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Sessão FC

8 de fevereiro de 2010, às 8:30h

Outro grande final de filme de ficção científica (?):

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Continuando a pegada do Planeta dos Macacos, mais um filme com Charlton Heston:

omega man trailer

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Mais outro:

Soylent green trailer

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Ainda o caso da UniBan

8 de novembro de 2009, às 20:49h

Através do Hermenauta, fui parar num blog ultraconservador (ah, se existisse um fascismo cristão… Mas não existiu um desses na Espanha de Franco?). O tal blog responde positivamente à minha preocupação de que o ovo da serpente existe e pode eclodir. O post faz uma defesa dos alunos da UNIBAN no caso já comentado, aqui, sobre a aluna Geisy Arruda, que usou uma minissaia, foi esculhambada pelos alunos e expulsa da e pela universidade. Pincei partes do post.

Primeiro, tentei compreender a intenção do autor, que intitulou seu post com o sugestivo título:

Precisamos de mais alunos como os da UniBAN

O título acima já prova que não estou tentando ser popular e principalmente ser agradável ao mainstream, não gosto do comportamento de manada nem da opinião induzida, por isso fui buscar provas com sinceridade em duvidar nas absurdas e não provadas acusações de que os alunos da UniBan vem sofrendo em nome da moral de puteiro, no qual toda moça tem o direito de usar mini-saia onde bem entende.

A dúvida nasceu da própria assertiva de que os alunos a quiseram estuprar em público pela moça estar provocando eles. Sim, ao contrário do que se entende, vários depoimentos (Que irei citar sem retoques) mostram que ela provocou diretamente o caso…

Claro, a culpa é da aluna. Mas o interessante aqui, nessa elucidativa lição sobre o fascio tupiniquim, são os depoimentos arrolados pelo blogueiro (crianças, saiam da frente do blog, vão dormir, porque o conteúdo é impróprio para seres inocentes):

Desculpe, mas a noticia está errada. Uma colega minha estuda na UNIBAN, na sala ao lado da garota, e ela afirmou que não houve “tentativa de estupro”, oq houve foi um bando de marmanjos xingando a menina pela forma que ela estava vestida. E afirmou também que a menina ficava se insinuando na frente das outras salas.

A culpa, como sempre, é da aluna…

Aqui, é muita mentira esta onda de q os alunos iam estuprar a garota. Isto não existiu… Eu estava lá!!!! Estávamos gritando PUTA! PUTA! PUTA!, e ESTUPRA!, ESTUPRA!, ESTUPRA! só de ZOAÇÃO, só de GOZAÇÃO!! Até parece q alguém iria estuprar uma mina no meio de uma universidade com todo mundo vendo!!! Até parece!! Fazer isto seria certeza de ser preso e destruir sua vida!! Ninguém iria fazer isto só porque uma destrambelhada resolveu ir pra aula com uma roupa inadequada. Destruir sua própria vida apenas porque uma mina resolveu ir pra aula mostrando sua bunda e outras partes íntimas seria demais!!!
E esta mina já é conhecida na UNIBAN de outros carnavais… Não é nenhuma santinha q de repente resolveu vestir uma roupa mais ousada!!! Ela sempre se veste de forma a provocar os outros!!
Aquela velha lição q nossa vó nos ensinou vale aqui: se queremos ser respeitados, devemos nos respeitar primeiro. E não foi isto q aconteceu, a mina não se respeitava, então os outros não a respeitaram!!!

Sim, sim, era só zoação, só gozação. Se era pra estuprar, como ninguém é burro, estuprava num descampado, num lugar mais adequado. Estupro precisa de um mínimo de estratégia e de inteligência. Lugar público? Nem pensar. Além do mais, a mina, que não se respeita, merecia a lição.

A posição dá calafrios. Uma atitude que é vista como uma provocação moral leva, invariavelmente, a uma reação violenta — uma violência provocada e, por isso, legítima. A situação tornou-se um problema moral insustentável: um problema de gênero e de dominação masculina. Lembra o filme “Acusados“, com Jodie Foster.

Outro depoimento:

Eu estudo lá. A mina ia subindo a rampa e os caras mexiam, daí ela olhava pra trás, jogava o cabelo pro lado, ajeitava o vestido, e ia caminhando rebolando. Subiu, e lá de cima provocava. E não é a 1ª vez isso, só q da outra vez (1 dia antes) não chamaram a polícia, pq ela estava mais comportada.

A mina era temerária. Antes, tinha até provocado. No fundo, pedia, implorava — o quê? Teve sorte, pois chamaram a polícia. Nada como a PM para resolver, no Brasil, questões morais e políticas.

Já no final, o autor do post, diante dos magníficos depoimentos, arremata sua conclusão:

Os alunos podem ter errado? Sim… eles admitem isso, admitem também que pouco estavam se importando que esse assunto ia parar na internet e nas mãos dos politicamentes corretos sentirem-se com a consciência mais leve acusando terceiros. Mas se não ocorreu estupro como baseio-me acima para não acreditar nesse absurdo, parabéns aos alunos da UniBAN, que não permite que seu ambiente de ensino seja maculado com as vicitudes de outros ambientes, e isso não é apenas institucional que não pode controlar tudo, é na raíz da UniBAN, os alunos realmente estavam engajados em expulsar a moça de lá independente de uma autoridade universitária, nada mais libertário que não necessitar da aprovação de terceiros para se fazer o que é certo. Eles entenderam o que significa ser um watchdog, um vigia da liberdade que só pode existir com uma moral responsável e madura não imposta, e ninguém impôs moral a esses alunos, exceto o #mimimi da internet. Meu amigo católico dizia que se pode ser conservador e conservar qualquer coisa, ele estava certo. O que há no Brasil são conservadores dos maus costumes e da imoralidade.

Sabe-se, afinal, o que é o bom conservadorismo e a defesa da verdadeira moral. Quando a política vira polícia e a liberdade, vigilância moral, estamos ferrrados. Liberdade é a liberdade de bem vigiar, o resto é “politicamente correto”. Se o acontecimento acima é um problema moral e de gênero, como já disse, seria também profundamente político.

Gosto de monitorar, na blogosfera, os blogs de extrema-direita e de extrema-esquerda. Essa posição, nos blogs de extrema-direita, não é incomum. Por enquanto, são posições minoritárias. Para eclodir, precisam de uma voz forte, com bigodinho ou histrionismo, com bota ou quepe — precisam de um símbolo; sim, precisam urgentemente de um símbolo.

Uma centelha basta, daí o perigo.

Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XXIX

13 de setembro de 2009, às 20:51h

Em tempo: os textos novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.

Laura Reed & Deep Pocket — Prodigy
Casamento
Beleza Pura
Política & Itália


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(Arts longa, vita brevis)

29º CAPÍTULO

Tadinho do Monsenhor Lippi! Aos trinta anos, dorme com uma linda mulher e não sabe o que teria ocorrido. Mas… os tempos mudaram!

─ Sabe, Tsé! Somente me dei conta do que ocorreu quando voltei para Roma.

E, assim, Lippi continuou o relato de sua viagem a Oxford.

Voltamos, eu e Susan, à Universidade, em completo silêncio. Cada um foi assistir a conferências diferentes, com a promessa mútua de um encontro na hora do almoço. Mas eu estava tão inquieto e perturbado que não resisti. Saí do auditório e fui ao meu hotel. Arrumei a mala e voltei a Roma sem avisar a ninguém, correndo o risco evidente de jamais reencontrar Susan.

Foi uma semana desastrada. Não trabalhei absolutamente nada, os papéis escorregavam de minhas mãos, os livros pareciam vazios, sem letras; papel branco e nada mais. Mal conseguia dormir. Susan tornara-se proprietária de minhas emoções, do meu corpo e de minha alma, se alma existe.

Na tarde da sexta-feira seguinte, o porteiro da Biblioteca avisou-me que uma pesquisadora estrangeira queria falar comigo. Mandei-a entrar. Era a Dra. Susan Bates com uma valise de viagem. O abraço foi longo e o beijo mais terno ainda. Nem precisei pedir desculpas.

Susan colocou em cima do meu birô duas passagens de ida e volta a Konstanz, na Alemanha, e uma reserva num chalé à beira do lago. O destino não bate à nossa porta por duas vezes. Telefonei para o Cardeal Ratti, meu chefe, e pedi-lhe uma semana de férias sob o pretexto de que estava exausto.

