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	<title>Blog dos Perrusi &#187; Crônicas</title>
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	<description>Crônica, política, doidice, o escambau!</description>
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    <title>Blog dos Perrusi</title>
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		<title>Helena e a sonsice</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 16:02:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luvanor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[E, assim, surgiu Helena...
(pra quem quiser ler outras estórias de Freud e Orravan: um, dois, três, quatro, cinco, seis&#8230;)
Freud tinha uma obsessão: Helena de Troia. Em casa, tinha várias cópias de estátuas romanas da beleza encarnada, que já eram cópias de estátuas gregas. Gostava de cópias de cópias. Dizia que o autêntico era uma ficção. A origem não existia, bradava [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_7072" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2012/02/surgimento-de-helena.jpg"><img class="size-full wp-image-7072 " title="surgimento de helena" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2012/02/surgimento-de-helena.jpg" alt="" width="400" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">E, assim, surgiu Helena...</p></div>
<p>(pra quem quiser ler outras estórias de Freud e Orravan: <a href="http://www.blogdosperrusi.com/2010/06/14/deus-sam-harris-freud-e-orravan/" target="_blank">um</a>, <a href="http://www.blogdosperrusi.com/2008/05/17/a-fundacao-do-mundo/" target="_blank">dois</a>, <a href="http://www.blogdosperrusi.com/2008/02/15/seres-de-carne/" target="_blank">três</a>, <a href="http://www.blogdosperrusi.com/2007/11/21/a-importancia-do-chifre-na-construcao-da-cultura-ocidental/" target="_blank">quatro</a>, <a href="http://www.blogdosperrusi.com/2007/11/26/um-dia-de-orson-well/" target="_blank">cinco</a>, <a href="http://www.blogdosperrusi.com/2012/01/12/bebendo-sangue-de-canequinha/" target="_blank">seis</a>&#8230;)</p>
<p>Freud tinha uma obsessão: Helena de Troia. Em casa, tinha várias cópias de estátuas romanas da beleza encarnada, que já eram cópias de estátuas gregas. Gostava de cópias de cópias. Dizia que o autêntico era uma ficção. A origem não existia, bradava aos ventos. Para Sigmund, Helena era o simulacro de Afrodite. Como era impossível flagrar a Deusa no banho sem ficar cego, achava mais prudente olhar a representação de carne. Por isso, suas estátuas estavam constantemente na ducha. Freud olhava, olhava e saía satisfeito.</p>
<p>(como explicar essa mania de dar banho a estátuas ou, tecnicamente, a cópias? Freud queria distância da essência. O banho era uma mediação. Inventara a representação do nome &#8212; Helena, representação de Afrodite, por exemplo &#8212; já uma representação pálida do indizível. Ele murmurava a suas estátuas: “o nome, quando toca a coisa, desaparece imediatamente, sem deixar rastros, apenas possibilidades”. Mesmo assim, o nome podia causar tempestades, trazendo consigo o recalque. Nas sessões analíticas, um nome a mais ou a menos, e uma essência corria solta no divã. No fundo, Freud detestava as essências por pura covardia. Como fugia de si mesmo, “o meu lodo”, como afirmava, criava constantemente mecanismos de defesa. Seu mundo era uma representação. Achava o teatro de marionetes a imagem mais perfeita do psiquismo humano)</p>
<p>Sim, Freud adorava Helena. Ninguém sabe, mas suas bicicletas tinham o nome da filha de Leda. Parece que o assunto virou tabu. Não há, por exemplo, nenhuma referência a bicicletas na obra do biógrafo oficial de Freud, Ernest Jones. Na década de 60, Lacan afirmou, bem constrangido, que bicicleta era apenas um significante e, aparentemente, resolveu o caso. Talvez, por causa disso, nenhum psicanalista, mesmo um ortodoxo, não fale de bicicleta. Há lógica nesse silêncio. Se esse conjunto de tubos metálicos é um significante, ao chamá-lo de bicicleta, o significante adquire um significado. Dar um nome é um ato absolutamente arbitrário. No fundo, é uma violência. O significado de bicicleta é diferente do seu significante. É outra coisa. E sabemos que Freud detestava a Coisa, até porque torcia pelo Heilig Kreuz.</p>
<p>(Pergunte ao seu psi, num momento qualquer da sessão, o que é uma bicicleta. Não se surpreenda, ele ficará calado. Pode até apertar seu pescoço, desejo racalcado de todo psicanalisado, mas não dirá nada)</p>
<p>Tsé-Tsé, uma vez, num dia oleoso de calor, ofereceu uma explicação a Perrusi Filho:</p>
<p>_Freud gostava de rodas.<br />
_Aaah&#8230; E daí?<br />
_Bicicletas têm rodas, seu idiota!</p>
<p>Perrusi Filho não polemizou e preferiu o silêncio. Não queria leva uma bengalada do Reverendo.</p>
<p>Já Orravan não sabia andar de bicicleta e, portanto, não dava a mínima a esse assunto. Gostava era de Helena, mas empeiticava, depois de alguns goles de leite de gironda, com Freud e, como consequência, com a irmã de Castor e Pólux. Orravan detestava quando Freud inventava de falar sobre mulheres, pois achava que Sigmund não entendia patavinas, jamais entendera – no final da vida, confessou que Orravan tinha razão; realmente, não entendia nada da teoria do gênero.</p>
<p>Embriagado e irritado, Orravan dizia que Helena era sonsa. Freud não ficava especialmente ofendido com essa acusação; não, na verdade, até concordava. A questão era de nuance.</p>
<p>_Não tinha como Heleninha não ser sonsa num ambiente masculino daquele.<br />
_Heleninha?! Exclamou Orravan, furibundo. Odiava essa falsa intimidade.<br />
_Não tinha como <em>Helena</em> não ser sonsa num ambiente de dominação masculina.<br />
_Sonsice, como empoderamento? É essa a besteira que você defende?<br />
_Sim, justamente.<br />
_Sonsice é uma forma de manipulação.<br />
_Numa situação de dominação masculina, a sonsice é uma forma de resistência.<br />
_Resistência?! Ela dava pra todo mundo!<br />
_Ela não deu. E se desse, e daí? Ela permitiu dedos e línguas.<br />
_Dedos e línguas? E Teseu? A menina foi raptada!<br />
_”Raptada” é uma forma de dizer. Os dois se apaixonaram. Teseu respeitou a virgindade de Helena e só usou a língua e os dedos.<br />
_Que espécie de língua tinha Teseu? Uma língua que sodomizou Helena? Você está usando um eufemismo.<br />
_Foi um pequeno preço para manter a virgindade.<br />
_Certo, mudarei a frase: ela dava o cu pra todo mundo!<br />
_Não seja vulgar. Helena chegou com o hímen intacto a Menelau. Ela sabia que precisava chegar assim; do contrário, perdia literalmente a cabeça – seria morta, entendeu? Helena é o símbolo da beleza. E a beleza da carne é a beleza do prazer. Desse jeito, para manter seu “direito” ao prazer, Helena precisava de um baita instinto de sobrevivência.<br />
_Essa foi boa: o canalha do Teseu preservando a virgindade de Helena&#8230;<br />
_Helena foi disputada por quase todos os reis e príncipes da Grécia. Na dominação masculina grega, nenhum nobre faria isso sem a certeza de que o hímen estava preservado. Helena, na sua sonsice, fazia um jogo perigoso, mas eficaz.<br />
_A sonsice da sonsa implicava uma lógica sexual que era fundamento, justamente, da dominação masculina.  Essa tal resistência não rompeu com as bases da dominação.<br />
_Não, não, a sonsice de Helena colocava a seu favor a lógica sexual da dominação masculina.<br />
_Mas não adiantou muito, pois virou o objeto de Menelau.</p>
<p>Orravan falou bem devagar: Me-ne-lau. Sabia que Freud detestava o rei da Lacedemónia.</p>
<p>_Melhor ser objeto do que asceta! E Menelau era um homem – tinha dedos, língua e pau. Para Helena, era só uma questão de fechar os olhos e pensar em Diomedes. Pronto, seu prazer estava garantido. Certo, ser sonsa não significou o rompimento com a dominação. Não havia condições objetivas para isso, pelo menos na situação de Helena. Mas resistir é um rompimento com a servidão voluntária, com a submissão pura e simples. Sua sonsice foi-lhe suficiente para sobreviver, preservar uma posição social (afinal, virou rainha e objeto de adoração de Menelau) e esperar alguma reviravolta do Destino. Não nego que essa espera, essa esperança em relação ao Destino, fosse ambígua. A resistência de Helena é bem diferente da de Prometeu, fundada no desespero – aliás, toda resistência prometeica é uma esperança baseada no desespero. Com sua sonsice, Helena ainda jogava com o Destino. É uma resistência baseada num jogo bem arriscado. Afinal, sendo sonsa, ela permanecia no núcleo duro da dominação masculina &#8212; o monopólio do prazer do corpo. Ao jogar, ao sentir prazer, de alguma forma, resistia&#8230;<br />
