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	<title>Blog dos Perrusi &#187; Contos</title>
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	<description>Crônica, política, doidice, o escambau!</description>
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		<title>A Troca</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 12:53:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antigo]]></category>
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		<description><![CDATA[Enquanto migramos, nessa viagem longa e mítica, na qual o tempo existe num compasso diferente, lanço mão de um conto antigo.
PS: sou a favor do monopólio da força contra os seres infantis. Depois de Freud, é provado que as crianças, além de taradas, já que desejam pai e mãe, são más por natureza. São perigosas. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto migramos, nessa viagem longa e mítica, na qual o tempo existe num compasso diferente, lanço mão de um conto antigo.</p>
<p>PS: sou a favor do monopólio da força contra os seres infantis. Depois de Freud, é provado que as crianças, além de taradas, já que desejam pai e mãe, são más por natureza. São perigosas. Arrancar unhas, por exemplo, constrói o caráter.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/07/casais.jpg"><img class="size-full wp-image-3858 aligncenter" title="casais" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/07/casais.jpg" alt="" width="239" height="235" /></a></p>
<p><span style="color: #ff0000;">O roteiro:</span></p>
<p>No futuro, os humanos viajarão no tempo como seres espirituais. Renan e Mirtes, por exemplo, gostam muito da nossa época, baixando aqui na terrinha e se incorporando em algumas pessoas. Freqüentemente, encontram-se numa casa em Casa Forte e batem longos papos sobre a vida e o universo. Nos colóquios, têm dois hospedeiros, Paulo e Bia, um charmoso e sensual casal de amigos, ainda que um tanto pudicos, cuja acolhida é sempre cordial e amiga. Embora sejam apenas dois corpos, a conversa é a quatro, pois todos dialogam, física e mentalmente. Os papos são agradáveis, embora abstratos, do tipo sobre o papel da metafísica na repressão sexual dos paraibanos. Vale dizer que os dois hospedeiros nutrem, um pelo outro, desejos contidos e nunca percorreram juntos os caminhos impudentes de Sade. Renan sabe o que acontece com Paulo e Bia; Mirtes finge não saber.</p>
<p><span style="font-size: medium;"><span id="more-3857"></span></span><span style="color: #ff0000;">A estória:</span></p>
<p>Mesmo na forma de espírito, Mirtes era tímida. Gostava dessa aventura de sair vagando de corpo em corpo, pois até camuflava um pouco o seu pudor. Mas, agora, a situação estava se complicando, visto que Bia (sua hospedeira) nutria um desejo desenfreado por Paulo (hospedeiro de Renan), que parecia, por sua vez, corresponder plenamente. Era-lhe estranho conversar, dessa forma, sobre metafísica e as confissões de Santo Agostinho com Renan/Paulo, sentindo as (suas) bochechas de Bia ruborizarem-se, um <em>frisson</em> percorrendo os (seus) nervos à flor da pele, o (seu) coração em pleno <em>scherzo</em> e (seus) lábios úmidos de tanto desejo. Ela não mais sabia se confundia o sentimento de Bia por Paulo com o que poderia estar sentindo por Renan. Mirtes era a própria ambigüidade: uma dialética em repouso.</p>
<p>Já Bia ria da sua hóspede, achava-a engraçada, embora se incomodasse com a relutância de Mirtes em parar de discutir sobre a crise da literatura pernambucana, e por que diabos o pessoal da Ufpe gosta tanto de Gilberto Freyre. Ela queria era a poesia e a filosofia na ação. Sua ânsia era premente. Um coito, mesmo que nas nuvens da Pernambucanidade.</p>
<p>- <em>Que me arranquem o nariz, os lábios, as orelhas, o ventre, minhas pernas, mas não me deixem nesse estado de carência!</em> — sofria, Bia.</p>
<p>Mirtes vacilava, apesar de se manter inflexível. Tentou discorrer sobre o &#8220;Gênero e a Deusa Gaia&#8221;, assunto insosso por natureza, porém notou que, mesmo arrancando a cabeça da sua hospedeira, persistiria a flama do desejo. O dualismo entre o corpo e a alma dominava a atmosfera. Mas o problema não era o Céu, e sim a Terra.</p>
<p><span style="font-size: medium;"> </span>Renan era, há muito, cúmplice de Paulo, embora sempre adiasse a realização das necessidades amorosas deste último. O jovem implorava-lhe um momento de glória com Bia, mas ele era irredutível: &#8220;se, e somente se, nós quatro!&#8221;, dizia para Paulo.</p>
<p><em>- Mas como, se não sabemos se Mirtes quer ou não!?</em><br />
- Esse é o meu, aliás, o nosso problema! Você não quer todo mundo junto? Só Bia pra você? Está com ciúmes? — disse Renan pra si mesmo ou, melhor, pra Paulo.<br />
- <em>Eu!? De forma alguma! Sou liberal, sou flexível! Além do mais, Bia ama a nós dois!<br />
</em>- Acredito que Mirtes também. Por isso, seremos nós quatro ou nada! — E, assim, Renan finalizava a discussão.</p>
<p>No fundo, sentia pena de Paulo. Tentava abordar o assunto indiretamente, mas Mirtes teimava em discutir sobre a filosofia das formas simbólicas de Ariano Suassuna, tergiversando o tempo todo. Tinha até pensado que esses assuntos metafísicos iriam atiçar o seu desejo, mas até agora não adiantara muito. Assim, estava já desistindo de um memorável coito a quatro e quase pedindo à sua parceira espiritual um pouco de compaixão para com Bia e Paulo.</p>
<p>Um belo dia, Mirtes debatia sobre a possibilidade de aplicar a hermenêutica de Gadamer à sociologia compreensiva de Weber quando, subitamente, ela parou, hesitou um pouco e baixou os olhos.</p>
<p>- O que aconteceu, Mirtes? — disse Renan, apreensivo.<br />
- Heh&#8230; eu tenho uma coisa pra te dizer, e quero simplesmente exprimi-la da melhor forma possível, entende?<br />
- Sim, claro! Mas eu estava achando muito boa a sua explanação! Você realmente me convenceu de que hermenêutica e compreensão são os dois lados da mesma moeda!<br />
- Não&#8230; não é isso — disse Mirtes, dando um risinho nervoso.<br />
- Ah, é? E o que é, então?<br />
- Eu tive&#8230; heh &#8230; uma pequena conversa com Bia&#8230; — Mirtes continuava a hesitar.<br />
- e aí&#8230;<br />
- &#8230;e aí, eu acho injusto, da minha parte, persistir em negar a existência das suas necessidades físicas — Renan sentiu as mãos de Mirtes/Bia ficarem molhadas ao se aninharem nas suas.<br />
- O que isso quer dizer?<br />
- Ela te deseja&#8230; quer dizer&#8230; Paulo. Ela quer transar com&#8230; Paulo. E eu vou deixar que isso aconteça. Qual é o meu direito de impedir a consumação de uma paixão?</p>
<p><em>- Louvado seja Deus! Louvados sejam a poesia e a beleza! Louvada seja a compaixão feminina. Louvada toda a esperança desse mundo! </em>(gritava a alma de Paulo)</p>
<p>Renan largou gentilmente as mãos delicadas de Mirtes (?) e levantou o seu mento para olhá-la face a face. Suas bochechas estavam completamente rubras.</p>
<p>- E você, Mirtes? O que fará durante?</p>
<p>Ela baixou os olhos novamente.</p>
<p>- Eu&#8230; bem, eu me retirarei, evidentemente. Por quê?<br />
- Heh&#8230; nada, nada não, deixa pra lá! — disse Renan, gaguejando um pouco.<br />
- Nossa, estou aliviada por ter resolvido esse problema, cheguei a pensar que&#8230; — Mirtes engasgou e engoliu em seco.<br />
- Pensar em quê?<br />
- Heh, nada, nada não, deixa pra lá! — Mirtes mudou de assunto:<br />
- Quando faremos&#8230; heh&#8230; quando eles farão o&#8230;?</p>
<p><em>- Agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora</em> (clamava Paulo).<br />
- Calma, meu filho. Está nervoso?<br />
- <em>Quem&#8230; eu?<br />
- </em>Muito bem. Proponho então que seja agora — falou Renan, voltando-se para Bia/Mirtes:<br />
- Nada como fazer agora o que você pode fazer depois.</p>
<p>Mirtes olhou para Paulo e viu no brilho dos seus olhos o desejo de Renan; aliás, a soma de dois desejos cúmplices, irrompendo qual cera derretida, contaminando com um cheiro agridoce o ambiente, inebriando a sua alma que, largada, estava caindo e caindo, cada vez mais, no <em>maelström</em> produzido pela volúpia de Bia. Teve certeza, nesse momento, de que Renan a desejava, e tal idéia deixou-a perturbada, sendo invadida por um medo todo especial, o da tentação.</p>
<p>- Nec plus ultra! — disse, irônico, Renan.<br />
- <em>Mais insuportável do que a infelicidade, talvez seja a felicidade. Vamos rápido para o quarto!</em> — Foi na onda, Paulo.<br />
- <em>Mirtes —</em> disse Bia — <em>existe alguma coisa mais poderosa do que a vontade, este rio caudaloso que não espera enchente para ultrapassar as suas margens? A vontade é a superação dos nossos limites. Um ato de vontade é um sonho que se realiza em pleno dia</em>!</p>
<p>Bia tinha enlouquecido de vez. Mirtes estava surda. A tentação carcomia os seus grilhões, tornando pó séculos de cultura paraibana. E, como que em uníssono com a situação, a atmosfera tornou-se densa e suada, tal qual o carnaval de Olinda. Dois corpos e quatro almas estavam, definitivamente, delirando. Todos, embriagados de sensualidade, começaram a cantarolar uma ópera<a href="#_ftn1">[1]</a> de um mito moderno.</p>
<p><em>PAULO<br />
Ali, tu me darás a tua mão<br />
Ali, tu me dirás sim.<br />
Vê, não é muito longe.<br />
Partamos, tesouro, partamos daqui.</em></p>
<p>MIRTES<br />
Devo partir, devo ficar&#8230;<br />
Meu coração acelera&#8230;<br />
Vejo nele a felicidade?<br />
Ou o ardil?</p>
<p>RENAN<br />
Vem, meu amor!</p>
<p>MIRTES<br />
Tenho medo!</p>
<p><em>PAULO</em><br />
<em>Eu farei a tua felicidade!</em></p>
<p><em>BIA<br />
Rápido&#8230; o quarto!</em></p>
<p>RENAN<br />
Vem, oh! vem&#8230;</p>
<p>MIRTES<br />
Vem&#8230;</p>
<p><em>PAULO E BIA</em><br />
<em>Venham, oh! venham, meus amigos!<br />
Saboreemos as alegrias<br />
de um amor inocente!</em></p>
<p>E então&#8230;</p>
<p>Contudo (sempre existe um nessas estórias), um cheiro fedido de Recife entrou pela janela e gelou as pulsões de Mirtes. Renan, vendo que o feitiço estava desaparecendo, aproximou-se decisivo de Mirtes e tacou-lhe um beijo&#8230;</p>
<p>e foi correspondido!</p>
<p>- Eu&#8230; não sei! Eu&#8230; não tenho certeza! Eu não me sinto capaz! — falou Mirtes, distanciando-se um pouco. Seus lábios tremiam.<br />
- Esquece teus recalques, Mirtes. Sai do mato e não o tragas contigo. Escuta as ondas galopantes do desejo<em> </em>e surfa nelas como uma boêmia. Não fales e não penses. Sê Sol e Carne! — disse inspirado e um tanto piegas, Renan.<br />
- Vamos! — afirmou, com uma voz rouca, Mirtes.</p>
<p>Chegando ao quarto, Renan fechou a porta e trancou-a com a chave. Renan/Paulo abraçou e beijou avidamente Mirtes/Bia, caindo todos juntos em câmara lenta na cama. As duas retribuíram o beijo com sofreguidão. Toda idéia de fuga tinha sumido da mente de Mirtes. Ela entrava agora numa correnteza e estava pronta para se subsumir na cachoeira de pulsões que era o corpo de Bia. Os corpos estavam apertados, coxas contra coxas, num afã de se misturarem, de virarem um só e de se penetrarem. Apertaram-se tanto que doeu. A física não permitia a fusão completa, mas era a vontade conjunta de quatro almas, e o aperto continuou.</p>
<p>Renan estava estupefato com os seus sentimentos. Para ele, a transa era um embate, um assalto ao castelo, levar um combate no qual ganhador e perdedor estavam claramente definidos. Ora, o que ele queria, nesse momento, era comunhão e entrega. E, acima de tudo, não magoar Mirtes, velar pelo seu prazer, incorporá-lo ao seu&#8230; Renan era uma verdadeira pororoca passional<a href="#_ftn2">[2]</a>. Ele acariciou as costas de Mirtes/Bia e segurou sua bunda, levando-a a abrir ligeiramente as coxas, antes de ela ficar em <em>califourchon</em><a href="#_ftn3">[3]</a> e oscilar contra o seu membro pétreo.</p>
<p>- <em>Oh, Deus! Não sei se vou agüentar mais tempo sem&#8230;<br />
</em>- Coragem, Paulo! Pense em outra coisa!<br />
- <em>Estou tentando. Já recitei a tábua de multiplicação, mas não foi de grande socorro!<br />
- </em>Ora, pense então em Serra nos flagrando!</p>
<p>Renan levou suas mãos aos ombros de Bia, tirando a blusa e desnudando seios pontudos, com os bicos parecendo olhinhos de guaiamum<a href="#_ftn4">[4]</a>, e alvos como a areia de Intermares. Paulo pegou-os em suas mãos e os beijou delicadamente — seus sentidos eram preenchidos pelos gemidos de Mirtes. Seus lábios sedentos procuraram o ventre, enquanto suas mãos ajudavam outras a se desvencilharem da renda que cobria ainda a púbis. Então, ele embrenhou seu rosto entre as coxas, ao passo que mãos delicadas seguraram firme a sua nuca, pressionando-a mais ainda contra o corpo. Mirtes, com um lindo riso de cristal, levantou Paulo pelos cabelos e disse:</p>
<p>- tem uma coisa que quero fazer agora! — e derrubou Renan na cama. Bia tirou sua camisa, seu jeans e sua cueca preta (?!) e amparou nos seus lábios a potente ereção de Paulo.<br />
- <em>Oh, não agüento mais, vou explodir!<br />
</em>- Continue a contar, continue a contar!<br />
- <em>Duas vezes sessenta e quatro fazem cento e vinte oito, duas vezes cento e vinte oito fazem duzentos e cinqüenta e seis&#8230;</em></p>
<p>Era a vida em toda a sua complexidade e simplicidade. O mais puro egoísmo sendo o mais terno altruísmo para o outro. Amor e entrega.</p>
<p>- Ao diabo, Lula e o PT! Ainda existe esperança! — clamou Renan.<br />
- <em>Venha</em>&#8230; <em>agora, </em>não posso esperar&#8230; (Mirtes? <em>Bia</em>?)<br />
- <em>Duas vezes dois mil e quarenta e oito, </em>quatro mil e oitenta e seis<em>&#8230; (</em>Renan?<em> Paulo?)</em></p>
<p>Penetrou-se lentamente, devagar, cada milímetro sendo sentido e explorado. O movimento foi se tornando mais rápido, pulsante e olhos viris &#8211; de quem? &#8211; repararam embaixo a transformação do rosto feminino: a passagem da paixão serena e madura de Mirtes à exaltação <em>flamboyante</em> de Bia. Paulo perdeu o controle, e Renan sentiu na alma a detonação do amor, fumegante como lava e potente como a explosão de uma supernova, abarcando todo o horizonte cósmico. Mirtes gritou do rosto de Bia que clamou da alma de Mirtes. O gozo coletivo fundiu quatro espíritos e dois corpos numa ciranda em rodopio.</p>
<p>Abraçados estavam os corpos, mas abandonados e largados de lassidão estavam os espíritos. Paulo e Renan estavam quase dormitando, quando Mirtes segurou o rosto de Paulo e, sapeca, olhou os seus olhos, dirigindo-se diretamente a Renan.</p>
<p>- Eu quero de novo!<br />
- Mas&#8230; — disse Renan titubeante — isso leva algum tempo&#8230;<br />
- <em>Deus seja louvado</em>! — exclamou a alma de Paulo.</p>
<p>Mirtes já não escutava Renan. Bia pousou suavemente a sua língua na glande de Paulo, fez alguns rodopios em torno e, golpe fatal, enlaçou-o totalmente dentro da boca úmida. Como por um milagre ocorreu imediatamente a ereção.</p>
<p>- Ah, disse Renan, a exuberância da juventude!<br />
- <em>Ahá, </em>falou Paulo, <em>e agora eu não preciso da tábua de multiplicação.<br />
-</em> Ótimo, nunca fui mesmo lá essas coisas em matemática.</p>
<p>Paulo lançou-se pra cima de Bia, que o afastou, dizendo:</p>
<p>- <em>Eu quero ficar em cima</em>!<br />
<em>- Incrível!<br />
</em>- Genial!</p>
<p>Após o engate, quando o coito estava num crescendo, Mirtes exclamou:</p>
<p>- Mude de lugar comigo, Renan, agora!<br />
- Como&#8230;?<br />
- Venha para Bia!<br />
- Mas&#8230; eu não tenho certeza de&#8230;<br />
- Eu tenho certeza. Venha!</p>
<p>Ela se inclinou, pegou o rosto de Paulo e olhou os seus olhos. Renan sentiu uma brisa. Pensou que fosse Mirtes. E se foi. De repente, ele se viu, ou melhor, percebeu Paulo, que o olhava com um sorriso feminino.</p>
<p>- Renan? disse a voz de Paulo.<br />
- Sim, eu consegui. Como é estranho! falou a voz de Bia.<br />
- <em>Oi, Renan.<br />
-</em> Bia, é você! Meu Deus, você é ótima&#8230;<br />
- <em>E você também, Renan, mas fique mais calmo e não tenha medo, por favor, senão vou perder o fio da meada.<br />
</em>- Vou tentar!</p>
<p>(Renan jamais soubera o que poderia sentir uma mulher: o consentimento, diante da intrusão de um corpo estrangeiro, como última dádiva de si mesma. Enquanto subia e descia aquele talo maravilhoso, durante o torno, parando ali e acolá e, assim, estimulando o (seu) clitóris no momento do embalo para baixo, sentiu a entrega como uma coisa distinta da sensação sexual, embora tão forte quanto. Para o homem o sexo era conquista e recompensa, para Renan, agora, era uma oferenda emocional de si mesmo à delícia de um outro; o seu prazer não era apenas físico, mas também ligado ao ato essencial de abandono de qualquer resistência pelo meio da confiança. Confiança, palavra chave. A espécie humana não tem cio, cuja finalidade, para os outros mamíferos, é permitir um tempo de consentimento natural para o sexo. Como a questão do consentimento é resolvida numa espécie que não tem cio? Renan compreendia por que o estupro é um crime tão abominável. Que uma coisa assim tão profunda seja arrancada à força e não consentida livremente é a negação literal do humano e a prova de que o homem possui uma mancha obscura de ódio, conspurcando o seu caráter. O prazer feminino tem um fundamento ético baseado na entrega e no altruísmo. Renan sabia, agora, que quem inventou o amor foi a mulher, além&#8230; da safadeza, é claro. E o prazer&#8230; Ele sentiu uma luz quente percorrendo &#8220;seu&#8221; corpo. Como homem, seu prazer se concentrava basicamente no pênis, espécie de alfa e ômega do prazer masculino; nesse momento, sentia totalmente, &#8220;seu&#8221; corpo inteiro transbordava de excitação)</p>
