Bebê pátria
28 de junho de 2010, às 22:16hO patriotismo de Dunga pegou até os bebês (aqui):
O patriotismo de Dunga pegou até os bebês (aqui):
Rapaz…
VanVan, o cientista cearense, manda simplesmente Scarlett aos… nove anos de idade! É um provocador. Sade, é seu verdadeiro nome!
Bem… er… sim, não, mas sim, mas não, nem isso. _Eu não sou padre! Grito, de repente, sem motivo aparente. Meto a cabeça na parede e paro de pensar, o que foi fácil, pois minha cabeça está vazia. Aliás, sempre esteve. Há um vazio no meu lobo frontal. Já meu complexo reptiliano… Meto novamente minha cabeça na parede. Um fio de sangue desce da têmpora. Esmurro meu olho esquerdo, o mais safado e incontrolável — o direito é nitidamente carola. Vejo estrelas, talvez, galáxias. Ah, que bela dor de cabeça! Pronto, agora posso assistir ao vÃdeo.
Saio desembestado, aos urros, pelas ruas escuras de Recife. Escuto o que grito e, o que grito, é muito esquisito:
_A perna cabeluda! Cadê a perna cabeluda?!
Morre mais um ateu no mundo — acabou, extinguiu-se, desapareceu. Não sofrerá no Inferno, nem descansará no Céu. Virará apenas pó, depois de ser devorado pelos vermes, é claro, como se preza todo ateu; aliás, os vermes são os seres mais democráticos do planeta, pois devoram ladrões, banqueiros, tucanos, reis, rainhas, burgueses, proletários, petistas, o escambau, indiscriminadamente.
Por isso, a simpatia profunda de todo democrata pelos vermes da terra.
Ateu e “estalinista” (designação mais comum entre a direita cristã — os fascismos católicos portugueses e espanhóis), Saramago será devorado, com gosto, por algum verme trotskista.
Fez parte da estirpe de um Sartre e de um Bertrand Russell. Como Camus, desmistificou a sacralidade. Como Orwell, detestava a hipocrisia — talvez, o problema polÃtico mais agudo de nossa época.
Faz tempo, mas parece que Tsé-Tsé já se encontrou com Saramago. Não se entenderam. Brigaram até.
Dois vÃdeos:
O anúncio de sua morte.
Abaixo, fala sobre o livro sagrado dos cristãos e sobre a injustiça que Deus cometeu contra Caim.
O livro sagrado não conta, mas as primÃcias que Abel ofereceu a Deus eram, na verdade, do rebanho de Caim. Abel foi o primeiro grande fingidor da humanidade — fingiu fé, mostrando o quanto era fácil enganar uma entidade sobrenatural que se comunicava com os humanos por meio de uma tecnologia primitiva (possessões, por exemplo) que produzia muita interferência e ruÃdo. Por isso, ninguém sabe e entende, de fato, o que diabo (ops! desculpa aÃ) Deus pretende, afinal de contas.
“Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifÃcio superior ao de Caim. Pela fé ele foi reconhecido como justo, quando Deus aprovou as suas ofertas.” (Hebreus 11:4).
Além do mais, Abel comeu as frutas da terra que Caim oferecera a Deus. Como eram muitas mangas, já que Deus adorava o fruto da mangueira, Abel devorou todas e teve uma indigestão fulminante (naquele tempo, comer manga era tão perigoso quanto maçã).
Caim faz parte da legião dos inocentes úteis que pagaram com a alma o preço de acreditar no próximo. Foi condenado a errar eternamente no mundo e, atualmente, é um obscuro jogador do Santinha (Brasão, se não me engano).
Não posso ser considerado ateu pelo simples motivo de acreditar, piamente, no Santinha, o Santa Cruz, o Clube do Santo Nome. Afinal, tecnicamente falando, acredito em algo absolutamente sobrenatural, irracional e transcendental. Acho até estranho as pessoas me considerarem um Ãmpio, mas elas, as pessoas, são sectárias, convenhamos. Não sou, por outro lado, um agnóstico, pois detesto tucanices, inclusive no campo espiritual. Geralmente, o agnóstico refugia-se na impossibilidade empÃrica de a ciência conseguir provar a existência de Deus. É um refúgio agradável, tendo até um fast-food argumentativo e, por isso, alimentando bem a dúvida agnóstica.
Porém, provar a existência ou a inexistência de Deus não é um problema cientÃfico. Nunca foi. A ciência partilha com o ateÃsmo uma indiferença absoluta em relação a essa questão. Simplesmente, não é um problema. É nada. Ao contrário do agnóstico, este obsedado pela existência ou inexistência do Dito-Cujo, o ateu está fora dessa discussão, pois ela não existe como tal, apenas como chateação de crentes e agnósticos. Não é um problema de prova, já que, nesse caso, as provas cansam a verdade, seria unicamente uma questão de postura, anterior mesmo à discussão.
Um ateu militante, como Dawkins, tem uma posição vulnerável, pois tenta abordar o problema teológico a partir de uma discussão cientÃfica. Mas, por outro lado, o cabra escapa, em parte, dessa aporia quando diz, claramente, que não quer provar a existência ou a inexistência de Deus, e sim sua improbabilidade. Aqui, estamos diante de uma abordagem um pouco diferente. Acho-a habilidosa. E, do meu ponto de vista, Dawkins utiliza argumentos bem interessantes para explicar essa improbabilidade. Alguém pode defender, como um economista, por exemplo, que é preciso medir a probabilidade para provar a improbabilidade. Acho que não precisamos ir tão longe. Além do mais, a mensuropatia guarda, muitas vezes, uma relação mais próxima com a magia do que sonha nosso vão positivismo.
Se votasse em Serra, faria pela sua inteligência e pela sua instrução superior. Compartilho com a elite brasileira o profundo desprezo pela personificação do Apedeuta: o presidente Lula. O pensamento de Serra é claro e cristalino e reflete anos de aprendizado acadêmico. Além do mais, é um representante dessa ciência exata, a economia, que estuda as leis que regem o mundo econômico. Os economistas têm essa capacidade mágica de prever as crises… depois que acontecem. Serra, no fundo, é um cientista dos fatos econômicos, primo-irmão de FHC, prÃncipe da sociologia, outra ciência exata, que estuda as leis sociais que regem a sociedade. Nesse sentido, é muita sorte tucana, depois de um sociólogo, ter um candidato economista a presidente.
Vejam, no vÃdeo abaixo, Serra ensinando fÃsica quântica a crianças. Vale reparar na sua espetacular capacidade pedagógica: