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	<title>Blog dos Perrusi &#187; Artigo</title>
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	<description>Crônica, política, doidice, o escambau!</description>
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    <title>Blog dos Perrusi</title>
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		<title>Mauvaise Conscience</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 11:38:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Perrusi Pai</dc:creator>
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&#160;
O ex-sacerdote Leonardo Boff, teórico da Teologia da Libertação, xodó da esquerda católica dos anos de 1960-70, declarou, em entrevista recente a uma mídia paulista, que Bento XVI, apesar de ser um grande teólogo, deveria renunciar ao cargo de papa por “motivos de saúde”.
O senhor Boff não esclareceu de que tipo de doença sofria Sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class=" wp-image-7064 aligncenter" title="1073-1758-thickbox" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2012/02/1073-1758-thickbox-300x300.jpg" alt="" width="400" height="400" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O ex-sacerdote Leonardo Boff, teórico da Teologia da Libertação, xodó da esquerda católica dos anos de 1960-70, declarou, em entrevista recente a uma mídia paulista, que Bento XVI, apesar de ser um grande teólogo, deveria renunciar ao cargo de papa por “motivos de saúde”.</p>
<p>O senhor Boff não esclareceu de que tipo de doença sofria Sua Santidade, deixando seus admiradores livres para especulações, algumas, sem dúvida, cruéis e inoportunas.</p>
<p>Certamente, não seria nenhum tipo de demência senil, desde que Bento acabara de publicar o segundo volume do seu “Jesus de Nazaré”. Dizem, aliás, que ele provou, por <em>a</em> mais <em>b</em>, que Jesus realmente existiu e que teria nascido de uma virgem.</p>
<p>No entanto, Bento também acabara de afirmar publicamente que os ateus haviam sido uma das principais causas do Nazismo, por “tentarem esvaziar a ideia de Deus do povo alemão”.</p>
<p>Tenho minhas dúvidas, embora reconheça que ele deve conhecer o assunto melhor do que eu, que não pertenci à Juventude Nazista. É claro que não se pode culpá-lo disso. Na época, todos os jovens alemães eram obrigados a fazê-lo, sob o risco dos pais serem internados num Campo de Extermínio.</p>
<p>É verdade que dizem que as coisas que se passam na adolescência se enterram no subconsciente para, de vez em quando, atormentarem a vida adulta, em forma de <em>mauvaise conscience</em>.</p>
<p>Não sei! Não se conhece nenhuma declaração de Ratzinger contemporânea do Nazismo. Quando adolescente, ele era calado demais.</p>
<p>De qualquer maneira, a tese de Bento XVI é tão original e inédita, dentro da imensa bibliografia sobre o Nazismo, que, se ele conseguisse prová-la, ganharia sem dúvida o Prêmio Nobel das Ciências Sociais (existe?).</p>
<p>Não concordo com a opinião de Leonardo Boff. Uma vozinha frágil e, como diria, quase efeminada, não indica qualquer estado doentio. Além disso, o noticiário intelectual está tão vazio que precisamos de alguém que diga uma ou outra idiotice.</p>
<p>De vez em quando!</p>
<p>Mas, tampouco posso imaginar como caracterizar as opiniões do Papa.</p>
<p>Ora, ele sabe muito bem que a ICR apoiou o fascismo italiano, em troca da criação do Estado do Vaticano e do monopólio do ensino religioso obrigatório nas escolas públicas da Itália (Tratado de Latrão de 1929, entre Mussolini e Pio XI).</p>
<p>Ele sabe, também, que a ICR foi, no mínimo, omissa quanto ao regime nazista na Alemanha, além do seu apoio declarado e incondicional ao Generalíssimo Franco na Espanha.</p>
<p>E o que dizer das ditaduras recentes da América do Sul?</p>
<p>Não foi, por acaso, o mesmo Cardeal Ratzinger, num ato fascista de censura, que mandou Leonardo Boff se calar quando este, inclusive, criticava corajosamente nossa Ditadura Militar?</p>
<p>Não! Bento XVI não parece vítima de nenhuma doença. Aliás, mesmo que fosse verdade, eu não me atreveria a diagnosticá-la. Não sou médico.</p>
<p>Nem tampouco ousaria classificar suas opiniões como produtos de desonestidade intelectual.</p>
<p>Por outro lado, parece que a hierarquia católica romana esqueceu a gravidade dos crimes nazistas e se pronuncia publicamente sem um mínimo de decência sobre assuntos de moralidade privada, como sexo, por exemplo.</p>
<p>Javier Martinez, Arcebispo de Granada, em 31 de Dezembro último, comparou a lei do Aborto na Espanha “com o regime nazista, cujos crimes não eram tão repugnantes quanto o ato do aborto”.</p>
<p>Nem tampouco os de Franco, apoiado eternamente pela ICR espanhola, inclusive por Martinez.</p>
<p>Isso faz lembrar o episódio de outro Arcebispo, muito próximo da gente, que condenava, com os olhos brilhando de lubricidade cruel e obscena,  pela TV, uma menina de nove anos de idade, vítima de estupro, e paciente de um aborto legítimo, legal e, clinicamente, necessário.</p>
<p>O Arcebispo pouco se incomodou com o sofrimento da criança e de sua mãe.</p>
<p>Mas, o que dizer do senhor Luiz Gonzaga Bergonsini, Bispo de Guarulhos, quando afirma que “as mulheres mentem ao dizer que foram estupradas&#8230; para apenas conseguir a liberação da lei para a prática do aborto”?</p>
<p>Um Bispo espanhol dizia que os meninos estuprados por padres ficavam de costas, propositalmente, para provocar seus subordinados.</p>
<p>Outro padre espanhol, de uma maneira mais folclórica, pediu que mandassem medir seu ânus para provar que não era homossexual. Seu nobre órgão não estaria suficientemente dilatado. E precisa?</p>
<p>Em suma, afirmações e atitudes de membros da ICR que me provocam asco.</p>
<p>Dizem que a ICR é uma instituição religiosa decadente. Pode ser.</p>
<p>Mas poderia ter, pelo menos, um pouco mais de compostura. E menos ganância e soberba em suas fraudes habituais.</p>
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		<title>As Maldições de Lobato</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Dec 2011 00:05:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
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(Artigo originalmente publicado na Revista Pittacos, revista de Cultura e Humanidades)
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Recentemente, a obra do escritor Monteiro Lobato foi acusada de ter conteúdo racista. De fato, existem passagens em trechos de sua literatura infantil, sua literatura adulta, artigos e em sua correspondência pessoal que suportam preconceitos de raça, valores racistas e até defesa da eugenia. É [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2011/12/Monteiro-Lobato3.jpg"><img class="size-full wp-image-6893 aligncenter" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2011/12/Monteiro-Lobato3.jpg" alt="" width="364" height="408" /></a></p>
<p>(Artigo originalmente publicado na <a href="http://revistapittacos.org/2011/10/06/as-maldicoes-de-lobato/" target="_blank">Revista Pittacos</a>, revista de Cultura e Humanidades)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Recentemente, a obra do escritor Monteiro Lobato foi acusada de ter conteúdo racista. De fato, existem passagens em trechos de sua literatura infantil, sua literatura adulta, artigos e em sua correspondência pessoal que suportam preconceitos de raça, valores racistas e até defesa da eugenia. É legítimo, portanto, que se adotem alguns cuidados, advertências e orientações adequadas aos professores, quando da apresentação para as crianças dos trechos de livros em que isso acontece.</p>
<p>Mas não é propósito deste artigo fazer um julgamento da obra de Lobato em função de seus atributos racistas. Ao contrário, o que me move aqui é o receio de que, no calor desses debates, crie-se uma tendência de resumir sua obra à de um “escritor racista”. Se, por um lado, a existência de preconceito racial em sua obra é real, por outro, nem de longe é um mote de maior relevo entre o que ele escreveu. Vale lembrar que Lobato foi um homem nascido no tempo da escravidão, quando a questão racial não estava posta para as mentes da época da maneira como está hoje.</p>
<p>Ao mesmo tempo, se há uma constante ao longo da vida pública deste escritor, é a polêmica. Sua capacidade de despertar entusiasmos e adesões em prol das causas e debates que defendeu era diretamente proporcional à de arranjar brigas e adversários. Portanto, a atual celeuma em torno do conteúdo racista de sua obra não é a primeira; pelo contrário, é mais uma de sua vasta coleção.</p>
<p>O historiador José Carlos Sebe Bom Meihy, estudioso de Lobato, disse certa vez que a vida desse escritor é marcada por uma série de “maldições”, que é como ele chamou todas as polêmicas, as acusações e as brigas em que Lobato se meteu. A mais conhecida destas maldições diz respeito ao artigo em que criticou duramente a exposição da pintora Anita Malfatti, uma das precursoras do movimento modernista de São Paulo, em 1917. A repercussão do episódio custou a Lobato a inimizade de boa parte do grupo dos modernistas da capital paulista e, muito provavelmente, dificultou o reconhecimento de Lobato como um escritor relevante também na literatura não-infantil. Quando o grupo modernista de São Paulo “assumiu o poder” nas artes brasileiras, passaram a ditar o que deveria ser considerado bom ou não em nossa produção cultural. Em função disso, Lobato ficou limitado à posição de escritor de literatua infantil.</p>
<p>Advogado formado pela São Francisco, em São Paulo, Lobato começou sua vida profissional como promotor público no município de Areias, interior de São Paulo, ainda no século XIX. A cidade o impressionou pelo marasmo e pela invariavel constatação de que ali nada acontecia. Depois disso, administrou a fazenda que herdou do seu avô, o Visconde de Tremembé, no Vale do Paraíba.  A região era economicamente empobrecida e sua agricultura era atrasada para os padrões da época. Lobato não conseguiu modernizar e recuperar a fazenda e a empreitada resultou em fracasso.</p>
<p>Esta vivência de cidade rural, somada à de fazendeiro do Vale do Paraíba, serviu para consolidar alguns de seus primeiros mitos, como as “Cidades Mortas” e o “Jeca Tatu”. Por meio deles, Lobato procurou explicar o atraso do interior do país em função de uma cultura pouco afeita ao trabalho e, sobretudo, ao caráter ocioso e apático do trabalhador caipira, o Jeca Tatu. Num primeiro momento, Lobato enxerga no camponês representado pelo Jeca o grande responsável pelo subdesenvolvimento do interior do país:</p>
<p style="padding-left: 30px">“Jeca Tatu é um piraquara do Paraíba que vive a vegetar de cócoras. Impenetrável ao progresso. Nada o esperta, nenhuma ferroada o põe de pé. Social, como individualmente, em todos os atos da vida, Jeca, antes de agir, acocora-se.”</p>
<p> Aos 36 anos, publicou seu primeiro livro, <em>Urupês</em>, em que aprofundou os temas rurais e as características do Jeca Tatu. <em>Urupês</em> foi um sucesso de vendas, mas provocou reações indignadas contra uma imagem tão crua do caipira brasileiro. Parte dessa reação veio dos círculos literários cujos cânones tendiam a associar o homem do campo às heroicas figuras de José de Alencar e Coelho Neto, dentre outros. Em sua defesa, Lobato alegava que o seu personagem traduzia a realidade do campo, ao contrário “do que faz a literatura fabricada nas cidades por sujeitos que jamais penetraram os campos e que falseiam o caboclo e sua miséria, tudo colorindo com tintas róseas de criminoso otimismo”.</p>
<p>A imagem negativa do caipira inaugurada por Lobato, no entanto, sofreu drástica transformação promovida por ele mesmo quando tomou conhecimento do trabalho dos sanitaristas brasileiros, em especial Miguel Pereira, Belisário Pena, Oswaldo Cruz, Carlos Chagas e Arthur Neiva. De acordo com esses médicos, o homem pobre do campo era vítima de uma série de doenças ancestrais e endêmicas como verminoses, amarelão, Mal de Chagas, tuberculose, filariose, etc, que atingiam, de acordo com estatísticas da época, cerca de 17 milhões de pessoas, em um Brasil cuja população era de 25 milhões de habitantes. Lobato começou, então, a escrever em defesa do trabalho desses médicos e sobre a importância dos investimentos em saneamento público. E o Jeca saiu do papel de vilão da história e assumiu o de vítima. Como era dotado de uma prosa poderosa e cativante, Lobato novamente despertou adesões, mas também criou adversários, ao mostrar um país tão cheio de enfermidades que comparava a “um vasto hospital”. A elite que se preocupava em divulgar uma imagem positiva do país no exterior não o perdoou pelo que considerou uma ofensa nacional.</p>
<p>De todo modo, seus livros continuavam a ser muito bem vendidos, a ponto dele começar a prestar atenção ao assunto sob uma perspectiva comercial. Em 1918, com uma nova tiragem de <em>Urupês</em> pronta, partiu para uma ação de vendas mais agressiva. Constatou, inicialmente, que o país inteiro possuía pouco mais de trinta estabelecimentos capazes de receber e vender livros. Lobato então redigiu uma proposta comercial para lojas, as mais variadas, propondo que vendessem seus livros, entre as quais haviam lojas de ferragens, farmácias, bazares e papelarias.</p>