Passamos à noite celebrando nosso novo encontro, passeando pelas ruas de Roma, parando em algum bistrô para tomarmos uma taça de vinho.

─ Giorgio! Adoro fujões! Entendo perfeitamente seu estado de espírito. Mas não queria perdê-lo ─ Disse-me Susan.

No dia seguinte, insones pela noite de confidências e de paixão, partimos de trem para Konstanz. Foi minha primeira e única lua-de-mel. Esquiamos no lago congelado, passeamos e, sobretudo, fizemos amor. Não sabia o que era ter uma mulher amada nos braços. E ainda não sei completamente, tal a plenitude do que vivemos.

Daí em diante, e durante três meses, alternávamos os fins de semana, ora em Pen Gold, ora na Itália, neste apartamento ou na minha villa.

No quarto mês, recebi um telegrama de Susan pedindo-me que fosse com urgência à Inglaterra.

Esperava-me na pequena estação de trem. Na direção do seu Bentley, era a mesma louca do volante de sempre. Subimos para nosso quarto na companhia de Meg, sua irmã médica que clinicava em Londres. Como sempre, Susan era direta e clara em seus assuntos:

─ Giorgio! Estou grávida e quero ter minha criança. Pouco me importo com o que vão dizer na Universidade. Desejo apenas sua opinião.

Não posso, Tsé, descrever a emoção que senti. Não sabia se chorava, ria, dançava ou ficava calado. Mas respondi a Susan:

─ Eu quero, também, nossa criança e jamais admitiria perdê-la.

Combinamos todos os detalhes. Meg acompanharia clinicamente a gravidez da irmã. Enquanto ela pôde, continuamos a nos visitar. Mas, quando a hora da délivrance se aproximou, tirei nova licença e fiquei junto de Susan. As dores começaram e o parto foi perfeito. Ouvi o choro da criança e subi rapidamente a escadaria.

Um bebê estava envolto em panos, apressado, já sugando o leite materno. Era uma menina. Acho que não tive em toda a minha vida, uma alegria tão grande como aquela. Na mesma tarde, fomos, eu e Meg, ao cartório de Oxford e registramos a criança com o nome de Constanza Bates Lippi. No dia seguinte, fui a Londres e registrei Constanza na embaixada italiana. Dupla nacionalidade e uma deliciosa mistura anglo-italiana. Constanza cresceu e habituou-se a ver o pai italiano nos fins de semana ou, então, a passar as férias comigo na Itália, algumas vezes, acompanhada de Susan.

Nossa paixão crescia e crescia. Quis deixar a ICR, atendendo a um convite de Oxford. Eu e Susan nos casaríamos na Inglaterra. Mas ela preferia viver sozinha em sua herdade na companhia de Constanza. Detestava o casamento e sempre argumentou que nosso amor fora construído com o Canal da Mancha entre a gente. Besteira de sua mentalidade feminista, que sempre, aliás, respeitei. Bobagem minha! O importante era nosso amor e, principalmente, nossa filha.

Quando Constanza estava perto de completar dez anos, novo telegrama me assustou. E dessa vez para sempre. A velocidade e a imprudência venceram Susan. Na direção do seu novo Bentley, chocara-se numa das curvas com um caminhão carregado de feno que entrava na pequena estrada em direção da estação ferroviária.

acidente+richarlyson

Na cerimônia fúnebre, na Universidade de Oxford, eu e Constanza ficamos abraçados, enquanto o Capelão recitava um breve e inócuo salmo. Perdera Susan, mas ela me deixava uma preciosa pérola como herança. Nada mais!

Voltamos a Pen Gold em silêncio num rigoroso inverno. As mesmas árvores cinzas e desgalhadas guardavam a casa. Inútil paisagem! Deserta! Árida! Como sentia meu coração. Pequenos flocos de neve caíam sobre o gramado. Mas Susan não poderia mais apreciá-los!

Na sala de jantar, houve uma pequena reunião familiar: eu, Constanza, Meg, o marido e o casal de filhos.

─ Filha! Vamos para Roma? ─ Perguntei a Constanza.

─ Não, Papi! Já conversei com tia Meg. Prefiro ficar com eles. Você me visita, e eu vou à Itália visitar você.

