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Ciro Gomes desce a lenha

12 de março de 2010, às 10:25h

É Ciro Gomes batendo em tudo e em todos.

Imagem de Amostra do You Tube

Ciro, no Valor, afirma que Aécio salvou o mandato de Lula:

O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), teve um papel fundamental no desmonte de uma “articulação golpista” em 2005 que, por meio da CPI dos Correios que investigava denúncias do mensalão, pretendia levar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao impeachment. É o que revela, em entrevista ao Valor, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Aécio mandava um avião buscar Ciro, então ministro da Integração Nacional de Lula, e os então deputados Gustavo Fruet (PSDB-PR) e Eduardo Paes (PSDB-RJ), integrantes da CPI. “Íamos para o hangar lá em Belo Horizonte e brigávamos muito, mas chegávamos a um acordo que era avalizado pelo Aécio. Ele nos ajudou a salvar o mandato de Lula”, garante Ciro.

Há frases memoráveis sobre Serra e FHC (pesquei do PHA):

FHC tem um ciúme infantil do Lula, uma inveja feminil do Lula”.

“O problema é o Serra e o carreirismo dele, só pensa em si. O problema do PSDB é o seguinte: eles (os tucanos) vivem embaixo de uma redoma, quando saem da rede de proteção da mídia, encontram um Brasil que não conhecem”.

Em São Paulo é picareta para um lado, picareta para o outro.”

“O Serra acabou de trair o seu próprio partido e elegeu o DEM para a Prefeitura de São Paulo, contra o PSDB. E para ele tudo pode. O Nordeste praticamente varreu o ex-PFL e Serra elege Kassab em São Paulo. E aí eu pergunto: quem elegeu o DEM em São Paulo vem me falar em modernidade ?”

“A briga vem do provincianismo paulista”.


Política externa

12 de março de 2010, às 10:14h

Curiosa, a política externa brasileira. Em Cuba, Lula foi completamente indiferente à luta política contra uma ditadura, e, chegando ao Brasil, desandou a falar atrocidades contra os presos políticos cubanos.  Em Israel, no seu parlamento, defendeu a criaçãodo Estado Palestino (corretamente), criticou a produção de armas nucleares (corretamente), não citou o Irã (contraditório) e deixou de fazer a visita protocolar ao túmulo do fundador do sionismo, Theodor Herzl (uma gafe).

Há alguma coisa errada, aqui. E o erro não é de ver para crer, está na cara.

Glauco

12 de março de 2010, às 10:00h

Rapaz, fiquei chocado com a morte de Glauco. Como foi estúpida. Como foi violenta. E ainda mataram seu filho de 25 anos.

Gostava muito de suas charges e de suas estórias em quadrinhos , principalmente aquelas dos anos 80.

Adorava Dona Marta.

Mataram Glauco…

Mundo cão.


VanVan, o cientista cearense, pesaroso com a morte de Glauco, envia mensagem:

Só soube agora, muita surpresa e revolta!

Glauco, Laerte e Angeli foram minhas referências de quadrinhos e irreverência da adolescência. Mais do que qualquer referência política, já que nunca tive nenhuma mesmo.

Que fim estúpido e que tragédia familiar.

Um fim terrível e absurdo para Los Tres Amigos… não merecia…

Pro absurdo do mundo só resta calar.

Por Marcelo Godoy, Agencia Estado, Atualizado: 12/3/2010 18:05

Suspeito de matar cartunista dizia ser Jesus Cristo

O universitário Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos, queria sequestrar o cartunista Glauco, segundo parentes da vítima contaram ao chegar à Delegacia Seccional de Osasco (SP). Glauco e seu filho, Raoni, foram assassinados na madrugada desta sexta-feira. Frequentador da Igreja Céu de Maria, fundada pelo cartunista, Sundfeld queria Glauco o acompanhasse até a casa de sua mãe, no Pacaembu, zona oeste, para dizer a ela que o rapaz era “Jesus Cristo”.
Segundo o relato desses parentes, Sundfeld estava transtornado, armado com uma pistola 765 mm, e primeiro rendeu a filha do cartunista, Juliana. Ela chamou pela mãe e Glauco também foi ao local. Sundfeld chegou a agredir as duas mulheres e deu uma coronhada no cartunista, a quem costumava pedir conselhos. O rapaz ameaçou se matar e Glauco lhe disse para “não fazer isso”.
Nessa hora, Raoni chegou e viu o pai ensanguentado. Foi aí que Sundfeld acabou disparando a pistola dez vezes. Quatro tiros atingiram o cartunista e outros quatro, Raoni. Os dois chegaram a ser socorridos, mas não resistiram aos ferimentos.
Esses mesmos familiares que relataram o ataque de Sundfeld acreditam que havia uma segunda pessoa no carro usado pelo suspeito. A polícia fez buscas nas casas do pai e da mãe de Sundfeld, no Alto de Pinheiros e no Pacaembu, mas não localizou o rapaz.