_Não entendo como isso pode ser “resistência”.<br />
_Helena recusou a “tecelagem”, como lhe aconselhou Penélope. “Tecer”, para Helena, era assumir de vez o papel de “mulherzinha”. Mas não podia escapar da dominação masculina&#8230;<br />
_Podia ter virado uma “amazona”&#8230;<br />
_Sim, mas abdicaria do seu maior prazer: os homens.<br />
_Foi a Messalina grega, então&#8230;<br />
_Não, não, Messalina é outro caso de figura. Ninfomania é uma tapa de luva contra a misoginia. O imperador Cláudio era um misógino. E Tácito e Suetônio, dois romanos bem machistas, foram injustos com Messalina.<br />
_Outra sonsa, isto sim!<br />
_Veja outra resistente, Xica da Silva. Estava numa situação pior do que a de Helena, pois era escrava. Ela utilizou o sexo e a sedução, instrumentos de dominação masculina, contra o próprio poder e conquistou a liberdade.</p>
<p>Houve um momento de silêncio e, depois, um pipoco.</p>
<p>_Xica da Silva?!</p>
<p>Orravan arregalou os olhos. Estava estupefato.</p>
<p>_Que porra tem a ver Xica da Silva com Helena de Tróia?</p>
<p>Perdia a cabeça quando Freud aparecia com essas sandices. O cabra adorava viajar na maionese e o deixava furioso. Ele merece uma surra, pensou Orravan. Sim, sim, uma surra&#8230; Bebeu mais um gole de leite de gironda. Decidiu esperar um pouco. Estava sem vontade de bater em Freud. Preferiu mudar o argumento&#8230; por enquanto.</p>
<p>_Menelau era um idiota.<br />
_Sim, claro, era mesmo um idiota. Mas Xica da Silva&#8230;</p>
<p>Freud, diante do olhar rútilo de Orravan, desistiu de argumentar. Um dia, pensou, voltaria a essa incrível associação entre escravidão, sexo, Xica da Silva e liberdade.</p>
<p>_E Helena casou com um idiota – continuou, Orravan.<br />
_E quantas mulheres não são casadas com idiotas? Helena não tinha escolha. Menelau foi uma imposição. Além disso, ela se vingou de alguma forma, pois meteu na cabeça de Menelau um gigantesco par de chifres.<br />
_Pra quê?! Pra ficar com outro idiota &#8212; Páris! Um narcisista e, ainda mais, arrogante. Um despolitizado por completo.<br />
_Páris não era um idiota como Menelau, mas sim, concordo, ele era despolitizado.<br />
_Helena era uma idiota que escolheu um idiota.<br />
_Foi por paixão. E foi uma escolha. Um ato de consciência e de liberdade. Deixou Menelau, seu reino, seus filhos&#8230;</p>
<p>Orravan olhou Freud com desprezo. Essa estória de paixão&#8230; Imagine, paixão!</p>
<p>_Dois irresponsáveis! Por causa desse “ato de consciência e de liberdade”, causaram uma guerra.<br />
_Rapaz, você sabe muito bem que Helena foi um pretexto. Tróia proibira os mercadores gregos de passarem pelo Helesponto. Os gregos não tinham mais como obter estanho, sem pagar caríssimo. Sem estanho, não havia como transformar o cobre em bronze. A guerra foi por causa do estanho, do cobre, do alargamento das vias mercantis e da livre passagem pelo Helesponto. E os gregos tinham interesse em colonizar o litoral da Ásia Menor. Não foram os chifres, a causa da Guerra de Tróia!</p>
<p>Freud, nesse ponto, revidava os argumentos de Orravan e passava, ao mesmo tempo, ao ataque. O que estava em jogo, agora, não era pouco. Freud investia contra a tese, tão cara a Orravan, de que os Chifres, postos na cabeça de Menelau, foram fundamentais na construção da Cultura Ocidental (<a href="(http://www.blogdosperrusi.com/2007/11/21/a-importancia-do-chifre-na-construcao-da-cultura-ocidental/" target="_blank">aqui</a>).</p>
<p>Orravan respirou fundo. Subestimara Freud. Estava meio tonto com o revide. A ideia de uma surra era cada vez mais aprazível.</p>
<p>_Ser um pretexto para uma guerra já é grave – disse, sem muita convicção.<br />
_Pretexto não é causa&#8230;</p>
<p>Orravan não deixou Freud terminar o raciocínio.</p>
<p>_Por causa de Helena, todos os heróis gregos e troianos tomaram na jaca! Por causa de uma maldita vagina! Assassina de heróis! E dizem que a sonsa estava com Páris, em Alexandria, durante a guerra!</p>
<p>Orravan estava aos berros. Freud, por experiência própria, sabia que os gritos eram a ante-sala de uma surra. Tinha que acalmá-lo de alguma maneira.</p>
<p>_Calma, Orravan, calma&#8230;</p>
<p>Orravan não escutava. Só via sangue. Mas, por milagre, ainda não queria dar uma surra em Freud. Apelaria, sim, mas sem utilizar a força física. Nessa discussão, sabia afinal qual era o ponto fraco de Sigmund.</p>
<p>_Você e suas teorias. Você não entende nada das mulheres!</p>
<p>Freud sustou a respiração. Intuía a argumentação de Orravan e sentiu um reboliço no estômago.</p>
<p>_Me diga, Freud, me diga mesmo, o que é que as mulheres querem?<br />
_Er&#8230; bem&#8230; as mulheres são incompreensíveis&#8230;</p>
<p>Orravan segurou Freud pelo ombro. O frouxo já escapulia.</p>
<p>_Não fuja da questão, Freud. A psicanálise não explica tudo? Então me diga, o que elas querem?<br />
_Elas são incompreensíveis&#8230; Murmurava Freud, já completamente derrotado – afetivamente, elas são incompreensíveis&#8230;<br />
_Aaah, assim o grande Freud não sabe o que querem as mulheres. Se não sabe, não as entende, meu chapa. Não me venha então falar de Helena pra mim!</p>
<p>Freud estava vermelho. Quem olhasse, parecia inchado. Seus olhos não tinham direção. Mas Orravan estava num dia excepcional. Queria conversar. Ofereceu um copo de leite de gironda a Freud.</p>
<p>_Vamos deixar de lado essa estória de sonsice e chifres. Juro que esquecerei esse papo de Xica da Silva.</p>
<p>E, fazendo seu sorriso mais meigo, Orravan finalizou:</p>
<p>_Como está aquela porcaria, o tal Clube do Santo Nome?</p>
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		<title>O estudo da idiotia e as tartarugas de Intermares</title>
		<link>http://www.blogdosperrusi.com/2011/08/30/o-estudo-da-idiotia-e-as-tartarugas-de-intermares/</link>
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		<pubDate>Tue, 30 Aug 2011 13:00:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dimas Lins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma visão rara das lendárias tartarugas de Intermares
por Dimas Lins (publicado originalmente no Torcedor Coral)
Recebi um telefonema de Artur Perrusi, nosso dileto e desaparecido Editor-Minor, para assistir ao jogo do Santa Cruz em sua casa. O convite soou estranho, dada a sua longa ausência de nosso convívio. Durante muito tempo, tentei, sem sucesso, localizar o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2011/08/Tartaruga.jpg"><img class="size-medium wp-image-6761 aligncenter" title="Tartaruga" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2011/08/Tartaruga-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><span style="font-size: x-small;">Uma visão rara das lendárias tartarugas de Intermares</span></p>
<p>por <strong>Dimas Lins</strong> (publicado originalmente no <a href="http://www.torcedorcoral.com/destaques/o-estudo-da-idiotia-e-as-tartarugas-de-intermares/" target="_blank">Torcedor Coral</a>)</p>
<p>Recebi um telefonema de Artur Perrusi, nosso dileto e desaparecido Editor-Minor, para assistir ao jogo do Santa Cruz em sua casa. O convite soou estranho, dada a sua longa ausência de nosso convívio. Durante muito tempo, tentei, sem sucesso, localizar o seu paradeiro. Procurei-o inutilmente em hospitais, simpósios de psiquiatria sobre o medo do homem pelas baratas e, por fim, em necrotérios. Nenhum sinal. Perrusi, ao que parecia, não estava vivo nem morto, mas no limbo.</p>
<p>Aceitei o convite, não apenas porque na minha casa não pega satisfatoriamente o Canal 22, mas também porque fui movido pela curiosidade em saber o que nosso Editor-Minor havia feito durante todo esse tempo.</p>