Constanza herdara a mesma lucidez e determinação de sua mãe. Mas as negras nuvens sobre a Europa começavam a desabar. Minha filha estava em segurança em Pen Gold. Eu, também, embora prisioneiro no Vaticano. E foi assim que passamos a Guerra. Os demônios se soltaram e muitas coisas aconteceram. Voltamos a nos ver cinco anos depois, embora sempre tenhamos mantido uma intensa correspondência através da Nunciatura, único corredor aberto entre mim e Constanza.

Aos vinte e um anos, ela tomou posse de sua propriedade e, logo depois, como bolsista, começou seu Doutorado em Biologia em Oxford.

Ao longo de todo esse tempo, construímos uma amizade filial inabalável. Mais, muito mais, do que pai e filha. Antes, temos sido companheiros e cúmplices em tudo. Mesmo quando, depois de alguns anos, voltei a me casar com uma prima siciliana. Conheci-a, justamente, no velório de minha mãe, quando toda a famiglia se reuniu. Valentina era uma jovem viúva com dois filhos. O cerco dos familiares foi imenso e chegara o tempo de povoar minha fazenda, aqui perto de Roma.

─ Tsé! Você mesmo a conheceu quando nos visitou logo de sua chegada. Mas não era paixão. Sempre foi uma terna amizade, um doce companheirismo. Constanza e Valentina se deram tão bem que ambas se visitam, ora em Pen Gold, ora na villa. Enfim, eis aí, Tsé, quem é Constanza, como você me perguntou.

─ É! Não deixa de ser uma belíssima história de amor. ─ Exclamei.

Uma furtiva lágrima banhava o rosto de Lippi.

A Dra. Susan Bates jamais seria esquecida.

Toda a Memória (Falsa?!):

Capítulo I
Capítulo II
Capítulo III
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI

Capítulo VII
Capítulo VIII
Capítulo IX
Capítulo X
Capítulo XI
Capítulo XII
Capítulo XIII
Capítulo XIV
Capítulo XV
Capítulo XVI
Capítulo XVII
Capítulo XIX
Capítulo XX
Capítulo XXI

Capítulo XXII
Capítulo XXIII
Capítulo XXIV
Capítulo XXV
Capítulo XXVI
Capítulo XXVII
Capítulo XXVIII

Política & Itália

8 de setembro de 2009, às 0:10h

A realidade política italiana:

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Casamento

7 de setembro de 2009, às 13:05h

A idéia mais perfeita de casamento… :mrgreen:

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Duas atitudes

7 de setembro de 2009, às 12:37h

Lula combinou duas atitudes diante do pré-sal. A primeira, a mais mesquinha e ardilosa possível, foi tornar o pré-sal uma questão político-partidária, visando as eleições de 2010. Foi tão ardiloso que a oposição vem caindo feito um patinho. Continuando assim, as eleições serão favas contadas para Lula, logo, para Dilma. Fazendo isso, isto é, tornando um projeto nacional uma querela partidária, Lula apequenou-se, mas foi extremamente eficiente. Pessoalmente, não simpatizo com essa postura. Acho o pré-sal importante demais para ser reduzido a uma conjuntura eleitoral. Porém, vá lá, faz parte do jogo sujo da política brasileira. Afinal, quando a oposição chama o marco regulatório, defendido pelo governo, de “nacionalista” merece todas as sacanagens possíveis, pois está sendo mais sacana do que o governo.

E sou paranóico com o entreguismo do conservadorismo tupiniquim. Nossa direita é muito sensível ao mundo verde do dólar.

A segunda atitude de Lula é de estadista. Compreendeu imediatamente a importância do pré-sal e o tornou uma questão nacional. Mais ainda: conectou o pré-sal à soberania nacional quando afiançou o maior pacto militar da história recente brasileira: a compra bilionária de submarinos franceses e a necessária transferência tecnológica para a construção de submarinos nucleares. A defesa do pré-sal exige tal investimento, pois implica projeto e soberania nacionais, um imbricado no outro.

O governo Lula estuda a regulação do pré-sal faz dois anos. Como projeto nacional, a regulação precisa escapar da armadilha da “doença holandesa” (aqui), que acabaria, dada a abundância de um recurso natural como o petróleo, com a manufatura nacional. Sem manufatura, seria dar adeus a um mercado interno com um mínimo de autonomia em relação às injunções da globalização.   Acho que o governo conseguiu esse objetivo fundamental ao fundar o marco regulatório em três  eixos: o sistema de partilha, a criação da Petro-Sal e a criação de um fundo soberano para receber os recursoso da partilha.