<p>(Nota-se que Renan não leu Beauvoir e nunca ouviu falar da Teoria Queer; em suma, possui uma inocência intrínseca)</p>
<p>- Renan — disse Mirtes pela boca de Paulo — eu sei agora por que os homens amam tanto o futebol!</p>
<p>Mirtes metia e Renan arqueava. &#8211; Meu Deus, eu sei por que vocês arqueiam tanto! — pensou. A cada metida, o atrito dos púbis produzia centelhas de libido que queimavam as peles. Através do amor, entregavam-se e por esse dom recebiam à vontade. Renan ficou dormente, em lascívia, ao senti-lo entrandoentrandoentrando em Bia. Essa sensação rasgou todo o seu ser e contaminou todos os seus poros. Na hora da metida, Paulo e Mirtes investiram-se de um <em>je ne sais quoi</em> de comedor, perpassador, metedor-cafajeste que fez Renan (e Bia!) sentir-se cheia, <em>pleine</em>, acoplada, copulada, fêmea, mulher, animal, vaca. Ensandecida, Mirtes descreveu um arco viril no ar e envergou-se sobre Bia, talvez para poder fazer o melhor ângulo de metida&#8230;</p>
<p>Era perfeito,<br />
mais-que-perfeito,<br />
era absoluto.</p>
<p>O orgasmo navegava por ondas incontroláveis. O corpo de Bia agitava-se em sobressaltos e tentava enfiar dentro de si, até o impossível, o falo em pleno jorro de Paulo. Renan escutou um grito agudo e se percebeu rodeado de clarões brancos, sentindo-se desfalecido, beijando a morte e lhe dando adeus no retorno à vida. Ele foi aos poucos caindo sobre o tórax de Paulo, sentindo o membro enfiado emagrecer e sair de fininho do (seu) corpo. Como uma pilha, Bia foi se descarregando.</p>
<p>- Cacetada! Nunca pensei que fosse tão bom! — disse, extenuado, Renan</p>
<p>Destrocaram de corpos. Passaram um bom tempo calados. O silêncio inundava de sentido a atmosfera. As palavras não cabiam nesse ambiente. Talvez somente a poesia pudesse tudo abranger. A polissemia reinava ali. Mas o tempo foi retomando novamente os seus direitos e as cores retornaram ao normal. O verdadeiro mistério do mundo era o visível, e não o invisível. Todos sentiam, naquele momento, o martelar constante de um eterno instante.</p>
<p>- E então, meu querido — perguntou Mirtes, irônica — é melhor ser mulher ou homem? — E caiu na gargalhada.</p>
<p>Renan abraçou Bia e beijou-a ternamente. Não respondeu à pergunta e lhe ofereceu, como evasiva, o melhor sorriso de Paulo. Não estava preocupado com a resposta. Ela não tinha importância. Ele sabia, como Mirtes, Bia e Paulo, que o importante mesmo era&#8230; <em>le dur désir de durer</em>.</p>
<hr size="1" /><a href="#_ftnref1">[1]</a> Don Giovanni, de Mozart e Lorenzo da Ponte</p>
<p><a href="#_ftnref2">[2]</a> Creio que, aqui, atingi o supremo nível poético</p>
<p><a href="#_ftnref3">[3]</a> Blog é cultura. Palavra francesa de difícil tradução. Coxa de um lado, coxa de outro. Pense sentando-se num cavalo e talvez o leitor entenda o que estou querendo dizer</p>
<p><a href="#_ftnref4">[4]</a> Com essa, entrarei na Academia de Letras da Paraíba</p>
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<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn1" href="#_ftnref1"><span class="MsoFootnoteReference"><span lang="FR"><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;amp;amp;" lang="FR">[1]</span></span><!--[endif]--></span></span></a><span lang="FR"> </span>Renan leu Beauvoir, daí sua inocência intrínseca.</p>
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		<title>Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XLIV</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jun 2010 22:12:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Bel-O-Kan]]></category>
		<category><![CDATA[despedida]]></category>
		<category><![CDATA[Dr. Quim]]></category>
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		<description><![CDATA[Em tempo: os textos       novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de    Tsé-Tsé.

(sic transit&#8230;)
 44º CAPÍTULO
O Constellation da Panair levou quarenta e oito horas para chegar ao Encanta Moça, uma cidade vizinha a Bel-O-Kan. Encanta Moça, porque era ali que as moças da alta sociedade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #ff0000;">Em tempo</span>: os textos       novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de    Tsé-Tsé.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/06/morte_poeta.jpg"><img class="size-medium wp-image-3583 aligncenter" title="morte_poeta" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/06/morte_poeta-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><br />
(<em>sic transit&#8230;</em>)</p>
<p style="text-align: center;"><strong> 44º CAPÍTULO</strong></p>
<p>O Constellation da Panair levou quarenta e oito horas para chegar ao Encanta Moça, uma cidade vizinha a Bel-O-Kan. <em>Encanta</em> <em>Moça</em>, porque era ali que as moças da alta sociedade <em>deixavam de ser</em>, encantadas por seus namorados. Uma semana no noticiário de tiragem jornalística de dois a três mil exemplares &#8212; e era só! Todo mundo esquecia depois.</p>
<p>O Monsenhor Braguinha, meu pai, e Quimzinho me esperavam, tristes e cabisbaixos. Pegamos o bonde e chegamos na Comunidade à tardinha. Madá e Socorro, com o casal de filhos nos braços, estavam no grande portão de madeira. Abraçamo-nos carinhosamente, beijei meus filhos e fomos diretos ver o Dr. Quim, deitado num jirau forrado de couro de bode.</p>
<p>Profeta de Ébano! Guerreiro gigante que atingia as nuvens do céu!</p>
<p>O rosto emaciado, os olhos fechados em descanso, as mãos cruzadas sobre o peito.</p>
<p>Ajoelhei-me e tomei suas mãos:</p>
<p>─ Dr. Quim, meu pai! ─ Murmurei para não acordá-lo.</p>
<p>─ Tsézinho, meu filho!</p>
<p>─ Não se canse nem fale, Dr. Quim.</p>
<p>─ Não, não me canso! Chamei você porque preciso lhe dizer algumas coisas na presença do Monsenhor e de Quimzinho, meu outro amado filho. Antes de partir!</p>
<p>Bem baixinho, quase inaudível, o Venerável médico, curandeiro e líder comunitário, começou a falar:</p>
<p>─ Eu, Vó Dé e o Monsenhor criamos você para ser nosso futuro líder. Quimzinho é cientista e não se interessa por política. Faz muito bem! Quando for embora passear de nuvem em nuvem, como você gostava de dizer, haverá uma Assembleia da Comunidade. Candidate-se! O povo o apoiará. Não deixe que algum aventureiro tome o poder. Jamais deu certo! Prometa-me, neste derradeiro momento.</p>
<p>Prometi tudo o que ele me pedia, sem pensar nem medir as consequências do meu juramento. Apenas, acrescentei:</p>
<p>─ Meu pai! Descanse um pouco!</p>
<p>─ Deixe de ser besta, Tsé! Preciso falar enquanto é tempo.</p>
<p>Ouvimos meia hora de conselhos políticos e organizativos. No fim, Dr. Quim pediu-me uma coisa estranha para um moribundo ateu, à beira da morte:</p>
<p>─ Tsé! Quero que você recite para mim aquele salmo do Rei Davi de que gosto tanto.</p>
<p>Com os olhos marejados de tantas lágrimas, quase de sangue e de dor, pedi a Quimzinho que fosse buscar o seu berimbau para me acompanhar.</p>
<p>Comovido, recitei o salmo milenar de Davi:</p>
<blockquote><p>“Dudulaidadá é o meu Senhor e minha eterna salvação. Nada me faltará!<br />
Deitar-me faz na verdejante planície, guiando-me mansamente pelas águas tranquilas do grande rio.</p>
<p>Refrigera a minha alma! Guia-me pelas veredas da justiça, por amor de minhas queridas palafitas.<br />
Deixa que os pingos da chuva se entrelacem no meu áspero cabelo e não deixes de fazer o bem ao nosso povo.</p>
<p>Ainda que eu andasse pelo vale da morte, não temeria mal algum.<br />
A jangada, as redes e os siris sempre estarão comigo.</p>
<p>A tua sombra, na planície ensolarada da Grande Mãe Africa, e as lagoas do Capibaribe, povoadas de lindas mulheres nuas, me consolam.<br />
Preparas uma mesa perante mim na presença de todo o povo.</p>
<p>Unges a minha cabeça com óleo de caule do mangue e faz meu cálice transbordar do melhor vinho da terra.<br />
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida.</p>
<p>E habitarei na casa de Laidadá por longos dias!”</p></blockquote>
<p>Dr. Quim sorriu discretamente, como sempre fez. Fechou os olhos, como se recusasse a luz que entrava pela porta. Voltou a cruzar os braços sobre o peito. Senti suas mãos esfriando. Não mais se moviam. O coração, cansado de guerra, repousava dentro do peito.</p>
<p>Quimzinho aproximou-se e tocou, levemente com os dedos, a testa do seu pai.</p>
<p>─ Ele dorme! ─ Sussurrou.</p>
<p>Cobrimos o rosto do nosso amado Líder com um lenço vermelho. Quimzinho chamou as mulheres para encomendar o corpo do Dr. Quim. O Conselho Diretor da Comunidade marcou o funeral para o dia seguinte. Logo em seguida, depois de três dias de luto, a Assembleia se reuniria para novas eleições.</p>
<p>─ Nada mais a fazer! Que Dudulaidadá o tenha! ─ Disse para mim mesmo.</p>
<blockquote><p>“Que dor se sabe dor e não se extingue?</p>
<p>Não cantarei o morto: é o próprio canto. Oh, encontro de mim, no meu silêncio, configurado, repleto, numa casta expressão de temor que se despede. E já não brinco a luz! A morte sem os mortos, a perfeita anulação do tempo em tempos vários, essa nudez, enfim, além dos corpos, a modelar apenas o vazio da alma, que é apenas alma, e se dissolve”.</p></blockquote>
<p>Não me lembro mais quem escreveu isso.</p>
<p>Mas, era como me sentia quando sai do quarto do Dr. Quim, meu pai.</p>
<p><strong><strong><strong>Toda a Memória (Falsa?!)</strong>:</strong></strong></p>
<p><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2008/11/23/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-i/" target="_blank"><strong>Capítulo I</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2008/12/07/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ii/" target="_blank"><strong>Capítulo II</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2008/12/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-iii/" target="_blank"><strong>Capítulo III</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/01/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-iv/" target="_blank"><strong>Capítulo IV</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/01/14/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-v/" target="_blank"><strong>Capítulo V<br />
Capítulo VI</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/01/25/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-vii/" target="_blank"><strong>Capítulo VII</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/01/31/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-viii/" target="_blank"><strong>Capítulo VIII</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/02/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ix/" target="_blank"><strong>Capítulo IX</strong><br />
</a><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/02/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ix/" target="_blank">Capítulo X</a><br />
<a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/02/21/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xi/" target="_blank">Capítulo XI<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/03/06/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xii/" target="_blank">Capítulo XII</a><br />
</strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/03/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xiii/" target="_blank">Capítulo XIII<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/03/28/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xiv/" target="_blank">Capítulo XIV</a><br />
</strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/04/10/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xv/" target="_blank">Capítulo XV<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/04/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvi/" target="_blank">Capítulo XVI</a><br />
<a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/05/01/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvii/" target="_blank">Capítulo XVII<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/05/17/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xix/" target="_blank">Capítulo XIX</a><br />
</strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/23/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xx/" target="_blank">Capítulo XX<br />
</a><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxi/" target="_blank">Capítulo XXI</a></strong><br />
<strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/06/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxii/" target="_blank">Capítulo XXII</a></strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/06/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxii/" target="_blank"><br />
</a><a href="../page/page/page/page/page/2009/06/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxiii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIII<br />
</strong></a><a href="../page/page/page/page/page/2009/06/29/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIV<br />
</strong></a><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/07/14/in-memoriam-memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXV<br />
</strong></a></strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/08/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxvi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVI<br />
</strong></a></strong></strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/08/31/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxvii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVII<br />
</strong></a></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/09/07/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxviii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVIII</strong></a><br />
<strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIX<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong>Capítulo XXX<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/10/06/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXI<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/10/20/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/10/26/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/10/26/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiii/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIV<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/12/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxv/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXV<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/12/17/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxvi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVI<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/2010/01/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxvii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/2010/02/08/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxviii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVIII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/page/2010/02/19/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxix/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Capítulo     XXXIX<br />
</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/2010/03/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xl/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Capítulo    XL<br />
</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/2010/03/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xl/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Capítulo     XLI<br />
</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2010/05/21/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xlii/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Capítulo       XLII<br />
</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="http://www.blogdosperrusi.com/2010/06/08/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xliii/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Capítulo        XLIII</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XLIII</title>
		<link>http://www.blogdosperrusi.com/2010/06/08/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xliii/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Jun 2010 14:11:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Europa]]></category>
		<category><![CDATA[freiras]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
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		<description><![CDATA[Em tempo: os textos      novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de   Tsé-Tsé.