VanVan perguntou pelo segredo do morcego. Embora ache um tanto temerária a pergunta, não me furtaria a colocar a resposta:

Faust

11 de março de 2010, às 20:49h

Rogério, o cientista de Boston, que procura movimentos sociais na Era Lula e não encontra, coitadinho, envia um vídeo do Faust:

FAUST – It’s a bit of a Pain

Imagem de Amostra do You Tube

Outra versão:

Imagem de Amostra do You Tube

Um show ao vivo:

Krautrock – Faust

Imagem de Amostra do You Tube

A banda, experimentando nos idos de 1971:

FAUST (1971, rare footage documentary)

Imagem de Amostra do You Tube

Não conhecia o grupo. E ele é antigo. Foi fundado em 1971. Talvez desconhecesse o Faust porque era uma banda alemã. Pelo que li, parece ter sido uma banda meio experimental, influenciando o desenvolvimento de texturas ambientais e industriais (não sei o que significa isso; não sei por que escrevi isso). Foi formado por  Uwe Nettelbeck, Hans Joachim Irmler, Jean Hervé Peron, Werner “Zappi” Diermaier, Rudolf Sosna, Gunther Wusthoff e Armulf Meifert.

Nettelbeck converteu uma antiga escola num estúdio de gravação. A banda passou meses isolado totalmente do mundo. O som que saiu dessa experiência era uma cacofonia experimental. Era uma música de endoidar qualquer um, principalmente algumas velhinhas, suas vizinhas. O primeiro disco era um vinil transparente (!) encapado por uma luva também transparente. Não fez sucesso, mas se fez mito. Há de ser ouvido com vasodilatadores cerebrais.

O disco Faut IV foi um fracasso tão retumbante que sua gravadora, a Virgin, recusou-se a lançar o quinto LP da banda. Ela se desfez em 1975. Depois de várias reencarnações, voltou em 1993. Salvo engano, pois não tenho certeza, seu último disco é de 2009 e tem um nome curioso: “c’est com…com…compliqué”.

Sei que não é qualquer um que escuta Faust. É preciso personalidade; um ego forte e dilatado ao extremo. Não se escuta Faust em vão, cá entre nós.

Caminho a percorrer

8 de março de 2010, às 13:50h

É quase ontem, agora (escrevo às 23:58h). Foi o dia internacional da mulher. Não postei nada sobre o assunto. Mas me lembrei de como o jornalismo de esgoto da Folha e de seus funcionários tratam as mulheres. Lembrei-me de um ato machista e de sacanagem política. Lembrei-me desse post de Josias de Souza, no qual aparece o título “Notas vadias de um domingo de notícias vagabundas” e, logo abaixo, a foto de Dilma Roussef, junto com a ex-prefeita Marta Suplicy.

A melhor forma de comemorar uma emancipação, de qualquer emancipação, é lembrar que temos ainda muito caminho a percorrer.

Abandono do barco

8 de março de 2010, às 13:47h

Pesquei a animação no blog Quanto Tempo Dura?

Cliquem na animação, do contrário não funciona. Vá saber…

Leiam também a entrevista de Jarbas Vasconcelos no Acerto de Contas. Desânimo geral.

Marina e Avatar

7 de março de 2010, às 14:59h

Marina queria ser assim

Marina Silva, candidata à Presidência da República, gostou de Avatar (aqui).  Ela gostou mesmo. Faço algumas citações:

A guerreira na’vi bebendo água na folha como a gente bebia.

Bonito essa identificação aquática.

Me tocou muito ver a guerreira na’vi ensinando os segredos da mata. Veio à mente minhas andanças pela floresta com meu pai e minhas irmãs.

Não consegui aprender nenhum segredo da floresta com a guerreira Na’vi. Fui na floresta, aquela que está dentro da UFPB, e não consegui fazer nenhuma relação entre a sua vegetação e a da floresta de Pandora. São planetas diferentes, penso eu. Além do mais, o ar de Pandora é venenoso. Acho essa informação importante, politicamente: Pandora é venenoso para os humanos.