<p style="padding-left: 30px">“Vossa senhoria tem o seu negócio montado, e quanto mais coisas vender, maior será o lucro. Quer vender também uma coisa chamada “livro”?  V.S<sup>a</sup>. não precisa inteirar-se do que essa coisa é. Trata-se de um artigo comercial como qualquer outro, batata, querosene ou bacalhau. E como V. S<sup>a</sup>. receberá esse artigo em consignação, não perderá coisa alguma no que propomos. Se vender os tais “livros”, terá uma comissão de 30%; se não vendê-los, no-los devolverá pelo correio, com o porte por nossa conta. Responda se topa ou não topa.”</p>
<p>Alguns circuitos literários o censuraram por tratar o livro de maneira tão comercial, como um produto de venda qualquer, mas o resultado foi que a adesão foi grande e Lobato passou dos trinta e poucos vendedores anteriores para mais de mil pontos de vendas. As tiragens começaram a crescer a grande velocidade e, como as gráficas não estavam prontas para a nova demanda, Lobato investiu em uma oficina própria e criou sua própria editora. Passou a publicar autores como Oswald de Andrade, Vicente de Carvalho, Menotti del Picchia, Lima Barreto, entre outros.</p>
<p>A empresa ia de vento em popa quando estourou a Revolução de 1924 e a cidade de São Paulo ficou sitiada por cerca de um mês. Além disso, uma seca de proporções inéditas para a época fez com que a companhia elétrica, a Light, fosse obrigada a cortar dois terços no fornecimento de energia nos meses seguintes. Lobato foi à falência, em grande parte pelos motivos acima, mas talvez também porque não fosse tão bom administrador quanto empreendedor.</p>
<p>Entre 1927 e 1929, o autor viveu nos Estados Unidos. Retornou de lá impresionado com a prosperidade daquele país  e  tornou-se um batalhador contumaz para que o Brasil investisse na produção siderúrgica (ferro) e na exploração de petróleo, que entendia serem condições fundamentais para o desenvolvimento. Suas pregações sobre o petróleo renderam dezenas de artigos e livros que mobilizaram a opinião pública de tal maneira que motivou o presidente Getúlio Vargas a convidá-lo para ser titular do futuro Ministério da Propaganda, que seria criado em breve. A recusa de Lobato seguiu por escrito para Vargas:</p>
<p style="padding-left: 30px">“Meditei longamente sobre as idéias que V. Excia. Me manifestou, dum serviço de propaganda, que determine a entrada de capitais estrangeiros, e cheguei à conclusão de que tudo quanto fizermos nesse campo resultará inútil. Propaganda é palavra de mau sentido. Significa enganar, apresentar fatos sob um prisma sedutor, e portanto, falso.”</p>
<p> Posteriormente, no entanto, a força da campanha que criou em defesa do petróleo brasileiro atingiu escala nacional. Num segundo momento Lobato voltou suas baterias contra os trustes estrangeiros do setor e isso acabou motivando sua prisão pelo governo ditatorial de Vargas.</p>
<p>Seus artigos, sua literatura, sua obra escrita, em suma, foram movidos por esse espírito de defesa do país, do seu desenvolvimento e de sua cultura. Lobato unia uma prosa vigorosa a uma vivência intensa daquilo sobre o qual escrevia. O resultado é uma obra de alta qualidade literária, tanto infantil quanto adulta. E mais: sua literatura adulta representou uma virada no que se escrevia no Brasil do começo do século. Oswald de Andrade declarou, mais tarde, que “Urupês”, de 1918, foi o autêntico “marco zero” do movimento modernista:</p>
<p style="padding-left: 30px">“Foi em Lobato que a renovação teve de fato o seu impulso básico. Ele apresentava, enfim, uma prosa nova.”</p>
<p> E, sem dúvida, sua literatura infantile revela um escritor único no país. Único pela combinação de fatores diversos, tais como o universo de encantamento que cria, o resgate de tradições culturais brasileiras, suas mitologias, suas incursões pedagógicas pela gramática, pela aritmética, pela história e pela literatura universais, seu enveredar pela mundo das ciências, seu texto preciso e cativante e, resumindo, por sua alta qualidade literária. Não temos nenhum outro escritor capaz de encantar e estimular a mente infantil com a mesma intensidade. Razão pela qual é tão justo se prevenir contra esta mais recente “maldição”, a do racismo. Eis o motivo porque não podemos resumir Lobato e sua obra a esse preconceito racial que aparece em alguns momentos de sua literatura.</p>
<p>Moral da história, que sejam tomados os devidos cuidados contra os conteúdos racistas de Lobato, mas que antes disso seja preservado o patrimônio de alto valor cultural que a sua obra carrega.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Ressentimento</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Dec 2011 18:38:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luvanor</dc:creator>
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Por Luvanor Biansky,
Fugi da Polônia no começo da adolescência. Queria correr mundo, mas escapava também do totalitarismo. Vivera, ainda criança de colo, a ocupação nazista e não aguentava mais outra forma de opressão. Nessa época, talvez por causa da minha trajetória, fiquei maníaco por política e com uma ojeriza contra toda forma de tirania. Adquiri, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2011/07/alien-dark-626d9.jpg"><img class="size-medium wp-image-6671 aligncenter" title="alien-dark-626d9" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2011/07/alien-dark-626d9-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Por <strong>Luvanor Biansky</strong>,</p>
<p>Fugi da Polônia no começo da adolescência. Queria correr mundo, mas escapava também do totalitarismo. Vivera, ainda criança de colo, a ocupação nazista e não aguentava mais outra forma de opressão. Nessa época, talvez por causa da minha trajetória, fiquei maníaco por política e com uma ojeriza contra toda forma de tirania. Adquiri, além disso, por motivos misteriosos, uma dendrofobia, conhecida mais por “medo de árvores”. Não causa surpresa, assim, minha adoração por desertos.</p>
<p>Minha ojeriza não é um medo; ao contrário, ela me empurra para a luta. Na verdade, sou compulsivo em combater ditaduras. Tenho um belo currículo a respeito (<a href="http://www.blogdosperrusi.com/2011/05/27/novo-colunista-luvanor-biansky/" target="_blank">leiam aqui</a>). O fato de estar presente ou ser testemunha de vários golpes militares é uma mera coincidência. Já me chamaram de corvo e de urubu da tirania. É uma acusação injusta, além de irracional. Meu problema é outro, muito mais sério: não consigo evitar os golpes. Pressinto-os, luto contra, mas não os impeço. Talvez, combater as ditaduras e, no fundo, toda forma de poder seja inútil. Há quem me acuse de desejar a utopia, em vez de me conformar com o possível. Dessa vez, é uma acusação justa. Retruco com Mário Quintana: “se as coisas são inatingíveis, ora / Não é motivo para não querê-las”. Tenho a dignidade de tentar. Eu tento, porque busco, desesperadamente, um sentido na vida. Não tenho culpa de viver numa época na qual a evasão é impossível. Infelizmente, tentar transmutou-se em apostar. E fazer apostas tem seus riscos e, principalmente, cobra seus fracassos. Nesse sentido, sou um jogador e aposto sempre na liberdade. A derrota me acompanha sempre, não nego – como poderia? Quem sabe seja uma maldição ou uma tragédia. Não importa. Sou um perdedor, um loser, um marginal, um inadaptado, mas tenho dignidade. Isso importa.</p>
<p>Contudo, não escreverei, agora, sobre minhas lutas. Detesto amostração. É melhor escrever sobre os meus defeitos. Como diário, um blog é perfeito para isso. Desconstruir minhas virtudes, eis um bom objetivo. Quero, assim, escrever sobre um efeito colateral da minha compulsão. Sou um ressentido. O ressentimento é um grude na minha alma. Em tese, não há uma correlação entre a luta pela liberdade e o ressentimento &#8212; exceto&#8230; Exceto quando serve para esconder um profundo ódio.</p>
<p>Estou sendo injusto comigo mesmo? Meu espírito libertário é apenas a sublimação de uma profunda raiva? O combate seria uma terapêutica? A ação transmutaria o ressentimento em emancipação?</p>
<p>Não é fácil escrever sobre esse assunto, pois a confissão, nesse caso, é um jogo de esconde-esconde. Mas tentarei, como sempre.</p>
<p>Já fui preso várias vezes. Sou pobre. Muitas vezes, vivi de favores – estou, agora, hospedado na casa de Tsé-Tsé, em Bel-O-Kan. E sou um derrotado. Mas faço, de tudo isso, minha glória. Sinto-me superior a todos os vencedores e poderosos. Sobrevivo da revanche dos vencidos. Isso é ressentimento? Ainda não, se reajo e luto contra o poder. Não me refiro, porém, a esse momento. Falo de um instante anterior à luta. É um sentimento moral, na verdade.</p>
<p>Na inércia, faço da minha condição subalterna e do meu insucesso uma virtude, um motor de meu desprezo. Eu desvalorizo todos os valores dominantes e valorizo todos os estigmas, as fraquezas e as mediocridades. Geralmente, aproveito a situação e torno meus defeitos uma plataforma moral. Transmuto o desejo de emancipação numa apologia da mediocridade, agora entendida como uma vantagem e uma superioridade no mundo. Se não sublimasse esse sentimento na ação, ficaria imerso nessa espécie de revolta sem eira nem beira. É uma paralisia moral, porque faço uma valorização dissimulada da ideologia dominante, no mesmo momento em que a desprezo. É uma homenagem invertida, pois meus valores, na verdade, são os negativos dos dominantes.</p>
<p>O ressentimento não cria novos valores. Não há alternativa, somente revanchismo. Os estereótipos, principalmente aqueles provenientes dos poderosos, são valorizados, jamais superados. Meu raciocínio é um claro-escuro de verdade-engano: não consigo nada, logo, <em>isso é um mérito</em>; outros obtêm o sucesso, eu não, logo, o triunfo é consequência de um mecanismo de dominação no qual <em>sou a sempiterna vítima</em>.</p>
<p>Assim, vivo da negação do Outro. Assumo meus defeitos e meus fracassos como méritos e virtudes. Considero o sucesso do Outro como uma usurpação e um arbítrio, sempre conquistado por causa de seu poder e de sua condição privilegiada. Toda conquista, nesse mundo alienado, é fruto da violência e das relações de dominação. Desse jeito, minha desgraça é meu critério de comparação moral. Com isso, relativizo todos os valores e só percebo, por trás deles, dominação e violência. Como consequência, tenho o potencial de cometer atrocidades.</p>
<p>(Jamais as cometi, aviso aos navegantes. A luta contra a injustiça purga minha maldade intrínseca. Repito: a ação justa é a terapia contra o meu ressentimento. Sou, logo, eu faço. Na boa ação, a possibilidade nunca se realiza – meu ressentimento não será uma passagem ao ato. É um equilíbrio precário, confesso. E tem um tabu: nunca chegar ao poder. Não posso dominar ao combater a dominação)</p>
<p>O ressentido não luta contra a injustiça. Jamais acerta o alvo. Seu inimigo é um bode expiatório. Sua moral é a “vitimização”. Tem inveja e cobiça. Rumina e vive de queixas. É um poliqueixoso. O lamento é sua senha para interpretar o mundo. Ao lamentar, transforma a queixa num solilóquio. Esquece o mundo e fica completamente imerso no seu egoísmo. Cai no solipsismo, embora acredite na partilha universal de suas lamúrias. No fundo, tem uma sensibilidade igualitária: pensa o outro como um outro ressentido.</p>
<p>Eu uso o ressentimento para maquiar minha frustração e meus limites. Sou subalterno e dominado, mas minha situação é “objetiva”, penso sempre. O ressentimento é uma renúncia. Quando estou assim, renuncio a afrontar minha condição e a encará-la de frente. Sou um idiota da objetividade.</p>
<p>Assumo uma moral de escravo. Enfrento o senhor e, ao mesmo tempo, com orgulho, assumo minha condição de servo. Não abandono minhas ilusões a respeito de minha condição, simplesmente porque reproduzo uma situação baseada em ilusões. Admito minha má-fé nessa suposta libertação dos valores dominantes.</p>
<p>Vivi tão mal. Sofri tanto. Sinto-me tão impotente&#8230; É possível viver sem queixa e sem denegação? Queria ser religioso e acreditar noutro mundo. Gostaria de parar o sofrimento sem esforço algum. Acabar com a desigualdade num passe de mágica. Com o ressentimento, posso me emancipar <em>imediatamente</em>. Fico nessa constante revolta contra o <em>imediato</em>. Crio rituais inúteis para exorcizar o cotidiano. Eu recuso, renuncio e paro por aqui. E chamo isso de <em>emancipação</em>.</p>
<p>Minha sorte é a velhice. A idade não me fez mais sábio, longe disso. Simplesmente, tenho consciência de uma verdade bem prosaica: um velho ressentido não vale nada. A amargura e o rancor, se possuírem completamente minha alma, serão inócuos diante de um corpo já envelhecido. Meu corpo não tem mais a chama necessária ao ressentimento. Há ainda, claro, a última labareda. Ajuda-me a pensar, um ato sem desperdício de energia. E isso me basta.</p>
<p>Sofro apenas de ranzinzice, essa doença senil do ressentimento.</p>
<p>E, claro, do medo das árvores.</p>
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		<title>O Natal: uma origem inventada</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Dec 2011 20:36:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tsé-Tsé</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Reverendo Tsé-Tsé]]></category>
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Detesto ser mesquinho e ranzinza. Todo mundo que me conhece sabe disso. Quem não me conhece é que me desconhece. Contudo, não posso contemporizar com uma religião institucionalizada que se funda sobre fraudes históricas evidentes. E todos sabem disso, inclusive, seu maior chefe.