<p>Bati a porta de sua casa três vezes, de acordo com as suas orientações, mas ninguém atendeu. Depois, bati mais três vezes e continuei inutilmente na espera. Cansado de aguardar e na expectativa do início da partida, decidi abandonar a passividade e enfiei o pé na a porta, até que ela se abrisse.</p>
<p>Porta escancarada, encontrei Perrusi em pé, no meio da sala de estar, pintado de verde, usando uma sunga de praia, com uma bacia de lavar roupa amarrada nas costas e um lenço vermelho preso na testa. Quis perguntar que porra era aquela, mas ponderei que sempre é preciso agir com cautela diante de um doido em potencial.</p>
<p>― Por que você não abriu a porta quando eu bati?!</p>
<p>― Porque você bateu seis vezes e nós combinamos apenas três.</p>
<p>― Mas eu bati três vezes, você que não abriu, aí eu bati mais três!</p>
<p>― As três primeiras batidas poderiam ter sido casuais. Precisava ter certeza.</p>
<p>Achei o início de nosso reencontro parecido com os episódios da série de TV <em>Além da Imaginação</em>. Paciente, cobrei esclarecimentos.</p>
<p>Artur me explicou que andava cansado do futebol de quarta divisão jogado pelo Santa, por isso, aceitou o desafio de realizar uma pesquisa solitária sobre os hábitos das lendárias tartarugas de Intermares. Como psiquiatra e sociólogo, sua missão era descobrir por qual motivo as fêmeas se identificam mais sexualmente com as tartarugas do eixo Rio-São Paulo do que os machos nascidos e criados na Paraíba. Segundo Artur, os hábitos das tartarugas marinhas têm profundas semelhanças com os torcedores paraibanos, que preferem os times cariocas e paulistas aos de João Pessoa e Campina Grande. Se descobrisse o mistério de um, provavelmente, descobriria a razão do outro. Era preciso, portanto, diagnosticar a causa para, enfim, encontrar a cura. Por enquanto, ele defendia que a preferência das tartarugas se dava em virtude dos seus ovos serem chocados em parabólicas enterradas na praia de Cabedelo. O disfarce de tartaruga ninja foi a forma que nosso Editor-Minor encontrou para se infiltrar no habitat natural dos quelônios sem levantar suspeitas.</p>
<p>Levei um tempo para me acostumar com aquela tralha pendurada em suas costas, mas preferi não tocar no assunto, já que sua cara de doido me dava medo. Perrusi ligou a TV e me ofereceu ovos de tartaruga enrolados em algas marinhas, hábito adquirido durante o período da pesquisa. Recusei gentilmente.</p>
<p>A imagem da TV não era lá essas coisas, mas dava para acompanhar a partida. O jogo feio fez com que Artur começasse a mostrar os primeiros sinais de irritação. Quis crer que o isolamento natural do convívio humano tenha-o deixado menos tolerante.</p>
<p>― Que jogo feio do carai! – disse ele, para em seguida dar uma dentada num ovo de tartaruga.</p>
<p>― O jogo não está feio, a imagem é que está ruim – defendi, hipnotizado pela gema do ovo lambuzada em sua cara.</p>
<p>― Coisa nenhuma! Esse time é que não joga porra nenhuma! – respondeu agora com a boca cheia de um punhado de algas marinhas.</p>
<p>Decididamente, Artur estava transformado. Em todos esses anos de convívio, nunca o ouvi chamar tanto palavrão. No passado, suas irritações faziam-no, no máximo, citar o filósofo dinamarquês Kierkegaard e seu existencialismo cristão, cujo nome, de tão difícil pronúncia, mais parecia uma palavra obscena.</p>
<p>Talvez por isso, já que o conhecia bem, achei precipitada a sua crítica contundente ao nosso Santinha, principalmente depois dos méritos que envolviam a conquista do campeonato pernambucano. Assim, insisti na tese da imagem ruim e, para comprová-la, mandei uma mensagem de texto para o celular de Paulinho, nosso cronista que se fazia presente no Almeidão, testemunha ocular da partida entre o Paracetamol e nosso genuíno Tylenol:</p>
<div>
<p>Paulinho, o jogo aí tá feio como na TV?</p>
</div>
<p>A resposta demorou apenas meio minuto.</p>
<div>
<p>Aqui está do caralho, um jogão! Hahahaha!</p>
</div>
<p>― Não disse! – falei triunfante, ao mesmo tempo em que mostrava a mensagem de texto enviada por nosso companheiro de redação.</p>
<p>Artur me olhou de cima e perguntou se eu era incapaz de perceber a ironia intrínseca e explícita no texto de Paulo em forma de gargalhada. Achei uma bobagem. Paulinho, para mim, ria mesmo era de felicidade de ver um futebol vistoso, envolvente e altamente competitivo. Artur, para descontruir o meu ponto de vista, foi até a cozinha, voltou com dois pacotes de Bombril e colocou-os nas pontas da antena. A imagem melhorou, mas restaram os fantasmas dos jogadores.</p>
<p>Num momento de perigo do ataque coral, Ricardinho recebeu a bola na área, mas o bandeirinha marcou impedimento, levando-me ao protesto. Para mim, Ricardinho estava em posição legal, seu fantasma na TV era quem teria ficado impedido. Artur quase chegou a me dar razão, mas voltou a si ao ver o replay do lance. Não aguentei tanto pessimismo e esbravejei, apoiado nas sábias palavras de Nelson Rodrigues:</p>
<p>— Deixa de tolice, que o videoteipe é burro!</p>
<p>Perrusi rebateu ao afirmar que só um cego não vê que o time está jogando pedra em santo. Por fim, retirou da sua estante um compêndio sobre o estudo da idiotia no futebol. Na tese de um sociólogo inglês chamado Pen Taylor, há um afirmação categórica que diz que depois dos quarenta anos todo adulto adquire a chamada vista cansada, aquela que impede que você veja claramente o que está a um palmo do seu nariz. No caso do futebol, a falta de visão, na sua visão, causa danos irreversíveis ao senso crítico do torcedor e o torna cego e, portanto, um otimista irracional.</p>
<p>Fiquei cheio de mais-mais-mais e sem argumentos para discutir com um homem de sunga, pintado de verde e com uma bacia amarrada nas costas. Sem encontrar respostas para a teoria da idiotia no futebol e com medo de parecer irracional, avancei sobre os ovos de tartaruga com algas marinhas, como quem avança sobre uma das vagas para a Série C, e emborquei de um gole só um copo de cana com gás. Minha goela queimou e o álcool em forma de bola de fogo rapidamente subiu para a cabeça. A partir daí, tudo ficou claro.</p>
<p>Já comprei a minha bacia e a sunga de praia e estou de partida para Intermares para auxiliar nosso Editor-Minor no estudo das tartarugas marinhas paraibanas. Se não descobrir a causa da geração torcedor-parabólica, pelo menos não sofrerei com os riscos de ficar mais um ano na Série D. E se nada mais der certo, ao menos passarei o dia comendo ovos de tartaruga e bebendo cana com gás.</p>
<p>Quer vida melhor?</p>
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		<title>Mundos possíveis</title>
		<link>http://www.blogdosperrusi.com/2011/01/06/mundos-possiveis/</link>
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		<pubDate>Thu, 06 Jan 2011 14:57:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tartaruga bípede de Intermares fazendo cocô
VanVan, o cientista cearense, olhava o pôr do sol e suspirava. Era sempre assim. Vendo todas aquelas cores, ficava romântico. Estávamos, como sempre, no Bar do Surfista. Apreciávamos o final da tarde. A noite cai em Cabedelo, literalmente, posso dizer. De repente, o sol some e a lua assome. Mas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2011/01/tartaruga.png"><img class="size-medium wp-image-5926 aligncenter" title="tartaruga" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2011/01/tartaruga-300x259.png" alt="" width="300" height="259" /></a>Tartaruga bípede de Intermares fazendo cocô</p>
<p>VanVan, o cientista cearense, olhava o pôr do sol e suspirava. Era sempre assim. Vendo todas aquelas cores, ficava romântico. Estávamos, como sempre, no Bar do Surfista. Apreciávamos o final da tarde. A noite cai em Cabedelo, literalmente, posso dizer. De repente, o sol some e a lua assome. Mas, no Bar do Surfista, o tempo é lento e cada segundo pode ser desfrutado. O sol não cai, aqui, pois vai pousando&#8230;</p>
<p>As pessoas daqui não aparecem nessa hora. Estão em casa dando o que comer aos seus filhos. São esfomeados. Gafanhotos. Comem tudo. Acho até legal a fome dos filhos dos outros, pois o bar vira uma propriedade particular. Toma-se uma cervejinha, anoitece e vai-se embora numa boa. Não há chateação, nem mesmo do dono, pois o mesmo deixa conosco uma quantidade de cerveja e se manda &#8212; tem duas filhas para alimentar.</p>