(lana caprina)
43º CAPÍTULO
Os judeus, sobreviventes do Holocausto, ainda perambulavam pelas ruas da Europa. Os alemães civis de Dresden, arrasada pelos bombardeios ingleses, ainda não se davam conta de que teriam de reconstruir a cidade sob [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="color: #ff0000;">Em tempo</span>: os textos      novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de   Tsé-Tsé.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.ceticismoaberto.com/media/arvorecabra.jpg" alt="http://www.ceticismoaberto.com/media/arvorecabra.jpg" />(<em>lana caprina</em>)</p>
<p style="text-align: center;"><strong>43º CAPÍTULO</strong></p>
<p>Os judeus, sobreviventes do Holocausto, ainda perambulavam pelas ruas da Europa. Os alemães civis de Dresden, arrasada pelos bombardeios ingleses, ainda não se davam conta de que teriam de reconstruir a cidade sob o comando da antiga União Soviética.</p>
<p>Os átomos ainda gorjeavam nos escombros de Hiroshima e Nagazaqui.</p>
<p>Roma, cidade aberta, mantinha-se de pé, embora sua população vivesse na maior miséria causada pelo fascismo e pela Guerra Mundial. Bandidagem solta na noite romana, acompanhada por formidável exército de prostitutos e prostitutas.</p>
<p>Durante o dia, as batinas dos padres e os hábitos das freiras eram quase unanimidade nas ruas.</p>
<p>Aparentemente, somente o Vaticano havia lucrado com a Guerra. Enriquecido, acobertando e dando fuga a criminosos nazistas, como Mengele (Brasil), Barbie (Bolívia) e Eichman (Argentina), para citar os três mais famosos, o santíssimo Estado &#8211; Nação criara a corruta Democracia Cristã, mancomunara-se com a Máfia Siciliana e ainda recebia subsídios da CIA.</p>
<p>Os Estado Unidos tornaram-se, então, a maior potência mundial.</p>
<p>Enquanto isso, este modesto sacerdote assistia às aulas sobre Teodicéia na Gregoriana em busca de um Doutorado sem objeto. Certamente, a Justiça Divina governava os acontecimentos.</p>
<p>Logo nos primeiros meses, minha inquietação se manifestou contra os absurdos que ouvia nas aulas, ministradas por caquéticos sacerdotes, com a exceção óbvia do Cardeal Ferrughi e do Monsenhor Lippi que se esforçavam em trazer um pouco de razão às tresloucadas doutrinas da ICR.</p>
<p>Não sei de qual ascendência, mas herdei o gene responsável por falar mal da vida alheia. Não me continha e, pouco a pouco, tornava-me a maior “língua de trapo” da Universidade.</p>
<p>Diversas vezes advertido contra tal hábito, fui chamado pelos meus dois mentores que me repreenderam severamente. Minha atitude ranzinza não contribuía em nada para a causa dos sacerdotes ateus, reunidos na Sociedade da Boa Verdade (SBV).</p>
<p>Ao contrário, quanto mais sectarismo de minha parte, mais visível e vulnerável se tornaria nossa causa. A SBV precisava de um grande número de Doutores e, do jeito que as coisas caminhavam, eu terminaria por ser excomungado e inútil para nossa comunidade.</p>
<p>Justifiquei minha postura universitária, nem tanto pelas baboseiras ouvidas, mas pela saudade do meu clã, em especial de minhas duas esposas, Madalena e Socorrinho, bem como do meu casal de filhos.</p>
<p>Ferrughi, então, generosamente, deu-me sua senha de entrada no Motel da Vila Borghesi, mantido pela ICR para deleite do alto clero romano. E, com tantas freiras zanzando em Roma, que eu conquistasse uma delas.</p>
<p>─ Diversão garantida! ─ Exclamou o Cardeal, sob o olhar preocupado e reticente do Monsenhor Lippi.</p>
<p>Com tal apoio explícito e solidário, abrandei minha conduta e, pelo menos, num único mês, usei umas sete vezes a senha do irmão Cardeal. Em nenhuma das sete, é verdade, convenci ninguém a fugir para minha Comunidade Palafítica.</p>
<p>Foi, decerto, os tempos mais difíceis que atravessei em toda a minha vida, com exceção das sete vezes. Afinal de contas, ninguém é de ferro!</p>
<p>Na primeira aula de Teologia Geral, choquei-me de saída com o professor, um velho dominicano belga. Segundo ele, a Teologia era a mãe de todas as ciências porque estudava a eternidade. E a eternidade era Jeová, o antigo Deus judaico da Montanha do Sinai.</p>
<p>Que seja! Mas a eternidade jamais foi objeto de qualquer ciência, exceto, talvez, da Psicologia Individual. O eterno simplesmente não existe, dizia em plena aula. Pura especulação do cérebro do Homo Sapiens.</p>
<p>Quanto à Teodicéia, isto é, à Justiça Divina, apontei ingenuamente para a leva de desabrigados nas ruas de Roma. E me calei!</p>
<p>O último entrevero, com os professores, resumiu-se à minha resposta ao professor de Cosmologia que disputava, aliás, a primazia das ciências com o dominicano belga.</p>
<p>Um Monsenhor fedorento, jesuíta canadense, com uma corcunda bem pronunciada, afirmava com a maior cara de pau que “a existência dos anjos não repugnava a razão”. Quem sabe, no Canadá, de onde vinha o padre La Chance?</p>
<p>Alguns colegas me incitavam a levantar questões nas aulas e comecei a suspeitar que estava sendo objeto de chacota. Lembrei-me da advertência de Ferrughi e de Lippi e tornei-me mais cuidadoso.</p>
<p>Com a senha do Motel Borghesi, pareceu-me mais divertido ir à luta junto com as irmãzinhas, residentes nos inúmeros conventos romanos, especialmente o de Santa Maria Maggiore, o meu território de caça predileto.</p>
<p>A vida na Gregoriana ficou mais leve e me acostumei a vedar os ouvidos com um chumaço de algodão. Foi, então, que o Monsenhor Lippi me chamou à Biblioteca e mostrou um telegrama da parte do Monsenhor Braguinha, meu pai:</p>
<p>“Consiga urgente licença para Tsé-Tsé. Dr. Quim está nas últimas e não quer morrer sem falar com nosso amado filho”.</p>
<p>Notícia arrasadora! Faltei ao encontro com uma freira do Convento de Santa Maria Maggiore e passei o dia arrumando minhas coisas. O avião sairia em dois dias e, novamente, estaria na Comunidade, agora, carregado de tristeza.</p>
<p><strong><strong><strong>Toda a Memória (Falsa?!)</strong>:</strong></strong></p>
<p><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2008/11/23/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-i/" target="_blank"><strong>Capítulo I</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2008/12/07/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ii/" target="_blank"><strong>Capítulo II</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2008/12/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-iii/" target="_blank"><strong>Capítulo III</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/01/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-iv/" target="_blank"><strong>Capítulo IV</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/01/14/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-v/" target="_blank"><strong>Capítulo V<br />
Capítulo VI</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/01/25/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-vii/" target="_blank"><strong>Capítulo VII</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/01/31/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-viii/" target="_blank"><strong>Capítulo VIII</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/02/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ix/" target="_blank"><strong>Capítulo IX</strong><br />
</a><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/02/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ix/" target="_blank">Capítulo X</a><br />
<a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/02/21/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xi/" target="_blank">Capítulo XI<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/03/06/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xii/" target="_blank">Capítulo XII</a><br />
</strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/03/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xiii/" target="_blank">Capítulo XIII<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/03/28/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xiv/" target="_blank">Capítulo XIV</a><br />
</strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/04/10/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xv/" target="_blank">Capítulo XV<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/04/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvi/" target="_blank">Capítulo XVI</a><br />
<a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/05/01/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvii/" target="_blank">Capítulo XVII<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/2009/05/17/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xix/" target="_blank">Capítulo XIX</a><br />
</strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/23/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xx/" target="_blank">Capítulo XX<br />
</a><a href="../page/page/page/page/page/2009/05/27/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxi/" target="_blank">Capítulo XXI</a></strong><br />
<strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/06/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxii/" target="_blank">Capítulo XXII</a></strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/06/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxii/" target="_blank"><br />
</a><a href="../page/page/page/page/page/2009/06/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxiii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIII<br />
</strong></a><a href="../page/page/page/page/page/2009/06/29/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIV<br />
</strong></a><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/07/14/in-memoriam-memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXV<br />
</strong></a></strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/08/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxvi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVI<br />
</strong></a></strong></strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/08/31/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxvii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVII<br />
</strong></a></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/09/07/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxviii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVIII</strong></a><br />
<strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIX<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong>Capítulo XXX<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/10/06/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXI<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/10/20/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/10/26/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/10/26/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiii/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIV<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/12/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxv/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXV<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/page/2009/12/17/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxvi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVI<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/2010/01/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxvii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/2010/02/08/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxviii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVIII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/page/2010/02/19/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxix/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Capítulo    XXXIX<br />
</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/2010/03/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xl/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Capítulo   XL<br />
</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/2010/03/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xl/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Capítulo    XLI<br />
</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="http://www.blogdosperrusi.com/2010/05/21/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xlii/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Capítulo     XLII</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></p>
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		<title>Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XLII</title>
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		<pubDate>Fri, 21 May 2010 20:22:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[doutorado]]></category>
		<category><![CDATA[freira]]></category>
		<category><![CDATA[ICR]]></category>
		<category><![CDATA[Jovem Tsé-Tsé]]></category>
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		<category><![CDATA[teologia]]></category>
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		<description><![CDATA[Em tempo: os textos     novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de  Tsé-Tsé.

(Sic et non&#8230;)
42º CAPÍTULO
 
─ Tsé-Tsé! Tsé! Tsézinho! Meus Deus! Minha Nossa Senhora de Bari! Sangue, sangue! Giuseppe, Giuseppe!
Deitado no chão da varanda, quase inconsciente, ouvia os berros do Cardeal Ferrughi. O forte jardineiro Giuseppe carregou-me até [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="color: #ff0000;">Em tempo</span>: os textos     novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de  Tsé-Tsé.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/05/PESADELO.jpg"><img class="size-medium wp-image-3366 aligncenter" title="PESADELO" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/05/PESADELO-300x299.jpg" alt="" width="300" height="299" /></a><br />
(<em>Sic et non&#8230;)</em></p>
<p style="text-align: center;"><strong>42º CAPÍTULO</strong></p>
<p><em> </em></p>
<p>─ Tsé-Tsé! Tsé! Tsézinho! Meus Deus! Minha Nossa Senhora de Bari! Sangue, sangue! Giuseppe, Giuseppe!</p>
<p>Deitado no chão da varanda, quase inconsciente, ouvia os berros do Cardeal Ferrughi. O forte jardineiro Giuseppe carregou-me até o quarto, no primeiro andar da mansão.</p>
<p>─ Genoveva, Genoveva! Rápido! Traga a bolsa de primeiros socorros e uma bolsa de gelo. ─ Urrava Ferrughi nos meus ouvidos com sua voz de barítono.</p>
<p>A irmã Genoveva, uma freira de uns sessenta anos e devota do Cardeal, limpou o filete de sangue de minha boca e assentou uma bolsa de gelo na minha testa para aliviar o gigantesco calombo que ali se formara. Minhas pernas doíam, e eu limitava-me a gemer.</p>
<p>─ Hummm! Ai, ai! Minha Nossa Senhora do Siri Mole! Não! Basta! ─ Gritava sem cessar.</p>
<p>─ Ainda está pesadelando! ─ Exclamou o Cardeal. ─ Genoveva! Traga dois comprimidos americanos daquela caixinha. É pra dormir.</p>
<p>─ Dois? É muito, Eminência. ─ Respondeu a freira.</p>
<p>─ Então, traga uns quatro. Não vê que o padre Tsé está agitado e angustiado? Depois, ele me conta o que ocorreu. Pelo menos doze horas de sono. Vai acordar sem dor e com uma fome desgraçada. Ah, esses brasileiros! E não arrede o pé do quarto até ele acordar. ─ Terminou o Cardeal.</p>
<p>─ Estava muito agitado na rede e terminou por levar uma queda. Parecia tomado pelo demônio. Gritava nomes feios, especialmente o de um padre alemão. ─ Disse Giuseppe ao Cardeal.</p>
<p>─ Um pesadelo, na certa! Dormir de barriga pra cima, depois de se empanturrar, dá nisso aí. ─ Exclamou Ferrughi.</p>
<p>Dez a doze horas depois, acordei. A dor de cabeça havia passado, o galo na cabeça tinha diminuído, mas sentia as pernas doloridas. Sentada numa cadeira, estava a irmã Genoveva.</p>
<p>─ Enfim, acordou, Padre Tsé. Um sono muito agitado, mas espero que tenha descansado. ─ Disse-me ela.</p>
<p>─ É! Mas, estou morrendo de fome. Que horas são, irmã? Tô doido pra tomar um banho e me livrar de toda essa sujeira da ICR. ─ Respondi.</p>
<p>─ Pra que banho, padre? Já basta o trabalho de ficar aqui o tempo todo velando o seu sono. Além disso, na Itália, ninguém toma banho. Vamos descer que o jantar deve estar pronto. E tem visita lhe esperando.</p>
<p>─ Mas, eu tomo! Três a quatro vezes ao dia no Capibaribe. ─ Disse a Genoveva para acentuar meus ritos higiênicos.</p>
<p>A irmã finalmente concordou, encheu a banheira e mandou ferver um balde de água.</p>
<p>─ Padre Tsé! O banho está pronto.</p>
<p>─ Por favor, Irmã! Queira sair do quarto que eu costumo tomar banho sem roupa. ─ Disse para a freira sessentona.</p>
<p>─ Não posso! Ordem de Sua Eminência. Além disso, sou enfermeira diplomada e o que vi mais durante a guerra foi soldado nu.</p>
<p>─ Mas, mas&#8230;!</p>
<p>─ Nem mais nem menos. Tire essa roupa e já para a banheira.</p>
<p>Despi-me desconfiado. Genoveva me olhava com interesse e eu fiquei sem saber se tratava-se de um caso de pedofilia da freira ou de sênior filia de minha parte.</p>
<p>Desci a escadaria apoiado numa bengala de um lado e na freira do outro, este, certamente, mais agradável.</p>
<p>Na sala de jantar, deparei-me com Ferrughi e com o Monsenhor Lippi que estava de visita.</p>
<p>─ Salve, salve, Tsé! Enfim, parece recuperado do susto. Encontraram Javier e o processo foi arquivado. Você já pode voltar para Roma. ─ Disse Lippi.</p>
<p>Deram-me para comer um prato de canja de galinha, enquanto os outros dois se empanturravam com um belo churrasco de carneiro. Contei-lhes o pesadelo na rede, ainda vivinho na memória. Eles riram e quase se engasgaram. Ferrughi explicou-me que os dois entraram no pesadelo por causa da brincadeira do pseudo interrogatório na Biblioteca.</p>
<p>─ E trate de não nos colocar novamente nos seus pesadelos. ─ Acrescentou o Monsenhor para me confortar, embora morrendo de rir.</p>
<p>Passamos a noite discutindo as disciplinas do meu primeiro ano de Doutorado, duas obrigatórias e duas eletivas. A primeira das obrigatórias era Teologia Geral, chamada na Cartilha da Gregoriana de “Mãe de todas as Ciências”. A segunda era Cosmologia que, estranhamente, era chamada de “A Ciência do Tudo”. Já esperava pelas eletivas; Teoria Arquivística, ministrada pelo Monsenhor Lippi, e “Os Anjos na Antiguidade”, a cargo do Cardeal Ferrughi.</p>
<p>No segundo ano, cursaria Teologia Especial (dividida em Cristologia e Mariologia), Teodiceia (isto é, a Justiça Divina!) e, novamente com Lippi, Prática de Arquivos, e, com Ferrughi, Os Anjos na Idade Média.</p>
<p>Brincadeira de menino bobo, pensei. O pior seria o tédio e a saudade que sentia do meu clã.</p>
<p>Ferrughi já havia escolhido o objeto de minha tese e nada pude argumentar. Escreveria cerca de mil páginas sobre um assunto palpitante ─ e não resolvido ─ da Idade Média. Tratava-se de uma célebre questão teológica da ICR: “quantos anjos cabem na cabeça de um alfinete?”.</p>
<p>Aceitei tudo o que meus orientadores acadêmicos me impunham. Lá por dentro, fazia mil planos para fugir de Roma e voltar para minha Comunidade.</p>
<p>E que se danasse o tal Doutorado Canônico!</p>
<p><strong><strong><strong>Toda a Memória (Falsa?!)</strong>:</strong></strong></p>
<p><strong><a href="../page/page/page/page/2009/05/27/2008/11/23/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-i/" target="_blank"><strong>Capítulo I</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/2009/05/27/2008/12/07/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ii/" target="_blank"><strong>Capítulo II</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/2009/05/27/2008/12/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-iii/" target="_blank"><strong>Capítulo III</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/2009/05/27/2009/01/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-iv/" target="_blank"><strong>Capítulo IV</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/2009/05/27/2009/01/14/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-v/" target="_blank"><strong>Capítulo V<br />
Capítulo VI</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/2009/05/27/2009/01/25/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-vii/" target="_blank"><strong>Capítulo VII</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/2009/05/27/2009/01/31/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-viii/" target="_blank"><strong>Capítulo VIII</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/page/2009/05/27/2009/02/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ix/" target="_blank"><strong>Capítulo IX</strong><br />
</a><strong><a href="../page/page/page/page/2009/05/27/2009/02/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ix/" target="_blank">Capítulo X</a><br />
<a href="../page/page/page/page/2009/05/27/2009/02/21/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xi/" target="_blank">Capítulo XI<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/page/page/2009/05/27/2009/03/06/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xii/" target="_blank">Capítulo XII</a><br />
</strong><strong><a href="../page/page/page/page/2009/05/27/2009/03/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xiii/" target="_blank">Capítulo XIII<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/page/page/2009/05/27/2009/03/28/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xiv/" target="_blank">Capítulo XIV</a><br />
</strong><strong><a href="../page/page/page/page/2009/05/27/2009/04/10/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xv/" target="_blank">Capítulo XV<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/page/page/2009/05/27/2009/04/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvi/" target="_blank">Capítulo XVI</a><br />
<a href="../page/page/page/page/2009/05/27/2009/05/01/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvii/" target="_blank">Capítulo XVII<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/page/page/2009/05/27/2009/05/17/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xix/" target="_blank">Capítulo XIX</a><br />
</strong><strong><a href="../page/page/page/page/2009/05/23/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xx/" target="_blank">Capítulo XX<br />
</a><a href="../page/page/page/page/2009/05/27/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxi/" target="_blank">Capítulo XXI</a></strong><br />
<strong><a href="../page/page/page/page/2009/06/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxii/" target="_blank">Capítulo XXII</a></strong><a href="../page/page/page/page/2009/06/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxii/" target="_blank"><br />
</a><a href="../page/page/page/page/2009/06/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxiii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIII<br />
</strong></a><a href="../page/page/page/page/2009/06/29/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIV<br />
</strong></a><strong><a href="../page/page/page/page/2009/07/14/in-memoriam-memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXV<br />
</strong></a></strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/2009/08/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxvi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVI<br />
</strong></a></strong></strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/2009/08/31/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxvii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVII<br />
</strong></a></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/2009/09/07/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxviii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVIII</strong></a><br />
<strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIX<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong>Capítulo XXX<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/page/page/page/2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/2009/10/06/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXI<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/2009/10/20/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/2009/10/26/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/page/page/page/2009/10/26/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiii/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIV<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/page/page/page/2009/12/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxv/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXV<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/page/2009/12/17/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxvi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVI<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/2010/01/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxvii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/2010/02/08/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxviii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVIII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/2010/02/19/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxix/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Capítulo   XXXIX<br />
</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2010/03/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xl/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Capítulo  XL<br />
</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../2010/03/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xl/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Capítulo   XLI</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XLI</title>
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		<pubDate>Mon, 03 May 2010 16:17:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Bíblia]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[ICR]]></category>
		<category><![CDATA[Jovem Tsé-Tsé]]></category>
		<category><![CDATA[santíssima Trindade]]></category>
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		<category><![CDATA[Tsé-Tsé]]></category>
		<category><![CDATA[Virgem]]></category>

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		<description><![CDATA[Em tempo: os textos    novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.