Quando estrava em Roma, fazendo meu Doutorado sobre nada, fui nomeado pelo Santo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2011/12/natal.jpg"><img class="size-medium wp-image-6885 aligncenter" title="natal" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2011/12/natal-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Detesto ser mesquinho e ranzinza. Todo mundo que me conhece sabe disso. Quem não me conhece é que me desconhece. Contudo, não posso contemporizar com uma religião institucionalizada que se funda sobre fraudes históricas evidentes. E todos sabem disso, inclusive, seu maior chefe.</p>
<p>Quando estrava em Roma, fazendo meu Doutorado sobre nada, fui nomeado pelo Santo Padre para chefiar uma pesquisa sobre as origens do Cristianismo, crença, então, muito contestada na Europa.</p>
<p>Hoje, segundo o Censo mais recente, quase extinta.</p>
<p>Pretendia-se provar tudo, inclusive que Nosso Senhor havia nascido sem umbigo. Minhas credenciais acadêmicas eram mais do que evidentes, dada a publicação recente do meu “Tratado sobre as bodas de Caná”, no qual ficava demonstrada a farra profana e licenciosa em que alguns dos mais ilustres personagens bíblicos haviam se metido.</p>
<p>Não que eu deteste o Natal! Longe disso. Já banquei o Papai-Noel por diversas vezes, aqui na Comunidade, e todas as crianças gostaram.</p>
<p>Durante a pesquisa, Padre Vicenzzo, um dos nossos auxiliares mais inteligentes, descobriu um documento fantástico, infelizmente escondido e sonegado pela ICR.</p>
<p>Tratava-se de uma simples notícia de jornal. Nada mais!</p>
<p>No dia 28 de Março do ano menos 6 da Era Cristã, o Cezareia’s News Letters, jornaleco criado para divertir os operários engajados na construção da magnífica Cezareia, cidade ali bem pertinho de Nazaré da Galiléia, trazia a seguinte manchete:</p>
<p>“Nasceu em Nazaré, na madrugada passada, Iescow, o filhinho de nosso glorioso carpinteiro mor, Zezé de Maria”.</p>
<p>Nada mais! Afinal de contas, quem seria esse tal de Iescow?</p>
<p>Mais tarde, Niklas Edomostoro, da cidade de Antioquia e redator do Evangelho segundo João, no seu clássico antissemitismo, recusou-se a gravar o nome de Nosso Senhor no original hebraico.</p>
<p>Segundo a lenda, amplamente aceita pela ICR, não ficava bem nomear o Salvador da Humanidade com um nome do povo que, justamente, havia assassinado nossas esperanças de alcançar o Paraíso.</p>
<p>Povo deicida, segundo os sucessivos chefes da ICR.</p>
<p>A conselho de uma de suas concubinas, recém-convertida, preferiu traduzir, embora imperfeitamente, o nome de Iescow (Josué) para o mais suave Jesus (um pouquinho Iescow, apenas).</p>
<p>Além disso, segundo Niklas, Josué era nome de genocida como está lá consagrado nas cidades arrasadas do Livro do mesmo nome, no Velho Testamento.</p>
<p>Na verdade, parece que o Cristianismo nasceu sob ideias genocidas. E vejam no que deu num passado mais recente.</p>
<p>Duas fraudes, portanto: o dia do nascimento de Nosso Senhor foi adulterado para coincidir com o dia do Sol romano (o poder, sempre o poder, para a ICR); o próprio santo nome dele foi corrompido por uma tradução mal ajambrada, por preconceitos raciais.</p>
<p>O Natal, por melhor que seja badalado pela Rede Globo, não passa de uma das mais chatas efemérides do nosso calendário.</p>
<p>E das mais mentirosas!</p>
<p>Feliz Natal para todas as pessoas de má vontade!</p>
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		<title>O ovo cósmico do Vaticano</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Jan 2011 22:18:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Perrusi Pai</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[bang-bang]]></category>
		<category><![CDATA[Bento XVI]]></category>
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		<description><![CDATA[Tentativa frustrada de se quebrar o ovo cósmico

(Ou como Bento XVI chegou atrasado na História)
Bento é um chefe religioso que se especializa em dizer besteiras. Desde sua notória homofobia até sua desastrosa opinião sobre o surgimento do Nazismo.
Segundo Bento, os ateus alemães foram responsáveis pelo Terceiro Reich, porque queriam eliminar Deus do ideário germânico (sic).
Tais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2011/01/Ovo_1s.jpg"><img class="size-full wp-image-5968 aligncenter" title="Ovo_1s" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2011/01/Ovo_1s.jpg" alt="" width="400" height="266" /></a></strong>Tentativa frustrada de se quebrar o ovo cósmico<strong><br />
</strong></p>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>(Ou como Bento XVI chegou atrasado na História)</strong></span></p>
<p>Bento é um chefe religioso que se especializa em dizer besteiras. Desde sua notória homofobia até sua desastrosa opinião sobre o surgimento do Nazismo.</p>
<p>Segundo Bento, os ateus alemães foram responsáveis pelo Terceiro Reich, porque queriam eliminar Deus do ideário germânico (sic).</p>
<p>Tais idiotices absurdas, embora perigosas, tiveram pouca repercussão no Brasil, ainda que, pelo menos na Inglaterra, milhares de ateus solicitassem sua expulsão das ilhas britânicas.</p>
<p>Recentemente, Bento volta a dizer coisas estranhas. Uma delas é muito engraçada e revela grande ignorância dos avanços da Cosmologia, especialmente dos anos de 1990 em diante.</p>
<p>Disse Bento:</p>
<blockquote><p>“A mente de Deus estava por trás de teorias científicas complexas como a do Big-Bang e os cristãos devem rejeitar a ideia de que o Universo tenha surgido por acaso. O universo não é fruto do acaso como querem que acreditemos.”</p></blockquote>
<p>Que eu saiba, nenhum cientista deseja que nós acreditemos em qualquer de suas teorias nem sentiu a mente divina ─ leia-se de Jeová ─ inspirando qualquer de suas pesquisas sobre o Universo.</p>
<p>Nem sequer o padre belga Lemaître, quando sugeriu que o modelo cosmológico de Friedman ─ expansão e singularidade ─ teria na origem uma espécie de Ovo Cósmico ou Átomo Primordial. Nem tampouco, pensou em qualquer eminência parda divina atrás de si e jamais associou a explosão do seu Átomo ao Fiat Lux bíblico.</p>
<p>Lemaître era sacerdote. Porém, um intelectual honesto!</p>
<p>Décadas depois, Fred Hoyle, um dos formuladores do modelo <em>steady state</em>, isto é, do Universo eterno e estático surgido espontaneamente, batizou, com evidente ironia, o modelo da suposta explosão do Átomo de Lemaître de <strong>BIG-BANG</strong>.</p>
<p>A reação da mídia foi entusiástica e o modelo do Big-Bang tornou-se hegemônico.</p>
<p>Afinal de contas, a ideia era fácil de ser assimilada por um público acostumado aos filmes de Bang-Bang de Hollywood, tornando-se um sucesso popular.</p>
<p>Além, é claro, de inúmeras descobertas que, supostamente, corroboravam o Modelo a exemplo da radiação cósmica de fundo, predita por Gamow e descoberta por Penzias e Wilson, em 1964.</p>
<p>Na verdade, o Big-Bang não passa de “cenários matemáticos dentro de uma determinada teoria”, cujos pressupostos ─ um conjunto de hipóteses científicas ─ não foram comprovadas.</p>
<p>Ao contrário, muitas delas se chocam com a realidade observada pelos astrofísicos, especialmente a partir da década de 1990 como, por exemplo, as evidências de uma aceleração da expansão do Universo maior do que a prevista, atribuída, provisoriamente, aos indícios de uma “energia/matéria escura” ─ que ninguém sabe ainda do que se trata ─ responsável por mais de oitenta por cento da constituição material do Universo.</p>
<p>De concreto, o que se pode dizer é que o Universo é produzido por “flutuações quânticas do vácuo”, aleatórias por natureza, de onde surge energia/matéria, como já foi comprovado em laboratório.</p>
<p>Nada mais do que isso sobre suas origens!</p>
<p>O resto ainda não passa de modelos matemáticos.</p>
<p>Abandonado o modelo <em>steady state</em> de Hoyle, por falta de comprovações observacionais e incongruências teóricas, o Big Bang tornou-se imperialista na pesquisa cosmológica. Até que outros modelos de Universo sem singularidades, isto é, sem Big-Bang, tivessem aparecido para lhe fazer frente, especialmente a partir de 1998.</p>
<p>Com efeito, a aceleração da expansão do Universo, além de outros fatos, contraria e invalida alguns dos pressupostos básicos do modelo do Big- Bang.</p>
<p>Os modelos cosmológicos mais recentes, e que tendem a substituir o desgastado Big-Bang, apontam para um universo dinâmico e eterno, de formação aleatória. Dinâmico, porque em evolução, possivelmente em ciclos de expansão e contração. Eterno porque não se tem nenhuma base científica para se delimitar seu início ou fim.</p>
<p>Desde o Reinado de João Paulo II, o Alto Clero da ICR vem namorando com o Big-Bang e a Teoria da Evolução; ambos, é claro, sujeitos ao jugo da Teologia.</p>
<p>No caso do Big-Bang pode-se dizer que, pelo menos, o Vaticano chegou atrasado. Certamente, mais um exemplo do milenar reacionarismo da ICR.</p>
<p>O citado modelo envelheceu e, pouco a pouco, vem sendo substituído por modelos mais consistentes com as observações cosmológicas.</p>
<p>Aleatório, dinâmico e eterno seriam melhores qualidades para caracterizar tais modelos.</p>
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		<title>Um dia de banca</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Nov 2010 17:16:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[banca]]></category>
		<category><![CDATA[biologia]]></category>
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		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[
Texto publicado originalmente no Que Cazzo é esse?
