava sem carro. Achei estranhas as olhadas insistentes das pessoas na parada. Era um ponto de ônibus perto do rio. Quando subi para o ônibus, não fui barrado pelo cobrador, porque ele ficou, aparentemente, surpreendido demais comigo. Não entendi bem o motivo, mas não me importei e deixei pra lá. Consegui um assento e fiquei sozinho, ostensivamente sozinho. Ninguém queria, vá lá saber, sentar do meu lado. Tudo bem, sou solitário mesmo e detesto conversar com o vizinho num ônibus. O inimigo é o Vizinho. Eles sempre conversam sobre tudo e sobre nada. Fiquei na minha.

Saltei do ônibus nas imediações do rio e do cinema São Luís. O calor estava insuportável; o sol, de lascar. Ainda bem que pusera protetor solar, antes de sair. Notei que as pessoas me olhavam, algumas crianças apontavam, e eu continuava a não entender a razão. Fui numa lojinha perto do cinema, o único lugar do planeta que tinha a pilha de meu relógio. O funcionário me atendeu friamente. Uma mulher, ao meu lado, parecia mal-humorada e se abanava toda. Praticamente, não fui notado. Comprei minha pilha.

Atravessei o rio. Uma cidade com rio e mar tem seus privilégios. Recife podia ser linda, pensei. Não é. Mas, na ponte, apreciava a possibilidade de sua beleza. Sentia, também, seu cheiro real de mijo. Nunca entendi bem por que esse cheiro é tão presente. Os recifenses, no centro da cidade, mijam sem parar? Provavelmente, séculos de mijadas causaram essa impregnação. Talvez, os culpados tenham sido os holandeses. Amsterdam tem cheiro de mijo? Não me lembrava mais, infelizmente. Como fazia muito calor e um sol de rachar, a beleza potencial desmilinguiu-se como uma maquiagem num rosto cheio de suor.

Andei até o Paço da Alfândega. Ali, no xópi center, começaram os problemas. A segurança me barrou. Estava sem camisa. Achei justa a proibição. As regras eram claras. Fazia parte do jogo. Mesmo assim, insisti:

_Veja, eu compro uma camisa ali naquela loja.
_Não pode. Não pode entrar sem camisa. Pra comprar tem que entrar.
_Mas está um calor danado aqui fora. Andar de camisa nesse clima é maluquice.
_Aqui, não sinto calor.
_Claro, o senhor está num ambiente climatizado.
_Pois é…
_Não posso entrar?…
_Não.

Fui embora. Notei que o segurança falava no seu comunicador. Não me apontava, mas acho que falava de mim. Sem muito o que fazer, fui andando até o Marco Zero, lá junto do mar. Foi aí que percebi, aproximando-se, um carro de polícia. Os policiais saíram do veículo e pediram meus documentos. Tinha todos, inclusive meu passaporte, pois queria ir até a polícia federal, ali no cais do porto.

_Passaporte?! Perguntou um policial, o mais velho e com cara de experiente.
_Sim, vou à polícia federal.
_Seu passaporte está irregular?
_Não propriamente. Quero só atualizá-lo.
_O senhor pretende ir à polícia federal de calção de banho e sem camisa?

Comecei a me irritar com a pergunta impertinente e sem lógica.

_Faz um calor medonho, não acha?
_Com calor ou sem calor, não pode andar nu pela cidade.
_Não estou nu.
_Quase.
_E estou perto do mar.
_Não entendi a relação.
_Mar é água, assim como rio. Na praia, andamos de calção de banho. E ainda tem o calor…
_Não estamos na praia.
_Mas estamos pertíssimo do mar.
_O senhor não pode andar desse jeito no centro da cidade.

Comecei, de fato, a ficar irritado.

_Onde está escrito que não posso andar de calção de banho? Qual lei me impede de andar assim no Marco Zero?
_O título VI do Código Penal trata dos crimes contra os costumes.

Opa! Não é possível que tenha encontrado um policial inteligente e que conhece as leis. É muito azar.

