<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Blog dos Perrusi &#187; Resenha</title>
	<atom:link href="http://www.blogdosperrusi.com/category/destaques/variedade/resenha/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.blogdosperrusi.com</link>
	<description>Crônica, política, doidice, o escambau!</description>
	<lastBuildDate>Tue, 07 Feb 2012 19:45:58 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>

   <image>
    <title>Blog dos Perrusi</title>
    <url>http://0.gravatar.com/avatar/a2e5339eb179f9a959c2aceff1a14b32.png?s=48</url>
    <link>http://www.blogdosperrusi.com</link>
   </image>
		<item>
		<title>O Homo sapiens entre a felicidade e o sofrimento</title>
		<link>http://www.blogdosperrusi.com/2010/06/22/o-homo-sapiens-entre-a-felicidade-e-o-sofrimento/</link>
		<comments>http://www.blogdosperrusi.com/2010/06/22/o-homo-sapiens-entre-a-felicidade-e-o-sofrimento/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 11:29:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[ateísmo]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[estilo]]></category>
		<category><![CDATA[evolução]]></category>
		<category><![CDATA[fé]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[fundamentalismo]]></category>
		<category><![CDATA[islã]]></category>
		<category><![CDATA[Sam Harris]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.blogdosperrusi.com/?p=3616</guid>
		<description><![CDATA[ 

HARRIS, Sam – A Morte da Fé – São Paulo, Companhia das Letras, 2009
 
 
Por Perrusi Pai
Uma resenha crítica
O combate à direita fundamentalista continua. Em todos os fronts, na verdade. A Morte da Fé, de autoria de Sam Harris, é mais uma estilingada contra o monstro intelectual do dogma, que impede as pessoas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/06/A-morte-da-fé_-Sam-Harris.jpg"><img class="size-medium wp-image-3617 aligncenter" title="A morte da fé_ Sam Harris" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/06/A-morte-da-fé_-Sam-Harris-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a><strong><span style="font-size: x-small;"><br />
<span style="color: #800000;">HARRIS, Sam – A Morte da Fé – São Paulo, Companhia das Letras, 2009</span></span></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Por Perrusi Pai</strong></p>
<p><em>Uma resenha crítica</em></p>
<p>O combate à direita fundamentalista continua. Em todos os fronts, na verdade. <strong>A Morte da Fé</strong>, de autoria de Sam Harris, é mais uma estilingada contra o monstro intelectual do dogma, que impede as pessoas de pensar e de refletir criticamente sobre a realidade.</p>
<p>Segundo um certo apóstolo, que gostava de caminhar pela Europa Antiga, a Fé é acreditar, sem nenhuma evidência possível, nas coisas invisíveis. Sam Harris vai de encontro a tal definição através de uma radical dissecação da Fé, anotando de passagem os fatos terríveis da história do Judaísmo, do Cristianismo ─ tanto o católico romano como o protestante ─ e do Islamismo.</p>
<p>Felizmente, o Autor não se preocupa em provar a inexistência de Deus. Ele assume, desde o início, que Deus não existe. Seu objeto de pesquisa é outro: justamente os mecanismos evolucionários, psicológicos e sociais e, portanto, históricos, que criam e mantém a Fé. E suas amedrontadoras consequências! Sobretudo, na visão do Autor, o desastre a que a Fé estaria conduzindo a civilização moderna.</p>
<p>Longe do estilo de um Dawkins, academicamente pesado, ou de um Hitchens, jornalístico e panfletário, Harris parece mais próximo de um Bertrand Russell, cujos ensaios lia, com prazer e deleite intelectual, durante minha formação acadêmica.</p>
<p>Irônico, mordaz, o Autor não perdoa ninguém que tenha dogmas como fundamento de suas crenças ou de sua prática.</p>