Farei um dropes &#8212; nada de jujuba ou de chiclete. Um drops sobre banca  de doutorado, para ser mais específico. Tive a ideia, agorinha, de  partilhar minhas experiências de bancas de dissertação e de tese. Por  que não?! Pensei. As bancas, em certa medida, geram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/12/26092-Farkasz.jpg"><img class="size-medium wp-image-5783 aligncenter" title="26092-Farkasz" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/12/26092-Farkasz-204x300.jpg" alt="" width="204" height="300" /></a></p>
<p><em>Texto publicado originalmente no <a href="http://quecazzo.blogspot.com/2010/12/um-dia-de-banca.html" target="_blank">Que Cazzo é esse?</a></em></p>
<p>Farei um dropes &#8212; nada de jujuba ou de chiclete. Um drops sobre banca  de doutorado, para ser mais específico. Tive a ideia, agorinha, de  partilhar minhas experiências de bancas de dissertação e de tese. Por  que não?! Pensei. As bancas, em certa medida, geram discussões bem  interessantes. Muitas são divertidas, algumas até trágicas. É um ritual  de passagem bastante curioso, uma liturgia que, para os mais  pessimistas, é uma “violência simbólica”. De todo modo, pode ser uma  situação tensa e cheia de expectativas. Como sou psiquiatra, logo, um  vampiro do sofrimento alheio, as bancas proporcionam bons momentos de  ansiedade e angústia. Dá barato, podem ter certeza. Mas, como disse  acima, meus comentários focalizarão apenas o lado cognitivo das bancas,  inclusive para evitar constrangimentos.</p>
<p>(não falarei, por exemplo, daquela banca em que o orientando cortou os  pulsos na frente de todo mundo e tentou morder o orientador – não, não  falarei disso. Jonatas, uma vez&#8230; bem&#8230; er&#8230; deixa pra lá.)</p>
<p>Pessoalmente, gosto das bancas de outras áreas que não a sociologia.  Aprendo bastante e escuto atentamente a discussão. Nas bancas de  sociologia, é raro me surpreender, já que os participantes têm o mesmo  defeito: são todos da mesma área. Já noutras bancas, a surpresa rola e o  aprendizado aparece na forma da perplexidade – pois é, defendo que a  perplexidade é uma postura cognitiva superior</p>
<p>(Inicialmente, pensei que a faculdade de ficar perplexo era um sinal de  envelhecimento, afinal, os jovens não se espantam; mas, depois, descobri  que poderia ser, embora não descarte problemas degenerativos cerebrais,  um sinal de sabedoria).</p>
<p>Na semana passada, participei de uma banca de doutorado na área de  filosofia. Foi uma banca composta por seis membros, contando com o  orientador – bem numerosa, portanto. Durou um bocado, mais de quatro  horas. Nela, estava cercado de filósofos, olhando-me de forma curiosa e  atentos à minha arguição.</p>
<p>_São simpáticos, os filósofos! Pensei. Vixe, como seus olhos são  grandes. E as orelhas&#8230; E os dentes&#8230; nossa, como são grandes seus  dentes!</p>
<p>Fui chamado para participar porque, sendo psiquiatra, tenho algum  conhecimento de biologia – a sociologia entrava de forma “indireta” na  discussão. É a primeira vez, de fato, exceto quando discuto saúde  mental, que junto minhas duas vocações numa situação desse tipo. Era o  tema da tese que permitia essa junção. O objeto era complexo, tratando  de dois assuntos correlatos: agressividade e violência. Na verdade, mais  do que isso: o autor fazia uma articulação sofisticada entre as  posições de Hobbes e de Rousseau e as posições da biologia  contemporânea. Toda a articulação e a discussão giravam em torno da  agressividade e da violência. Sem dúvida, era um enorme desafio  intelectual. Assim, fui chamado porque queriam minha opinião sobre  biologia, Darwin, etologia, sociobiologia, naturalização, esses babados  todos.</p>
<p>Tive uma bela aula sobre Hobbes e Rousseau, uma baita aula de filosofia política.</p>
<p>(Um dos membros da banca, um rousseauniano radical, afirmou que Hobbes,  na realidade, era uma mulher. Dois hobbesianos pularam na jugular do  não-tão-bom-selvagem-assim e tivemos que apartar a briga, evitando um  assassinato acadêmico. Não entendi a fúria misógina dos hobbesianos.  Qual era, afinal, o problema de Hobbes, no fundo, ter sido uma mulher?  Animei-me com a discussão e expus minha hipótese de que o Leviatã era a  metáfora de uma fixação sexual. A leviatanologia era a “ciência sexual”  do poder. O poder como pan-óptico, como determinação de todo processo de  subjetivação; ora, esse poder leva à paranoia &#8212; as sociedades  pan-ópticas são paranoicas – aliás, somos todos uns paranoicos, hein,  hein?! E qual é o pano de fundo da paranoia? Sexo, meus caros amigos –  psicopatologia do sexualidade, mais precisamente. Assim, tudo é poder,  logo, tudo é falo &#8212; ou vagina, quem sabe, tudo dependendo do tipo de  empoderamento; por isso, defendi que todo leviatanólog@ era paranoic@.  Ninguém reagiu ou se espantou, e pensei se minha especulação era,  realmente, original &#8212; parecia que não)</p>
<p>Até o momento da arguição, não sabia bem qual seria a minha contribuição  ao debate. Minha angústia era filosófica e existencial: _cruzes, o que  direi? Dizer é fazer? O que significará o que falarei? Por que os dentes  desses filósofos são tão grandes? Posso dizer, com franqueza, que tais  perguntas não foram respondidas e, ainda agora, não sei bem qual foi  minha contribuição. Na verdade, tentarei discutir, aqui, o efeito  reflexivo da tese, isto é, as questões que me instigaram a pensar. E  algumas, inclusive, não foram explicitadas durante a arguição, já que o  pouco tempo, oferecido a todo membro de banca, não esgota, muitas vezes,  a reflexão. Portanto, não discutirei explicitamente o conteúdo da tese,  e sim as associações, as conexões, os <em>insights </em>que surgiram no meu espírito – enfim, discutirei o seu <em>con-texto</em>.</p>
<p>Bem, a tese articula a filosofia política – dois “fundadores”,  especificamente – com o campo biológico contemporâneo. Como já disse,  tudo gira em torno das noções de agressividade e violência. E discutir  violência é, também, discutir poder. No fundo, a discussão subtende,  embora não totalmente explicitado, o seguinte problema: existe uma base  natural para o poder ou este é uma construção social?<br />
Hermano, o autor da tese, resolve esse problema de uma forma habilidosa,  colocando a agressividade no campo da Natureza e a violência no da  Cultura. É uma dicotomia que será o fio da meada de toda a argumentação.  A proposta não é original, mas bastante útil, pois permite uma crítica  do jusnaturalismo.</p>
<p>Nesse momento, começaram a surgir várias dúvidas na minha cabeça.</p>
<p>A violência funda a Cultura? Se funda, a violência é anterior (pelo  menos, do ponto de vista lógico) à cultura. Sendo anterior, a violência  estaria aonde? Na Natureza, provavelmente. Mas está na Natureza e, como  fundação, também na Cultura? Nesse momento, surge uma indagação: a  violência esgota-se no momento fundante, isto é, exaure-se na Origem e  desaparece, depois, do processo? A Cultura carrega sua fundação no seu  devir? Logo, se não desaparece no momento da fundação, a violência  permanece inscrita no processo como possibilidade constituinte ou está  sempre presente no constituído, como concretude, como determinação? Em  outros termos, o processo de humanização, assim, incorpora sua fundação  como determinação constante?</p>
<p>Assim, a violência, como ordem oculta, é natural e faz parte, como  fundação, da cultura. E, sendo natural, mesmo como constituinte da  cultura, torna-se momento irredutível (diria até “transcendental”) de  uma suposta ontologia do ser social.</p>
<p>Porém, se não funda, nem é anterior ao humano, a violência é um produto  da Cultura (linguagem, trabalho, símbolização, socialização,  subjetivação, como queiram, dependendo do supermercado sociológico).  Aqui, o autor da tese permanece dentro da tradição iluminista, ao  proclamar que a sociedade é construída e imaginada; em suma, é um  artefato social. Portanto, não seria a expressão de uma ordem natural  oculta. Tudo é história, enfim. A violência é constituinte e constituída  na história – é, para repetir, histórica. E, sendo histórica, não é um  grude eterno das relações sociais, não é uma astúcia da razão, digamos  assim, que perpassa todo o processo de humanização (seja lá o que isso  signifique, cá entre nós). Sendo histórica, a violência não é sólida o  suficiente para não se desmanchar numa utopia constituinte, isto é, pode  desaparecer, assim como o Estado, a luta de classes, o machismo, a  Coisa, etc e tal. Nessa imanência histórica absoluta, poderíamos  conceber, sim, uma sociedade sem violência.</p>
<p>Contudo, a partir desse momento, as dúvidas renascem com força. E tudo  dependerá, no fundo, de qual visão (não falo de definição, uma noção  muito complicada nas ciências humanas) de história está-se adotando. Por  exemplo: se concebo a história como ou tendo uma ontologia (a pretensão  filosófica de Lukács, por exemplo), posso pensar a violência como uma  invariante ou uma propriedade constante do processo histórico. Violência  é constituinte e se reproduz no constituído. A violência jamais seria  abolida da história; no máximo, no &#8220;comunismo&#8221;, seria fixada como  potência ou possibilidade da sociogênese ou da psicogênese (caso  admitirmos que a formação psíquica seja também um artefato) do humano;  ou seja, a violência seria constituinte, mas se evitaria sua  constituição ou sua concretude como constituída. Uma sociedade sem  violência seria apenas (o que já é muito e um tanto inimaginável) uma  sociedade onde a violência seria somente uma potência (uma tendência,  sempre passível de realização).</p>
<p>Bem, fiz tais associações e, por causa do esforço, perdi milhares de  neurônios – houve um curto-circuito, para ser mais preciso, no meu  sistema límbico. Tive algumas alucinações constrangedoras, mas isso não  vem ao caso. Ao mesmo tempo, notei que meus dentes cresciam e me senti  filósofo. Entusiasmado com meus caninos, pensei noutra questão bem  interessante da tese. Pelo que entendi, ao colocar a violência na  Cultura, além da crítica ao jusnaturalismo, Hermano queria ferir  mortalmente a naturalização da violência e do poder.</p>
<p>Aqui, estamos diante de uma baita discussão. Até porque, pessoalmente,  acho a “naturalização” o grande mecanismo ideológico da  contemporaneidade. É, inclusive por causa disso, um mecanismo maior de  legitimação. Ao se naturalizar um valor ou uma condição, legitima-se o  valor ou a condição. A naturalização é, também, por ser um mecanismo  ideológico, um processo de subjetivação, isto é, forma subjetividades de  forma mais ou menos involuntária e inconsciente. A naturalização  interpela o “sujeito”, digamos assim.</p>
<p>Penso se a naturalização é um tipo de imanentismo absoluto e, como tal,  uma metafísica (lembro que argumentos metafísicos não precisam,  necessariamente, ser transcendentais). As biologias, quando capturadas  pelo discurso da naturalização, tornam-se metafísicas? Eis mais uma  dúvida. De todo modo, a naturalização foi bastante útil, no campo da  reconfiguração dos saberes, logo no início da modernidade, para combater  as formas de transcendentalismo (a teologia medieval, por exemplo). A  defesa transcendental da hierarquia pode ser combatida por meio de  argumentos imanentes, por exemplo, afirmando o princípio da igualdade  natural de todos os humanos. Naturaliza-se a igualdade, um valor caro à  modernidade, e legitima-se tal valor, agora pronto para combater,  politicamente, a noção transcendental de hierarquia. Claro, a partir do  momento que ocorreu a hegemonização do discurso naturalista, a  naturalização pôde ser usada, também, a favor da hierarquia; mas, agora,  “naturalizada” (a desigualdade é “natural”, por exemplo) – o que quero  ressaltar é que, com a hegemonia discursiva da naturalização, o recurso  ao transcendental perde ou começa a perder sua capacidade argumentativa.</p>
