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E salgariam a terra!

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Não preciso nem escrever. Está tudo dito no desabafo abaixo. São sinais, sinais… Escrevia na página do blog, lá do face, sobre a misoginia do governo ilegítimo de Temer/Cunha. É ministério de homens e brancos, é Frota na Educação, é secretária evangélica (surpresa?) das mulheres que é contra o aborto até em caso de estupro (aborto legal por motivos mais-do-que óbvios) e agora… A valentia de Temer, aquele que lida com bandidos, só aparece contra garçom negro e contra mulheres.

Marta Pragana, a incrível, fantástica e extraordinária professorA da UFPB, manda mensagem:

“Olá, queridinho/a/s!

Acabo de ler que está proibido na EBC o uso do termo “presidenta” para se referir à presidenta Dilma Rousseff. A única forma admitida agora será “presidente”.

Essa pequena notícia bateu fundo em mim. Várias coisas passaram na minha cabeça repercutindo no meu corpo, no meu ser feminino. Senti um misto de raiva e impotência como há algum tempo não sentia. Acho que foi como que a gota d’água depois de tantas arbitrariedades se acumulando desde que esse impostor assumiu a presidência.

Pensei em como a língua é campo de batalha cerrado. Desde que Dilma assumiu que a mídia em peso, salvo raríssimas exceções, não se refere a ela da forma como ela quer ser chamada, numa descomunal falta de respeito – pelo ser humano, pela mulher e pela função que ela ocupa. Querem mesmo desrespeitá-la, fazer pouco dela e daquilo que ela simboliza: a primeira mulher presidenta de um país extremamente machista.

Eles não perdoam!

Mas outra coisa também me chamou a atenção e me levou direto a outro fato, ocorrido no dia seguinte ao da votação pela admissibilidade do impeachment no senado: uma das primeiras ações da equipe do impostor ao adentrar os andares do gabinete da presidência da república foi retirar todos os quadros de Dilma da parede, como se ela não fosse mais presidenta do Brasil. (Com a mesma rapidez tiveram de colocar tudo de volta, pois foram informados de que Dilma ainda é a presidenta…). A pressa em apagar qualquer vestígio dela dos gabinetes, em varrê-la do governo, numa quebra do protocolo mínimo necessário a situações desse tipo demonstra bem (eu ia dizer a falta de modos) a maldade, a pequenez, a mesquinharia e, sobretudo, a violência de que é capaz essa turma que usurpou o poder.

O mesmo vejo agora nesse pequeno (porém pleno de significações) detalhe, nessa supressão do “a”, que representa o feminino na língua portuguesa. A recusa em fazer a flexão de gênero é bastante sintomática e diz muito da inflexão dada ao programa do governo anterior por esse bando que, em pouquíssimos dias, já deu mostras de sobra do que é capaz em sua sanha parva. Não satisfeitos em atentar contra os pobres, empobrecem de quebra o uso da língua portuguesa. Ato deliberado, violência simbólica de um governo misógino que faz ecoar sobre o plano da língua a mesma elipse cometida na composição dos ministérios.

Se pudessem, não hesitariam em demolir a casa onde Dilma nasceu. E salgariam a terra!”

Sementeiras

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