O sistema de partilha permite ao estado brasileiro apossar-se da renda do petróleo, isto é, da exploração de um recurso natural, ficando para as empresas exploradoras os lucros, que serão muitos e darão retorno ao investimento privado. O sistema de concessão seria muito mais ambíguo, permitindo uma privatização crescente de um recurso natural que, como tal,  é nacional.

Já a criação do Petro-Sal não tem nada de “estatizante” (outra acusação boba da oposição), pois será uma empresa proprietária das reservas e não será operacional, como é a Petrobras, por exemplo. Ela é fundamental para tornar eficiente o sistema de partilha. Aliás, sem uma proprietária estatal das reservas, a privatização do petróleo, inclusive multinacional, seria inevitável.

Voltando à conjuntura eleitoral, acho que Serra, com seu atual mutismo sobre o pré-sal, compreendeu a armadilha que Lula prepara para a oposição. Mas precisa avisar o seu partido e, principalmente, neutralizar a vocação entreguista do DEM — senão está lascado. Lula fará o possível para colar o pré-sal, como projeto nacional, em Dilma. Fará o possível para a oposição ter a mesma conduta que o PT teve diante do Real e, principalmente, diante das privatizações. Naquela época, os petistas, com exceção de Genoíno, embarcaram numa defesa visceral do estatismo, abdicando de discutir modelos de privatização. Os tucanos deitaram e rolaram e, com isso, tornaram seu modelo de privatização o único possível e existente (um modelo, aliás, com muitos furos e sem-vergonhices). Nesse sentido, Lula está fazendo com que a oposição, ao defender um privatismo ululante, torne o modelo regulatório do governo o único que consegue vincular a exploração de um recurso natural à soberania nacional.

Já era…

31 de agosto de 2009, às 10:50h

O pré-sal acabou com os tucanos. Lascaram-se. O grude do “entreguismo” nas suas costas eleitorais será inevitável. E piora mais ainda a situação quando  Serra, ao falar como presidente já eleito,  diz que mudará o marco regulatório do pré-sal ou quando Alvaro Dias, tucano parananense, confessa que pediu ajuda a uma empresa de Houston, nos Estados Unidos, para auxiliar seu trabalho na CPI da Petrobras.

A Petrobras encarna o ethos nacional. É transparente, democrática e embuída de vocação patriótica. Seu interesse vai de encontro a qualquer tipo de corporativismo mesquinho. É  uma tecnoburocracia completamente desinvestida de interesses particulares. Acredito piamente nisso.

Dilma ganhou. Por isso, no primeiro turno, votarei nulo ou em Marina ;-)

A voz de Tsé-Tsé

31 de agosto de 2009, às 10:05h

Um arqueólogo do Vaticano, de nome Paul Pereiri, encontrou uma gravação de uma pregação de Tsé-Tsé. Estava enterrada debaixo de uma palafita, ali na Esquina da Cana, a Oeste de Bel-O-Kan. Recebi o material, hoje, pelo correio. Bem, a voz é bem parecida. Parece uma gravação antiga, muito antiga. Lembrou-me uma antiga possessão do Reverendo: Melek Taus, um antigo demônio yesidi. O dito-cujo, de vez em quando, baixava em Tsé-Tsé, e o coitado deixava, por um momento, o ateísmo de lado. Pregava, pregava e pregava, e tanto, que caía no chão de exaustão. Depois, dormia três dias e três noites e acordava completamente amnésico. Sempre tentava lembrá-lo do ocorrido, mas ele negava veementemente a simples possibilidade de tal acontecimento. Achava que era invenção de minha parte. Uma vil invenção. Achava-se uma fortaleza inexpugnável, um espírito tão cínico que nenhum demônio dos quintos do inferno conseguiria tal proeza.

_Meu cinismo é um exorcismo — afirmava o Reverendo.

E pumba! baixavam demônios, e nosso Tsé-Tsé saía pelas palafitas de Bel-O-Kan, pregando e temente a Deus.

Coloquei legendas para tornar a fala intelegível.