<p>Mas, ao examinar a noção de “naturalização”, fiquei encafifado com o  seguinte: admitindo que a naturalização seja um mecanismo típico da  modernidade, eu não estaria homogeneizando um processo histórico bem  mais complexo e diversificado? Fico pensando na concepção de natureza de  Hobbes e de Rousseau. Como Hobbes “naturaliza”? Ora, quando utiliza uma  física mecanicista para explicar a realidade social. Já Rousseau,  aparentemente, já tem uma visão antropológica da “natureza humana” – não  tenho o conhecimento para dizer que Rousseau utiliza a naturalização  como recurso epistêmico. Digo isso porque, inicialmente, estava  confundindo “naturalização” com “biologização”. Nesse sentido, a  naturalização não precisa, necessariamente, da biologia – Hobbes é um  exemplo. A naturalização comporta várias “naturalizações”, isto é,  várias concepções do que seja Natureza – no fundo, a pergunta talvez  seja: quais metáforas são usadas nas naturalizações?</p>
<p>A identificação entre naturalização e biologização afirma-se,  provavelmente, no final do século XIX. A biologia entra forte com a  metáfora do organicismo. Durkheim é um exemplo: usa o modelo (ou a  metáfora?) para consolidar a sociologia. Retira desse modelo a noção de  função. Depois da segunda guerra, com o neodarwinismo, além da noção de  função, acopla-se outra, tão importante quanto: adaptação. Atualmente, a  naturalização, mediante a biologização, utiliza principalmente a  metáfora genética, do código, do programa, da teoria da informação.</p>
<p>Afinal, qual é a concepção de Natureza que sustenta a genética?</p>
<p>Fiz essa pergunta a Hermano. Ele me olhou como um espelho, jogando de  volta a pergunta. E eu&#8230; Bem, fiquei calado, porque não sabia, nem sei  respondê-la. É uma pergunta que vale a pena a investigação. Aliás, não  só para a genética, já que não existe “biologia”, como tal, e sim  biologias. Assim, qual é a concepção de Natureza da etologia, por  exemplo? E da biologia molecular? E da biologia evolutiva? E da  fisiologia?</p>
<p>Enfim&#8230;</p>
<p>Depois da banca, fiquei sonilundo, pensando, pensando&#8230;</p>
<p>Enquanto comia os petiscos da comemoração da defesa de tese, olhava  distraído os filósofos que comiam enormes pedaços de carne vermelha. Meu  cérebro lembrava-me de uma menina bem bonitinha, com um chapeuzinho  vermelho, mas as coxinhas da mesa continuavam a me distrair. No fundo,  achava tudo muito engraçado&#8230;</p>
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		<title>Exclusão social intrauterina… o quê?!</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Oct 2010 21:15:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Publicado, originalmente, no Que Cazzo.
Mulher estressada? Cuidado com seus filhos
A exclusão  social começa no útero da mãe. A afirmação é peremptória. E preocupante  para os cientistas sociais que, já tão desvalorizados  profissionalmente, terão a concorrência, agora, de biólogos, obstetras e  ginecologistas. No futuro, ocuparão todos os GTs da Anpocs. Claro, há [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Publicado, originalmente, no <a href="http://quecazzo.blogspot.com/2010/10/exclusao-social-intrauterina-o-que.html" target="_blank">Que Cazzo</a>.</p>
<div id="attachment_5344" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/10/estresse.jpg"><img class="size-full wp-image-5344" title="estresse" src="http://www.blogdosperrusi.com/wp-content/uploads/2010/10/estresse.jpg" alt="" width="400" height="265" /></a><p class="wp-caption-text">Mulher estressada? Cuidado com seus filhos</p></div>
<p>A exclusão  social começa no útero da mãe. A afirmação é peremptória. E preocupante  para os cientistas sociais que, já tão desvalorizados  profissionalmente, terão a concorrência, agora, de biólogos, obstetras e  ginecologistas. No futuro, ocuparão todos os GTs da Anpocs. Claro, há  um porém, aqui, pois a experiência, para demonstrar a hipótese da  exclusão social intrauteriana, foi realizada em ratos.</p>
<p>Murídeos?  Sim, dos ratos aos humanos, e temos um pequeno salto da biologia à  vulgarização científica. O reducionismo chega a ser hilário; mas, do  ponto de vista da divulgação científica, é um desastre. Porém, não quero  culpar o nascente jornalismo científico brasileiro pela vulgarização e  pelo reducionismo; na verdade, o reducionismo, durante a entrevista, foi  comandado pela bióloga, responsável pela pesquisa.</p>
<p>Antes, contudo, será interessante escutar a entrevista; depois, voltamos às observações. Escutem <a href="http://cienciahoje.uol.com.br/podcasts/Exclusao%20social%20intrauterina.mp3">aqui</a>:</p>
<blockquote><p>Exclusão social intrauterina</p>
<p>Alguns  fatores que prejudicam a inclusão dos indivíduos na sociedade podem ter  início ainda no útero materno. Pesquisa brasileira mostrou em ratos que  o estresse e a deficiência nutricional da mãe podem causar problemas  físicos e psicológicos na vida futura dos fetos. Para falar sobre o  estudo, o Estúdio CH recebe a bióloga Patrícia Aline Boer, da Unesp.</p>
<p>Segundo  Boer, pesquisadora do Departamento de Morfologia da Universidade  Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu, passar por situações de  estresse durante a gestação pode levar ao surgimento de alterações na  formação de órgãos e sistemas do feto – entre eles, o sistema nervoso  central, os rins e os vasos sanguíneos – que permanecem até a vida  adulta.</p>
<p>Em entrevista a Fred Furtado, ela mostra como sua equipe  reproduziu condições de estresse nutricional e psicológico nas ratas e  explica os mecanismos bioquímicos capazes de provocar essas alterações  no desenvolvimento do feto.</p>
<p>Boer diz que as consequências dessas  alterações são a formação de indivíduos mais estressados e ansiosos, o  aumento da pressão arterial na idade adulta, problemas cardíacos e até  maior propensão ao uso de drogas e à depressão.</p>
<p>A pesquisadora  fala ainda sobre outros estudos que mostram os efeitos do estresse  durante a gestação e a amamentação e até do cuidado com a prole sobre o  desenvolvimento físico, mental e psicológico e o perfil comportamental  do adulto.</p></blockquote>
<p>Sinceramente, não tenho muito saco, nesse  momento, em fazer uma análise aprofundada das colonizações biológicas  nas ciências sociais. Diria que os reducionismos, realizados pela  bióloga, são um fenômeno bem conhecido pelas&#8230; ciências sociais. É um  processo que podemos chamar de “naturalização”. Atualmente, um dos  discursos legitimadores da sociedade é a ciência, e uma das ciências  mais influentes, na formação de representações sociais sobre o mundo, é a  biologia – a psicologia, também, tem essa importância. Na verdade,  percebo duas manias modernas que enquadram os valores e o mundo; temos a  tendência a des-moralizar os valores, via a biologia, e a  des-socializar (no fundo, individualizar) os comportamentos, via a  psicologia. Não causa surpresa que as ciências sociais sejam tão  desvalorizadas &#8212; aqui, não me refiro à sua desvalorização como  profissão, e sim como saber científico. Acho tais temas fascinantes e  espero, um dia, voltar a discuti-los com mais calma.</p>
<p>Ultimamente,  inclusive, a maior vítima da naturalização é o campo polimorfo da  sexualidade. Além de uma sempiterna confusão entre sexo e gênero, há uma  naturalização da homossexualidade, por exemplo, quando da procura  compulsiva pelo gene gay. A procura da determinação genética da  homossexualidade serve como recurso discursivo, procurando uma  normalização da questão.  Assim, se é natural, logo, é normal, para  determinados setores do movimento gay; se é natural, logo, é uma doença  que pode ser tratada, para o fundamentalismo cristão.  A naturalização é  um recurso prático e discursivo que legitima e procura adesão no senso  comum, mas não tem monopólio ideológico.</p>
<p>Voltando à entrevista, a  biólogoa produz uma série de reducionismos que, no fundo, não passam de  subsunções. A psicologia é, por exemplo, subsumida à biologia. E as  ciências sociais? Há uma cadeia de determinismos, inscrita numa  hierarquia científica, tornando a ciência social tão sobredeterminada  por outras ciências que, simplesmente, não aparece ou não existe, como  tal. Diversas questões, que seriam passíveis de esclarecimento pelo  conhecimento sociológico, tomam outro rumo explicativo, capturadas por  uma extrapolação biológica que vai bem além de seu campo cognoscitivo.  Pra que, afinal, empregar um conhecimento que é apenas um “episaber”,  depois das óbvias e necessárias reduções, da biologia? Querem um  conhecimento realmente científico? Procurem a sociobiologia!</p>
<p>A  bióloga, além de patrocinar reducionismos, vai mais além: como acontece  frequentemente na naturalização do mundo, há a defesa de uma  biopolítica (controle social da vida de uma população). Da biologia, passando pela medicina, a cadeia de reduções  termina na postulação, para o bem ou para o mal, de uma política  pública; em suma, a ciência torna-se a base de uma biopolítica – dos  ratos à gestão do risco da gestação humana. Aliás, aqui, estamos diante  de um problema sociológico, bem estudado no campo das ciências sociais.  Muitas vezes, a naturalização tem como consequência um controle social –  no caso, o controle absoluto da gestação pela medicina –, baseado na  gestão do risco, justamente o risco, essa categoria de valor fundamental  na vida social contemporânea, que ordena moralmente o mundo e é uma das  bases da biopolítica.</p>
<p>De todo modo, há muita platitude na  entrevista. Ainda acho que a bióloga deveria ler “A geografia da fome”  de Josué de Castro e, depois, toda uma bibliografia, no campo da ciência  social, a respeito do seu objeto – as consequências sociais da  desnutrição e do estresse na esfera do trabalho, por exemplo. A bióloga  evitaria os truísmos, sem dúvida. Pelo menos, prescindiria das sevícias  em ratinhos para deduzir algo sobre o mundo social dos humanos.</p>
<p>Mas  a bióloga está tão obnubilada pelo seu biologismo que não se importa em  dizer exageros, do tipo “acreditou-se que o genoma determinasse todas  as características de um ser”. O biologismo é uma biologia vulgar. Nunca  foi consenso, mesmo na genética, esse fundamentalismo genético. A  bióloga critica o fundamentalismo genético apenas como recurso retórico  para poder passar melhor seu reducionismo, agora suavizado como  “epigenética”. Vai ver que a epigenética é uma genética com face humana;  porém, continua redutora e extremamente simplista nas extrapolações.  Por meio da epigenética, pode-se jogar no lixo, por exemplo, noções como  “estilo de vida”, pois a vida embrionária explicaria bem melhor  diversos comportamento sociais – do útero à vida social, eis um belo  pulo explicativo.</p>