(Pia fraus)
41º CAPÍTULO
A pausa de duas horas para o lanche terminara. Enquanto meus torturadores se divertiam, eu pensava no que iria dizer ao padre Von Hartz sobre as doutrinas da ICR. Sabia de antemão que ele era um fanático [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="color: #ff0000;">Em tempo</span>: os textos    novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/05/A-Virgem-Klimt.jpg"><img class="size-medium wp-image-3208   aligncenter" title="A Virgem, Klimt" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/05/A-Virgem-Klimt-300x280.jpg" alt="" width="300" height="280" /></a></p>
<p style="text-align: center;">(<em>Pia fraus</em>)</p>
<p style="text-align: center;"><strong>41º CAPÍTULO</strong></p>
<p>A pausa de duas horas para o lanche terminara. Enquanto meus torturadores se divertiam, eu pensava no que iria dizer ao padre Von Hartz sobre as doutrinas da ICR. Sabia de antemão que ele era um fanático fiel da Virgem Maria, o que sempre considerei um assunto bastante delicado. Confuso, também.</p>
<p>Na verdade, não quero nem gosto de falar mal da mãe dos outros que nem esses torcedores de futebol fazem com os árbitros.</p>
<p>Contudo, a meu ver, a confusão não passa de um erro de tradução adotado pelos cristãos primitivos e consagrado pelos evangelistas, mais de 60 anos depois da morte de Nosso Senhor.</p>
<p>Ocorre que o profeta Isaías era sacerdote do Templo e ligado, portanto, à Monarquia judaica. Ocorre também que a jovem mulher do rei Acaz estava grávida. Foi aí que o bajulador sacerdote escreveu, cerca de 600 anos antes do nascimento de Jesus de Nazaré, um belo poema afirmando que “uma <strong>jovem</strong> <strong>mulher </strong>─ “almah”, em hebráico ─ haveria de dar a luz a um filho excepcional e que seria chamado de Emanuel”.</p>
<p>A chamada Septuaginta, tradução grega do Velho Testamento, distorce o significado da palavra para “virgem”, isto é, “betulah”, em hebraico antigo, ignorando o original “almah”, utilizado pelo profeta.</p>
<p>Ora, Mateus e Lucas seguem a tradução grega, pois escreviam aos judeus helenizados, que não conheciam o popular aramaico, língua do próprio Nosso Senhor, quanto mais o hebraico antigo da época de Isaías.</p>
<p>Ocorre também, que, na Antiguidade, tanto oriental, inclusive entre os antigos judeus, quanto greco-romana, havia centenas e centenas de histórias sobre heróis, como Hércules, e grandes homens, como Alexandre Magno, Júlio César e Augusto, por exemplo, que eram tidos como filhos de algum deus com uma terrena mulher.</p>
<p>Logo, logo, os primitivos cristãos aplicaram tais lendas a Jesus, seu máximo herói, e acreditaram nas histórias dos evangelistas que, por sua vez, copiaram a distorção da Septuaginta e inspiraram-se nos contos populares e na tradição oral da época.</p>
<p>A Virgem Maria apareceu na história dessa forma e duvido que ela e seu marido José, bem como o próprio Cristo, soubessem disso.</p>
<p>O eruditos cristãos, antigos e modernos, sabiam e sabem, igualmente, que a Virgindade de Maria não passa de uma fraude documental e, no entanto, continuam a repeti-la como se fosse verdade. Como se isso fosse uma coisa essencial ao próprio Cristianismo.</p>
<p>A ICR também sabe, mas faz questão de insistir sobre o culto à Virgem. E, quando uma mentira é repetida à exaustão, como dizia o velho e demoníaco Goebbels, termina por se tornar numa verdade autêntica. Um teólogo católico atual, aliás, chega a dizer que “a virgindade de Maria foi construída pouco a pouco”. Em suma: foram dizendo, foram dizendo, foram acreditando, foram acreditando e, finalmente, tornou-se verdade adquirida, um dogma de fé.</p>
<p>Por que as principais seitas cristãs, em especial a romana, inculcam em seus fiéis uma crença, histórica e documentadamente falsa? Não sei! Perguntem a elas.</p>
<p>E era disso que eu tinha medo no tal interrogatório.</p>
<p>O padre Von Hartz sentou-se em seu birô e começou a falar:</p>
<p>─ Sabe, padre Von Tsé, suas bobagens sobre a Criação não afetam em nada nossos dogmas mais sagrados. Aliás, para a ICR, tanto faz que tenha ocorrido o Fiat Lux como o surgimento da tal panqueca amarronzada de que o senhor falou. O que nos importa é a Fé do povo porque é através dela que enchemos nossos cofres&#8230; quero dizer, que civilizamos o mundo sob a intervenção divina. E, assim, o dominamos melhor.</p>
<p>─ Também acredito nisso, Senhor Vigário. ─ Atrevi-me a dizer.</p>
<p>─ Mas, pelo menos, o senhor acredita no Mistério da Santíssima Trindade. ─ Concluiu Von Hartz.</p>
<p>─ De jeito maneira! Não há mistério nenhum. Sempre achei que o Cristianismo, com mistério ou sem ele, era uma religião politeísta com três divindades distintas e separadas. ─ Avancei na discussão.</p>
<p>─ Então, quer dizer, que o senhor é um Trinitarista?</p>
<p>─ De coração, cheio da boa Lógica dos homens. Os Evangelhos são muito claros nessa questão. Aliás, a ICR é mais do que isso: é quadri-teísta pois Maria tornou-se a Mãe de Deus e a Rainha dos Céus. Portanto, uma legítima Deusa. E tome dinheiro dos pobres para nossos cofres, não é mesmo padre Von Hartz?</p>
<p>─ Na sua visão demoníaca, padre Von Tsé. Falemos, então, da Sagrada Virgem.</p>
<p>─ Que Virgem, senhor Vigário? Maria não era virgem coisa nenhuma. Casada de papel passado e dormindo todo o dia com José. Isso não passa de mentira dos padres e pastores para enganar o povo. ─ Obriguei-me a esclarecer minha posição teológica.</p>
<p>Von Hartz levantou-se do birô e deu-me, de surpresa, o maior pontapé que eu já havia recebido na vida. Quase quebrava minhas pernas amarradas. Urrei de dor. Mas, percebi, sob a batina do padre alemão, as letras “SS” gravadas em suas botas pretas e bem engraxadas.</p>
<p>─ Não fale mal da mãe de Nosso Senhor, seu padre de merda. Sou fiel devoto da Virgem e, para mim, ela é virgem ou não é nada.</p>
<p>Tentei explicar, então, minhas razões para não acreditar na virgindade de Maria. Mas fui impedido por um Von Hartz enfurecido e quase em êxtase ao falar de sua devoção. Êxtase e histeria de fundo sexual, diria. Mesmo assim, consegui colocar um terrível problema teológico acerca do nascimento de Jesus de Nazaré.</p>
<p>─ Ilustre Vigário Inquisidor! Respeito sua devoção para com os mitos cristãos, mas há um grande problema teológico que a ICR não quer enfrentar. ─ Comecei.</p>
<p>─ Que problema, que problema? Lembre-se! Sou um jovem teólogo e me interesso por tudo o que é mistério. ─ Respondeu Von Hartz, mais interessado no diálogo do que na ignorância.</p>
<p>─ Simples! Os evangelistas não entendiam porra nenhuma de fisiologia e muito menos de genética, apesar de dizerem que Lucas era médico. Na verdade, igualzinho aos nossos homeopatas que só entendem de chás e de conversa fiada. Ora, Padre Von Hartz, o senhor acredita que o Espírito Santo é um ser incorpóreo?</p>
<p>─ Claro! E livre dos pecados da carne!</p>
<p>─ Pois bem! Segundo sabemos, uma criança é feita dos genes da mãe e do pai, metade, metade. Ora, se o Santo Espírito, incorpóreo como o senhor acredita, engravidou Maria, a consequência teológica é muito grave. Nosso Senhor devia ser um homem muito estranho sem a metade dos genes habituais de todo mamífero que se preza.</p>
<p>─ Hum! Milagre, milagre! Nada mais! ─ Resmungou meu interrogador.</p>
<p>─ Além disso&#8230; ─ Ia continuar, mas não deu.</p>
<p>O inquisidor preparava-se, novamente, para me chicotear quando, para minha sorte, bateram à porta. Entraram dois prelados e Von Hartz imediatamente escondeu o chicote sob a batina e aproximou-se deles, numa atitude servil. Cochicharam durante alguns minutos e, sem o arame farpado em volta do meu peito, pude voltar a cabeça para os três.</p>
<p>Pra quê? Pra quê? O padre Von Hartz conversava com o Monsenhor Lippi e o Cardeal Ferrughi, bem nas minhas costas. Não me contive e comecei a chorar. Senhor Meu Deus, onde estará minha salvação? Lembrei-me do salmo bíblico mais do que famoso.</p>
<p>Os dois falsos amigos saíram e Von Hartz voltou ao birô. Mais calmo, empunhando uma folha de papel e com voz baixa e serena, me disse:</p>
<p>─ Padre Von Tsé-Tsé! Os agentes do Vaticano encontraram o Padre Javier. Ele está liderando uma revolta das aldeias de antigos astecas na Sierra Madre mexicana. O senhor está, portanto, livre da acusação de assassinato e ocultação de cadáver. Quanto às suas heresias, tenho certeza que um dia voltaremos ao assunto. Por enquanto, tenho uma Bula Papal que ordena o arquivamento deste Sagrado Inquérito. O documento também perdoa suas heresias, cominando cem Padres-Nossos e duzentas Ave-Marias, como penitência. Além disso, estou livre de qualquer acusação de um eventual excesso de zelo cristão quando tive que lhe administrar algumas santas porradas.</p>
<p>─ É! Conheço um país em que a tortura também foi perdoada. ─ Não deixei de falar.</p>
<p>Chamou seus cúmplices e lhes disse:</p>
<p>─ Tirem esse padre imundo daqui. Encubram seus olhos novamente e soltem-no numa rua escura. Quando o furgão parar, deem-lhe um grande pontapé na bunda. A carrocinha do lixo passará logo em seguida.</p>
<p>Subi os mesmos degraus. Botaram-me no furgão e me jogaram em pleno calçamento, meia hora depois. O pontapé que recebi foi tão forte que, ao cair da viatura, bati com a cabeça no chão de pedra e desmaiei.</p>
<p><strong><strong><strong>Toda a Memória (Falsa?!)</strong>:</strong></strong></p>
<p><strong><a href="../page/page/page/2009/05/27/2008/11/23/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-i/" target="_blank"><strong>Capítulo I</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/2009/05/27/2008/12/07/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ii/" target="_blank"><strong>Capítulo II</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/2009/05/27/2008/12/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-iii/" target="_blank"><strong>Capítulo III</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/2009/05/27/2009/01/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-iv/" target="_blank"><strong>Capítulo IV</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/2009/05/27/2009/01/14/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-v/" target="_blank"><strong>Capítulo V<br />
Capítulo VI</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/2009/05/27/2009/01/25/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-vii/" target="_blank"><strong>Capítulo VII</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/2009/05/27/2009/01/31/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-viii/" target="_blank"><strong>Capítulo VIII</strong></a><br />
<a href="../page/page/page/2009/05/27/2009/02/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ix/" target="_blank"><strong>Capítulo IX</strong><br />
</a><strong><a href="../page/page/page/2009/05/27/2009/02/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ix/" target="_blank">Capítulo X</a><br />
<a href="../page/page/page/2009/05/27/2009/02/21/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xi/" target="_blank">Capítulo XI<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/page/2009/05/27/2009/03/06/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xii/" target="_blank">Capítulo XII</a><br />
</strong><strong><a href="../page/page/page/2009/05/27/2009/03/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xiii/" target="_blank">Capítulo XIII<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/page/2009/05/27/2009/03/28/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xiv/" target="_blank">Capítulo XIV</a><br />
</strong><strong><a href="../page/page/page/2009/05/27/2009/04/10/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xv/" target="_blank">Capítulo XV<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/page/2009/05/27/2009/04/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvi/" target="_blank">Capítulo XVI</a><br />
<a href="../page/page/page/2009/05/27/2009/05/01/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvii/" target="_blank">Capítulo XVII<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/page/2009/05/27/2009/05/17/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xix/" target="_blank">Capítulo XIX</a><br />
</strong><strong><a href="../page/page/page/2009/05/23/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xx/" target="_blank">Capítulo XX<br />
</a><a href="../page/page/page/2009/05/27/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxi/" target="_blank">Capítulo XXI</a></strong><br />
<strong><a href="../page/page/page/2009/06/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxii/" target="_blank">Capítulo XXII</a></strong><a href="../page/page/page/2009/06/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxii/" target="_blank"><br />
</a><a href="../page/page/page/2009/06/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxiii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIII<br />
</strong></a><a href="../page/page/page/2009/06/29/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIV<br />
</strong></a><strong><a href="../page/page/page/2009/07/14/in-memoriam-memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXV<br />
</strong></a></strong><strong><strong><a href="../page/page/page/2009/08/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxvi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVI<br />
</strong></a></strong></strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/2009/08/31/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxvii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVII<br />
</strong></a></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/2009/09/07/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxviii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVIII</strong></a><br />
<strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIX<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong>Capítulo XXX<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/page/page/2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/2009/10/06/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXI<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/2009/10/20/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/2009/10/26/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/page/page/2009/10/26/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiii/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIV<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/page/page/2009/12/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxv/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXV<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/page/2009/12/17/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxvi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVI<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/2010/01/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxvii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/2010/02/08/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxviii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVIII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../2010/02/19/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxix/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Capítulo  XXXIX<br />
</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="http://www.blogdosperrusi.com/2010/03/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xl/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Capítulo XL</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a></p>
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		<title>Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XL</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Mar 2010 18:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Caos]]></category>
		<category><![CDATA[cosmogonia]]></category>
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		<category><![CDATA[Von Hartz]]></category>

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		<description><![CDATA[Em tempo: os textos   novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.

