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De volta ao futuro!

1 comentário
Homenagem do TC: selo comemorativo da volta à Primeira Divisão.

Homenagem do TC: selo comemorativo da volta à Primeira Divisão.

(Texto publicado orginalmente aqui.)

Dimas Lins

Foi quase uma década roendo osso. Caímos da A para D, jogamos em campos de várzea e muito tricolor teve medo do clube desaparecer ou transformar-se num morto-vivo. Vivemos o pior momento da nossa história, mas a redenção coral veio pelas mãos da torcida, que chegou junto e nunca abandonou o clube.

A guinada também teve outros heróis. Antônio Luiz Neto (três títulos pernambucanos e dois acessos) e Alírio Morais (um título pernambucano e um acesso) foram fundamentais. O atual presidente ainda tem a virtude de voltar a pensar o Santa Cruz como um time grande. Destaco ainda o decisivo trabalho de Constantino Júnior, o Tininho, e Jomar Rocha, diretores de futebol ao longo desses anos. Eles também tiveram a sua própria redenção, pois estiveram lá na queda para a Série D, mas souberam reconduzir o Santa de volta à Série A. Um brinde, principalmente, a esta torcida que está levando o Santa Cruz a um porto seguro. O futuro já começou.

Manoel Valença

Pronto, Santa Cruz! Volta agora a fazer o que é o teu destino, fazer o povão feliz. Uma conquista imensa, fruto de muito trabalho, dedicação e suor. Parabéns a todos nós, que emprestamos nossos ombros para segurar nosso Mais Querido, quando ele mais precisou. Teu lugar vai além da série A, teu lugar é dentro do coração de cada um de nós da torcida mais apaixonada do Brasil.

Sobre o jogo de sábado, façamos nossa festa. Espero música, shows, bares com estrutura, fogos, Arruda lotado e vaga na Sul-Americana. Queria muito que sábado pudesse chegar ao Arruda bem cedo e fazer tudo por lá mesmo, com artistas corais se apresentando na sede, cerveja gelada e orgulho no peito. Bem vindo de volta, gigante!

Artur Perrusi

10 anos… Não tinha noção dessa eternidade. Fico pensando como suportei todo esse tempo — como todos nós o suportamos. O Santinha é o exemplo da resistência popular. Como me disse Bosquímano, já somos um movimento social! Deveríamos construir um museu sobre nossa epopéia. Levaríamos nossas criancinhas e adolescentes e lhes mostraríamos que não perdemos nossa grandeza no inferno da D e da C. É preciso ser muito grande para fazer o que fizemos, dar a volta por cima e, do fundo do poço, retornar  maior ainda. E eu que pensei que acabaríamos. Fui a todos os jogos, não desisti do TC, escrevi e insisti, porque queria estar junto de um ente querido, como se estivesse perto da cabeceira de uma cama de UTI. Não morremos, muito pelo contrário. Nunca vivemos tanto! Se a vida é um milagre, o Santinha é um.

Ainda não caiu minha ficha. Hoje, estava na universidade. Todo mundo me cumprimentava, o ascensorista tricolor estava exultante. E o cabra me viu e seus olhos encheram-se de pranto. E eu lá, meio bobo, esperando a ficha cair e com vontade de chorar. Demos grande abraço, feito dois irmãos que acabaram de se conhecer. E a ficha teimava e teima em não cair. Aliás, virei manteiga derretida. Fale do Santinha e vou às lágrimas. Sim, os brutos também choram. O Clube do Santo Nome é a coragem de viver. Faz do fardo da vida uma alegria. Torna leve o duro desejo de durar. Todo tricolor conhece de cor esse desejo. Durar, eis a questão, caros amigos.