<p>Como disse, o pôr do sol deixa VanVan romântico. Acho que, nesse momento, todo aquele ceticismo científico vira uma máquina de especulação muito doida.</p>
<p>_Eu acredito em mundos possíveis – disse com muita convicção, VanVan.<br />
_Eu, não.<br />
_Eu sei disso. Falei para marcar posição.<br />
_Eu fiz a mesma coisa.<br />
_Eu sei disso.<br />
_Eu, também.<br />
_Na verdade, eu acredito a tal ponto em mundos possíveis que, para mim, são literais.<br />
_Eu acho esse papo de &#8220;mundos possíveis&#8221; uma indulgência metafísica desnecessária. Você diz isso porque está romântico diante de toda essa beleza.<br />
_Há uma pluralidade de mundos reais, onde as leis de nosso mundo nada valem.<br />
_Mundos onde não existe pôr do sol&#8230;<br />
_Mundos terríveis, sem dúvida. Há mundos onde Serra ganhou as eleições e onde as tartarugas são bípedes.<br />
-Acho essas ideias extravagantes. Só existe um mundo, e é esse, agora, atual. Além do mais, é mais fácil encontrar uma tartaruga bípede do que Serra ser presidente.<br />
_Pois existe um mundo serrista.<br />
_Pobre mundo.<br />
_É lá em São Paulo.</p>
<p>Houve um momento de silêncio. Havia compaixão na atmosfera. Brindamos assim por todos os mundos paulistas sem tucanos.</p>
<p>_Mas gostaria que existissem mundos possíveis. Viveria uma vida em cada um deles. Infinitas vidas.<br />
_Gostaria de ser uma mulher num desses mundos.<br />
_Você sempre quis ser mulher.<br />
_Tudo bem, mas não sou eu que sai de mulher no carnaval.<br />
_Apenas no carnaval, vale dizer. Mas infinitas vidas implicariam infinitos modos de ser.<br />
_Infinitas éticas&#8230;<br />
_Justamente: seria mulher, transsexual, o diabo a quatro. Inclusive, todas as modalidades de assassino.<br />
_Infinitas vidas relativizariam infinitamente a tua ética.<br />
_Sim, como viver infinitamente infinitas vidas, guiado por uma ética finita? Eu experimentaria tudo, até mesmo todas as tragédias.<br />
_Todas as dores&#8230;<br />
_Esse é meu problema. Todas as dores&#8230; Meu utilitarismo não daria conta do infinito.  Bem, infelizmente, não existem mundos possíveis.<br />
_Você é um materialista vulgar, até mesmo em todos os mundos possíveis.<br />
_Sou, sim. E não sei onde estão teus mundos.<br />
_ Eles não podem estar, porque não existe atualização. São reais, mas não são atuais. São inacessíveis ao nosso conhecimento, já que habitamos apenas nesse mundo.<br />
_Você defende que a mera atualidade não define a realidade?<br />
_Justo. Acho um preconceito definir a realidade a partir de nosso ponto de vista, logo, do nosso espaço-tempo restrito ou de nossa atualidade. Teu umbigo é imenso, Artur. Teu fisicalismo é apenas uma espécie de solipcismo mascarado.<br />
_Solipcista?! Eu acredito piamente que você existe e que é doido de <a href="http://quecazzo.blogspot.com/2010/12/ontologia-da-pedra.html" target="_blank">pedra</a>, ainda por cima.<br />
_Não, não, você não acredita que eu exista; se acreditasse, já teria me internado.<br />
_É verdade. Não convivo bem com a loucura. Ela é atual, embora não seja real.<br />
_A loucura é a única forma de atualizarmos todos esses mundos. Paga-se um preço por isso. Mas ela é real.<br />
_Real ou atual, eu interno, sem problema e sem culpa.<br />
_Psiquiatra é aquele que limpa o real das atualizações dos mundos possíveis.<br />
_Limpamos o real das atualizações impossíveis.<br />
_Por você, não existiria a matemática.<br />
_Lá vem você. Os objetos matemáticos não são reais. A abstração é uma forma legítima de atualização, ao contrário da loucura. Teu problema é justamente considerar o abstrato como real. Por isso, você é louco.<br />
_Todos esses números, conjuntos e classes fazem parte de um mundo real, mas que só temos vagos contatos epistêmicos. Você rejeita a única concepção da matemática que não a reduz a uma forma de conhecimento convencionalista. Matemática não é ficção!<br />
_Se a matemática é um mundo real que não tem atualização, como você entra em contato com a dita-cuja?<br />
_Bebendo cerveja, aqui, no Bar do Surfista.<br />
_Aaah, aí estamos de acordo.</p>
<p>Bebemos a última cerveja e fomos pra casa.</p>
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		<title>O Bárbaro e o poeta</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Nov 2010 14:39:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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Um dia, VanVan passeava, languidamente, em Intermares. Era um dia ensolarado, completamente azul, sem nuvens.  O sol queimava essa praia tão bela, mas tão longe do paraíso. Aqui, não tinha inverno, só chuva. Na maior parte do tempo, era luz e calor. VanVan vinha lá de cima, uma terra mais escura, onde tudo fora pensado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/11/prozac1.jpg"><img class="size-full wp-image-5464 aligncenter" title="prozac1" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/11/prozac1.jpg" alt="" width="360" height="235" /></a></p>
<p>Um dia, VanVan passeava, languidamente, em Intermares. Era um dia ensolarado, completamente azul, sem nuvens.  O sol queimava essa praia tão bela, mas tão longe do paraíso. Aqui, não tinha inverno, só chuva. Na maior parte do tempo, era luz e calor. VanVan vinha lá de cima, uma terra mais escura, onde tudo fora pensado e criado. Olhou o sol e se encandeou &#8212; muita luz pode fascinar, mas também cegar.</p>
<p>Andava cansado. Estava atrás da força do sol e descobrira que o calor cansa e não gera poesia. No fim da praia, entrou num barzinho esfumaçado. No balcão, estava o poeta, que fumava e bebia. Beber e se enfumaçar num bar é poético e só faz bem. O poeta não era jovem, nem velho; não era feio, nem bonito. Seu tipo era comum, embora tivesse a postura de uma pessoa experiente. Parecia um veterano da vida. Tinha um jeito de quem tinha conhecido ou tocado a felicidade; mas, diante da insuportável responsabilidade, renunciara a uma vida de alegrias. Porém, não parecia atormentado; ao contrário, estava sereno. Exalava uma tristeza fria, mas gaiata, o que lhe dava um efeito estranho. Parecia dizer: _eu vivi muito e procuro, agora, sem muita pressa, a estima.</p>
<p>Era inevitável que VanVan sentasse no balcão, junto do poeta. Mais impossível, ainda, era evitar o diálogo.</p>
<p>VanVan decidiu abrir o jogo e foi logo direto ao assunto:</p>
<p><strong>VanVan</strong>: O que é a ambiguidade?</p>
<p>O poeta, sem pestanejar, respondeu.</p>
<p><strong>Poeta</strong>: A ambiguidade? Ora, é uma dialética em repouso.<br />
<strong>VanVan</strong>: Mas&#8230; é perigosa?<br />
<strong>Poeta</strong>: Sim, muito perigosa.<br />
<strong>VanVan</strong>: Mesmo se o jogo a protege?<br />
<strong>Poeta</strong>: Meu velho, o jogo é, na verdade, o combustível da ambiguidade! Um dia, a gasolina acaba, o carro pára, a dialética desmorona e o sonho vira pesadelo.<br />
<strong>VanVan</strong>: Por quê? Se a dialética acaba, fica somente o repouso puro e simples.</p>
<p>VanVan suspirou. Procurava o repouso. O poeta não gostou do suspiro. Já tinha passado dessa fase da vida.</p>
<p><strong>Poeta</strong>: Não seja ingênuo. O repouso é apenas o início do movimento.<br />
<strong>VanVan</strong>: Estranha física, a tua.<br />
<strong>Poeta</strong>: Física de um poeta.<br />
<strong>VanVan</strong>: Não sou ingênuo. Sei me proteger. Uso a culpa.<br />
<strong>Poeta</strong>: A culpa?! É um escudo, de fato, mas a culpa faz parte do jogo. Não existe algo mais masculino do que a culpa.<br />
<strong>VanVan</strong>: Por favor, tenha pena de mim. Não quero seu corpo, embora não o recusasse, dado assim sem motivo; queria sua alma, esse pequeno tesouro escondido atrás de seus olhos carinhosos&#8230;<br />
<strong>Poeta</strong>: Você está falando de mim?!<br />
<strong>VanVan</strong>: Não, não, de uma mulher.<br />
<strong>Poeta</strong>: Tudo bem, o que me incomodou mesmo foram os &#8220;olhos carinhosos&#8221;. Passei anos mudando meu olhar. Metia medo nas crianças; hoje, não tenho vontade de meter medo em ninguém. Deixa eu entender: ambiguidade, culpa e mulher. Lascou-se; nesse caso, é preciso ser o rei do jogo.<br />