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Quase acaba…

25 de agosto de 2009, às 9:02h

sisifo

A vida é dura. Sempre achei o trabalho uma alienação. Trabalhar é um verbo maligno. É uma atividade que devora a alma. Corrói por dentro, sugando todo resto de alegria que existe no nosso espírito. Só sobra desgraça, a suprema infelicidade: a falta de tempo. Eis a delícia, já antevista por tantos utópicos: o tempo livre. Liberdade é o tempo ao nosso favor. Não falo de controle do tempo — controlar o tempo é trabalho. Falo de uma relação livre com a sucessão dos momentos. Como se obtém isso? Existe alguma situação na qual é possível essa relação livre nesse mundo velho e enfadado? Pois há um momento, sim, inclusive sem sucessão, que é um modelo para os Perrusi — o supremo modelo: dormir e sonhar 8-) ! Dormir, mais do que sonhar, aliás, já que a atividade onírica pode virar trabalho, principalmente entre psicanalisados, os trabalhadores do inconsciente. Dormir e sonhar no Capitalismo é a suprema liberdade, é a negação do Trabalho, é a emancipação do Homem! Ops! exagerei, foi mal, empolguei-me…

Sim, sonho com tempo livre. Geralmente, estou no Carnaval de Olinda, completamente pinguço, aos berros: eu não trabalho, eu não trabalho!

Quem disse que o trabalho dignifica o homem deve ser seviciado. É inimigo dos Perrusi. No eterno carnaval, quem trabalharia seriam os protestantes, em particular os calvinistas, e os comunistas (sim, Lênin era um trabalhador infatigável, por isso, adorou o fordismo). Eles têm prazer no desprazer. Seria uma boa divisão de trabalho. Mas não, recusam essa solução prosaica, pois querem a universalização do trabalho. Todo mundo trabalhando! E o trágico é que o trabalho tornou-se tão raro, que virou necessidade. No Carnaval de Olinda, haveria tanto trabalho, que ninguém trabalharia, exceto os workahoolics. E todo mundo seria feliz.

A universidade virou um moedor de carne. Fiquei moído, pronto para uma bolonhesa . Ocupação total de toda atividade pelo trabalho é incompatível com reflexão. Muito trabalho e pouco pensamento, eis a universidade. Como pensar? São aulas, aulas, aulas, virei um compulsivo por aulas –  intermináveis! — aulas na graduação e na pós-graduação, orientações ad infinitum, uma fila de SUS de orientandos (o professor é uma creche de orientandos), leitura de projetos, de monografias, de dissertações, de teses, mil páginas por mês, ad nauseam, pesquisas que viram um imbróglio burocrático… Vive-se preso numa repetição. Um martelar constante num eterno instante. Antes de tudo, o professor universitário é um neurótico. A universidade brasileira é incompatível com a produção científica.

Por isso, nos momentos difíceis da vida, quando o trabalho ri do meu fardo, diverte-se com minha angústia, brinca até comigo, penso em fechar o blog. O que era prazer está virando estorvo. Pior, está virando… trabalho. Blog é prazer. Escrever por hedonismo. É tempo livre.

Sim, penso em fechar o blog; mas, recebi uma carta de Tsé-Tsé. Darei uma chance. Uma sobrevida. Bora ver.

Prezado Perrusi Filho,

Ao saber da notícia de que, possivelmente, o Blog
dos Perrusi sairia do ar, passei a noite inteira
refletindo à beira do mangue. A coisa é séria!
Afinal de contas, temos um contrato para publicar
minhas memórias e ainda faltam 324 Capítulos.
Como reza nosso contrato, recebo dez reais por
Capítulo, o que daria uma fortuna que seria
empregada na despoluição do Capibaribe.
José Pirroiento, meu bisneto, perguntou-me o que
havia. Contei-lhe tudo. Como jovem estudante de
Direito das Faculdades Desunidas de Jaboatão,
prometeu entrar com uma ação indenizatória contra
os Perrusi. Advertiu-me de que, em cerca de 30
anos, ganharíamos a ação, tudo com juros e
correção monetária. Parte do dinheiro iria para
alimentar seu vício de cachacheiro e a outra
parte para benefícios de nosso rio moribundo. Até
lá, se o rio ainda existir, o que não é garantido.
Submeti ao meu bisneto outra solução. Oficiar à
UFPB para liberar Perrusi Filho por algumas horas
diárias pra que ele pudesse cuidar do Blog. Ainda
outra: Prometeria mandar de um a dois Capítulos
semanais, o que sustentaria o Blog por alguns anos.
Consulto o insigne amigo sobre tais
possibilidades, pois, agora mesmo, devo entrar na
análise do Currículo da Universidade do Vaticano,
além de relatar o funeral do Dr. Quim que abalou,
cinqëunta anos atrás, a cidade vizinha do Recife.
Faltam, também, as sacanagens do Vaticano com o
Fascismo de Mussolini e com a Máfia,
além do namoro de Pio XII com o Nazismo.
Ora, tais fatos, se não forem relatados, trarão
inúmeros prejuízos para nossa causa de tornar,
enfim, o Brasil num estado verdadeiramente laico.
Com sua atenção, subscrevo-me,
Reverendo Tsé-Tsé.

Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XXVI

9 de agosto de 2009, às 9:56h

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(Béé, béé! - Nhoc, nhoc!)

26º CAPÍTULO

Acordei na maior confusão dentro da Comunidade. Há quinze dias estava acamado, em coma, por causa da gripe suína e o Dr. Quim não deixava nem me levantar nem botar a cara na porta. Lá fora, gritos das crianças e ruídos que pareciam de um bode e de um porco.

Chamei Tininha, minha bisneta predileta, e perguntei:

─ Minha filha! Que diabo está acontecendo?

─ É o bode, correndo pra lá e pra cá, querendo dar marradas em todo o mundo.

─ E o tal de nhoc, nhoc, nhoc?

─ É o porco que os rapazes florzinha compraram. O bode está querendo namorar com ele e a gente não deixa. ─ Respondeu Tininha.

Mandei chamar o Dr. Quim para esclarecer o caso. Nunca vi bode em cima de porco, salvo no jogo do bicho.

─ Pois é, Tsé! Compramos o bode pra uma buchada no fim de semana. Aí, os meninos daquele clã estranho, que não admite mulheres, compraram um leitão dizendo que não gostam de bode. Uma confusão danada.

─ Ora, Quinzinho! Por que não amarraram os dois?

─ Já mandei amarrar o porco, mas com o bode não dá porque ele é cobaia de uma experiência do Laboratório, dirigida por Totonho da Goiaba, meu auxiliar e namorado de Tininha. O bode toma pela manhã uma caneca do novo chá experimental e tem que ficar solto. Esse é que é o problema. Quer namorar com todo mundo. Melhor que seja com o leitão. Mas, amanhã, a gente começa a desintoxicar o bicho, já que a experiência foi um sucesso. ─ Explicou-me o Dr. Quim.

─ Quer namorar ou fazer aquilo? Aquilo, aquilo, você sabe melhor do que eu.

─ Aquilo e muito mais, Tsé. O chá é afrodisíaco e o bode endoidou de vez. Pior! No churrasco de carne de bode azeitado, a Comunidade vai endoidar. E vai ser noite de lua cheia, ainda mais.

─ Puxa! Nunca vi um bode querer transar com um porco. E o coitado do leitão? ─ Perguntei.

─ Feliz da vida, Tsé! Feliz da vida! Ah! A natureza! Misteriosa, como sempre, Tsé. Sei disso desde os tempos em que era auxiliar de meu pai.

─ E você, Quinzinho, com essa idade, permitiu essa sem-vergonhice? ─ Respondi de cara feia.

─ Foi o jeito, Tsé. E tudo em nome da ciência. Melhor testar no bode do que numa das meninas. Tininha até que se ofereceu. Mas, isso é contra nossa ética. Mas, liberdade é liberdade. E foi você mesmo quem aprovou o clã dos florzinha. Saudaram o leitão como verdadeiro herói. ─ Falou o Dr. Quim na maior risada.

─ Liberdade! Liberdade! É bom, mas dá um trabalho danado. Só queria ver! E esse tal de Coma? Já é pela quinta vez que tenho isso.

─ Micróbio resistente, Tsé. Estamos providenciando uma vacina no Laboratório. Daqui a cinco ou dez anos, estará pronta. ─ Disse o Dr. Quim muito confiante.

─ Por favor! Mande chamar a menina.