<p>“Uma lufada de ar puro”, segundo as palavras de Roger Penrose, grande físico teórico da Universidade de Oxford, referindo-se ao resumo de <strong>A Morte da Fé</strong>, que Harris publicou com o título de “Carta a uma nação cristã” (os Estados Unidos, é claro), obra traduzida e publicada pela Companhia das Letras, São Paulo, 2009.</p>
<p>O estilo é coloquial mas poderoso em dizer as coisas que devem ser ditas, utilizando a razão e o método científico. Harris não deixa ninguém em paz. Como Russell, ele vai caminhando até as últimas consequências lógicas dos seus argumentos, citando os fatos históricos com propriedade e, deles, tirando as conclusões necessárias.</p>
<p>Além disso, erudito de mão cheia, sempre apoiando-se numa preciosa bibliografia em diversos ramos do saber científico, Harris demonstra que se pode ser incisivo sem ser agressivo. É claro que, às vezes, ele perde as estribeiras e classifica, sem nenhum pudor, como idiota uma pessoa que acredita na virgindade de Maria.</p>
<p>De minha parte, sempre prefiro uma expressão mais branda: são pessoas portadoras de um alto nível de “preguiça mental”.</p>
<p>Contudo, os últimos capítulos talvez sejam os mais polêmicos; contra o Islã atual e a favor de um certo tipo de “espiritualidade”, esta última já preconizada no livro do francês André Comte-Sponville, <strong>O Espírito do Ateísmo </strong>(São Paulo, Livraria Martins Editora, 2007).</p>
<p>De fato, eles servem ao Autor para encaminhar o problema da construção de uma “nova ética” para a Modernidade.</p>
<p>Uma Ética baseada na dualidade entre a Felicidade e o Sofrimento. Conceitos ambíguos, decerto! Além de carregados de uma inegável subjetividade.</p>
<p>Contra o Islã, o Autor pode parecer até um pouco paranoico, ainda sob o impacto do ataque suicida às Torres Gêmeas de Nova Iorque, se o leitor não seguir a lógica histórica implacável dos fatos que apresenta. Nem se chocar com os duros adjetivos com que o Autor rotula os piedosos crentes religiosos.</p>
<p>Tal “rota de colisão”, aliás, já fora descrita, com uma certa elegância britânica, por Arnold Toynbee no seu valioso ensaio “O Mundo contra o Ocidente”, nos anos de 1940-50.</p>
<p>A favor da “espiritualidade” do ser humano, Harris se estende, num longo ensaio, sobre a “autoconsciência”, que ele aceita chamar, provisoriamente, de “espírito”; daí a “espiritualidade”, aproveitando-se dos seus conhecimentos de neurocientista.</p>
<p>Mas, ninguém se engane. Harris não é um dualista! Considera, apenas, que alguns métodos de “meditação” (como os budistas, por exemplo) “podem ser úteis” para um autoconhecimento, quando guiados pela razão e, não, pelo dogma; noutros termos, “o conhecimento científico da autoconsciência”. Tudo isso, na verdade, à espera de que a ciência desvende, se algum dia for possível, o misterioso problema da “autoconsciência”.</p>
<p>De fato, trata-se da velha e pantanosa questão aristotélico &#8211; tomista do “ser enquanto ser”. Nos meus tempos de estudante, contentava-me com o efeito literário da formulação hegeliano &#8211; marxista em torno da “tensão dialética” entre a essência e a existência.</p>
<p>Harris, contudo, pretende ir além, com a esperança “realista” do conhecimento científico, depositada quase que por inteiro na Neurociência. Mas, qual o quê? Os próprios neurocientistas afirmam que conhecemos apenas cerca de 30 % das funções neuro &#8211; cerebrais. Afinal de contas, 30% de quê, se não conhecemos a totalidade considerada? Parece mais com a mania americana de tudo medir!</p>
<p>Sei lá, não sei! A Filosofia serve também para isso!</p>
<p>Como diria o Reverendo Tsé-Tsé, meu amigo de longa data:</p>
<p>─ Meu Deus! Meu Deus! Por que fizeste uma espécie tão complicada como o <em>homo sapiens</em>? Uma moqueca de siri mole seria o bastante!</p>