<strong>VanVan</strong>: Pois é, e o jogo continua unilateral, com nenhuma reciprocidade.<br />
<strong>Poeta</strong>: Pelo menos, você fica protegido.<br />
<strong>VanVan</strong>: E frustrado&#8230;<br />
<strong>Poeta</strong>: Huuum, daí a ambiguidade. Mas qual é, afinal, o problema?<br />
<strong>VanVan</strong>: Não sei direito. Talvez, entre o tédio e a volúpia, ela não encontre saída.<br />
<strong>Poeta</strong>: Entre o tédio e a volúpia? Conheço bem esse tipo de mulher.<br />
<strong>VanVan</strong>: Conhece? Você conhece a maldição do controle de si?<br />
<strong>Poeta</strong>: Sim, conheci e consegui sobreviver, como você mesmo pode comprovar nesse momento. Pense numa pessoa incapaz de cometer um erro de sentimento ou de cálculo; pense numa serenidade colada num caráter desolado; numa dedicação sem comédia e sem ênfase; uma doçura sem fraqueza; uma energia sem violência. A história dessa paixão assemelha-se a uma viagem interminável numa superfície pura e polida como um espelho &#8212; vertiginosamente monótona. Refletiu todos os meus sentimentos e meus gestos com a precisão irônica de minha própria consciência. Não se pode, diante de um espelho, arriscar um gesto intempestivo ou exprimir um sentimento irracional, sem que não se receba de volta a reprovação muda de nosso reflexo.<br />
<strong>VanVan</strong>: Compreendo. Sinceramente, quantas vezes me deu vontade de pular na sua garganta, gritando na cara: &#8220;seja imperfeita, miserável, para que possa te amar sem contenção e sem cólera&#8221;!<br />
<strong>Poeta</strong>: E, agora, a profundidade de sua personalidade te consterna; sua clareza te exaspera. A insensibilidade de seu controle de si, a imutabilidade de sua concepção amorosa, tudo isso te revolta.<br />
<strong>VanVan</strong>: A beleza pode ser terrível, hein?! Sofrer ou fugir? A raiz do fascínio é a luz que ofusca. Queria que essa miserável, essa encantadora sem piedade, deixasse-me em paz. Queria que o orgulho vencesse meu desejo.<br />
<strong>Poeta</strong>: Meu chapa, você é, realmente, um pobre tipo!<br />
<strong>VanVan</strong>: Ao menos, sou capaz de amar&#8230;<br />
<strong>Poeta</strong>: ou de sofrer&#8230;<br />
<strong>VanVan</strong>: &#8230; entre o tédio e a volúpia&#8230;<br />
<strong>Poeta</strong>: &#8230; à jamais&#8230;<br />
<strong>VanVan</strong>: Não há esperança?<br />
<strong>Poeta</strong>: A esperança é uma puta francesa.<br />
<strong>VanVan</strong>: Não era polaca?<br />
<strong>Poeta</strong>: Não, francesa.<br />
<strong>VanVan</strong>: Sueca?<br />
<strong>Poeta</strong>: Vá se foder.</p>
<p>Nesse exato momento, criou-se um abismo entre VanVan e o poeta. Eles se afastaram, sem se despedir. Um vento que vinha do Norte separava-os de forma irreversível.</p>
<p>Ficou muita mágoa, certamente, pois nunca mais se encontraram.</p>
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		<title>Pode ir…</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Nov 2010 14:36:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[cagada]]></category>
		<category><![CDATA[peido]]></category>

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		<description><![CDATA[
_Vou cagar, viu?!
_Claro, pode ir&#8230;
Sempre respondia assim. Era uma reposta absolutamente mecânica. A permissão automática fazia parte de um intricado equilíbrio conjugal, que estava, afinal, prestes a desmoronar. Todo dia, pela manhã, seu marido partilhava seus objetivos. Todo dia&#8230;
Logo no início da relação, achou apenas que era um costume meio infantil, mas passível de mudança. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/12/proibido-cagar.jpg"><img class="size-full wp-image-5672 aligncenter" title="proibido cagar" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/12/proibido-cagar.jpg" alt="" width="400" height="278" /></a></p>
<p>_Vou cagar, viu?!<br />
_Claro, pode ir&#8230;</p>
<p>Sempre respondia assim. Era uma reposta absolutamente mecânica. A permissão automática fazia parte de um intricado equilíbrio conjugal, que estava, afinal, prestes a desmoronar. Todo dia, pela manhã, seu marido partilhava seus objetivos. Todo dia&#8230;</p>
<p>Logo no início da relação, achou apenas que era um costume meio infantil, mas passível de mudança. Enfim, não deu muita importância. A paixão tem como sintoma a perda do senso crítico. Para viver juntos, é preciso contemporizar. Amor é condescendência, principalmente com as nojeiras – o Outro é nojento, convenhamos.</p>
<p>Uma vez, falou desse hábito a suas amigas. Deram algumas risadinhas nervosas, mas só isso. Achou engraçado de não acharem engraçado. Mas as risadinhas causaram algum efeito. Algo se quebrou, algo vinha se quebrando. Será que era mesmo engraçado?!</p>
<p>O pior da graça eram as análises coprológicas, após o acontecimento. Seu marido discorria sobre a consistência, o sucesso da empreitada, o tamanho, a sensação de bem-estar, enquanto comiam sucrilhos no café da manhã. Quando não dava certo, ficava mais complicado. A narrativa era pesada, meio melancólica, em suma, a expressão cabal de uma frustração. No malogro, o marido ficava com um chatíssimo mau humor.</p>
<p>No terceiro ano de casamento, sem querer, descobriu que a mãe do marido fazia o mesmo e pensou sobre as consequências trágicas do Complexo de Édipo. Sabia que o pai do marido tinha se separado de sua sogra por alguma razão misteriosa. Nunca soube, porém, do motivo, uma espécie de tabu familiar. Começou a desconfiar de que estava diante da causa da separação. O pai não aguentara 17 anos de repetição matinal. Ela aguentaria?</p>
<p>_Vou cagar, viu?!<br />
_Claro, pode ir&#8230;</p>
<p>Já não respondia de forma mecânica. Não era indiferente ao gesto. Ao contrário, ficava agora irritada. Acordava com irritação, esperando a pergunta. Enquanto o marido cagava, comia os sucrilhos e se levantava rapidamente da mesa, para não escutar os comentários. Desejava que seu marido sofresse de prisão de ventre. Rezava pela constipação. Nada adiantou. Era uma máquina de merda, pensava. Um relógio de bosta. Algumas vezes, ajeitava o horário pelas cagadas de seu marido. Todo dia, mesma hora, mesmo ato, mesma coisa.</p>
<p>A irritação carcomia suas entranhas. Parecia um baiacu, inchando e inchando todo dia. Pensou nos baiacus e achou muito vulgar a sua situação. _Eu não sou um baiacu, disse a si mesma, sem muita convicção.</p>
<p>Porém, seu karma continuava e piorava cada dia. Seu marido, além de cagar, o que era óbvio e, até certo ponto, saudável, peidava muito. No início, com a paixão, achava engraçado – o amor deixa tudo muito engraçado. Com o tempo, passou a se assustar com os peidos. Ao ficar mais irritada, os peidos tornaram-se bombas terroristas. Muitas vezes, seu coração parava, ficava lívida e voltava ao mundo com as risadas do marido. A sorte é que não fediam. O azar era que, com a idade, os peidos eram mais barulhentos, e o marido, deixando qualquer prurido de lado, gemia horrores quando cagava. Praticamente, pelos gemidos, quase berros, ela sabia de todas as fases do imbróglio. Estava tão suscetível e perceptiva que escutava o “plop” da merda caindo na água da latrina. Tinha pesadelos com &#8220;plops&#8221;.</p>
<p>Um dia, sabia que explodiria. Não aguentaria mais. Ia pipocar. Era só uma questão de tempo.</p>
<p>Demorou muito, mas aconteceu. Três meses depois do décimo-quinto aniversário de casamento, sem motivo aparente, talvez, expressão de um recalque que insistia em escapar do inconsciente, enfim, ela fez diferente.</p>
<p>_Vou cagar, viu?!<br />
_Não, você não vai&#8230;</p>
<p>O mundo desabou.</p>
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		<title>Conto infantil moderno</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Sep 2010 00:51:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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		<category><![CDATA[coca]]></category>
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Estorinha enviada por Verônica:
O coelho vinha correndo pela floresta quando viu uma girafa acendendo um cigarro de maconha.