(Orbi et Homo)
40º CAPÍTULO
Nas décadas de 1950 a 1970, a Itália se reorganizava do caos deixado pela derrota na Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, financiada pelo Plano Marshall, a direita dirigia o país sob a égide de três forças [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="color: #ff0000;">Em tempo</span>: os textos   novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/03/galaxias-copy.jpg"><img class="size-medium wp-image-2736 aligncenter" title="galaxias copy" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/03/galaxias-copy-300x201.jpg" alt="" width="300" height="201" /></a></p>
<p style="text-align: center;">(O<em>rbi et Homo</em>)</p>
<p style="text-align: center;"><strong>40º CAPÍTULO</strong></p>
<p>Nas décadas de 1950 a 1970, a Itália se reorganizava do caos deixado pela derrota na Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, financiada pelo Plano Marshall, a direita dirigia o país sob a égide de três forças políticas principais: a ICR, através da Democracia Cristã, a CIA e a Máfia Siciliana, sem falar da Camorra. A corrupção econômica tornara-se um câncer nacional, inclusive dentro da própria Igreja através do IOR, e a violência física e moral se mostrava na repressão aos movimentos progressistas.</p>
<p>O troco da esquerda, aliás, viria, com mais violência ainda, a partir da década de 1980.</p>
<p>Não era de estranhar, pois, que a ICR, apesar de ter abolido a sagrada fogueira, perseguisse aqueles que considerava hereges, dentro e fora da Itália. Aqui mesmo, no Brasil, o Congresso Eucarístico Nacional do Recife, em 1950, proclamava que “quem não crê (na ICR), brasileiro não é”.</p>
<p>Não me surpreendi, pois, com o rapto de que fora vítima nem tampouco o violento interrogatório que sofrera. Mas, como dizia um filósofo, “nem toda confissão é uma vitória da tortura; porque, às vezes, a pior tortura é ter a voz silenciada”. E nesse sentido, o Santo Ofício jamais me venceria.</p>
<p>Depois de um pequeno lanche, do qual não participei (apenas deram-me um pouco d’água), o padre Von Hartz começou a delirar pronunciando uma sapientíssima aula de Teologia Cristã, repetindo, como me parecia evidente, os teólogos antigos, especialmente os medievais.</p>
<p>De repente, calou-se e, olhando-me fixamente, falou:</p>
<p>─ Padre Von Tsé! Chegou sua hora de confessar todas as heresias que vem pregando dentro de nossa Santa Igreja.</p>
<p>Mais descansado e aproveitando-me da vaidade do padre alemão, respondi, com toda a coragem que aprendera em nossa Comunidade, que só falaria se ele retirasse o arame farpado em volta do meu corpo, que me impedia de respirar direito. Para minha surpresa, Von Hartz concordou prontamente tal a sua curiosidade pseudointelectual no debate teológico que, segundo ele pensava, se seguiria com a vitória certa dos ensinamentos sagrados da ICR.</p>
<p>─ Em suma, padre Von Tsé! O senhor acredita que Deus criou os céus e a terra? ─ Perguntou-me, como se estivesse em plena aula de catecismo.</p>
<p>─ Não! ─ Respondi.</p>
<p>─ Como assim? ─ Exclamou Von Hartz, atônito.</p>
<p>─ Ora, padre Von Hartz! No princípio, havia apenas os quatro elementos: terra, água, fogo e ar. Eles formavam uma gigantesca massa amarronzada que se movia caoticamente pelo espaço. No meio dela, surgiu Nosso Senhor Todo-Poderoso, também feito dos quatro elementos, e não entendeu nada do que estava ocorrendo. Ele queria, mas não podia e não adiantava ter o “querer” sem o “poder”. Foi, então, que surgiu um “Assopro” de nome feminino, que chamo de Espírito Santo, segundo as Sagradas Escrituras, e inoculou no Todo-Poderoso o intelecto que, além do “querer, forneceu-lhe, enfim, o “poder”.</p>
<p>─ Estranho! Estranho! Quer dizer que a mulher já existia antes do próprio Deus? ─ Exclamou o padre alemão.</p>
<p>─ Não disse nada parecido, Senhor Vigário. Esclareci apenas que, em aramaico, o Espírito Santo tem nome feminino. Parecia mais como “um bater de asas”. Nada mais! Se era mulher, fica por sua conta. ─ Acrescentei.</p>
<p>E de onde veio todo o conhecimento de Deus? ─ Murmurou Von Hartz.</p>
<p>─ Do Caos! Da massa primordial cor de&#8230;, cor de&#8230;como direi&#8230;enfim, cor de merda. Mas, acontece que o Todo-Poderoso estava sozinho e não podia conversar com ninguém. Como já “podia”, resolveu criar o Filho e daí por diante começou o diálogo universal. Primeiramente, Eles não gostaram da cor do Universo e resolveram transformar tudo em leite do mais branco que pudessem. E esse branco leitoso é o que chamamos ainda hoje de Via Láctea. Porém, os dois falavam, falavam e nada criavam além de se moverem através do leite derramado. Para não se afogarem, aproveitaram o eterno movimento da massa original, e transformaram o rio de leite num imenso queijo, mais sólido e consistente sobre o qual podiam andar, correr e até patinar.</p>
<p>─ Heresia, heresia! ─ Murmurou Von Hartz assustado com minhas palavras. Nem liguei e continuei a falar. Quanto mais falasse, pensava, mais rápido o padre alemão se cansaria e deixaria de me atormentar.</p>
<p>─ No entanto, as conversas entre o Pai e o Filho, às vezes traduzidas pelo Espírito, não levavam a nada. Ora, naquelas alturas, passado muito tempo, o queijo universal começou a apodrecer e dos seus buracos surgiram inúmeros vermes, parecidos com tapurus, que o Filho chamou de Anjos, todos eles subordinados ao Pai, ao Filho e ao Assopro. Foi, então, que o Pai teve uma ideia das mais desastrosas. Resolveu criar o mundo e mandou que os Anjos fizessem um boneco, feito também dos quatro elementos. Depois, pediu ao Assopro que fuçasse nas suas narinas algo que prestasse. E foi assim que surgiram o homem e a mulher para reinarem no mundo e para o destruírem também como quase conseguiu seu chefe supremo, padre Von Hartz. Eis a ideia mais estrambólica que Nosso Senhor já tivera: a criação de nossa espécie.</p>
<p>─ Não acredito! Não acredito! Além disso, nosso Líder só perdeu a guerra por causa da incompetência dos generais e do dinheiro dos judeus americanos. ─ Gritou histericamente o padre alemão.</p>
<p>─ Mentira desgraçada! ─ Exclamei com moderação. E continuei:</p>
<p>─ Depois disso, o casal botou pra quebrar e teve milhares de filhos que povoaram a terra, até que surgiu um desgraçado e louco bárbaro germânico que queria acabar com a raça primordial. E quase conseguiu se não fossem a vitórias brasileiras em Monte Castelo e Monte Cassino.</p>
<p>─ Mas vamos deixar de blá-blá-blá pseudo-histórico, padre Von Tsé. ─ Interrompeu-me o Vigário Inquisidor cheio de irritação. ─ Voltemos à Santa Teologia. Ora, se não houvesse existido essa tal massa amarronzada, Deus Todo-Poderoso teria podido fazer sozinho todas as coisas? E a luz de onde veio, padre Von Tsé?</p>
<p>─ Padre Von Hartz! Eu acredito que não se possa fazer nada sem matéria e Deus, nosso Pai, ficaria somente com o “querer”. Quanto à luz, é óbvio; veio dos tapurus, como a gente vê nas velas de uma procissão.</p>
<p>─ E aquele Assopro, que o senhor chama de Espírito Santo, é da mesma natureza e essência de Deus?</p>
<p>─ É! Assim como o Filho, os anjos e os homens, isto é, tudo feito da mesma porcaria: terra, água, fogo e ar. O resto não passa de mentira dos padres e dos pastores para enganar o povo. ─ Respondi atrevidamente. Von Hartz, em troca, começou a cutucar meu fígado com o cabo do seu chicote até que não pude mais respirar.</p>
<p>─ Chamando-me de mentiroso, padre Tsé? Comparando-me com esses infiéis da Nova Seita? E Deus, Nosso Senhor, foi produzido por quem? ─ Interrogou o padre alemão.</p>
<p>─ Não sei! E deixe de apertar meu fígado, pelo amor de Nossa Senhora. Mas, todos, inclusive o Pai, o Filho e o Espírito Santo, recebem a vida do movimento e da mudança do Caos e caminham da imperfeição à perfeição.</p>
<p>─ É! Depois, voltaremos à Santa Virgem Mãe de Deus. E o Caos, quem o criou e quem o move?</p>
<p>─ Ele sempre existiu e se move sozinho. ─ Respondi.</p>
<p>O padre Von Hartz, embora vidrado na minha Cosmogonia, parecia cansado e começou a bocejar.</p>
<p>─ Padre Von Tsé! Vamos parar um pouco por aqui. Voltaremos depois de fazer um lanche do qual, por minha exclusiva bondade, o senhor vai participar. Daremos um bom cochilo e continuaremos essa interessante e imaginosa conversa duas horas mais tarde.</p>
<p>Comemorei a decisão de Von Hartz. Teria mais tempo para melhorar minha história.</p>
<p><strong><strong><strong>Toda a Memória (Falsa?!)</strong>:</strong></strong></p>
<p><strong><a href="../page/page/2009/05/27/2008/11/23/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-i/" target="_blank"><strong>Capítulo I</strong></a><br />
<a href="../page/page/2009/05/27/2008/12/07/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ii/" target="_blank"><strong>Capítulo II</strong></a><br />
<a href="../page/page/2009/05/27/2008/12/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-iii/" target="_blank"><strong>Capítulo III</strong></a><br />
<a href="../page/page/2009/05/27/2009/01/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-iv/" target="_blank"><strong>Capítulo IV</strong></a><br />
<a href="../page/page/2009/05/27/2009/01/14/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-v/" target="_blank"><strong>Capítulo V<br />
Capítulo VI</strong></a><br />
<a href="../page/page/2009/05/27/2009/01/25/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-vii/" target="_blank"><strong>Capítulo VII</strong></a><br />
<a href="../page/page/2009/05/27/2009/01/31/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-viii/" target="_blank"><strong>Capítulo VIII</strong></a><br />
<a href="../page/page/2009/05/27/2009/02/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ix/" target="_blank"><strong>Capítulo IX</strong><br />
</a><strong><a href="../page/page/2009/05/27/2009/02/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ix/" target="_blank">Capítulo X</a><br />
<a href="../page/page/2009/05/27/2009/02/21/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xi/" target="_blank">Capítulo XI<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/2009/05/27/2009/03/06/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xii/" target="_blank">Capítulo XII</a><br />
</strong><strong><a href="../page/page/2009/05/27/2009/03/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xiii/" target="_blank">Capítulo XIII<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/2009/05/27/2009/03/28/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xiv/" target="_blank">Capítulo XIV</a><br />
</strong><strong><a href="../page/page/2009/05/27/2009/04/10/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xv/" target="_blank">Capítulo XV<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/2009/05/27/2009/04/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvi/" target="_blank">Capítulo XVI</a><br />
<a href="../page/page/2009/05/27/2009/05/01/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvii/" target="_blank">Capítulo XVII<br />
</a></strong><strong><a href="../page/page/2009/05/27/2009/05/17/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xix/" target="_blank">Capítulo XIX</a><br />
</strong><strong><a href="../page/page/2009/05/23/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xx/" target="_blank">Capítulo XX<br />
</a><a href="../page/page/2009/05/27/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxi/" target="_blank">Capítulo XXI</a></strong><br />
<strong><a href="../page/page/2009/06/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxii/" target="_blank">Capítulo XXII</a></strong><a href="../page/page/2009/06/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxii/" target="_blank"><br />
</a><a href="../page/page/2009/06/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxiii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIII<br />
</strong></a><a href="../page/page/2009/06/29/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIV<br />
</strong></a><strong><a href="../page/page/2009/07/14/in-memoriam-memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXV<br />
</strong></a></strong><strong><strong><a href="../page/page/2009/08/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxvi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVI<br />
</strong></a></strong></strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/2009/08/31/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxvii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVII<br />
</strong></a></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/2009/09/07/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxviii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVIII</strong></a><br />
<strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIX<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong>Capítulo XXX<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/page/2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/2009/10/06/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXI<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/2009/10/20/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/2009/10/26/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/page/2009/10/26/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiii/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIV<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/page/2009/12/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxv/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXV<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/page/2009/12/17/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxvi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVI<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/2010/01/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxvii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2010/02/08/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxviii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVIII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="http://www.blogdosperrusi.com/2010/02/19/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxix/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Capítulo XXXIX</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XXXIX</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Feb 2010 00:28:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Von Hartz]]></category>

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		<description><![CDATA[Em tempo: os textos  novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.