<p>É isso aí! Um livro que se deve ler desarmado de preconceitos. E, diria, sem nenhuma inocência crítica!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.blogdosperrusi.com/2010/06/22/o-homo-sapiens-entre-a-felicidade-e-o-sofrimento/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>7</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Hell</title>
		<link>http://www.blogdosperrusi.com/2010/03/25/hell/</link>
		<comments>http://www.blogdosperrusi.com/2010/03/25/hell/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Mar 2010 18:30:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[burguesia]]></category>
		<category><![CDATA[devassidão]]></category>
		<category><![CDATA[dinheiro]]></category>
		<category><![CDATA[Gucci Prada]]></category>
		<category><![CDATA[Hell]]></category>
		<category><![CDATA[Lolita Pille]]></category>
		<category><![CDATA[Paris]]></category>
		<category><![CDATA[putaria]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.blogdosperrusi.com/?p=2858</guid>
		<description><![CDATA[Livro assaz curioso: Hell, escrito por Lolita Pille (belo nome). A autora é uma jovem escritora (muito gatinha, por sinal – sei, sei, não é uma observação decisiva, mas minhas determinações hormonais são construções sociais objetivas e independentes de minha vontade).

Ela tem uns 27 anos de idade, algo assim. Hell foi seu primeiro romance, escrito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Livro assaz curioso: Hell, escrito por Lolita Pille (belo nome). A autora é uma jovem escritora (muito gatinha, por sinal – sei, sei, não é uma observação decisiva, mas minhas determinações hormonais são construções sociais objetivas e independentes de minha vontade).</p>
<p><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/03/Lolita-Pille.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-2876" title="Lolita Pille" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/03/Lolita-Pille-241x300.jpg" alt="" width="241" height="300" /></a></p>
<p>Ela tem uns 27 anos de idade, algo assim. Hell foi seu primeiro romance, escrito quando tinha apenas 18 anos. Foi um sucesso retumbante, a ponto de ser levado ao cinema, em 2006, por Bruno Chiche, com Sara Forestier no papel principal (por sinal, também é uma gati&#8230; bem&#8230; er&#8230; deixa pra lá).</p>
<p><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/03/Sara-forestier.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-2877" title="Sara-forestier" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/03/Sara-forestier-206x300.jpg" alt="" width="206" height="300" /></a></p>
<p>Hell parece uma pós-adolescente paulistana podre de rica. Aos 18 anos, Hell já viu tudo e, provavelmente, experimentou todas as sacanagens deliciosas desse mundo velho e enfadado. Seu cotidiano? Ora, fazer xópi na Avenida Montaigne, gastando no mínimo 3000 € a cada compra. Sua vida é singular, uma espécie de desgarramento do dia-a-dia comezinho dos mortais de classe média. Até que encontra Andrea, seu duplo masculino. A relação é tórrida entre essas duas almas que desprezam a sociedade do trabalho e os seres humanos em geral. Mas a relação entre os dois não é tão simples assim&#8230; afinal, nada é simples.</p>
<p>A vida de Hell, essa juventude dourada dos bairros da alta burguesia parisiense, é fútil, superficial e sem sentido. Por incrível que pareça, não parece feliz (com muita grana, sinceramente, sou feliz até no Japão – sim, no Japão), exceto quando cheira coca. No fundo, passa a mensagem de que ser podre de rico não faz ninguém feliz, o que, convenhamos, é um absurdo.</p>
<p>Há muita angústia e desespero na jovem Hell. Ela é detestável. Hell gera ódio e uma vontade de amá-la de uma forma compulsiva, agressiva e subserviente. Sempre sonhei com uma relação amorosa violenta, na qual a paixão é sublimada na porrada e nos insultos. Dor, muita dor, mas suficiente a uma redenção futura. Mas, antes de chegar ao futuro, a violência voltaria, novamente, para lembrar que a salvação é impossível &#8212; salvação é coisa de classe média carola e bundona.</p>