Então, ele parou e disse:
- Dona girafa, pare de fumar isso ai e vamos correr pela floresta, você vai ver como ficará em forma!
A girafa pensou, jogou o cigarro fora e foi correr com o amigo.
Pouco mais à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/09/alice.jpg"><img class="size-full wp-image-4892 aligncenter" title="alice" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/09/alice.jpg" alt="" width="400" height="300" /></a></p>
<p>Estorinha enviada por Verônica:</p>
<blockquote><p>O coelho vinha correndo pela floresta quando viu uma girafa acendendo um cigarro de maconha.<br />
Então, ele parou e disse:</p>
<p>- Dona girafa, pare de fumar isso ai e vamos correr pela floresta, você vai ver como ficará em forma!</p>
<p>A girafa pensou, jogou o cigarro fora e foi correr com o amigo.<br />
Pouco mais à frente, eles encontraram um urso cheirando cola. O coelho de novo:</p>
<p>- Oh, seu urso, deixa disso!! Venha correr com a gente para ficar em forma!</p>
<p>O urso colocou a lata de lado e foi correr com eles.<br />
Mais para a frente, encontraram um elefante consumindo cocaína:</p>
<p>- Oh, elefante, não perca seu tempo com isso! Vamos entrar em forma correndo pela floresta.</p>
<p>E o elefante se juntou ao grupo.<br />
Metros adiante estava o leão, viciado em heroína, com uma seringa:</p>
<p>- Oh, meu grande rei, pare de fazer isso e vamos entrar em forma!</p>
<p>O coelho levou uma patada tão grande que voou longe.<br />
Os animais, revoltados, perguntaram ao leão:</p>
<p>- Você está louco? Por que fez isso com ele?</p>
<p>E o leão respondeu:</p>
<p>- Toda vez que esse coelho filho da puta  toma ecstasy me faz correr como um idiota pela floresta inteira!!!</p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>três estorinhas</title>
		<link>http://www.blogdosperrusi.com/2010/08/13/tres-estorinhas/</link>
		<comments>http://www.blogdosperrusi.com/2010/08/13/tres-estorinhas/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 00:30:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Cortázar]]></category>
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		<category><![CDATA[estórias]]></category>
		<category><![CDATA[non sense]]></category>
		<category><![CDATA[Quintana]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[
Julio Cortázar: Histórias de Cronópios e de Famas
O cronópio pequenininho procurava              a chave da porta da rua na mesa de cabeceira, a mesa de cabeceira              no quarto de dormir, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/08/Feito_em_Casa-thumb.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4327" title="Feito_em_Casa-thumb" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/08/Feito_em_Casa-thumb.jpg" alt="" width="300" height="306" /></a></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: small;">Julio Cortázar: Histórias de Cronópios e de Famas</span></p>
<blockquote><p><span style="font-size: small;">O cronópio pequenininho procurava              a chave da porta da rua na mesa de cabeceira, a mesa de cabeceira              no quarto de dormir, o quarto de dormir na casa, a casa na rua. Por              aqui parava o cronópio, pois para sair à rua precisava              da chave da porta.</span></p>
<p><span style="font-size: small;">Um cronópio vai abrir a porta da rua      e ao enfiar a mão no bolso para pegar a chave, o que tira é uma      caixa de fósforos; então este cronópio fica muito aflito      e começa a pensar que se em vez da chave ele encontra os fósforos,      seria terrível que o mundo se houvesse deslocado de repente, e então      se os fósforos estão no lugar da chave, pode acontecer que ele      ache a carteira de dinheiro cheia de fósforos, e o açucareiro      cheio de dinheiro, e o piano cheio de açúcar, e o catálogo      do telefone cheio de música, e o armário cheio de assinantes,      e a cama cheia de roupas, e as jarras cheias de lençóis, e os      bondes cheios de rosas, e os campos cheios de bondes</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: small;">(&#8230;)</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: small;">Mário Quintana: O Velho.<br />
</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: small;">O que eu mais temo – escrevi eu em um dos meus agás –              não é o Sono Eterno, mas a possibilidade de uma insônia              eterna – o que seria uma verdadeira estopada, um suplício              sem fim. Porém, em uma das minhas costumeiras noites de sonho              acordado, o meu amigo morto me pediu um cigarro, e disse-me: </span></p>
<p><span style="font-size: small;">– Não é como tu              pensas, todos nós trabalhamos numa série infinita de              escritórios (cada geração de mortos num deles)              onde a gente se entrega a um sério trabalho de estatística:              tem-se de anotar a chegada de cada um e comunicar-lhe o respectivo              número, pois isso de nomes é mera convenção              terrena. O pior são os que atrapalham a escrita, morrendo antes              do tempo – ou porque se mataram ou por culpa dos médicos,              e estes ainda são culpados quando fazem os doentes morrer depois              da hora, numa espécie de sobrevida artificial, já que              os médicos (diga-se em sua honra) julgam criminosa a prática              da eutanásia&#8230; Uma pena!<br />
</span><span style="font-size: small;">- E fora do expediente, o que              fazem vocês?<br />
– Bem, a hora do almoço não deixa de ser divertida              por causa dos Santos: põem-se a discutir acaloradamente qual              deles fez na Terra o maior número de milagres e outras futilidades.<br />
– E nos serões, eles jogam prenda?<br />
– Mais respeito, seu vivo!&#8230; Bem! Nos serões eles fazem              concursos para ver quem é que diz de cor mais versículos              da Bíblia. Uma bobagem! Todo mundo sabe que o único              que sabe a Bíblia de cor, tintim por tintim, é o Diabo.<br />
- E Deus? Me conta como é Ele&#8230;<br />
- Ah, o Velho? Desconfio que certa vez O vi&#8230;<br />
- Só certa vez? Ele não está sempre no céu?<br />
– Bem, tu deves compreender que Ele se preocupa principalmente              com os vivos. O Velho está quase sempre é na Terra,              lidando com os assuntos humanos. Ele e o Diabo, Sim, os dois vivem              a maior parte do tempo na Terra.<br />
– Ora, eu pensava que vocês soubessem mais do que nós&#8230;              Mas conta-me lá como foi que desconfiaste de ter visto o Velho?<br />
– Foi há tempos, eu era recém-chegado, quando              uma tarde apareceu de surpresa no escritório um velhinho muito              simpático. Com as mãos às costas, curvava-se              sobre cada mesa, inspecionando o nosso trabalho, por sinal que me              atrapalhei, errei uma palavra. Ele bateu-me confortadoramente no ombro,              como quem diz: &#8220;Não foi nada&#8230; não foi nada&#8230;&#8221;              Ao retirar-se, já com a mão no trinco da porta, virou-se              para nós e abanou: &#8220;Até outra vez se Eu quiser!&#8221;</span></p></blockquote>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">
<table style="width: 600px;" border="0" bgcolor="#d6d6d6">
<tbody>
<tr>
<td width="15"></td>
<td align="left" valign="top">
<div><span class="titulo1"><span style="font-family: Trebuchet MS;"> </span></span></div>
<table style="width: 26%; height: 58%;" border="0" align="right">
<tbody>
<tr>
<td height="144" align="right" valign="top"><!-- InstanceBeginEditable name="EditRegion5" --><img src="http://www.hortifruti.org/imagens/legumes.gif" alt="" width="135" height="135" align="absmiddle" /><!-- InstanceEndEditable --></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table style="width: 67%;" border="0">
<tbody>
<tr>
<td></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span class="titulo1"><span style="font-family: Trebuchet MS;"> </span></span> <span class="titulo1"><span style="font-family: Trebuchet MS;">A          Hortaliça</span></span></p>
<table style="width: 73%;" bgcolor="#404040">
<tbody>
<tr>
<td height="1"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table bgcolor="#404040">
<tbody>
<tr>
<td height="15"><a href="http://www.hortifruti.org/" target="_self"><span class="textone">www.hortifruti.org</span></a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td align="right" valign="top"><!-- InstanceBeginEditable name="EditRegion3" --><span class="textog"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Pombas!<br />
</span></span><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Edição #006, de 6                  de fevereiro de 2002.<br />
Classificação: quê??!<br />
Periodicidade: de tanto em tanto<br />
Tiragem: 100 exemplares</span><br />
<a href="mailto:hortalica@gmail.com"><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">hortalica@gmail.com<br />