Fotografia de Joel-Peter Witkin
(In nomine Pater et Filli et Spiritum Sanctum)
39º CAPÍTULO
Não sei se deveria publicar este Capítulo e o próximo, cheios de tão más recordações. Às vezes, penso que o mal se resolve por si mesmo, preso na rede do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="color: #ff0000;">Em tempo</span>: os textos  novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/02/inquisição.jpg"><img class="size-medium wp-image-2501 aligncenter" title="inquisição" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/02/inquisição-235x300.jpg" alt="" width="235" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Fotografia de <strong></strong><strong><a href="http://www.mat.uc.pt/%7Erps/photos/encontros/expos/autores.html#WITKIN">Joel-Peter Witkin</a></strong></p>
<p style="text-align: center;">(<em>In nomine Pater et Filli et Spiritum Sanctum</em>)</p>
<p style="text-align: center;"><strong>39º CAPÍTULO</strong></p>
<p>Não sei se deveria publicar este Capítulo e o próximo, cheios de tão más recordações. Às vezes, penso que o mal se resolve por si mesmo, preso na rede do tempo e da memória. Contudo, fiel à verdade, espero não chocar ninguém pelos momentos indescritíveis por que passei. A verdade! Meu único compromisso com a vida e para com o próximo.</p>
<p>A viagem até à fazenda do Cardeal deveria durar apenas duas horas. Porém, a limusine americana emperrou no meio do caminho. Nada grave! O chofer foi até o posto de gasolina mais próximo, e um mecânico desentupiu e limpou o carburador do carro. Assim, chegamos à mansão cardinalícia à noite, depois de umas três horas encalhados na estrada.</p>
<p>Tomei um banho, jantei e, cansado, fui dormir bem cedo. Pela manhã, cheguei atrasado ao café, servido pela Irmã Genoveva, auxiliar e dona da casa de Ferrughi. Avisou-me de que o Cardeal saíra bem cedo para inspecionar suas vacas holandesas. De tanta comida, fiquei empanzinado. Aproveitei para completar o sono e deitei-me numa rede, à la brasileira, na varanda toda fechada com vidro fumê.</p>
<p>Não tardei a dormir de barriga pra cima como fazem os índios, os sertanejos e os habitantes de nossa Comunidade.</p>
<p>Em doces sonhos, fui de repente acordado por dois homens encapuçados que taparam meu nariz com um lenço embebido de alguma substância desmaiante. Não sei o que aconteceu e quanto tempo durou meu desmaio até acordar dentro de um furgão que balançava por cima de uma rua ou estrada de paralelepípedos. Estava amarrado nos tornozelos e nos punhos. Minha boca fora fechada com um esparadrapo e um lenço tapava meus olhos. Imobilidade e escuridão totais.</p>
<p>De repente, o furgão parou e ouvi o ranger de um velho portão de ferro. A viatura avançou mais um pouco e, com os tornozelos desamarrados, fui arrastado por um longo corredor até uma escada descendente. Contei 45 degraus e entramos numa ampla sala fria e soturna. Certamente, um dos famosos Subterrâneos do Vaticano. Tiraram a venda dos meus olhos e pude perceber a vastidão do ambiente. Despiram-me de meu traje civil, ficando totalmente nu. Fui forçado a sentar numa incômoda cadeira e amarraram meus braços nela. Depois, arrancaram o esparadrapo de minha boca de uma só vez, o que doeu bastante. Em seguida, passaram um arame farpado pelo meu tronco fixando-me à cadeira. Logo percebi a função do arame; qualquer movimento brusco, como me virar para os lados, gritar ou respirar mais fundo, faziam com que as farpas se enterrassem no meu corpo, logo acima do meu estômago. Pra meu alívio, cobriram minhas vergonhas com um pano imundo. Não sei! Talvez alguém ficasse impressionado com minhas belíssimas e desejáveis ferramentas de baixo.</p>
<p>Mesmo assim, percebi um padre sentado num birô em frente de minha cadeira, olhando para elas com um sorriso meio lúbrico. Louro, de olhos verdes, um rosto meio gordinho, usando uns óculos de aros finos e lentes redondas. Ao seu lado, outro padre estava com uma máquina de escrever.</p>
<p>─ Heil! Declaro aberta a sessão do Interrogatório Formal e Preliminar do Padre Ambrósio Von Tsé-Tsé, acusado, por testemunhas idôneas, de heresias e de ter assassinado o Padre Francisco Javier e ocultado o seu cadáver. O penitente chegou até nós de livre e espontânea vontade e declara que está disposto a dizer a verdade e toda a verdade sobre o processo de investigação.</p>
<p>Esperou que o datilógrafo terminasse e continuou:</p>
<p>─ Padre Von Tsé-Tsé Não Sei Das Quantas! Eu sou o Cônego Von Hartz, Vigário Geral do Santo Ofício, encarregado de interrogá-lo sobre o lamentável homicídio e de outras heresias apontadas pelas testemunhas.</p>
<p>─ Estamos num país democrático e exijo a presença de um advogado. ─ Limitei-me a dizer ainda espantado com tudo aquilo.</p>
<p>─ Tem razão! Mas lembre-se de que o Vaticano não é uma democracia. Nada de liberdades comigo, portanto. ─ Disse o Vigário, com uma voz mansa, baixa e suave, embora esganiçada. E perigosa! Chamou o frade Bhormanide que estava junto a uma parede soprando as brasas de uma churrasqueira. Não o vira quando cheguei. Tratava-se de um monge corpulento que se aproximou da mesa, dizendo:</p>
<p>─ Ham, hem, him, hom, hum! ─ Coitado! Notei de pronto que haviam cortado sua língua. Punição de pecados horríveis, decerto. Mas, para que me servia um advogado que não podia falar? Respirei fundo, o que não deveria ter feito, e senti as farpas do arame se enterrarem na minha pele. Gritei e foi pior. Filetes de sangue escorriam pela minha barriga.</p>
<p>─ Mas, sem delongas, vamos aos fatos. Confesse Padre Tsé-Tsé! ─ Gritou o Vigário do Santo Ofício.</p>
<p>─ Sou inocente! Fui raptado e não sei o que se passa nessa porcaria de sala. ─ Afirmei sem hesitação.</p>
<p>O Vigário Von Hartz levantou-se e, portando uma espécie de chicote, feriu-me no braço, deixando uma profunda marca vermelha.</p>
<p>─ Isso é para começar, Von Tsé. ─ Disse meu agressor.</p>
<p>Já percebera, pela primeira saudação e pelo sotaque germânico, de que se tratava do temido padre alemão de que me falara Javier. E, com toda a razão, comecei a acreditar no mexicano.</p>
<p>─ Examine sua consciência, Tsé! Separe o bem do mal e só nos conte sobre o último. O corpo não nos interessa. Ele morre e volta ao pó de onde veio, segundo as Sagradas Escrituras. Queremos apenas salvar sua alma dos seus crimes e heresias que somente serão redimidos com sua confissão completa e um arrependimento eterno. O corpo e a alma de Javier já se foram. Que Deus o tenha! O que nos importa é o amor de Nosso Senhor Jesus Cristo pela sua alma, Von Tsé. Você sabe que Nosso Salvador entregou de mão beijada seu corpo aos judeus. Mas, sua alma, pura e imaculada, juntou-se ao Pai Eterno. Não me julgue pela chicotada, mas pelo amor cristão que lhe devoto. À salvação de sua alma, é claro. Você tem cinco minutos para decidir. Ou confessa ou será entregue ao Sagrado Tribunal da Inquisição.</p>
<p>O Padre alemão era reconhecidamente um exibicionista em matéria de Teologia Cristã. Corria o boato no Vaticano de que ele iria longe na carreira eclesiástica. Aproveitei os momentos de sua vaidade para refletir um pouco sobre minha situação.</p>
<p>Desde criança, o Monsenhor Braguinha, meu pai, o venerável Dr. Quim e a doce Vó Dé haviam me ensinado a não transigir com a agressão gratuita. Deveria sempre responder à altura. Numa agressão física, se fossem mais fortes, corresse, pois não haveria nenhuma vergonha nisso. Mas, como correr, amarrado numa cadeira e cercado por brutamontes? A solução teria de ser mais flexível. Falar, falar e falar. E nisso, eu era bom até demais. Aproveitaria, pois, a vaidade teológica do padre alemão. A fogueira estava perto, mas, certamente, não me matariam ali. Ameaças, algumas pauladas, uns ferimentos, tortura física e mental. Tentaria aguentar.</p>
<p>Depois de um longo silêncio, Hartz voltou à carga.</p>
<p>─ Então, Von Tsé-Tsé! Comecemos pelo mais leve, suas heresias.</p>
<p>Resolvi, então, testar meu torturador pra ver até aonde ele iria.</p>
<p>─ Não sou herético. Apenas penso diferente dos negócios teológicos dos quais o Vigário é, notoriamente e com justiça, um dos mais bem informados do Vaticano. ─ Respondi com uma sutil bajulação.</p>
<p>─ Sou! E por isso afirmo que você é um heresiarca dos piores. E heresia, desde os primórdios do Cristianismo, se combate com porrada. De minha parte, sigo os passos de Nosso Senhor e da Virgem Maria, conforme os ensinamentos da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana. E você, Von Tsé, acredita em Deus, o Todo-Poderoso, criador dos céus e da terra? Acredita que Jesus Cristo é o Filho de Deus e que é o nosso Salvador? Que o Espírito Santo nos ilumina e guia? Que a Virgem Maria é a Mãe de Deus e a Rainha dos céus? Que nossa alma é eterna?</p>
<p>O Vigário do Santo Ofício falava diante de mim com o chicote em riste pronto para desferir algum dos seus golpes.</p>
<p>─ Acredito em quase tudo o que o senhor disse, mas de uma maneira diferente que acho ser a verdade verdadeira ─ Respondi.</p>
<p>─ Padre Bhormanide! Prepare uma brasa bem assanhada e venha esquentar o olho direito do penitente. Se quiser, ponha tudo olho a dentro.</p>
<p>─ Não! Não! No olho direito, não! ─ Gritei, morrendo de dor com as farpas do arame na minha barriga.</p>
<p>─ E por que não no olho direito?</p>
<p>─ Ora, senhor Vigário, porque é com ele que leio o Breviário que vai salvar minha alma. ─ Respondi cinicamente.</p>
<p>─ Tudo bem! Bhormanide! Enterre uma brasa no olho esquerdo desse padre vagabundo.</p>
<p>─ Não! Não! O olho esquerdo serve para ajudar o direito na leitura do Breviário.</p>
<p>─ Senhor Vigário! ─ Falou o datilógrafo ─ Por que não enfiar um espeto quente no terceiro olho do herege?</p>
<p>─ Não pode! Não pode! É pecado! O terceiro foi feito por Deus, Nosso Senhor, somente como saída. ─ Disse com a maior pressa do mundo.</p>
<p>─ E que tal assar suas duas lindas ferramentas arredondadas? Bhonamide! Traga uma brasa bem quentinha para fazer uma omelete.</p>
<p>─ Não pode! São a fonte da vida criada pelo Todo-poderoso. Pecado maior ainda! ─ Exclamei aflito.</p>
<p>─ E esse espeto lindo que você tem, Von Tsé? Estou com fome e podemos transformá-lo numa gostosa salchicha. Afinal de contas, você já fez seu voto de castidade, não é mesmo?</p>
<p>─ Não, não e não! ─ Gritei, levando mais uma ferroada do arame farpado.</p>
<p>─ Brincadeirrrrinha! ─ Falou Hartz dando-me uma tapa forte e eficiente no meu rosto. Um filete de sangue escorreu dos meus lábios. Anotei o fato. Quando, e se pudesse, daria o troco àquele covarde, como são todos os torturadores. Em praça pública, na frente de todo o mundo.</p>
<p>─ Mas, Von Tsé, o senhor não respondeu às minhas perguntas. Estou muito curioso de saber em pormenores suas fantasias eróticas, digo, heréticas. Sou doido por heresias! Para combatê-las, é claro.</p>
<p>O interrogatório já durava umas duas horas e eu me sentia fraco, combalido e desanimado. Mas, pela minha cabeça, soaram as palavras de Vó Dé:</p>
<p>“Resista, meu filho, resista até o fim. Um dia, os arquivos serão abertos e a Comissão da Verdade publicará tudo nos jornais”.</p>
<p>Mas, estimados leitores, a cada frase que escrevo, vomito duas vezes. Vou parar. Quem sabe se poderei continuar no próximo Capítulo?</p>
<p><strong><strong><strong>Toda a Memória (Falsa?!)</strong>:</strong></strong></p>
<p><strong><a href="../page/2009/05/27/2008/11/23/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-i/" target="_blank"><strong>Capítulo I</strong></a><br />
<a href="../page/2009/05/27/2008/12/07/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ii/" target="_blank"><strong>Capítulo II</strong></a><br />
<a href="../page/2009/05/27/2008/12/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-iii/" target="_blank"><strong>Capítulo III</strong></a><br />
<a href="../page/2009/05/27/2009/01/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-iv/" target="_blank"><strong>Capítulo IV</strong></a><br />
<a href="../page/2009/05/27/2009/01/14/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-v/" target="_blank"><strong>Capítulo V<br />
Capítulo VI</strong></a><br />
<a href="../page/2009/05/27/2009/01/25/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-vii/" target="_blank"><strong>Capítulo VII</strong></a><br />
<a href="../page/2009/05/27/2009/01/31/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-viii/" target="_blank"><strong>Capítulo VIII</strong></a><br />
<a href="../page/2009/05/27/2009/02/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ix/" target="_blank"><strong>Capítulo IX</strong><br />
</a><strong><a href="../page/2009/05/27/2009/02/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ix/" target="_blank">Capítulo X</a><br />
<a href="../page/2009/05/27/2009/02/21/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xi/" target="_blank">Capítulo XI<br />
</a></strong><strong><a href="../page/2009/05/27/2009/03/06/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xii/" target="_blank">Capítulo XII</a><br />
</strong><strong><a href="../page/2009/05/27/2009/03/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xiii/" target="_blank">Capítulo XIII<br />
</a></strong><strong><a href="../page/2009/05/27/2009/03/28/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xiv/" target="_blank">Capítulo XIV</a><br />
</strong><strong><a href="../page/2009/05/27/2009/04/10/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xv/" target="_blank">Capítulo XV<br />
</a></strong><strong><a href="../page/2009/05/27/2009/04/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvi/" target="_blank">Capítulo XVI</a><br />
<a href="../page/2009/05/27/2009/05/01/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvii/" target="_blank">Capítulo XVII<br />
</a></strong><strong><a href="../page/2009/05/27/2009/05/17/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xix/" target="_blank">Capítulo XIX</a><br />
</strong><strong><a href="../page/2009/05/23/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xx/" target="_blank">Capítulo XX<br />
</a><a href="../page/2009/05/27/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxi/" target="_blank">Capítulo XXI</a></strong><br />
<strong><a href="../page/2009/06/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxii/" target="_blank">Capítulo XXII</a></strong><a href="../page/2009/06/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxii/" target="_blank"><br />
</a><a href="../page/2009/06/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxiii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIII<br />
</strong></a><a href="../page/2009/06/29/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIV<br />
</strong></a><strong><a href="../page/2009/07/14/in-memoriam-memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXV<br />
</strong></a></strong><strong><strong><a href="../page/2009/08/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxvi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVI<br />
</strong></a></strong></strong><strong><strong><strong><a href="../page/2009/08/31/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxvii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVII<br />
</strong></a></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/2009/09/07/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxviii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVIII</strong></a><br />
<strong><strong><strong><strong><a href="../page/2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIX<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong>Capítulo XXX<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/2009/10/06/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXI<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/2009/10/20/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/2009/10/26/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/2009/10/26/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiii/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIV<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../page/2009/12/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxv/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXV<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../page/2009/12/17/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxvi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVI<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2010/01/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxvii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../2010/01/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxvii/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="http://www.blogdosperrusi.com/2010/02/08/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxviii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIX</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XXXVIII</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Feb 2010 02:32:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
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		<description><![CDATA[Em tempo: os textos  novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.

(Quod erant demonstrandum)
 38º CAPÍTULO
Depois de toda aquela estória, de todo aquele blablablá, da decisão de deserção, bem, depois de tudo isso, o padre Javier me pareceu em pleno surto psicótico paranoico. Por isso mesmo, resolvi atender a todos os seus [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="color: #ff0000;">Em tempo</span>: os textos  novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/02/culpa.jpg"><img class="size-full wp-image-2387 aligncenter" title="culpa" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/02/culpa.jpg" alt="" width="341" height="400" /></a></p>
<p style="text-align: center;">(<em>Quod erant demonstrandum</em>)</p>
<p style="text-align: center;"><strong> 38º CAPÍTULO</strong></p>
<p>Depois de toda aquela estória, de todo aquele blablablá, da decisão de deserção, bem, depois de tudo isso, o padre Javier me pareceu em pleno surto psicótico paranoico. Por isso mesmo, resolvi atender a todos os seus pedidos, inclusive segui-lo disfarçado até o aeroporto, como uma espécie de proteção para ele e a irmã Consuelo. Segundo Javier, a Companhia de Jesus não tolerava deserções e a formação militar dos jesuítas implicava em perseguições para toda a vida. Nem sempre torturas físicas para os desertores capturados, é verdade. Mas a destruição moral, psicológica e social era inevitável.</p>
<p>Claro! Vendo o peixe como o comprei!</p>
<p>Javier botou um traje civil com uma gravata escandalosamente colorida, cheia de animais e flores, à maneira mexicana. Colou um bigodão artificial e acrescentou um sombreiro à cabeça. Dramalhão dos piores, de fato.</p>
<p>Meu disfarce era mais simples. Como em Roma costumam circular milhares de urubus vestidos de preto, andando pelas calçadas, praças e bosques pra lá e pra cá em busca não sei do quê ─ da carniça das almas, talvez! ─ vesti-me mesmo de padre secular. Na verdade, o melhor disfarce para uma cidade totalmente dominada pelos negros agentes 666, segundo o Pastor da Assembleia lá da esquina.</p>
<p>Em silêncio, segui o casal a uns quarenta metros de distância até o aeroporto. Vi-os entrarem no avião e somente voltei para o Albergue quando o bicho voador perdeu-se nas nuvens bem distantes em direção a Ciudad de Mexico.</p>
<p>No outro dia, um Sábado, Roma amanheceu friorenta e chuvosa. Aproveitei para ler o último romance de Pitigrilli, então em moda, sobre os amores de uma condessa e seu copeiro, em plena barba do marido. Divertido! Ainda mais, sabendo-se que os dois não eram de nada.</p>
<p>O Domingo foi a mesma coisa; frio e chuva fina. Outro Pitigrilli e inúmeras fantasias eróticas, fazendo-me subir pelas paredes. Que horror! À tarde, recebi um telegrama cifrado de Javier, avisando-me de que chegara ao México e já estava a caminho da Sierra Madre com uma caravana de tropeiros, protegida por cinquenta guerreiros de sua tribo asteca. No dia seguinte, haveria o seu casamento e sua entronização como xamã, nomeado pelo próprio pai que se tornara o chefe da aldeia. Relembrou meu juramento de ficar calado até ao meio-dia da Segunda-feira. Nada mais!</p>
<p>Cheguei preguiçoso e atrasado na Biblioteca, lá para as onze da manhã. Fiquei na minha mesa, um pouco escondida no canto da imensa sala, junto a uma estante de livros antigos. Com o tédio do trabalho, abri um livro de fotografias eróticas, presente do padre Javier. Oitenta posições para se fazer uma criança! A maioria dedicada a atletas olímpicos. Eu, pelo menos, sabia fazer a mesma coisa de uma maneira mais simples. Mas, enfim!</p>
<p>De repente, uma sombra gigantesca cobriu a minha mesa. Era o padre chinês, Ching Ling Ling.</p>
<p>─ Padre Tsé! Monsenhor chama irmão conversa gabinete. ─ Disse o coitado. Guardei apressadamente o livro de fotografias na gaveta de documentos sagrados e tranquei-a com a chave.</p>
<p>Não dispensei o toc-toc cerimonial e entrei. Pra minha surpresa, numa poltrona bem grande, estava refestelado o gorducho Cardeal Ferrughi.</p>
<p>─ Sente-se, Padre Tsé. ─ Ordenou-me o Monsenhor Lippi, numa voz seca e desagradável, antes mesmo que os pudesse cumprimentar.</p>
<p>─ Já viu a tese do padre Javier? ─ Perguntou-me de chofre o Cardeal.</p>
<p>─ Claro! Assisti à defesa. ─ Respondi, surpreso.</p>
<p>─ E por que não nos disse que se tratava de uma porcaria? ─ Continuou Ferrughi.</p>
<p>─ Nem tanto! Acho-a um belo romance histórico religioso baseado num manuscrito copta antigo. Aliás, irmão Cardeal, por que tanto interesse em Javier? ─ Contra-ataquei, já sentindo o clima pesado da reunião. Desconfiei, por instinto, de que a fuga mexicano-rocambolesca de Javier já se tornara um fato notório no Vaticano.</p>
<p>─ Você viu o tal manuscrito? ─ Rosnou meu irado Orientador.</p>
<p>─ Não! Apenas a tradução em espanhol, feita pelo próprio Javier. E se tivesse visto, de nada adiantaria. Não entendo bulufas de copta. ─ Respondi.</p>
<p>─ Acontece que esse manuscrito não existe. ─ Disse com bastante seriedade o burocrata Lippi.</p>
<p>─ Como assim? ─ Exclamei.</p>
<p>─ Tudo inventado! Uma fraude acadêmica das piores. ─ Afirmou Lippi.</p>
<p>─ E os outros numerosos manuscritos antigos? E a copiosa bibliografia? ─ Ainda tentei argumentar.</p>
<p>─ Salvo alguns poucos teólogos conhecidos, as citações são falsas porque tais livros tampouco existem. ─ Concluiu o Monsenhor.</p>
<p>─ E você, padre Tsé, colaborou com essa fraude. ─ Rosnou o Cardeal.</p>
<p>─ Mentira de quem disse. Apenas, fiz alguns reparos de gramática latina. Nada mais! Além disso, não fui professor, orientador nem examinador de ninguém. ─ Respondi cada vez mais espantado com o interrogatório.</p>
<p>─ Por favor, Padre Tsé! Confesse! Estão cochichando que você e Javier formavam um parzinho romântico. ─ Concluiu Ferrughi ironicamente.</p>
<p>─ Protesto! Protesto! ─ Levantei-me vermelho de raiva. ─ Vou processá-lo, Cardeal! Vou processá-lo por infâmia, calúnia e difamação. ─ Gritei.</p>
<p>─ Calma, Tsé! Calma! Sente-se, por favor. ─ Ouvi a voz de Lippi mais suave e afetiva como nos tempos de outrora. E continuou:</p>
<p>─ Estamos aqui apenas para defendê-lo.</p>