<p>O romance é violento. A linguagem é crua e escrachada. O estilo é rápido &#8212; com a mente vazia, torna-se envolvente. A personagem é arrogante, cínica e provocadora. Sim, eu a mataria a golpes de canivete suíço, dizendo-lhe, ao mesmo tempo, “eu te amo, eu te amo”. Diria no seu ouvido entupido de sangue que coca, dor de cotovelo, tédio e todas essas estórias de “pétasses” são universais – é só mudar a coca para crak ou um fumo barato, mantendo as dores da paixão, o tédio e a putaria, e pronto, repetimos as babaquices juvenis de outras classe sociais.</p>
<p>Eu a mataria e morreria de tédio. Le spleen&#8230; &#8220;<em>um cartão de crédito no lugar do cérebro, um aspirador no lugar do nariz, e nada no lugar do coração</em>&#8221; &#8212; pois é&#8230;</p>
<p>Além do mais, os ricos, sim, os verdadeiros ricos, que existem no  mundo real, ah, os tais financiam obras de caridade, fundam os movimentos  de ajuda voluntária, desenvolvem meios técnicos para suprir as  necessidades dos mais pobres, compram patentes e as oferecem ao público, etc tal.  Ricos simpáticos &#8212; isso não se vende, não. Convenhamos, os verdadeiros ricos são felizes, filantropos e votam em Serra.</p>
<p>O romance começa exatamente assim:</p>
<blockquote><p>Eu sou uma putinha. Daquelas mais insuportáveis, da pior espécie; uma sacana do 16eme, o melhor bairro de Paris, e me visto melhor do que a sua mulher, ou sua mãe. Se você trabalha num lugar &#8220;metido&#8221;, ou é vendedora numa buique de luxo, com toda a certeza gostaria que eu morrese; eu, e todas as minhas iguais. Mas a gente não mata a galinha dos ovos de ouro. De forma que a minha espécie insolente irá perdurar e proliferar&#8230;</p>
<p>Sou o símbolo manifesto da persistência do esquema marxista, a encarnação dos privilégios, os eflúvios inebriantes do Capitalismo.</p>
<p style="text-align: center;">(&#8230;)</p>
<p>Sou o mais puro produto da geração Think Pink; meu credo: seja bela e consumista.</p>
<p>Mergulhada na loucura policefálica das tentações ostentatórias, sou a musa da deusa Aparência, em cujo altar imolo alegremente todo mês o equivalente ao que você recebe como salário.</p>
<p>Sou francesa e parisiense e estou me lixando para o resto; pertenço a uma única comunidade, a mui cosmopolita e controversa tribo Gucci Prada &#8212; a grife é meu distintivo.</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/03/Hell.jpg"></a><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/03/Hell.gif"><img class="alignnone size-medium wp-image-2879" title="Hell" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/03/Hell-182x300.gif" alt="" width="182" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Hell, Paris &#8211; 75016 &#8211; de Lolita Pille</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.blogdosperrusi.com/2010/03/25/hell/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>8</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Três leituras estimulantes</title>
		<link>http://www.blogdosperrusi.com/2007/11/08/tres-leituras-estimulantes/</link>
		<comments>http://www.blogdosperrusi.com/2007/11/08/tres-leituras-estimulantes/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 08 Nov 2007 04:05:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Perrusi Pai</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenha]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.blogdosperrusi.com/2007/11/08/tres-leituras-estimulantes/</guid>
		<description><![CDATA[Antes de tudo, uma música belíssima cantada por Marianne Faithfull,  &#8221;As Tears Go By&#8221;:

&#160;
 
Por Perrusi Pai, 
Acabo de terminar a leitura de três livros e gostaria de partilhar o prazer que senti com os visitantes deste Blog.