É incrível revisitar, misturada à grandiosidade tecnológica e plástica de Avatar, a nossa própria vida, também grandiosa na sua simplicidade.

Minha vida é menos simples do que complicada. É uma pena, pois queria ser simples, sem complicação. Para o bem ou para o mal, não consegui fazer relação alguma entre a babaqu… ops! o filme Avatar e a minha vida.

Chorei diversas vezes e um dos momentos mais fortes foi quando derrubam a grande árvore. Era a derrubada de um mundo, com tudo o que nele fazia sentido

Não chorei e, agora, estou com uma baita consciência de culpa. Posso ainda chorar?

E, em seguida, a grande beleza da cena em que, para ser novamente aceito no grupo, tem a coragem de fazer algo fora do comum, montando o pássaro que só o ancestral da tribo tinha montado, num ato simbólico de assunção plena de sua nova identidade.

Tive acesso ao roteiro original. O herói foi morto pelo bicho monstruoso. Ele arrancou seu coração e o comeu. Foi um final mais dramático e mais realista.

Impossível não fazer as conexões entre o mundo de Pandora, em Avatar, e nossa história no Acre.

Rapaz, não consegui perceber relação alguma entre Avatar e a história do Acre. Sou um insensível, e a ignorância nutre minha alma.

A ficção dialoga muito profundamente com a realidade.

Sei… o planeta é vivo.  Na verdade, a ficção dialoga com o realismo mágico da ecologia profunda.

Encontrei na tela, em 3D e muita beleza plástica e criatividade, um laço profundo e emocionante com a nossa saga no Acre, com Chico Mendes. E percebi que, assim como no filme, éramos considerados praticamente alienígenas, não humanos, não portadores de direitos e interesses diante dos que chegavam para ocupar nosso espaço.

Marina apelou. Não se deve invocar, em vão, o nome de Chico Mendes .

No Acre nos deparamos com muitos que viam nossos argumentos como sinônimo de crendices, superstição. Coisa de gente preguiçosa que seria “curada” pelo suposto progresso de que eles se achavam portadores.

Se os argumentos eram do naipe da profundidade política de um representante do povo Na’vi…  sei não. No Acre, gritava-se “Eywa, Eywa, Eywa”?! O fanatismo telúrico como política ecológica, eis a questão.

A força está em, de certa maneira, nos levar a sermos avatares também e a tomar partido, não só ao estilo do Bem contra o Mal, mas em favor da beleza, da inventividade, da sobrevivência de lógicas de vida que saiam da corrente hegemônica e proclamem valores para além do cálculo material que justifica e considera normais a escravidão e a destruição dos semelhantes e da natureza.

Achei meu “povo”

E, se nada mais tenho a dizer sobre Avatar, quero confessar que aquele povo na’vi tão magrinho e tão bonito foi para mim um alento. Quando fiquei muito magra, na adolescência, depois de várias malárias e hepatite, me considerava estranha diante do padrão de beleza que era o das meninas de pernas mais grossas, mais encorpadas. Sofria por ser magrinha demais, sem muitos atributos. Agora tenho a divertida sensação de que, finalmente, achei o meu “povo”, ainda que um pouco tarde. Houvesse os navi na minha adolescência e, finalmente, eu teria encontrado o meio onde minhas medidas seriam consideradas perfeitamente normais.

No roteiro original, os Na’vi eram obesos e comedores de carne crua. Em tese, não tenho nada contra os gordos — será que são ecologicamente incorretos? Tudo bem, queria ser bonito como um Na’vi, embora os ache altos demais.

Marina é uma Na’vi, uma extraterrestre. Além de ser ambígua com o criacionismo, curte a deusa Gaia. Identifico-me com outra cepa ecológica e faço outro elogio à razão.  E, como Prometeu, odeio todos os deuses, em particular, os da moda, especialmente, Gaia.

Pelo menos, decidi que não votarei nela; sim, por puro sectarismo, confesso.

Acho que estou de mau humor…

PS: Avatar é uma mistura malfeita de clichês: os “avatares” de Matrix, as aeronaves de Guerra nas Estrelas, os bichos de Parque Jurássico, tendo como pano de fundo um sincretismo vulgar que combina misticismo ecológico, mito do bom selvagem, tecnofobia e anticapitalismo. Mas as cenas são lindas, de fato.