Tininha era primeira de classe na escola e a tradutora dos meus garranchos. Precisava continuar as Memórias e não me lembrava mais de nada. Nem sabia como terminara o último Capítulo, tal a confusão vivida nos últimos quinze dias, além da gripe que chegara pelos correios, diretamente da Arquidiocese.

─ Tininha, minha filha! Leia os últimos capítulos das Memórias que me esqueci de tudo. Quero pegar o fio da meada e terminar logo com esse troço.

─ Vô! Só tem história de rato. É rato pra todo lado e nunca vi disso em nenhum livro da escola.

─ Ratos! Ratos! Ora, Tininha! Deixe de brincadeira que eu detesto ratos. ─ Respondi.

─ É verdade, Vô!

E a menina leu novamente boa parte de minhas Memórias. Fiquei horrorizado! Depois, pouco a pouco, comecei a me lembrar de que havia algo de verdade naquilo tudo. Mas, certamente, minha memória havia trocado as bolas. Houve ratos, sim! Mas, muito antes de minha chegada a Roma. Não vi nada e tudo me foi contado por Ferrughi, meu Orientador, o Cardeal mais brincalhão do Colégio Cardinalício, muito tempo depois quando eu já estava redigindo minha tese.

─ E como termina o último Capítulo, Tininha?

─ Aqui, diz que o Vô estava conversando com o Monsenhor Lippi, (com dois pês), e ele estendia a mão fechada pedindo ao Vô que adivinhasse o que estava lá dentro.

─ Ah! Já sei. Agora me lembro de tudo. Tratava-se de uma moeda comemorativa do aniversário de Nero, aquele Imperador meio maluquinho. Na cara, o rosto de Nero; na coroa, São Paulo morrendo na cruz. A ICR mandara cunhar uma imitação banhada a ouro pra comemorar a morte de São Paulo, por ordem de Nero. Além disso, durante a guerra, existia também o medo do Apocalipse de João, que inventara o número 666, para simbolizar a Besta, inimiga de Jesus e identificada com o próprio Imperador ou, segundo os Protestantes, com a própria ICR. Não me pergunte o porquê. Masoquismo da ICR, quem sabe! Afinal de contas, todo mundo sabe que São Paulo foi o verdadeiro fundador do Cristianismo.

─ Putsgrila! Vô! Prefiro a brincadeira do bode com o leitão. Esse negócio de religião é muito complicado mesmo. ─ Disse Tininha.

─ É, minha filha! Mas, foi Constanza que me mandou de presente, antes de viajar para a Inglaterra. A moeda ainda tá guardada ali na cômoda. É só pegar e conferir ─ Respondi.

─ Vô! O senhor me desculpe, mas tá tudo errado. Sua memória tá mesmo ruim. A tal de Constanza era uma freira que o senhor queria namorar e ela vivia com o tal Monsenhor numa granja, perto de Roma. ─ Explicou-me Tininha.

─ Verdade, mentira! Mentira, verdade! Prefiro dizer, minha neta, que se trata de um artifício criativo-literário. A história, segundo me lembro agora, foi muito diferente. Claro! Estava mesmo amalucado por Constanza e ela por mim. Mas, o destino não quis. Vou contar a história direitinho pra não dizerem que sou mentiroso, mais do que já sou. Mas, estou sem muita força para escrever. O Dr. Quim já me liberou, estou sem febre, minha carcaça e os músculos não doem mais, não tenho mais dor na cabeça nem na garganta. Daqui a dois dias, fico de pé e lhe chamo novamente.

─ É melhor, Vô! Porque já estou atrasada senão perco o filme com Toninho Goiaba. ─ Disse-me Tininha.

─ Cuidado, minha filha! Filme é filme, goiabada é outra coisa.

─ Ah, Vô! Goiabada é a melhor coisa do mundo e eu sei me cuidar. ─ Respondeu minha bisneta saindo apressada do meu quarto.

Toda a Memória (Falsa?!):

Capítulo I
Capítulo II
Capítulo III
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI

Capítulo VII
Capítulo VIII
Capítulo IX
Capítulo X
Capítulo XI
Capítulo XII
Capítulo XIII
Capítulo XIV
Capítulo XV
Capítulo XVI
Capítulo XVII
Capítulo XIX
Capítulo XX
Capítulo XXI

Capítulo XXII
Capítulo XXIII
Capítulo XXIV
Capítulo XXV