Ei-los:
- DENNETT, Daniel (2006) &#8211; Quebrando o Encanto: A religião como fenômeno natural. São Paulo, Globo Editora;
- DAWKINS, Richard (2007) &#8211; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center">Antes de tudo, uma música belíssima cantada por Marianne Faithfull,  &#8221;As Tears Go By&#8221;:</p>
<p align="center">
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="center"> <img src="http://www.garanhuns.pe.gov.br/mznews/data/livrosgde.jpg" /></p>
<p><strong>Por Perrusi Pai, </strong></p>
<p>Acabo de terminar a leitura de três livros e gostaria de partilhar o prazer que senti com os visitantes deste Blog.</p>
<p>Ei-los:</p>
<p>- DENNETT, Daniel (2006) &#8211; <u>Quebrando o</u> <u>Encanto: A religião como fenômeno natural</u>. São Paulo, Globo Editora;<br />
- DAWKINS, Richard (2007) &#8211; <u>Deus, Um Delírio</u>. São Paulo, Companhia das Letras;<br />
- HITCHENS, Christopher (2007) &#8211; <u>Deus não é grande; como a religião envenena tudo.</u> Rio de Janeiro, Ediouro.</p>
<p>O norte-americano Dennett é um filósofo da ciência e já nos presenteara com o extraordinário texto &#8220;A perigosa idéia de Darwin&#8221;, (1998), Rio de janeiro, Rocco. Tratando-se de um filósofo evolucionista, nada a estranhar que ele tenha querido levar a Teoria da Evolução às suas últimas conseqüências lógicas.</p>
<p>Agora, em &#8220;Quebrando o Encanto&#8221;, Dennett volta-se para um objeto mais específico e de implicações tanto históricas quanto psicológicas e filosóficas. O &#8220;Encanto&#8221; refere-se a dois sentidos do termo, isto é, o que se esconde atrás do fenômeno religioso e o fascínio humano pelo sobrenatural e pelos fatos maravilhosos. Para o Autor, e essa é sua tese principal, a Religião é um fato natural, construído pela humanidade ao longo de sua história e deriva necessariamente de sua própria evolução biológica e cultural. Em suma, a humanidade constrói seus deuses à sua própria imagem e semelhança. E não o contrário, como insistem em nos ensinar autoritariamente.</p>
<p>Dennett é um autor extremamente cauteloso e gentil para com seus eventuais leitores, crentes ou não. Ele escreve para um público americano em sua maioria fundamentalista. Seu livro é, justamente, destinado a leigos em Filosofia e, por isso mesmo, didaticamente, o Autor vai-nos revelando pouco a pouco, sempre explicando os termos técnicos que utiliza, sua preocupação pelo avanço das forças reacionárias e retrógradas que ressurgem no mundo atual sempre tendo como um dos pólos a religiosidade.</p>
<p>No entanto, seu estilo, talvez um pouco paternalista, é leve e fluido o suficiente para tornar seu livro uma leitura agradável e prazerosa. O Autor quase nos pede desculpas por sua tarefa de &#8220;quebrar&#8221; o encanto religioso, analisando com profundidade as motivações psicológicas, emocionais e, até mesmo racionais, da religiosidade, além de estudar as origens das maiores religiões atuais, demonstrando suas irracionalidades e anti-historicidades, nem sempre evidentes.</p>
<p>Acredito que o livro de Dennett seja uma excepcional introdução aos dois últimos citados, de Dawkins e de Hitchens. O convite a pensar criticamente o mundo e a humanidade, em suas diversas manifestações sociais, em especial a Religião, já seria motivo suficiente para crentes e não-crentes, isto é, &#8220;encantados&#8221; e &#8220;desencantados&#8221;, percorrerem com atenção dobrada as páginas de &#8220;Quebrando o Encanto&#8221;.</p>