<p>─ Recuso ser defendido por traidores. É isso ai! De tanto ficarem nessa porcaria de ICR, vocês terminaram pegando o vírus fedorento romano. Traidores e delatores! ─ Berrei com toda a força de meus pulmões.</p>
<p>Fiquei atordoado com o imenso barulho do Cardeal que segurava sua enorme pança de tanto rir.</p>
<p>─ Ora, Tsé! É que o padre Javier desapareceu e você é o principal suspeito. ─ Disse Lippi, num tom sério, embora cordial.</p>
<p>Olhei para meu relógio. Faltavam quinze minutos para o meio-dia.</p>
<p>─ E onde escondeu o cadáver, Tsé? ─ Falou o cardeal entre as lágrimas de tanto rizo.</p>
<p>─ Porra, Cardeal! Que cadáver? ─ Olhei novamente para o relógio. Faltavam ainda dez minutos para o meio-dia.</p>
<p>Tenso, quase como se tivesse adquirido um súbito tique nervoso, pregara o olho no relógio, cujos ponteiros teimavam em não andar.</p>
<p>─ E pare de ficar olhando pra esse maldito relógio. ─ Rosnou novamente o Cardeal.</p>
<p>─ Rolex legítmo! ─ Exclamei para ganhar tempo.</p>
<p>─ E comprado no Camelódromo de Roma! ─ Acrescentou Lippi, rindo de minha ingenuidade.</p>
<p>─ Mas, vamos falar sério, Tsé. ─ Continuou o Monsenhor. ─ Ocorre que o Superior dos Jesuítas, o Papa Negro, quer convocá-lo para um Interrogatório Oficial. E tememos pela sua integridade física.</p>
<p>─ Não pode! Sou padre secular e ele não tem jurisdição sobre mim. ─ Respondi.</p>
<p>─ Ele sabe disso, Tsé. Por isso, formulou uma queixa ao Santo Ofício e você pode parar na Santa Inquisição. ─ Explicou o Cardeal.</p>
<p>─ E na Santa Fogueira! Não! Não posso cair nas garras do Assistente da Inquisição. Ele é um padre alemão que foi da Juventude Nazista. ─ Disse, morrendo de medo.</p>
<p>Faltavam cinco minutos para o meio-dia. Pedi, então, um copo-d’água a Lippi que se apressou em buscá-lo na copa. Bebi o sagrado líquido, gota a gota. Mas, ainda faltavam dois minutos para o término do meu juramento a Javier. Pedi para ir ao banheiro.</p>
<p>─ É na porta à esquerda, como você bem sabe, Tsé. ─ Disse Lippi.</p>
<p>Entrei no WC, dei duas ou três descargas e ouvi a primeira badalada do sino da Igreja de Santa Madalena, defronte da Biblioteca. Quando soou a décima segunda, sai do banheiro, sentei-me inteiramente calmo e comecei a contar tudo o que ocorrera na Sexta-feira anterior.</p>
<p>─ Já sabíamos de tudo, Tsé. Apenas, queríamos fazer uma prévia do tal Interrogatório Canônico para ver como você iria reagir. ─ Disse amavelmente Ferrughi. ─ E acrescentou:</p>
<p>─ Como o ofício só chega amanhã, eu e você vamos, agora mesmo, pegar minha limusine oficial, em direção da fazenda. O pretexto é que, como já estava previsto, precisávamos discutir o Curso de Doutorado que começa na próxima semana. Assim, teremos tempo de neutralizar o padre alemão.</p>
<p>─ Mas não trouxe roupa nem nada e estou morrendo de fome. ─ Ainda tentei argumentar.</p>
<p>─ A gente se arranja na fazenda, Tsé. No caminho, come-se uma pizza num restaurante de beira de estrada. ─ Disse o Cardeal, conduzindo-me para os fundos da Biblioteca, onde embarcamos para uma viagem de umas duas horas de carro.</p>
<p><strong><strong><strong>Toda a Memória (Falsa?!)</strong>:</strong></strong></p>
<p><strong><a href="../2009/05/27/2008/11/23/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-i/" target="_blank"><strong>Capítulo I</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2008/12/07/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ii/" target="_blank"><strong>Capítulo II</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2008/12/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-iii/" target="_blank"><strong>Capítulo III</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/01/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-iv/" target="_blank"><strong>Capítulo IV</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/01/14/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-v/" target="_blank"><strong>Capítulo V<br />
Capítulo VI</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/01/25/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-vii/" target="_blank"><strong>Capítulo VII</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/01/31/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-viii/" target="_blank"><strong>Capítulo VIII</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/02/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ix/" target="_blank"><strong>Capítulo IX</strong><br />
</a><strong><a href="../2009/05/27/2009/02/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ix/" target="_blank">Capítulo X</a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/02/21/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xi/" target="_blank">Capítulo XI<br />
</a></strong><strong><a href="../2009/05/27/2009/03/06/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xii/" target="_blank">Capítulo XII</a><br />
</strong><strong><a href="../2009/05/27/2009/03/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xiii/" target="_blank">Capítulo XIII<br />
</a></strong><strong><a href="../2009/05/27/2009/03/28/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xiv/" target="_blank">Capítulo XIV</a><br />
</strong><strong><a href="../2009/05/27/2009/04/10/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xv/" target="_blank">Capítulo XV<br />
</a></strong><strong><a href="../2009/05/27/2009/04/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvi/" target="_blank">Capítulo XVI</a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/05/01/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvii/" target="_blank">Capítulo XVII<br />
</a></strong><strong><a href="../2009/05/27/2009/05/17/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xix/" target="_blank">Capítulo XIX</a><br />
</strong><strong><a href="../2009/05/23/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xx/" target="_blank">Capítulo XX<br />
</a><a href="../2009/05/27/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxi/" target="_blank">Capítulo XXI</a></strong><br />
<strong><a href="../2009/06/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxii/" target="_blank">Capítulo XXII</a></strong><a href="../2009/06/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxii/" target="_blank"><br />
</a><a href="../2009/06/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxiii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIII<br />
</strong></a><a href="../2009/06/29/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIV<br />
</strong></a><strong><a href="../2009/07/14/in-memoriam-memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXV<br />
</strong></a></strong><strong><strong><a href="../2009/08/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxvi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVI<br />
</strong></a></strong></strong><strong><strong><strong><a href="../2009/08/31/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxvii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVII<br />
</strong></a></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/09/07/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxviii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVIII</strong></a><br />
<strong><strong><strong><strong><a href="../2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIX<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong>Capítulo XXX<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/10/06/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXI<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/10/20/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/10/26/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../2009/10/26/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiii/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIV<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../2009/12/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxv/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXV<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/12/17/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxvi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVI<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../2009/12/17/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxvi/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="http://www.blogdosperrusi.com/2010/01/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxvii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVII</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a></p>
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		<title>Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XXXVII</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 20:59:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[evangelho]]></category>
		<category><![CDATA[ICR]]></category>
		<category><![CDATA[irmão Javier]]></category>
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		<description><![CDATA[Abandonei o blog. Sim, abandonei. Foi um caso de Filho abandonando o Pai, o que é, convenhamos, um absurdo. Filho que abandona o Pai, mesmo num blog, vira porco, diz a cultura popular. Não quero virar porco, mas que merecia, ah, como merecia. Sim, porque Filho não abandona Pai, embora este já o tenha abandonado, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Abandonei o blog. Sim, abandonei. Foi um caso de Filho abandonando o Pai, o que é, convenhamos, um absurdo. Filho que abandona o Pai, mesmo num blog, vira porco, diz a cultura popular. Não quero virar porco, mas que merecia, ah, como merecia. Sim, porque Filho não abandona Pai, embora este já o tenha abandonado, um dia, lá na cruz.</p>
<p style="text-align: left;">(talvez, tenha sido o maior Abandono de todos os tempos. Inclusive, foi matéria de artigos de Tsé-Tsé)</p>
<p>E não abandonei apenas este blog. Na verdade, foi um abandono geral e radical, pois deixei o <a href="http://www.torcedorcoral.com/" target="_blank">Torcedor Coral</a> (lá, inclusive, já voltei) e o <a href="http://quecazzo.blogspot.com/" target="_blank">Que Cazzo</a> (aqui, só nas férias) ao léu! Tenho vergonha e admito. Entretanto, tenho desculpa pronta na língua: a universidade virou uma fábrica fordista. Não paro mais de trabalhar, e o tempo deixou de existir, virando uma utopia qualquer.</p>
<p>Mas, na passagem do ano, fiz aquelas promessas que nunca são cumpridas, embora funcionem como uma espécie de meta inatingível durante o ano. Uma delas foi a seguinte: voltarei aos blogs. Além disso, é ano de 2010 da Graça de Nosso Senhor. Ano no qual a direita faz-se reação e está agitada, inventando crise em cima de crises. Uma direita que tem uma visão hondurenha da democracia. Quero acompanhar, no blog, um ano tão delicado.</p>
<p>Por enquanto, continuamos com as memórias (?) do Reverendo&#8230;</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">Em tempo</span>: os textos novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/01/pecado.gif"><img class="size-medium wp-image-2315 aligncenter" title="pecado" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/01/pecado-200x300.gif" alt="" width="200" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: center;">(<em>Bona et felicitatis in novum annum</em>)</p>
<p style="text-align: center;"><strong>37º CAPÍTULO</strong></p>
<p>Ufa! A defesa de tese do padre Javier terminou às seis horas da noite, depois de um dia de intensas discussões acadêmicas, entremeadas de lanches, orações, novenas e terços rezados. Um ritual litúrgico dos mais pesados para examinar uma simples tese de Doutorado; mas, a ICR é assim mesmo. Mera imitação das cerimônias do extinto Império Romano, no qual, até para se dar um peido, eram invocados os deuses do Olimpo.</p>
<p>No caso, predominavam os louvores à Santa Virgem.</p>
<p>A Banca era composta pelo Orientador de Javier, um cardeal mexicano de uns 85 anos que, praticamente, dormiu o tempo inteiro. Mais dois cardeais carcomidos pela idade que babavam enquanto rezavam as Ave-Marias. E dois jesuítas mais jovens que, como urubus, caíram de pau e pedra em cima da carniça do coitado do Javier.</p>
<p>No final, para minha surpresa, a tese foi aprovada com a nota máxima, com pedido de publicação como sempre se faz numa Universidade pertinho de nossa Comunidade.</p>
<p>Na porta de saída, feita de mogno extraído ilegalmente da Amazônia pela ICR, o irmão Javier me deu um caloroso abraço, dizendo-me que fora aprovado graças à minha ajuda. Neguei, claro, respondendo-lhe que o brilhantismo literário do seu trabalho valia muito mais do que a nota máxima.</p>
<p>Contudo, bem baixinho no meu ouvido, Javier pediu-me, pelo amor de todos os santos da ICR, que o esperasse no Albergue, enquanto ele iria receber a medalha de honra da inefável Companhia de Jesus, ADMDG (ou nefanda? Não sei mais. Tô ficando velho! Vou olhar no Dicionário.). Tinha revelações secretas a me comunicar e sua aflição era grande.</p>
<p>Demais até!</p>
<p>Fiquei impressionado com a agitação emocional do irmão mexicano e me dirigi ao albergue da Gregoriana. A cama de Javier estava toda revirada, as gavetas do seu armário abertas e vazias e, em cima da mesa de trabalho, havia uma mala de viagem enorme e cheia de roupas bem arrumadas. Possivelmente, um rito sagrado jesuítico, pensei.</p>
<p>Com uma leve dor de cabeça, por causa da xaropada da defesa de Tese, deitei-me e refleti um pouco à espera de Javier. Afinal de contas, a maioria das teses vaticanas não passavam de <em>lana caprina</em>, sem um objeto científico determinado. Bastava citar dois ou três teólogos conhecidos, contar uma boa história, repetir algumas lendas cristãs primitivas e medievais como se fossem verdades eternas e pronto. Mais uma tese que ninguém iria ler.</p>
<p>Contudo, achara o “Evangelho da Infância e Adolescência de Nosso Senhor”, título da tese de Javier, muito interessante como peça literária. De fato, um verdadeiro romance histórico religioso recheado de acurada e sincera piedade. Claro! A matança das criancinhas e a viagem e estadia da Sagrada Família no Egito, apesar de improváveis, comovem qualquer coração empedernido, como o deste escriba, por exemplo. Invenções piedosas? Não sei, embora baseadas num manuscrito copta de legítima antiguidade.</p>
<p>O irmão Javier chegou mais calmo e com uma medalha de ouro plantada no peito.</p>
<p>Ajoelhou-se e pediu-me que o ouvisse em confissão. Depois dos parrapapás litúrgicos, botou pra falar, contando-me uma história do arco da velha.</p>
<p>Começou dizendo que eu, padre Tsé-Tsé, havia salvo sua vida, o que não passava de um grande e descabido exagero. Deixara de se masturbar em nome da Virgem Sagrada e seguira meus conselhos de paquerar as irmãs do Convento de Santa Maria Maggiore. Num dos passeios, junto às grades do Convento, teve a maior surpresa quando encontrou a irmã Consuelo Popocatepetl, sua prima e conterrânea da aldeia indígena, onde nasceram, em plena Sierra Madre.</p>
<p>Na verdade, depois de um terremoto, todas as crianças sadias da aldeia, com a idade de doze anos, haviam sido raptadas por homens de preto com uma enorme cruz pendurada no pescoço. Quando deu fé, Javier acordou num Convento jesuíta onde ficara interno até se consagrar como padre. De tanto rezar Ave Marias, acabou esquecendo suas antigas tradições astecas, tornando-se devoto fanático da Virgem.</p>
<p>Daí, aliás, suas incursões noturnas ao banheiro do Albergue.</p>
<p>Mas as grades do Santa Maria Maggiore separavam irremediavelmente os primos reencontrados em Roma. De conversa em conversa, terminaram se apaixonando. Mal podiam tocar nos dedos um do outro. Daí em diante, sua vida mudara.</p>
<p>O fogo se espalhara e Javier sugeriu à irmã que pedisse para sair do Convento, de quinze em quinze dias, para visitar uma senhora mexicana que supostamente sofria de um câncer.</p>
<p>Sagrada mentira!</p>
<p>Dessa forma, clandestinamente, dirigiam-se à Villa Borghesi e se entregavam aos prazeres da carne na Mansão da ICR. Não aguentavam mais os rigores eclesiásticos e resolveram fugir de volta ao México. Mas, antes, tinha que defender sua tese para que os jesuítas não o perseguissem com as chamas da Inquisição. Segundo Javier, havia um bispo alemão, que pertencera à Juventude Nazista, e que se tornaria o próximo Chefe do Santo Ofício. Javier não queria ser queimado em nenhuma fogueira!</p>
<p>─ Mas, Javier! Os nazistas foram derrotados e não há mais fogueiras. ─ Interrompi o atormentado jesuíta.</p>
<p>─ Irmão Tsé! Isso é que o senhor pensa. Mês passado, passei no prédio da Companha e senti um cheiro esquisito de churrasco. ─ Respondeu-me.</p>
<p>─ Tudo bem! Mas em que posso lhe ajudar, logo agora que o irmão se tornou Doutor? ─ Perguntei.</p>
<p>─ Doutor que nada, Padre Tsé! Foi tudo combinado. Nosso Superior enviou-me por escrito as críticas e tive tempo para estudá-las.</p>
<p>─ Mas, Javier! Isso não passa de sacanagem acadêmica! ─ Exclamei.</p>
<p>─ Bobagem, irmão Tsé! Todas as teses, aqui na Gregoriana, são assim. Ninguém as lê. Por isso mesmo, resolvi escrever um romance sacro sobre a vida de Nosso Senhor.</p>
<p>─ E de inegável valor literário! Aliás, dei boas rizadas com os híbridos criados por Nosso Senhor. Geniais, sem dúvida! ─ Acrescentei.</p>
<p>─ Ora Tsé! Inspirei-me nos políticos mexicanos e no alto clero romano. Nada mais! Já havia publicado dois livros de contos piedosos no México. Pra mim, foi fácil. Mas tudo isso é passado. O problema é outro. Preciso de sua ajuda e quero que o irmão jure que, até pelo menos ao meio dia da próxima segunda-feira, não dirá nada a ninguém. Nem mesmo à Inquisição.</p>
<p>Achei a história de Javier tão babaca que jurei que guardaria segredo eterno. Aliás, terrível equívoco de minha parte. Mal sabia o que me esperava na semana seguinte.</p>
<p><strong><strong><strong>Toda a Memória (Falsa?!)</strong>:</strong></strong></p>
<p><strong><a href="../2009/05/27/2008/11/23/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-i/" target="_blank"><strong>Capítulo I</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2008/12/07/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ii/" target="_blank"><strong>Capítulo II</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2008/12/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-iii/" target="_blank"><strong>Capítulo III</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/01/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-iv/" target="_blank"><strong>Capítulo IV</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/01/14/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-v/" target="_blank"><strong>Capítulo V<br />
Capítulo VI</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/01/25/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-vii/" target="_blank"><strong>Capítulo VII</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/01/31/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-viii/" target="_blank"><strong>Capítulo VIII</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/02/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ix/" target="_blank"><strong>Capítulo IX</strong><br />
</a><strong><a href="../2009/05/27/2009/02/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ix/" target="_blank">Capítulo X</a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/02/21/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xi/" target="_blank">Capítulo XI<br />
</a></strong><strong><a href="../2009/05/27/2009/03/06/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xii/" target="_blank">Capítulo XII</a><br />
</strong><strong><a href="../2009/05/27/2009/03/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xiii/" target="_blank">Capítulo XIII<br />
</a></strong><strong><a href="../2009/05/27/2009/03/28/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xiv/" target="_blank">Capítulo XIV</a><br />
</strong><strong><a href="../2009/05/27/2009/04/10/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xv/" target="_blank">Capítulo XV<br />
</a></strong><strong><a href="../2009/05/27/2009/04/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvi/" target="_blank">Capítulo XVI</a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/05/01/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvii/" target="_blank">Capítulo XVII<br />
</a></strong><strong><a href="../2009/05/27/2009/05/17/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xix/" target="_blank">Capítulo XIX</a><br />
</strong><strong><a href="../2009/05/23/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xx/" target="_blank">Capítulo XX<br />
</a><a href="../2009/05/27/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxi/" target="_blank">Capítulo XXI</a></strong><br />
<strong><a href="../2009/06/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxii/" target="_blank">Capítulo XXII</a></strong><a href="../2009/06/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxii/" target="_blank"><br />
</a><a href="../2009/06/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxiii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIII<br />
</strong></a><a href="../2009/06/29/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIV<br />
</strong></a><strong><a href="../2009/07/14/in-memoriam-memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXV<br />
</strong></a></strong><strong><strong><a href="../2009/08/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxvi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVI<br />
</strong></a></strong></strong><strong><strong><strong><a href="../2009/08/31/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxvii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVII<br />
</strong></a></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/09/07/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxviii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVIII</strong></a><br />
<strong><strong><strong><strong><a href="../2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIX<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong>Capítulo XXX<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/10/06/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXI<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/10/20/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/10/26/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../2009/10/26/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiii/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIV<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../2009/12/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxv/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXV<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="http://www.blogdosperrusi.com/2009/12/17/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxvi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXVI</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></p>
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		<title>Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XXXVI</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Dec 2009 21:55:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em tempo: os textos novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.