<p>Assim, segundo a bióloga e estudos  absolutamente comprobatórios, mulheres gestantes, que passaram estresse  na derrubada das torres gêmeas, no 11 de setembro americano, tiveram  crianças com problemas afetivos e com dificuldades no aprendizado;  provavelmente, as crianças ficaram, também, extremamente chatas (essa  extrapolação é minha, baseada em muita reflexão psicossocial).  Inclusive, a partir de agora, encontrando uma criança ansiosa e chata,  culpabilizarei a mãe da pequena criatura – quem manda não ter controlado  o risco de estresse embrionário durante o período de gestação?</p>
<p>Afinal,  como afirmou a bióloga, a falta de cuidado na gestação – mães que  trabalham e se estressam no trabalho, por exemplo – está criando uma  população de humanos que está sendo “programada” (sic) para ser  estressada. Um possível estresse dos infantes não seria produto das suas  condições de vida e sim resultado direto da gestação. Somente um  controle biomédico da gestação evitaria o estresse da gestante. Claro,  haveria a criação de políticas públicas, algumas bem interessantes,  implicando alguns direitos reprodutivos; mas, duvido muito que o  controle da gestação implique o controle da ansiedade infantil. Talvez, a  vacinação embrionária antiestresse, por meio de injeções intrauterinas  de ansiolíticos, possa ser uma ideia factível (pensei nisso, agora) ou,  ainda, o controle do estresse infantil por meio de outras biotécnicas,  como por exemplo: o uso de ansiolíticos na mamadeira ou no mingau. A  felicidade química pode ser usada para acalmar os pequenos monstrinhos,  tão ligados?!</p>
<p>Mas, é inegável, há momentos engraçados na  entrevista. A biologia vulgar tem lá seus momentos cômicos. Descobri que  quanto mais carinhosa a ratinha mãe com suas filhas, por exemplo, mais  cheia de frescura será a ratinha, ops!, desculpem aí, mais seletiva e  exigente será a dita-cuja, sexualmente falando.</p>
<p>Bem&#8230; er&#8230; se a  bióloga permite-se a extrapolações, posso fazer o mesmo. Por que não?!  Tudo é possível nesse mundo velho e enfadado. Posso perder a cabeça e  produzir uma biologia sociológica.</p>
<p>Nesse sentido, no mundo social  dos humanos, o problema do pudor feminino ou da frescura, como queiram,  pode ser explicado pela educação carinhosa das mães. Quando mais  carinho, mas seleção sexual. Aparentemente, a indução do carinho materno  para o melindre sexual é de gênero, isto é, diz respeito às mulheres.  Há estudos americanos com ratos mostrando mães carinhosas que deixaram  os ratinhos incompatíveis com uma vida sexual roedora normal, ocorrendo  uma assexualização  de suas vidas sociais. Posso dizer que, entre os  machos humanos, o efeito é o mesmo, o que explicaria o desejo masculino  de celibato. Assim, mais um mistério sociológico é desvendado pela  biologia sociológica: o carinho materno determinaria, por exemplo, a  escolha dos padres por uma vida ascética e sem sexo &#8212; o ascetismo  religioso, logo, a assexualização do mundo intra-mundano, como efeito  social e involuntário do desvelo materno.</p>
<p>(E a pedofilia  católica? Bem, os ratos não explicam tudo. Talvez, experiências com  porcos e chimpanzés desvendassem essa palpitante questão)</p>
<p>Há  outras afirmações engraçadas na entrevista. Por exemplo: nós somos o que  comemos? Pergunta a bióloga. Ora, somos o que comemos mais o que  comeram nossas mães durante a gestação&#8230; Tenho calafrios só de pensar  em perguntar à minha mãe o que comeu durante minha gestação. Pena que eu  tenha medo, pois, com a resposta, entenderia meu habitus e faria uma socioanálise, tipo aquela preconizada por Bourdieu (aliás, o que comeu sua mãe?), de meu trabalho como sociólogo.</p>
<p>Mas,  paro por aqui, pois faria extrapolações sociológicas incompatíveis com o  decoro desse blog acadêmico. Já estou ruborizado só de pensar nisso&#8230;</p>
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		<title>Deus, Sam Harris, Freud e Orravan</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Jun 2010 20:00:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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Não posso ser considerado ateu pelo simples motivo de acreditar, piamente, no Santinha, o Santa Cruz, o Clube do Santo Nome. Afinal, tecnicamente falando, acredito em algo absolutamente sobrenatural, irracional e transcendental. Acho até estranho as pessoas me considerarem um ímpio, mas elas, as pessoas, são sectárias, convenhamos. Não sou, por outro lado, um agnóstico, [...]]]></description>
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<p>Não posso ser considerado ateu pelo simples motivo de acreditar, piamente, no Santinha, o Santa Cruz, o Clube do Santo Nome. Afinal, tecnicamente falando, acredito em algo absolutamente sobrenatural, irracional e transcendental. Acho até estranho as pessoas me considerarem um ímpio, mas elas, as pessoas, são sectárias, convenhamos. Não sou, por outro lado, um agnóstico, pois detesto tucanices, inclusive no campo espiritual. Geralmente, o agnóstico refugia-se na impossibilidade empírica de a ciência conseguir provar a existência de Deus. É um refúgio agradável, tendo até um fast-food argumentativo e, por isso,  alimentando bem a dúvida agnóstica.</p>
<p>Porém, provar a existência ou a inexistência de Deus não é um problema  científico. Nunca foi. A ciência partilha com o ateísmo uma indiferença  absoluta em relação a essa questão. Simplesmente, não é um problema. É  nada. Ao contrário do agnóstico, este obsedado pela existência ou  inexistência do Dito-Cujo, o ateu está fora dessa discussão, pois ela  não existe como tal, apenas como chateação de crentes e agnósticos.  Não é um problema de prova, já que, nesse caso, as provas cansam a  verdade, seria unicamente uma questão de postura, anterior mesmo à  discussão.</p>
<p>Um ateu militante, como Dawkins, tem uma posição vulnerável, pois tenta abordar o problema teológico a partir de uma discussão científica. Mas, por  outro lado, o cabra escapa, em parte, dessa aporia quando diz, claramente,  que não quer provar a existência ou a inexistência de Deus, e sim sua  improbabilidade. Aqui, estamos diante de uma abordagem um pouco  diferente. Acho-a habilidosa. E, do meu ponto de vista, Dawkins utiliza  argumentos bem interessantes para explicar essa improbabilidade. Alguém pode defender, como um economista, por exemplo, que é preciso medir a  probabilidade para provar a improbabilidade. Acho que não precisamos ir tão longe. Além do mais, a mensuropatia guarda, muitas vezes, uma relação mais próxima com a magia do que  sonha nosso vão positivismo.</p>
<p>Mesmo achando interessante, acho ainda muito vulnerável a posição de  Dawkins ao discutir Deus do ponto de vista da sua maior ou menor  probabilidade. Além do mais, aqui não se nega Deus, pois Ele ainda  existiria como improbabilidade. Defendo que o verdadeiro terreno de  discussão não seja a ciência e sim a filosofia. Claro, argumentos  filosóficos podem se nutrir de evidências científicas, mas o contexto  discursivo é outro. Inclusive, aqui, os materialismos e algumas formas  de realismo têm uma vantagem em relação à teologia: esta possui uma  dificuldade em utilizar dados científicos para balizar seus argumentos  filosóficos. Afinal, como utilizar argumentos imanentes para uma  argumentação transcendental? Sinceramente, não dá.</p>
<p>Outra crítica a Dawkins é a seguinte e bem pessoal: ele  respeita demasiadamente o nome de Deus, talvez por causa do contexto  político da discussão nos EUA. Deus é o nome de uma entidade transcendental ou  sobrenatural (prefiro essa última designação). Nesse sentido, não se  distingue de outras entidades, como deuses, demônios, duendes e fadas. É  um preconceito etnocêntrico colocar a discussão sobre o Deus cristão  como superior filosoficamente ao debate, por exemplo, sobre a maior ou  menor probabilidade da existência de Yemanjá. Se Deus existe, tudo é  possível, inclusive Papai Noel. Acho que o problema é outro: qual é a  pertinência filosófica de uma esfera transcendental ou sobrenatural?  Digo logo e, pela pressa, assumo meu sectarismo: nenhuma. Só concebo  transcendência na imanência (o que torna a transcendência humana,  relativa, parcial e histórica). Vivemos filosoficamente num imanentismo  absoluto. Como já disse um filósofo cheio de furúnculos: tudo é  história.</p>
<p>Enfim, gosto de ateus militantes como Richard Dawkins, Christopher Hitchens e Sam Harris. Ainda acho todos eles inferiores a um Bertrand Russel, um filósofo de mão cheia, por exemplo, mas não nego minha simpatia. Algumas vezes, contudo, o ateu tem uma propensão, quando desiste do ateísmo, ao deísmo. Vira um trânsfuga e passa a acreditar na identidade entre Razão e Deus.  O deísta acredita num Deus inteiramente derivado da Razão (o que, filosoficamente, pode ser interessante), mas que se ausentou do Universo após a Criação (o que, humanamente, é um tanto patético).</p>
<p>Abaixo, um vídeo interessante de Sam Harris (vejam seus livros <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/busca/busca.asp?par=OGORAO&amp;tipo_pesq=autor&amp;bmodo=&amp;precomax=0&amp;ordem=disponibilidade&amp;nautor=449783&amp;n1=0&amp;n2=0&amp;n3=0&amp;limpa=0&amp;palavratitulo=&amp;palavraautor=&amp;palavraeditora=&amp;palavraassunto=&amp;palavraisbn=&amp;palavra=&amp;modobuscatitulo=pc&amp;modobuscaautor=pc&amp;cidioma=&amp;refino=1&amp;sid=87113776412613686232634253&amp;k5=1F8DA76A&amp;uid=" target="_blank">aqui</a>). Depois, volto com uma estorinha.</p>
</div>
<div>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="512" height="322" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="AllowScriptAccess" value="always" /><param name="bgcolor" value="#000000" /><param name="flashVars" value="id=15340103&amp;vid=5892196&amp;lang=es-mx&amp;intl=e1&amp;thumbUrl=http%3A//l.yimg.com/a/p/i/bcst/videosearch/10891/92358977.jpeg&amp;embed=1" /><param name="src" value="http://d.yimg.com/static.video.yahoo.com/yep/YV_YEP.swf?ver=2.2.46" /><param name="flashvars" value="id=15340103&amp;vid=5892196&amp;lang=es-mx&amp;intl=e1&amp;thumbUrl=http%3A//l.yimg.com/a/p/i/bcst/videosearch/10891/92358977.jpeg&amp;embed=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="512" height="322" src="http://d.yimg.com/static.video.yahoo.com/yep/YV_YEP.swf?ver=2.2.46" flashvars="id=15340103&amp;vid=5892196&amp;lang=es-mx&amp;intl=e1&amp;thumbUrl=http%3A//l.yimg.com/a/p/i/bcst/videosearch/10891/92358977.jpeg&amp;embed=1" bgcolor="#000000" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Lembrei-me de uma estorinha de farra entre Freud e Orravan (personagens antigos desse blog). Pra quem não sabe, os dois foram grandes amigos e alguns biógrafos acham que foi Orravan quem descobriu a noção de inconsciente. Tudo porque Freud inventou a psicanálise quando estava escondido de Orravan (um cara que não suportava discutir durante muito tempo, resolvendo as polêmicas na porrada) justamente atrás da cristaleira tcheca de sua mãe. Há provas de que foi atrás da cristaleira que Sigmund descobriu o Complexo de Édipo &#8212; ali, embriagado de recalques, desejou a mãe e quis matar o pai, Leidag.</p>
<p>Pois bem, um dia, na juventude, os dois entraram num bar belga para tomar leite de gironda, uma bebida estranha que causava uma aguda vasodilatação cerebral. Entraram no bar, mas onde estava o garçom?</p>
<p>_Não tem garçom nesse bar &#8212; disse com convicção empírica, Freud.<br />
_Não há bar sem garçom &#8212; falou, ainda mais convicto, Orravan.<br />
_Talvez, mas nesse bar, em especial, não há garçom.<br />
_Não é possível um bar belga sem garçom. Vamos esperar um pouco.</p>