<p>Chamaria a atenção para o eventual leitor das muitas reflexões críticas não apenas sobre a &#8220;crença em Deus&#8221;, mas, principalmente, para os ateus convictos, sobre &#8220;a necessidade da crença em Deus para a humanidade&#8221;, que muitos dos últimos ainda defendem. Nada mais do que uma crítica filosófica à jocosa expressão de Voltaire de que &#8220;se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo&#8221;. Aqui, segundo minha leitura, trata-se da crítica às muitas consolações que a fé seria capaz de produzir.</p>
<p>Dennett se opõe a tal &#8220;encanto&#8221;, mostrando as próprias maravilhas da natureza e da vida humana, em si, em especial o pensamento crítico e nossa capacidade de produzir conhecimento como substitutos da irracionalidade religiosa.</p>
<p>O professor britânico da Universidade de Oxford, Richard DAWKINS, é um célebre biólogo evolucionista, autor, entre outras obras, do best-seller &#8220;O Gene Egoísta&#8221;, traduzido e publicado em Lisboa pela Gradiva, (2ª ed., 1999).</p>
<p>Por cima da &#8220;suavidade&#8221; do filósofo Dennett, Dawkins nos surpreende com uma investigação vigorosa e, às vezes, agressiva, sobre a existência ou não de um ser divino. Trata-se, evidentemente, do cientista que agarra seu objeto com unhas e dentes, apresentando provas e provas e refutando provas e mais provas contrárias. Apesar disso, Dawkins é possuidor de um estilo extremamente agradável, temperado pelo bom humor, às vezes hilariante, e pelo desejo de nos convencer pela razão, e somente pela razão, de suas teses.</p>
<p>&#8220;Deus, um Delírio&#8221; porque, segundo a definição do Autor, delírio significa uma falsa crença persistente diante de fortes evidências que a contradizem. Em suas mais de 500 páginas, Dawkins apresenta, em primeiro lugar, os argumentos tradicionais para a existência de Deus, herdados da Lógica aristotélica e de São Tomás de Aquino, para, logo em seguida, refutá-los.</p>
<p>O argumento principal do Autor baseia-se no conceito de &#8220;improbabilidade&#8221; que, para ele, &#8220;não depende de juízos subjetivos&#8221;. A existência de Deus seria, pois, altamente improvável, &#8220;embora não seja tecnicamente descartável&#8221;. De fato, ainda refutando a lógica do primeiro motor de Aristóteles, ou da primeira causa de Tomás de Aquino, Dawkins, como já afirmaram outros lógicos modernos, como Bertrand Russell, por exemplo, escreve que  &#8220;a existência de Deus nos coloca diante de uma regressão infinita da qual ele não consegue nos ajudar a fugir!&#8221; Em suma, como dizia Hume, a improbabilidade da vida não significa que ela tenha sido projetada, como querem os defensores do &#8220;Projeto Inteligente&#8221;.</p>
<p>No entanto, do meu ponto de vista, os capítulos mais interessantes de &#8220;Deus, um Delírio&#8221; são aqueles em que o Autor disserta sobre as raízes e a história das religiões, dos males que ela tem provocado ao longo do tempo e, especialmente, do que ele chama de &#8220;abuso dos direitos naturais da criança&#8221;. Além, é claro, do terror dos castigos, do fogo do inferno, da culpa que são inculcados na mente infantil pelos padres, pastores e quejandos.</p>
<p>De fato, uma criança ainda não tem o desenvolvimento mental, emocional e intelectual para se declarar convictamente católica, protestante, muçulmana ou coisa que o valha. Em vez disso, dever-se-ia dizer &#8220;uma criança de pais católicos, etc, etc&#8221;.</p>
<p>O Brasil, por exemplo, é tido como o maior país católico do mundo. Na verdade, para Dawkins ( e eu concordo inteiramente com ele), o Brasil  seria o país que possui mais pessoas adultas católicas do mundo. Trata-se, evidentemente, de um &#8220;vício mental ou cultural&#8221;, alimentado pelos pais, escolas, Igrejas e instituições oficiais.</p>