<span style="color: #000099;">Veja! A coerência está se esvaindo,                  mamãe</span></span></a></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">&#8220;O que eu penso                  da Mafalda não importa.<br />
Importante mesmo é o que a Mafalda pensa de mim&#8221;<br />
(Julio Cortázar)</span><!-- InstanceEndEditable --></td>
<td align="right" valign="top"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table style="width: 100%;" bgcolor="#404040">
<tbody>
<tr>
<td height="1"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><!-- InstanceBeginEditable name="EditRegion6" --></p>
<table bgcolor="#404040">
<tbody>
<tr>
<td height="16"><span class="texton">EDITORIAL</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Vanessa Barbara</span><span style="font-size: x-small;"><br />
</span><!-- InstanceEndEditable --><span style="font-size: x-small;"> </span><!-- InstanceBeginEditable name="EditRegion4" --></p>
<div>
<p><span style="font-size: x-small;"><span class="texto"> Pois é, agora temos 100              assinantes. Ninguém se mova!! Um suspiro, e a ordem natural              das coisas estará ameaçada.</span></span></p>
<p><span style="font-size: x-small;"><span class="texto"> A existência de 100 leitores              desta&#8230; ahm, digamos, publicação, me leva a crer que              a humanidade vai ser sugada a qualquer momento por um grande buraco              de tédio e ociosidade, e se tornará uma colossal massa              disforme de Falta de Coerência. A qualquer momento. É              a velha história: garota está entediada e cheia de aftas,              vai à feira comprar pepinos, conhece um Zine precisando existir,              eles se olham, trocam telefones, combinam uma pescaria e zás!:              logo estão morando na Louisiana, criando moluscos raros e acabam              por devastar 30 acres de um campo repleto de batatas, tudo por causa              das malditas aftas. É sempre assim. Mas não vai se repetir,              não dessa vez. </span></span></p>
<p><span style="font-size: x-small;"><span class="texto">Bom, eu teria que dizer o que há              de bom e ruim nesta edição, mas deixa pra lá.              Se você encontrar algum sentido na disposição              das letras, na colocação das frases, no mérito              comunicativo de algum desses artigos aí embaixo, já              é um avanço considerável. Como disse a saudosa              Stephanie (diga alô para os seus amiguinhos da Casa de Saúde):              &#8220;droga, novamente a coerência se afasta deste local! A              congruência de assuntos não existe!&#8221;.</span></span></p>
<p><span style="font-size: x-small;"><span class="texto">Fazemos nossas as palavras dela,              ou dela as palavras nossas, ou nossa! cadê as palavras dela?,              e terminamos por aqui este emaranhado de bobagens. Vida longa e próspera              a nossa centena de comparsas, e que vocês procriem logo (entre              si) e alfabetizem seus filhos, pra que possamos crescer ainda mais,              sem qualquer esforço. Saudações. </span></span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"><br />
<strong> :: HISTÓRIA ::</strong><br />
Julio Cortázar</span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">O cronópio pequenininho procurava              a chave da porta da rua na mesa de cabeceira, a mesa de cabeceira              no quarto de dormir, o quarto de dormir na casa, a casa na rua. Por              aqui parava o cronópio, pois para sair à rua precisava              da chave da porta.</span></p>
</div>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
]]></content:encoded>
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		<title>El mundo de Milás</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 19:15:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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		<description><![CDATA[Um pouco de literatura é que nem vinhozinho gaulês: é bom e só faz bem. Aproveitando as homenagens ao novo campeão mundial, cito passagens do livro &#8220;El mundo&#8221;, de Juan José Millás. A infância é belamente retratada. Ainda é um mundo encantado, talvez, pré-moderno (a modernidade é excessivamente &#8220;adulta&#8221;?), cheio de claros e escuros e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um pouco de literatura é que nem vinhozinho gaulês: é bom e só faz bem. Aproveitando as homenagens ao novo campeão mundial, cito passagens do livro &#8220;El mundo&#8221;, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Juan_Jos%C3%A9_Mill%C3%A1s" target="_blank">Juan José Millás</a>. A infância é belamente retratada. Ainda é um mundo encantado, talvez, pré-moderno (a modernidade é excessivamente &#8220;adulta&#8221;?), cheio de claros e escuros e de verdades e enganos.</p>
<p>Lá vão alguns trechos:</p>
<blockquote><p><span style="font-family: georgia, serif; color: #003300;">&#8220;Meu pai se gabava de ter sido o primeiro a construir um bisturi elétrico na Espanha, embora provavelmente tivesse tirado a ideia de uma publicação estrangeira. Lembro dele inclinado sobre a mesa da oficina, fazendo cortes num pedaço de carne de boi, admirado pela precisão e limpeza do corte. Não esquecerei nunca o momento em que olhou para mim, que o observava um pouco assustado, para proferir aquela frase fundacional:</span></p>
<p><span style="font-family: georgia, serif; color: #003300;">- Olha, Juanjo, cauteriza a ferida no exato momento de sua feitura.</span></p>
<p><span style="font-family: georgia, serif; color: #003300;"> </span><span style="font-family: georgia, serif; color: #003300;">Quando escrevo a mão, num caderno, como agora, acho que lembro um pouco meu pai no ato de experimentar o bisturi elétrico, pois a escrita abre e cauteriza ao mesmo tempo as feridas&#8221;</span></p></blockquote>
<blockquote><p><span style="color: #008080;">Era um mundo de terror. A todo momento, um susto, uma mão debaixo da mesa, um grito horrível. Uma sensação de evasão impossível. Fugir, fugir, virou seu lema. Rapidamente, descobriu que a única fuga era dormir. Passou a dormir muito e descobriu que os sonhos não lhe deixavam em paz. Davam-lhe sustos. Descobriu, enfim, que depois de dormir e sonhar a melhor fuga mesmo é morrer. E morreu.</span></p>
<p><span style="color: #008080;">Era um mundo pela metade: tínhamos metade do calor de que precisávamos, metade da roupa de que precisávamos, metade da comida e do afeto de que precisávamos para gozar de um desenvolvimento normal, caso se possa falar de desenvolvimentos normais. De algumas coisas, apenas tínhamos uma quarta parte, ou menos ainda.</span></p>
<p><span style="color: #008080;">Tudo estava certo. Cada milímetro da minha vida estava planejado. Deu tudo errado. O plano não funcionou. O destino me abandonou&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #008080;">Tudo estava quebrado. Quando eu nasci, o mundo ainda não tinha quebrado, mas não demoraria a quebrar.</span></p></blockquote>
<blockquote><p><span style="color: #339966;">É verão, sábado ou domingo, e minha mãe, mamãe, está preparando a comida para irmos à praia. À noite, sonhei que fazendo um buraco na areia e encontrava uma moeda. Conto o sonho para minha mãe, que vai de ponta a ponta pela cozinha, mexendo nas coisas, nem sei se me escuta. Depois estamos na praia, embaixo de um guarda-sol. Meus irmãos correram para a água. Minha mãe pergunta por que não faço um buraco na areia e em seguida aparece, de fato, a moeda, o tesouro. Todos os dias de minha vida lembrei essa história que significava a realização de um sonho. Contava a história para mim mesmo uma e outra vez, como se não compreendesse o seu sentido. Muitos anos depois, deitado no divã de uma doce psicanalista, uma mulher chamada Marta Lázaro, contei-a de novo, contei para mim a história daquele sonho realizado e de repente, para não me engasgar de emoção, tive que sentar: acabara de descobrir que minha mãe, mamãe, escondera aquela moeda na areia, antes de sugerir que fizesse o buraco. No instante desse segundo descobrimento, minha mãe já estava morta fazia mais de um ano, e ocupava quase todas as horas da minha análise.</span></p></blockquote>
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		<title>Sorvete de brócolis</title>
		<link>http://www.blogdosperrusi.com/2010/07/11/sorvete-de-brocolis/</link>
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		<pubDate>Sun, 11 Jul 2010 13:37:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[artesanal]]></category>
		<category><![CDATA[brócolis]]></category>
		<category><![CDATA[gosto]]></category>
		<category><![CDATA[menino]]></category>
		<category><![CDATA[sorvete]]></category>
		<category><![CDATA[sorveteiro]]></category>
		<category><![CDATA[velho]]></category>

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		<description><![CDATA[O menino chega, olha o velho sorveteiro, examina seus sorvetes artesanais e pergunta:
_Tem sorvete de brócolis?