_Você está me dizendo que andar de calção de banho, nesse calor infernal, é um atentado ao pudor?
_Mais do que isso: minha dúvida, agora, é saber se haveria um atentado ao pudor sem violência.
_Violência?! Qual é a violência que estou cometendo?
_Ao pudor das pessoas, meu senhor.
_Mas, por exemplo, o atentado ao pudor mediante fraude exclui a violência!
_Pode ser… O senhor, então, confessa o atentado ao pudor e, ao mesmo tempo, que está fazendo uma fraude?
_Confesso nada. Só tentei dizer que tem atentado ao pudor sem violência.
_Estou, assim, diante de um atentado ao pudor sem violência?
_Você quer me empulhar. Eu não quis dizer isso.
_O senhor quer dizer o quê, afinal de contas?
_Quero dizer que tenho direito a andar de calção de banho no Marco Zero.
_Não tem. O senhor atentou ao pudor do segurança do xópi e daquela senhora ali.

De fato, tinha uma velhinha no outro lado da calçada. Quando me viu olhando, gritou:

_Tarado!!!
_Viu, só!? A senhora ali está indignada com o senhor. Por falar nisso, o senhor é um tarado?!
_De jeito nenhum! Não me ofenda. Essa senhora deve ser da Opus Dei!
_Aquela senhora acusou o senhor de tarado. Tenho que interrogá-lo. Gosta de meninas ou de meninos?

Fiquei fulo de raiva. Tentei ser irônico e desafiei, de vez, a autoridade e os bons costumes.

_Menininhas. Não gosto de velhinhas, certamente.
_De que idade?
_Nove anos. Pode ser de dez, onze, doze, no máximo. Quando aparecem os peitinhos e os pentelhos, não acho mais graça, meu pau já não fica duro.

O policial abriu bem os olhos, olhou o colega e disse:

_Chico, algema esse fdp aqui. Esse tarado!
_Não, não, estou brincando! Veja, tenha calma, por favor. O calor está infernal. Saio de casa de calção de banho, estou junto do mar e da água, e me chamam de tarado.
_Não se brinca com autoridade, meu senhor.
_Tudo bem, mil desculpas. Estou estressado. Sinto-me injustiçado.
_Não é o senhor que decide sobre a justiça nesse mundo. Vamos levá-lo à delegacia.

Fiquei com medo; na verdade, apavorado. Eu, na delegacia, preso numa cela com outros presos, e de calção de banho! Ia me lascar, com certeza. Decidi apelar. E lancei uma última cartada.

_Veja, a gente podia discutir melhor. Sabe como é que é, né? O preço da justiça… E fiz a minha melhor cara de jeitinho.
_A justiça é incorruptível, senhor, seus agentes, não. O senhor está muito encrencado.
_A gente podia se acertar. Juro que volto, agora, pra casa.
_Se acertar? Isso é uma cantada?
_Não, não! Não é isso…
_Estou brincando.
_Aaah…
_O senhor volta de táxi.
_Tudo bem, de táxi. Quanto?
_Cem reais.
_Mas isso é um roubo!
_O senhor está me chamando de ladrão?
_Não, não, estou achando caro, só isso.
_É o preço da liberdade para um tarado.
_Não sou tarado. Estou só de calção de banho e…
_150.
_Tá certo, tá certo! Mas só tenho 120.
_Fechado. E se manda daqui, senão aumento o preço.

Eu me mandei. Com toda essa confusão, senti-me completamente nu. Estava envergonhado e com um pudor digno de Madre Teresa de Calcutá.

Consegui apenas o quarto táxi. Todos passavam e aceleravam quando me viam. O taxista me perguntou:

_O senhor foi assaltado?
_Fui. Só me deixaram o calção de banho.
_Pensei que fosse uma sunga.
_Pois é…

Cheguei, enfim, em casa.

Fui direto ao chuveiro e tomei um baita de um banho.

Fazia um calor medonho.

Cemitério de avião

27 de fevereiro de 2010, às 10:02h

VanVan, o cientista cearense, na sua compulsão em monitorar o Império Americano, descobriu o cemitério de seus aviões. Vejam foto e vídeo, abaixo.

Por que o governo brasileiro, ao invés de gastar os tubos por aviões franceses, não toma várias dessas máquinas e lhes dá uma recauchutada? Conheço um serviço de lanternagem, em Recife, que faz milagre.

Como disse o cientista:

Dr. Estranho se contorceria de gargalhadas com a megalomania destrutiva e a inutilidade de tudo.

Lá vai:

E o vídeo:

Imagem de Amostra do You Tube