<p>Esperaram meia-hora. Freud estava feliz. Adorava contrariar Orravan. Adorava estar certo: aquele bar não tinha garçom. Mas essa atitude era temerária, pois Orravan detestava quando Freud acertava uma. E dava nos nervos aquele risinho de sarcasmo de Sigmund.</p>
<p>_O garçom é invisível &#8212; disse Orravan, olhando de forma desafiadora.<br />
_Invisível?! Como invisível?! Um garçom belga invisível? Isso é muito improvável.<br />
_O improvável não é o impossível.<br />
_Certo, mas&#8230;<br />
_Proponho uma experiência.</p>
<p>Freud caíra na armadilha. Orravan sabia que ele amava fazer experiências. O cara virava um abelha diante de um tonel de mel. Se fossem experiências com hamsters, aí então Sigmund pirava de vez.</p>
<p>(pra quem não sabe, as primeiras sessões psicanalíticas foram com roedores. O homem dos ratos, por exemplo, foi um eufemismo para um hamster muito querido, e muito neurótico, de Freud).</p>
<p>Cercaram o interior do bar com sensores elétricos e magnéticos. Se tivesse um garçom qualquer, mesmo um belga, seria detectado. Os sensores, inclusive, davam choques elétricos. Esperaram um tempão, mas nada aconteceu, porém.</p>
<p>_Viu?! Não tem garçom.<br />
_Pode ser que estejamos diante de um garçom invisível, intangível e tolerante a choques elétricos. Ah, sim, provavelmente, não fede nem cheira, já que não tem odor algum nesse bar.<br />
_Não tem como verificar empiricamente a existência de um garçom invisível, intangível e tolerante a choques elétricos, logo, imperceptível.<br />
_Problema teu. Você não conseguiu provar que não tem garçom nesse bar.</p>
<p>Ah, como irritava Freud esse sofismo de Orravan.</p>
<p>_Mas me diga uma coisa, meu chapa: qual a diferença entre um garçom que não existe e um invisível, intangível e tolerante a choques elétricos, logo, imperceptível?<br />
_Ora, a sua existência!<br />
_Oxe, rapaz, afirmar algo implica negar a negação de algo. Toda afirmação implica a negação de tudo o que nega a sua verdade.<br />
_É papo retórico de tua parte. Você não consegue provar que o garçom não existe e vem com esse papo!<br />
_Entre um garçom que não existe e um invisível e imperceptível, não há negação alguma. Diante dessa situação, finda a proposição &#8220;o garçom existe&#8221; não passando de uma pseudoproposição. Ela, no fundo, não nega nada, logo, não significa nada e nada afirma.<br />
_Pois acho que os desígnios desse bar são inescrutáveis.<br />
_Pois tua afirmação é um enunciado que nada significa ou afirma.</p>
<p>Freud meneou a cabeça. Sabia que Orravan só queria uma provocação para lhe dar uma surra. E, naquele bar, não existia uma cristaleira tcheca para se esconder. Preferiu, assim, recuar. Olhou uma garrafa de leite de gironda no balcão e apontou.</p>
<p>_E aquela garrafa ali existe?<br />
_Claro, é óbvio que existe. E não é invisível como o garçom desse bar.<br />
_Bem, enquanto esperamos o garçom aparecer, podemos bebê-la.<br />
_Bora lá. De todo modo, deixarei a gorjeta do garçom aqui no balcão. Mesmo invisivel, todo garçom aparece para buscar sua gorjeta.<br />
_Duvido muito. Saúde!<br />
_Ah, não seja pessimista. Saúde!</p>
</div>
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		<title>A energia nuclear e a soberania nacional</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jun 2010 15:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[diplomacia]]></category>
		<category><![CDATA[energia atômica]]></category>
		<category><![CDATA[energia nuclear]]></category>
		<category><![CDATA[Samuel Pinheiro Guimarães]]></category>
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		<description><![CDATA[Artigo interessante do Ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, sobre a energia nuclear e a posição diplomática brasileira. Ele defende que o Brasil não pode assinar o Protocolo  Adicional aos Acordos de Salvaguarda do Tratado de Não  Proliferação  Nuclear (TNP), isto é, vai de encontro à posição americana, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Artigo interessante do Ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, sobre a energia nuclear e a posição diplomática brasileira. Ele defende que o Brasil não pode assinar o Protocolo  Adicional aos Acordos de Salvaguarda do Tratado de Não  Proliferação  Nuclear (TNP), isto é, vai de encontro à posição americana, que é praticamente uma proibição do uso da tecnologia nuclear para fins pacíficos. Os países militarmentes atômicos teriam, assim, o monopólio de qualquer tipo de uso da energia atômica. Porém, o uso pacífico da tecnologia nuclerar foi a condição <em>sine qua non </em>para o Brasil aderir ao TNP. Outra condição, completamente esquecida, aliás, foi o desarmamento geral das nações atômicas (EUA, Rússia, China, França e Inglaterra). O protocolo, na visão do ministro-chefe, seria um atentado contra nossa soberania nacional.</p>
<p>Pesquei <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16572" target="_blank">daqui</a>:</p>
<p><em><span style="color: #800000;">Samuel Pinheiro Guimarães.</span></em></p>
<p><span style="color: #800000;"> O acúmulo de gases de efeito estufa na  atmosfera provoca o aquecimento global e suas catastróficas  conseqüências. Cerca de 77% desses gases correspondem a CO2, dióxido de  carbono, resultado inevitável da queima de combustíveis fósseis para  gerar energia elétrica e para movimentar indústrias e veículos, desde  automóveis a aviões e navios. Esta é a base da economia industrial  moderna, desde a construção de uma máquina a vapor, capaz de girar uma  roda, em 1781, por James Watt.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">A redução das emissões de dióxido  de carbono é essencial para impedir que a concentração de gases, que  hoje alcança 391 partículas por milhão, ultrapasse 450 ppm. Este nível  de concentração corresponderia a um aumento de 2ºC na temperatura, um  limiar hoje considerado como o máximo tolerável, devido ao degelo das  calotas polares e ao aquecimento dos oceanos &#8211; o que, ao ocorrer de  forma gradual e combinada, levaria à inundação das zonas costeiras de  muitos países, onde vivem cerca de 70% da população mundial.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">Todavia,  desde a assinatura do Protocolo de Quioto, em 1997, que estabeleceu  metas para 2008-2012 de redução dessas emissões a níveis 5% inferiores  àqueles verificados em 1990, a emissão de gases de efeito estufa  aumentou. 70% da energia elétrica nos Estados Unidos é gerada por  termoelétricas a carvão e gás; 50% da energia elétrica produzida na  Europa é gerada por termoelétricas a carvão e a gás; 80% da energia  elétrica chinesa tem como origem termoelétricas a carvão.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">Em  grande medida, a solução da crise ambiental depende, assim, da  transformação radical da matriz energética, em especial das usinas de  geração de eletricidade de modo a que venham a utilizar fontes  renováveis de energia. Muitos dos países que são importantes emissores  de gases de efeito estufa que teriam de transformar suas matrizes  energéticas (responsáveis por 70% das emissões desses gases), não têm  recursos hídricos suficientes (China, Índia, Europa etc.) ou não têm  capacidade para gerar energia eólica e solar economicamente &#8211; fontes  que, por serem intermitentes (a usina eólica funciona, em média, 25% do  tempo e a solar somente durante período do dia) não asseguram  continuidade de suprimento e nem sua energia pode ser armazenada. Mesmo a  produção econômica de energia a partir da biomassa (etanol) se  aplicaria mais à substituição de gasolina e diesel em veículos do que à  produção de energia elétrica.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">Resta, portanto, a energia nuclear  como solução viável para a geração de energia elétrica em grande escala,  uma vez que estão superados os problemas ambientais e de segurança. A  energia nuclear, que hoje responde por 20% da energia elétrica produzida  nos Estados Unidos; 75% na França; 25% no Japão e 20% na Alemanha, é  produzida, como se sabe, a partir do urânio. Patrick Moore , fundador do  Greenpeace, foi enfático ao declarar: “a energia nuclear é a única  grande fonte de energia que pode substituir os combustíveis fósseis.”</span></p>
<p><span style="color: #800000;">81%  das reservas de urânio conhecidas se encontram em seis países. O Brasil  tem a 6ª maior reserva de urânio do mundo, tendo ainda a prospectar  mais de 80% do seu território. A estimativa é de que o Brasil pode vir a  deter a terceira maior reserva do mundo. Cinco companhias no mundo  produzem 71% do urânio. O urânio na natureza se encontra em um grau de  concentração de 0,7%. Para ser usado como combustível esse urânio tem de  ser minerado, beneficiado, convertido em gás, enriquecido a cerca de  4%, reconvertido em pó e transformado em pastilhas, que é a forma do  combustível utilizado nos reatores.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">Esse processo industrial é  extremamente complexo e apenas oito países do mundo detém o conhecimento  tecnológico do ciclo completo e a capacidade industrial para produzir  todas as etapas do ciclo. Um deles é o Brasil. O Brasil combina, assim, a  posse de reservas substanciais, e potencialmente muito maiores, com o  conhecimento tecnológico e a capacidade industrial além de deter a  capacidade industrial que permitiria produzir reatores.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">Apesar da  Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) prever um crescimento  moderado da demanda por urânio enriquecido, o fato é que países como a  China e a Índia precisarão de instalar capacidade extraordinária de  usinas não poluentes para aumentar a oferta de energia elétrica sem  aumentar de forma extraordinária suas emissões de CO2. A China planeja  aumentar sua capacidade instalada total de geração de energia elétrica  em 100.000 MW por ano, o que equivale a toda a atual capacidade  brasileira.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">Caso os países desenvolvidos não aumentassem sua  produção industrial e pudessem assim ser mantidos os atuais níveis de  geração de eletricidade e, portanto, de emissão de gases, e os grandes  países emergentes também não aumentassem suas emissões atuais de gases  (e, portanto, mantivessem sua produção atual, com crescimento econômico  zero) o nível de limiar do aumento de temperatura, 2ºC seria atingido  muito antes do previsto &#8211; e até ultrapassado.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">Assim, é  urgentemente necessário diminuir a emissão de gases de efeito estufa e,  ao mesmo tempo, manter o crescimento econômico/social elevado para  retirar centenas de milhões de seres humanos da situação abjeta de  pobreza em que vivem. Isto só é possível através da geração de energia  elétrica a partir do urânio. Para gerar 1Kw de energia elétrica, uma  usina a carvão gera 955 gramas de CO2; uma usina a óleo 818 g; uma usina  a gás gera 446 g e a usina nuclear 4 g (quatro!) de CO2.