O velho sorveteiro, cansado de seus ossos, olha com seus olhos de avô para o menino e responde, com uma voz de pesar:
_Não, menino, não tem sorvete de brócolis.
Uma semana depois, aparece o menino, novamente, e pergunta:
__Tem sorvete de brócolis?
O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O menino chega, olha o velho sorveteiro, examina seus sorvetes artesanais e pergunta:</p>
<p>_Tem sorvete de brócolis?</p>
<p>O velho sorveteiro, cansado de seus ossos, olha com seus olhos de avô para o menino e responde, com uma voz de pesar:</p>
<p>_Não, menino, não tem sorvete de brócolis.</p>
<p>Uma semana depois, aparece o menino, novamente, e pergunta:</p>
<p>__Tem sorvete de brócolis?</p>
<p>O velho sorveteiro sente-se apunhalado na sua fabricação artesanal de sorvetes. No fundo, sente vergonha.</p>
<p>_Não, menino, não tem sorvete de brócolis.</p>
<p>Toda semana, o menino aparece e faz sua sempiterna pergunta. O velho sorveteiro vai-se deprimindo diante de sua negativa. Olha seus sorvetes e sabe que tem uma ausência. Nunca pensara em fazer sorvete de brócolis. Decide, enfim, fazê-lo. Não é arte fácil sorvete de brócolis. Demora um tempo. Precisa paciência.</p>
<p>O resultado parece-lhe grandioso. Fica ansioso pela chegada do menino. E ele demora quase duas semanas para aparecer.</p>
<p>Um dia&#8230;</p>
<p>_Tem sorvete de brócolis?</p>
<p>Os olhos do velho sorveteiro inundam-se de lágrimas. Sente uma alegria beata. Uma auréola surge na sua cabeça. Fecha os olhos e diz:</p>
<p>_Tem sim, menino.</p>
<p>Abre os olhos, olha o menino, que enche a boca para dizer alguma coisa, e escuta:</p>
<p>_EEECA!</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Um diálogo sobre o Polvo Paul</title>
		<link>http://www.blogdosperrusi.com/2010/07/07/dialogo-futebolistico/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 23:37:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[adivinhação]]></category>
		<category><![CDATA[cefalópode]]></category>
		<category><![CDATA[destino]]></category>
		<category><![CDATA[diálogo]]></category>
		<category><![CDATA[drama]]></category>
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		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
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		<category><![CDATA[Paul]]></category>
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		<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
O  polvo Paul aproxima-se. Sente as energias místicas.

 Briga com os deuses germânicos e escolhe a Fúria.
_Hoje estou com o polvo Paul e não abro. AVANTE POLVO PAUL!!!
_É o polvo Paul!
_Parece que ele só errou na final da Eurocopa. Apostou na Alemanha, mas  deu Espanha. Acho que agora ele se redimiu do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/07/polvo-paul3.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-3715      alignleft" title="polvo paul3" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/07/polvo-paul3-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a> <a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/07/polvo-paul2.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-3716" title="polvo paul2" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/07/polvo-paul2-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;">O  polvo Paul aproxima-se. Sente as energias místicas.</span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/07/polvo-Paul.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-3717 aligncenter" title="polvo Paul" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/07/polvo-Paul-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"> Briga com os </span><span style="font-size: x-small;">deuses germânicos </span><span style="font-size: x-small;">e escolhe a Fúria.</span></p>
<p>_Hoje estou com o polvo Paul e não abro. AVANTE POLVO PAUL!!!</p>
<p>_É o polvo Paul!</p>
<p>_Parece que ele só errou na final da Eurocopa. Apostou na Alemanha, mas  deu Espanha. Acho que agora ele se redimiu do erro.</p>
<p>_Como?! Blasfêmia! O polvo Paul jamais erra! Quem errou foi a Alemanha!</p>
<p>_Exatamente, e foi punida agora. Paul, na verdade, não adivinhou coisa nenhuma, ele  DECRETOU a derrota alemã de hoje.</p>
<p>_Fiquei surpreso com o jogo. A Espanha foi imensamente superior à  Alemanha. Não pensei que fosse assim. O polvo Paul é infalível. O  maior místico do século 21. Um Nostradamus com tentáculos.</p>
<p>_A voz do polvo é a voz de Deus, ora essa. Um Deus com tentáculos, mas e  daí?</p>
<p>_Um deus com tentáculos é onipresente!</p>
<p>_O próprio conceito de cefalópode sugere essa imagem da onipotência. E  nenhuma civilização arcaica pensou nisso. Passou batido. O potencial de  onipotência e de divindade de um polvo. Lacuna que só a agora a  humanidade enxerga. Paul iluminou uma nova trilha para o ser humano.</p>
<p>_Você não acha que Dilma deve falar com o polvo Paul?! Só pra garantir, né?!</p>
<p>_Acho que qualquer líder com maior expressão hoje tem que falar com Paul.  Como diria Abracurcix, ao ser flagrado consultando Prolix, o adivinho,  &#8220;governar é prevenir&#8230;&#8221;</p>
<p>_Se eu soubesse, teria sido um polvo!</p>
<p>_Tarde demais. Já beirando os 50 não temos mais essa opção.</p>
<p>_Eu sei. Tarde demais. E, no entanto, tive a chance de ser um molusco.  O verdadeiro mistério do mundo é o polvo, e não a lula!</p>
<p>_Aí já entramos num terreno pantanoso. Tudo bem que o polvo é ápice  dentro da categoria cefalópode. Mas uma vez cefalópode, sempre  cefalópode. Seja, polvo, lula ou sépia, temos que respeitar. Veja  Ulisses, ou Odisseu, foi fazer pouco caso do Deus Netuno e lascou-se.  Era uma encrenca atrás da outra.</p>
<p>_O homem pensa, logo, eu sou &#8212; diz o Polvo</p>
<p>_Perfeito, agora sim. Uma frase que encerra sabedoria. E que logo, logo o  Dawkins e o Hitchens estarão atacando vociferantes. E Perrusi pai lhe fazendo coro em ferozes artigos no blog, além de defender risoto de Paul, é claro.</p>
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<p style="text-align: center;"><span style="font-size: medium;">O polvo unido jamais será vencido!</span></p>
<p style="text-align: center;">Repetem os dois amigos, embriados de furiosa alegria.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: medium;"><strong><a href="http://esportes.terra.com.br/futebol/copa/2010/noticias/0,,OI4551011-EI14416,00-Ministra+espanhola+quer+proteger+polvo+vidente+apos+derrota+alema.html" target="_blank">Urgente</a></strong></span>! Paul corre perigo:</p>
<blockquote><p>Feliz após a histórica classificação espanhola à final da Copa do Mundo,  a ministra do Meio Ambiente do país, Elena Espinosa, disse nesta  quinta-feira que pedirá proteção ao polvo Paul para que o animal não  seja comido depois de &#8220;prever&#8221; a vitória do time de David Villa e Carles  Puyol sobre os alemães.</p>
<p>Irritados com a previsão do molusco, os alemães ameaçaram uma  &#8220;retaliação&#8221; a Paul. Um chef do restaurante do aquário de Oberhausen,  que abriga a celebridade marinha, disse que serviria o polvo com azeite.</p>
<p>A ministra, que comparece nesta quinta-feira no Congresso dos Deputados  para fazer um balanço sobre a Presidência espanhola na União Europeia,  mostrou bom humor ao falar sobre a vitória da seleção espanhola, se  lembrando da estrela do &#8220;Oráculo Animal&#8221; do aquário alemão de  Oberhausen, que previu o triunfo da Espanha.</p>
<p>Respondendo a perguntas da imprensa sobre a vitória, a ministra disse:  &#8220;Temos uma grande seleção, que fez um grande jogo, e que no domingo  repetirá o resultado&#8221;.</p>
<p>Na segunda-feira há um conselho de ministros na UE, e a ministra  reiterou que vai solicitar que &#8220;haja uma proteção para o polvo Paul,  para que os alemães não o comam&#8221;.</p></blockquote>
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