Encontrei na tela, em 3D e muita beleza plástica e criatividade, um laço profundo e emocionante com a nossa saga no Acre, com Chico Mendes. E percebi que, assim como no filme, éramos considerados praticamente alienígenas, não humanos, não portadores de direitos e interesses diante dos que chegavam para ocupar nosso espaço.

Zéfiro

7 de março de 2010, às 13:59h

Quem quiser um pouco de erotização antiga, bem leve, sem o peso vulgar do pornô atual, visitem esse site, aqui — aliás, quem gosta de desenho bem feito, vale a pena:

Carlos Zéfiro

Carlos Zéfiro (abraços, agora, amigáveis)

Paranoia e Cinismo

6 de março de 2010, às 13:04h

A psiquiatria é uma ciência exata.

Querem um exemplo de paranoia?

Vejam, abaixo:

Imagem de Amostra do You Tube

Outro nome interessante para essa enfermidade é: cinismo.

Sair do armário

5 de março de 2010, às 11:49h

Há duas maneiras eficazes de fazer oposição a Lula: pela esquerda ou pela direita. Pela esquerda, talvez, Marina, embora eu não esteja convencido disso. Mas, até agora, ela vem comendo pelas beiradas, fazendo críticas de centro-esquerda e de esquerda ao governo Lula. Mesmo assim, quero esperar mais um pouco para avaliar. Pela direita… bem… er… a direita no Brasil — leia-se: a tentativa de fundar um liberalismo brasileiro — não tem força política suficiente. A falta de coerência nas ideias realiza-se na incoerência de sua prática econômica, ou o contrário, como queiram. Os capitalistas brasileiros são “liberais” de editorial do Estadão — são fantásticos os editoriais liberais do Estadão –, mas não deixam de recorrer aos juros subsidiados do BNDES, à grana do Banco do Brasil e ao Tesouro Nacional. Com essa prática econômica, tão dependente do Estado, não tem liberalismo que se aguente. A forma como se organiza o capitalismo brasileiro determina, em primeira instância, o cinismo dos grandes empresários tupiniquins.  Seria, por isso, que um liberal brasileiro é, antes de tudo, um hipócrita.

Assim, como fazer oposição a Lula pelo centro ou adotando uma postura social-democrata? Não tem como. E esse é o dilema do PSDB. Não é propriamente liberal e nem consegue assumir um discurso, de fato, social-democrata. O que se escuta mais, no PSDB, é o lamento de que o governo copiou seu programa e de que, no fundo, Lula continuou a obra de FHC.  Verdade ou engano, tal posição é completamente esquizofrênica e só cria ressentimentos. Mágoa distorce e destrói, caros amigos: cada vez que o PSDB assume o discurso do DEM, isto é, da direita liberal, perde sua identidade e se torna inócuo e descartável.

Os tucanos estão com graves problemas de reconhecimento, isto é, de identidade. Não se assumem, coitados. Há teses de que a melhor forma de assumir é sair do armário. Como sair do armário tucano? Ora, é assumir, de vez, que é cofundador do governo petista e que PT e PSDB são primos e parceiro na construção da hegemonia social-democrata no Brasil. Os tucanos precisam sair da oposição e oferecerem um apoio crítico a Lula e sua candidata, Dilma. Assumir que a única oposição social-democrata ao governo sairá, justamente, do ventre do Lulismo — uma oposição parceira, mas crítica. Ciro percebeu isso; Aécio está percebendo.

Essa solução pegaria mal aos tucanos? Ô, se pegaria! Contudo, o constrangimento seria rápido, rapidíssimo. Pois não subestimem a capacidade de Lula e do PT de reabilitarem inimigos de classe — aliás, qualquer tipo de inimigo. Têm uma lábia, os petistas. Um incrível poder de mudar os discursos, segundo suas conveniências. Eles têm dois atributos fundamentais do maquiavelismo: frieza e pragmatismo — desse ponto de vista, faço aqui um elogio. Não reabilitaram Delfim Netto, Sarney, Collor et caterva?! Seria doce de goiaba reabilitar FHC e Serra.

(conheço muito petista que está doido para elogiar FHC e Serra. Já escuto elogios rasgados a Aécio — contanto que não saia como candidato a presidente, claro)

(se o regime brasileiro fosse parlamentarista, provavelmente, os dois “primos” seriam aliados ou já estariam unificados)