(Natura mutantis)
 36º CAPÍTULO
E nada de Herodes morrer. O assassino de criancinhas continuava com uma saúde invejável, realizando suas bacanais em pleno Templo, inclusive com a cumplicidade de alguns sacerdotes.
Assim, o primeiro Natal da História foi celebrado no Egito com apenas uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><span style="color: #ff0000;"><strong>Em tempo: <span style="color: #000000;">os textos novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.</span></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-2297 aligncenter" title="bizarro" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2009/12/bizarro-300x203.jpg" alt="bizarro" width="300" height="203" /></p>
<p style="text-align: center;">(<em>Natura mutantis</em>)</p>
<p style="text-align: center;"><strong> 36º CAPÍTULO</strong></p>
<p>E nada de Herodes morrer. O assassino de criancinhas continuava com uma saúde invejável, realizando suas bacanais em pleno Templo, inclusive com a cumplicidade de alguns sacerdotes.</p>
<p>Assim, o primeiro Natal da História foi celebrado no Egito com apenas uma novidade: eis que Maria estava grávida de Thiago, um dos irmãos de Nosso Senhor e que seria, mais tarde, bispo de Cafarnaum. Enquanto isso, os egípcios e romanos trocavam presentes entre si, pois também se comemorava, na mesma data, o Dia do Deus Sol, Amon-Ra, para os nativos.</p>
<p>Ao lado do texto copta, havia uma anotação, seguramente interpolada ao original e com todos os sinais de falsidade. O padre Javier, no entanto, com toda a sua honestidade acadêmica, não deixou de transcrevê-la, embora deixando claro de que se tratava de uma blasfêmia.</p>
<p>Na verdade, eu concordava com o jesuíta mexicano por razões de civilidade e não dogmáticas:</p>
<p>“Cumpridos os tempos da primeira gravidez de Maria ─ <em>isto é, depois do nascimento de Josué, o primogênito</em> ─ eis que São José, temendo nova visita em sonhos do Anjo, abriu sua caixa de ferramentas e veio a conhecer sua esposa”.</p>
<p>No caso, Maria teria deixado de ser Virgem, derrubando o dogma sagrado da ICR que, depois de sua assunção, decretada pelo Papa Paulo VI, em 1950, deveria ficar eternamente virgem, embora ninguém saiba por quê.</p>
<p>Mas não é bem isso que me preocupava na discussão da Tese do irmão Javier. Ocorre que, como dizem os Evangelhos, o Menino crescia em “inteligência e sabedoria” e já era conhecido nas redondezas pela sua mania de pregar o fim do mundo. No entanto, sendo criança, gostava também de brincar e suas brincadeiras não eram nada ortodoxas.</p>
<p>A primeira delas, tida como milagre, ocorreu no canteiro de obras das pirâmides. O bondoso anfitrião da Sagrada Família convidou, certo dia, os amigos para assistirem a colocação da cúpula piramidal, um colosso de pedra que pesava mais de cem toneladas. O Pretor romano do Egito e o próprio Faraó de plantão estavam presentes ao grande acontecimento. Mas, infelizmente, os operários, em grande parte escravos, não conseguiram erguer tão pesado fardo. Muitos deles, aliás, ficaram aleijados com tanto esforço.</p>
<p>O Sagrado Menino, então, vendo a aflição do povo, piscou o olho esquerdo em direção da imensa rocha e, pouco a pouco, ela foi se erguendo até que se colocou exatamente no lugar projetado pelo Arquiteto Real, sem esquecer, claro, de curar os operários estropiados.</p>
<p>A multidão ajoelhou-se perante o Menino dando glórias a Amon, Ptah, Osiries e a sua esposa Ísis, esquecendo-se, ou não sabendo, que o prodígio deveria ser atribuído a Javé, o Deus da Montanha dos antigos judeus.</p>
<p>Maria sentiu um aperto de júbilo no coração ao lembrar-se das palavras do Arcanjo, quando da Anunciação, dizendo-lhe que seu filho Josué ─ <em>em parceria com Espírito Santo, é bom lembrar </em>─ seria o Salvador da humanidade, embora as pirâmides não tivessem nada a ver com a história.</p>
<p>Entretanto, havia outras brincadeiras mais perturbadoras. Solitariamente, Josué ─ <em>depois, mais conhecido como Jesus pelos falantes de língua grega</em> ─ enfurnava-se no vasto quintal de sua casa, à beira de um dos canais do Nilo, e ficava esculpindo, em barro e em restos de madeira da oficina de carpintaria de seu pai adotivo, pequenos animais de que gostava, em especial passarinhos. Assoprava-lhes, como fizera seu Pai Jeová, e os bichinhos saiam vivos, ora voando, arrastando-se ou mesmo correndo em direção aos pântanos mais próximos&#8230;</p>
<p>Bem, até aí, tudo bem!</p>
<p>Contudo, na véspera de um <em>shabbath</em>, Josué chamou seus dois outros irmãos ─ <em>o Casal Sagrado, na ocasião, já trabalhava a pleno vapor</em> ─ para brincarem de Arca de Noé. É bom que se diga que, apesar de terem sido alfabetizados na língua egípcia, todos os filhos guardavam as tradições judaicas, inclusive, claro, sua língua de origem, o aramáico.</p>
<p>Thiago e Judas, que desconheciam as habilidades do irmão mais velho, ficaram temerosos, pois estavam proibidos de passear de barco pelo perigoso Nilo, cheio de crocodilos. Josué, no entanto, aclamou-os e apenas lhes pediu que amassassem o barro em forma de bichinhos pra que eles vissem o que ocorreria. Mais ainda! Como se tratava da Arca de Noé, pediu-lhes também que fizessem casais de bichinhos, como diziam as Escrituras .</p>
<p>De repente, entretanto, o fogo divino encheu seu espírito e, cansado de imitar a natureza, resolveu misturar tudo, como faziam os egípcios com seus hieróglifos, isto é, corpo de uma coisa e cabeça de outra e vice-versa. Como, aliás, os gregos também gostavam de fazer.</p>
<p>O resultado foi espantoso! Não posso enumerar, aqui, todos os híbridos nascidos da inspiração divina de Josué, pois nosso Blog tem os seus limites de espaço. Citarei apenas alguns, cujos nomes os três meninos iam enunciando à medida que eles recebiam vida do assopro do Sagrado Menino.</p>
<p>Assim, por exemplo, surgiram casais de:</p>
<p><strong>Rãcaco</strong> (cabeça de rã com o corpo de macaco);</p>
<p><strong>Crocopato</strong> (corpo de crocodilo com bico e asas de pato);</p>
<p><strong>Cãopótamo</strong> (cabeça de cão e corpo de hipopótamo);</p>
<p><strong>Elefanzé</strong> (cabeça de elefante com corpo de chimpanzé);</p>
<p><strong>Cangurata</strong> (canguru com perninhas de barata);</p>
<p><strong>Baratixa</strong> (barata com rabo e cabeça de lagartixa);</p>
<p><strong>Marigato</strong> (mariposa com corpo de gato);</p>
<p><strong>Polvardo</strong> (polvo com corpo de leopardo);</p>
<p><strong>Guarázana</strong> (lobo guará com corpo de ratazana, sobreviventes, aliás, em nosso Planalto Central).</p>
<p>Semanas depois, no entanto, as autoridades tomaram conhecimento, através dos seus espiões, da rápida proliferação dos sagrados híbridos que nada mais faziam do que obedecer a ordem divina do “crescei e multiplicai-vos”. O povo se espantava e se amedrontava com os inocentes frutos da brincadeira dos três irmãos. Ora, ocorre que, segundo o Manuscrito copta, Herodes finalmente batera as botas, e a Sagrada Família estava arrumando suas coisas para a viagem de retorno à Galileia. Antes da partida, todavia, o Pretor romano chamou-os em seu gabinete no Palácio do Faraó e lhes pediu explicações, já sabendo que se tratava das artes do primogênito da família.</p>
<p>São José, inocente em quase tudo, especialmente em matéria de sonhos, ficou estarrecido e pediu desculpas pela “desordem” natural provocada pelos filhos. Foi, então, que Josué, sempre o mais falante dos três, afirmou, com sua autoridade espiritual já comprovada, que o Pretor podia ficar sossegado. Retirou-se para um quarto ao lado e, em segredo, orou a Jeová, pedindo-lhe que anulasse a bizarra e recém-criada forma da natureza. E tudo voltou ao normal, embora a Sagrada Família tivesse que pagar uma pesada multa por ter violado o equilíbrio ecológico da região. Multa, diga-se de passagem, que jamais foi paga como ocorre num certo país, bem longe do Egito.</p>
<p>E, assim, a Sagrada Família finalmente retornou a Nazaré, onde o mundo, quase trinta anos depois,virou de cabeça pra baixo.</p>
<p>(<strong>Nota do Dr. Quim, Jr</strong>: excepcionalmente, o Reverendo Tsé-Tsé deu-me a honra de ler previamente este artigo. Não entendi patavina, mas aconselho aos visitantes deste Blog a leitura urgente do excelente e maravilhoso livro de Richard <strong>DAWKINS:</strong> “O Maior Espetáculo da Terra: As Evidências da Evolução”. São Paulo, Companhia das Letras, 2009. Trata-se de um verdadeiro xeque-mate contra o Criacionismo. Como sempre, o estilo do Autor é brilhante e sua erudição é sólida. Um livro gostoso de ser lido, no qual o Reverendo se inspirou para os nomes da fauna citada).</p>
<p><span style="color: #ff0000;"><strong><strong><span style="color: #000000;"><span style="color: #ff0000;"><strong><span style="font-size: medium;">Toda a Memória (Falsa?!)</span></strong></span>:</span></strong></strong></span></p>
<p><span style="color: #ff0000;"> </span><strong><a href="../2009/05/27/2008/11/23/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-i/" target="_blank"><strong>Capítulo I</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2008/12/07/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ii/" target="_blank"><strong>Capítulo II</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2008/12/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-iii/" target="_blank"><strong>Capítulo III</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/01/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-iv/" target="_blank"><strong>Capítulo IV</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/01/14/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-v/" target="_blank"><strong>Capítulo V<br />
Capítulo VI</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/01/25/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-vii/" target="_blank"><strong>Capítulo VII</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/01/31/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-viii/" target="_blank"><strong>Capítulo VIII</strong></a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/02/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ix/" target="_blank"><strong>Capítulo IX</strong><br />
</a><strong><a href="../2009/05/27/2009/02/04/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-ix/" target="_blank">Capítulo X</a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/02/21/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xi/" target="_blank">Capítulo XI<br />
</a></strong><strong><a href="../2009/05/27/2009/03/06/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xii/" target="_blank">Capítulo XII</a><br />
</strong><strong><a href="../2009/05/27/2009/03/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xiii/" target="_blank">Capítulo XIII<br />
</a></strong><strong><a href="../2009/05/27/2009/03/28/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xiv/" target="_blank">Capítulo XIV</a><br />
</strong><strong><a href="../2009/05/27/2009/04/10/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xv/" target="_blank">Capítulo XV<br />
</a></strong><strong><a href="../2009/05/27/2009/04/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvi/" target="_blank">Capítulo XVI</a><br />
<a href="../2009/05/27/2009/05/01/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xvii/" target="_blank">Capítulo XVII<br />
</a></strong><strong><a href="../2009/05/27/2009/05/17/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xix/" target="_blank">Capítulo XIX</a><br />
</strong><strong><a href="../2009/05/23/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xx/" target="_blank">Capítulo XX<br />
</a><a href="../2009/05/27/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxi/" target="_blank">Capítulo XXI</a></strong><br />
<strong><a href="../2009/06/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxii/" target="_blank">Capítulo XXII</a></strong><a href="../2009/06/12/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxii/" target="_blank"><br />
</a><a href="../2009/06/22/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-xxiii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIII<br />
</strong></a><a href="../2009/06/29/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIV<br />
</strong></a><strong><a href="../2009/07/14/in-memoriam-memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXV<br />
</strong></a></strong><strong><strong><a href="../2009/08/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxvi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVI<br />
</strong></a></strong></strong><strong><strong><strong><a href="../2009/08/31/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxvii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVII<br />
</strong></a></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/09/07/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxviii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXVIII</strong></a><br />
<strong><strong><strong><strong><a href="../2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong>Capítulo XXIX<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong>Capítulo XXX<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../2009/09/13/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxix/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/10/06/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxi/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXI<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/10/20/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/10/26/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiii/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIII<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="../2009/10/26/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiii/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXIV<br />
</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong><a href="http://www.blogdosperrusi.com/2009/12/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxv/" target="_blank"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></a><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><a href="../2009/11/09/memorias-falsas-do-reverendo-tse-tse-%e2%80%93-xxxiv/" target="_blank"><strong>Capítulo XXXV</strong></a></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></p>
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