Paulo Aguiar

De 2006 até a volta em 2016 passaram-se dez longos anos. Foram sucessivas quedas, algo jamais visto em um time de futebol do Brasil. O Santa Cruz serviu como exemplo, para muitos, do que sucessivas más administrações são capazes de fazer com a paixão dos seus torcedores. O Terror do Nordeste da década de 70; o time de Aldemar, o time de Ricardo Rocha, o time de Rivaldo jogou em campos várzeas, contra time semiprofissionais, em pleno século XXI. Conheceu, de perto, o descaso dado ao futebol brasileiro. De 2006 a 2010, o clube saltou do Céu ao Inferno em 5 anos.

O Santinha está de volta à elite do futebol brasileiro finalizando um ciclo de 10 anos. Hoje, o Santa Cruz pode servir de exemplo, para muitos, de como boas administrações e uma torcida apaixonada e participativa podem reescrever a história de um Grande clube, no campo e na arquibancada. O Santa é Grande porque a métrica de sua grandeza é a paixão singular da sua torcida.

Santana Moura

O Santa Cruz, para mim, foi um processo de enamoramento, pois nele encontrei pessoas que viviam uma paixão sem lógica, sem explicação. A torcida mais apaixonada revelou, escancaradamente, a minha identificação com a massa (Aline me denunciou), o gostar de estar junto e misturada, de abraçar e ser abraçada por centenas de irmãos e irmãs que são fortes, resilientes e guerreiros. Gosto de receber a energia boa que emana dos olhos dos corais, é como pérola de tão valiosa. Santa Cruz é sentir o ar faltar diante do suspense de cada jogo, é padecer de amor como muitos que partiram no meio de uma peleja. Então, por tudo isto e muito mais tenham a certeza: NINGUÉM AMA COMO NÓS. obrigada Alírio Moraes, diretoria, funcionários, comissão técnica, jogadores e colaboradores anônimos. Estamos, enfim, no lugar de onde nunca deveríamos ter saído – a elite do futebol brasileiro.

Bosquímano

Os últimos dez anos foram, ao mesmo tempo, os piores e os melhores da nossa história. Não há precedentes na história do futebol mundial de algo que se assemelhe à nossa epopeia. Nenhum clube do mundo passou pelo que passamos e se recuperou como fizemos. Nenhum clube de futebol do mundo chegou tão fundo no fundo do poço para descobrir que o poço era sem fundo. Repito, nenhum! Qualquer clube teria acabado, desaparecido! O que nós fizemos nas arquibancadas do Arruda, cantando as tradições de e por um clube moribundo foi inigualável. Nós fomos pulmões, pernas e coração de um doente em fase terminal. Teimamos em viver quando a vida parecia ter acabado. Não há título de Champions League que valha isso. Olhando para trás, revendo todas as notícias, lembrando das tristezas, das seguidas decepções, da nossa teimosia, da volta da alegria, eu penso: foi lindo! Saímos muito maiores, mais fortalecidos e mais queridos. Esses dez anos foram os mais importantes e bonitos da nossa história.

Em 2006, precisamente no dia em que o nosso rebaixamento para a segunda divisão foi sacramentado, fui morar na EspanhaDe longe e solitário, me empolguei com a vitória da oposição na eleição seguinte. Queria estar aqui, no meio do povo. As decepções vieram em seguida e eu não tinha com quem chorar junto. Lembro de escutar no computador de um amigo peruano o famigerado empate com o Campinense. Era uma festa e ninguém entendia minha tristeza… nunca me senti tão só! Voltei. Os três anos na série d foram mais fáceis de engolir, pois já não era um torcedor solitário. Sofremos e comemoramos juntos aquele empate contra o Treze, no dia do meu aniversário. Vibramos juntos com o gol do mito Caça Rato, contra o Betim. Por fim, estávamos juntos novamente no sábado passado, cantando as tradições do Santa Cruz. Ano que vem, estaremos juntos outra vez. Que venha a Série A!

Torcedor
  1. André Tricolor Virtual

    Depois do último título mundial conquistado pela Canarinha, a volta do Santa Cruz a 1ª Divisão foi sem dúvida o maior acontecimento no Futebol Brasileiro nesses últimos tempos!

    VIVA SANTINHA !!!

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