<p>Problema semântico parecido ocorre com a insistente, embora necessária, recomendação da Organização Mundial de Saúde, de se abandonar o hábito de chamar uma pessoa portadora do mal de Hansen, de &#8220;leprosa&#8221;, da síndrome de Down, de &#8220;mongolóide&#8221;, bipolar, de &#8220;maníaco-depressivo&#8221; e assim por diante, face aos preconceitos que tais denominações primitivas trazem para aqueles pacientes.</p>
<p>Finalmente, chegamos ao terceiro livro, escrito por Hitchens, &#8220;Deus não é Grande: como a religião envenena tudo&#8221;.</p>
<p>Hitchens é um jornalista não acadêmico. Correspondente internacional, britânico, radicado em Washington, D.C.. Embora não tenha o compromisso acadêmico da cátedra, como Dennet e Dawkins, nosso terceiro Autor possui uma longa experiência em debates públicos, acadêmicos ou não. Especialista em reportagens para grandes jornais e TVs, visitou quase todas as áreas de conflito bélico do mundo moderno, entrevistando e confrontando pessoas das diversas facções que se matam e guerreiam por nada ou quase nada. Arriscando, aliás, sua própria vida como ocorre com todos os correspondentes de guerra.</p>
<p>Não acadêmico, mas seguramente um Autor de grande erudição em várias áreas do conhecimento. Se Dennett, para usar uma metáfora futebolística, forma o meio campo, preparando e distribuindo as jogadas; se Dawkins é um ponta de lança agressivo e divertido; Hitchens é um centro avante que derruba todas as barreiras que tem pela frente na busca incessante de um &#8220;gol de placa&#8221;.</p>
<p>As primeiras páginas do livro se assemelham, por assim dizer, a uma corrida de Fórmula Um. O Autor parte em alta velocidade, num  estilo alucinante, embora fascinante, em busca dos seus objetivos. Pouco a pouco, o bólido desacelera e nos deixa respirar e pensar dentro de um imenso universo de conhecimento histórico e dos fatos contemporâneos.</p>
<p>Por outro lado, o exercício da polêmica, ou da retórica, como diriam os antigos, faz com que Hitchens quase se antecipe aos argumentos do leitor. Além disso, ele é implacável com seus adversários, usando seu faro de jornalista para descobrir e expor os embustes religiosos, impostos aos crentes de todas as religiões.</p>
<p>Na verdade, pelo menos para mim, é o estilo alucinante, embora de modo algum panfletário, que torna os argumentos de Hitchens mais eficientes até mesmo daqueles defendidos pelos dois autores anteriores. Ou, então, quando os repete e os cita, concordando ou, ligeiramente, discordando deles.</p>
<p>De fato, para além dos seus conhecimentos científicos, o jornalista Hitchens parece não gostar das metáforas. Vai crua e diretamente aos fatos. Cita as pessoas pelos nomes, data os fatos, escancara suas fontes de informação. Deliciosamente, relata episódios de suas inúmeras viagens ao redor do mundo, destacando personagens contemporâneos, escolhendo exemplos, confrontando argumentos.</p>
<p>Seus objetivos são claros: demonstrar que a Religião em todas as épocas tem sido um mal para a humanidade e que esta deveria reconhecer a maldade das Igrejas e abandonar de vez as crenças primitivas religiosas, colocando toda a sua confiança na razão crítica e na busca do conhecimento.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.blogdosperrusi.com/2007/11/08/tres-leituras-estimulantes/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
	<enclosure url="http://www.blogdosperrusi.com/audio/As_Tears_Go_By.mp3" length="1" type="audio/mpeg"/>
	</item>
	</channel>
</rss>