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">Oa  grandes países produtores de energia, portanto, terão de mudar sua  matriz energética, cuja base hoje são combustíveis fósseis, para  utilizar combustíveis renováveis e não-fósseis como a energia nuclear &#8211;  única que atende aos requisitos de regularidade, de suprimento, de  economia e de localização flexível. Mas os extraordinários interesses  das grandes empresas produtoras de petróleo, de gás e de carvão dos  países que detém as principais jazidas desses combustíveis fósseis &#8211;  carvão (Estados Unidos e China); gás (Rússia e EUA); e petróleo (Arábia  Saudita, etc. &#8211; e os custos, difíceis de exagerar, de transformação de  suas matrizes energéticas e de seus hábitos de consumo, tendem a  influenciar as considerações dos técnicos que elaboram aquelas  estimativas conservadoras da Agência Internacional de Energia – AIE, que  prevêem o contínuo uso de combustíveis fósseis e um pequeno aumento de  demanda por energia nuclear nos próximos anos.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">Apesar de tudo, a  deterioração das condições climáticas e fenômenos extremos farão com que  a urgência de medidas de reorganização econômica se imponham, inclusive  pela pressão dos cidadãos sobre os governos, apesar da contra-pressão  dos interesses das mega-empresas. Assim, apesar daquelas estimativas  modestas, o mercado internacional para urânio enriquecido será  extremamente importante nas próximas décadas, caso se queira evitar  catástrofes climáticas irreversíveis.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">Certas iniciativas dos  países nucleares, a pretexto de enfrentar ameaças terroristas, podem  afetar profundamente as possibilidades de participação do Brasil nesse  mercado. Tais iniciativas se caracterizam por procurar concentrar nos  países altamente desenvolvidos a produção de urânio enriquecido e de  impedir sua produção em outros países, em especial naqueles que detêm  reservas de urânio e tecnologia de enriquecimento. Em outros países, que  são a maioria, o tema não tem importância, e serve apenas para criar  meios de pressão sobre os primeiros. Isto afeta diretamente o Brasil, do  ponto de vista econômico e de vulnerabilidade política.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">Por  outro lado, esses países procuram restringir por todos os meios a  transferência de tecnologia, procuram impedir o desenvolvimento autônomo  de tecnologia e procuram conhecer o que os demais países estão fazendo,  sem revelar o que eles mesmos fazem. O Protocolo Adicional aos Acordos  de Salvaguarda com a AIEA, previstos pelo TNP (Tratado de Não  Proliferação) é um instrumento poderoso, em especial naqueles países  onde há capacidade de desenvolvimento tecnológico &#8211; caso do Brasil. Onde  não há essa capacidade não tem o Protocolo qualquer importância, nem  para os que dele se beneficiam (os Estados nucleares) nem para aqueles  que a suas obrigações se submetem (os Estados não-nucleares que não  detêm urânio, nem tecnologia, nem capacidade industrial e que são a  maioria esmagadora dos países do mundo).</span></p>
<p><span style="color: #800000;">A concordância do Brasil  com a assinatura de um Protocolo Adicional ao TNP permitiria que  inspetores da AIEA, sem aviso prévio, inspecionassem qualquer instalação  industrial brasileira que considerassem de interesse, além das  instalações nucleares (inclusive as fábricas de ultracentrífugas) e do  submarino nuclear, e tivessem acesso a qualquer máquina, a suas partes e  aos métodos de sua fabricação, ou seja, a qualquer lugar do território  brasileiro, quer seja civil ou militar, para inspecioná-lo, inclusive  instituições de pesquisas civis e militares. Ora, os inspetores são  formalmente funcionários da AIEA, mas, em realidade, técnicos altamente  qualificados, em geral nacionais de países desenvolvidos, naturalmente  imbuídos da “justiça” da existência de um oligopólio nuclear não só  militar, mas também civil, e sempre prontos a colaborar não só com a  AIEA, o que fazem por dever profissional, mas também com as autoridades  dos países de que são nacionais.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">O Protocolo Adicional e as  propostas de centralização em instalações internacionais da produção de  urânio enriquecido são instrumentos disfarçados de revisão do TNP no seu  pilar mais importante para o Brasil, que é o direito de desenvolver  tecnologia para o uso pacífico da energia nuclear. Esta foi uma das  condições para o Brasil aderir ao TNP, sendo a outra o desarmamento  geral, tanto nuclear como convencional, dos Estados nucleares (Estados  Unidos, Rússia, China, França e Inglaterra), como dispõe o Decreto  legislativo 65, de 2/7/1998: “a adesão do Brasil ao presente Tratado  está vinculada ao entendimento de que, nos termos do artigo VI, serão  tomadas medidas efetivas visando à cessação, em data próxima, da corrida  armamentista nuclear, com a completa eliminação das armas atômicas”.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">Todavia,  desde 1968, quando foi assinado o TNP, os Estados nucleares, sob  variados pretextos, aumentaram suas despesas militares e incrementaram  de forma extraordinária a letalidade de suas armas não só nucleares como  convencionais e assim, portanto, descumpriram as obrigações assumidas  solenemente ao subscreverem o TNP. Agora tentam rever o Tratado para  tornar a situação deles ainda mais privilegiada, com poder de arbítrio  ainda maior, enquanto a situação econômica e política dos países não  nucleares fica ainda mais vulnerável diante do exercício daquele  arbítrio.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">Ao contrário da maior parte dos países que assinaram o  Protocolo Adicional, o Brasil conquistou o domínio da tecnologia de todo  o ciclo de enriquecimento do urânio e tem importantes reservas de  urânio. Só três países &#8211; Brasil, Estados Unidos e Rússia &#8211; têm tal  situação privilegiada em um mundo em que a energia nuclear terá de ser a  base da nova economia livre de carbono, indispensável à sobrevivência  da humanidade. Aceitar o Protocolo Adicional e a internacionalização do  enriquecimento de urânio seria, assim, um crime de lesa-pátria.</span></p>
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		<title>Eleições e Colômbia</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jun 2010 01:50:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cacetada! Acabei de ler no Blog de Eduardo Guimarães notícias sobre a eleição na Colômbia. Enquanto isso, Miriam Leitão tem uma opinião bem mais idílica desse processo eleitoral (espanta-se com os erros das pesquisas). O Blog do Alon, também, ratifica uma posição menos crítica:
Uma hipótese seria a fraude, mas não parece provável. Outra seria a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cacetada! Acabei de ler no <a href="http://www.blogcidadania.com.br/2010/05/imprensa-brasileira-esconde-farsa-eleitoral-na-colombia/" target="_blank">Blog de Eduardo Guimarães</a> notícias sobre a eleição na Colômbia. Enquanto isso, <a href="http://acertodecontas.blog.br/internacional/sobre-eleicoes-pesquisas-transferencia-de-votos/" target="_blank">Miriam Leitão</a> tem uma opinião bem mais idílica desse processo eleitoral (espanta-se com os erros das pesquisas). O <a href="http://www.blogdoalon.com.br/2010/06/pesquisas-complicadas-0106.html" target="_blank">Blog do Alon</a>, também, ratifica uma posição menos crítica:</p>
<blockquote><p>Uma hipótese seria a fraude, mas não parece provável. Outra seria a  súbita mudança do eleitorado na véspera da eleição, possibilidade não  comprovável. Uma terceira seria a subestimação do voto rural, como  sugeriu ontem um perplexo Mockus.</p></blockquote>
<p>Como sou um notório paranóico, ainda mais esquerdista&#8230;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong><span style="font-size: medium;">Imprensa brasileira esconde farsa eleitoral na  Colômbia</span></strong></span></p>
<p><span style="color: #800000;">Está acontecendo um verdadeiro escândalo eleitoral logo aqui ao lado,  na Colômbia, mas, no Brasil, estamos completamente alheios ao fato. Uma  eleição está sendo roubada pelo regime de forma descarada, com relatos  sucessivos de fraudes, intimidações, assassinatos e incursão de agentes  norte-americanos no país para influírem no processo. Contudo, na  imprensa brasileira mal se percebe que o país vizinho começou a escolher  seu novo presidente.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">Contrariando as pesquisas de intenção de voto, o candidato  governista, Juan Manuel Santos, do Partido de Unidade Nacional, o mesmo  do presidente Alvaro Uribe, teve mais do que o dobro dos votos do  oposicionista Antanas Mockus, do Partido Verde, na eleição de ontem.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">Os observadores internacionais e nacionais estão fazendo reiteradas  denúncias. A candidatura de Santos teria sido beneficiada pela compra de  votos, segundo acusa relatório da Missão de Observação Eleitoral (MOE)  da Colômbia. Mesmo com a segurança reforçada em todo o país, foram  registradas 17 ações armadas, de acordo com a entidade. Esses ataques  impediram que muitos eleitores chegassem aos centros de votação. Houve  bloqueio de estradas e a descoberta de explosivos em zonas rurais.  Várias mortes foram registradas.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">É voz corrente no país que está sendo encenada uma farsa ao fim da  qual o candidato de Uribe será eleito. Tanto é verossímil essa versão  que a abstenção chegou a 51%. A maioria da população nem se atreve a se  arriscar a ir votar e sofrer pressões e constrangimentos. A transição  vai sendo conduzida muito mais pela Cia do que pelo regime beneficiado  pelas fraudes – um regime afundado em denúncias e escândalos de  corrupção.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">No entanto, você já ouviu o Arnaldo Jabor vociferar contra a Colômbia  chamando o regime de Uribe de “ditadura”? Onde estão Globos, Folhas,  Vejas e Estadões para condenaram essa farsa eleitoral na Colômbia, esse  estupro da democracia que acontece aqui ao nosso lado? A eloqüência com  que condenam a Venezuela ou a Bolívia que têm feito eleições  inquestionáveis simplesmente vira fumaça diante de um país como a  Colômbia, em que a democracia é uma enorme farsa.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">No Bom Dia Brasil, por exemplo, nenhuma palavra sobre fraudes,  pressões, assassinatos de eleitores ou sobre a incursão americana no  processo eleitoral colombiano. Só falaram que as pesquisas “erraram”. A  Folha de São Paulo desta segunda, nada noticiou sobre o assunto. O Globo  diz que o candidato de Uribe “surpreendeu”. O Estadão diz apenas que o  candidato do regime foi “o mais votado”. O Valor diz, seco, que “haverá  segundo turno”.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">A exceção foi o Jornal do Brasil, reportando denúncias de compras de  votos, e matéria do UOL que não foi parar no jornal do grupo Folha.</span></p>
<p><span style="color: #800000;">Junte-se essa postura da imprensa brasileira com a que adotou em  relação ao golpe em Honduras, criando mais uma expressão polêmica, a do  “golpe constitucional”, ou a discurseira que os veículos de Marinhos,  Frias, Civitas e Mesquitas mandaram seus capangas “colunistas” e  “blogueiros” espalharem sobre cassar a candidatura Dilma Rousseff por  “propaganda antecipada” e se terá claro quanta ameaça ainda pesa sobre a  democracia brasileira.</span></p>
<p><span style="color: #800000;"><p><a href="http://www.blogdosperrusi.com/2010/06/01/eleicoes-e-colombia/"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p><br />
</span></p>
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