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O libertador

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O que achei mais irônico nessa estória da médica cubana, que resolveu se bandear para o mundo livre, foi o seu apadrinhamento por… Ronaldo Caiado, do DEM de Goiás. Coitada, no afã pela liberdade, caiu nas garras do outro extremo da esquerda estalinista: a extrema-direita brasileira. Caiado é defensor inigualável da ditadura militar e, não por coincidência, fundador da UDR. E foi contra, inclusive e aos berros, da Proposta de Emenda Constitucional 438/2001, a chamada PEC do Trabalho Escravo. Foi contra uma medida civilizatória que garantiu o confisco de propriedades agrárias que insistem em esquecer, de forma renitente, a abolição da escravatura no Brasil — no caso, há o confisco da propriedade e o seu encaminhamento para a reforma agrária ou o uso social.

Por uma dessas ironias da vida tupiniquim, Ronaldo Caiado virou o libertador de cubanos escravizados.

Ocorre, atualmente, um curto-circuito geral das ideologias no Brasil. O sim vira não, o certo, o errado, o justo, o injusto, a virtude, uma patetice. E o PT é humilhado por um pedido de asilo de uma cubana, amparado pelo… DEM! Os petistas esculhambaram a esquerda. E a mídia, o Brasil, o mundo, o universo…

PS: parece que o marido da cubana mora em Miami. Ela, evidentemente, não quer voltar a Cuba e sim aos braços do maridão. Faz parte da natureza desse mundo velho e enfadado. A estória toda continua muito estranha. Como colocou Jânio de Freitas,

A médica cubana levou quatro meses entre “descobrir que ganha muito pouco” e procurar o deputado Ronaldo Caiado para pedir asilo, em vez de um dos três ministérios apropriados no seu caso. Interessante, aliás, a escolha que fez, de um deputado pouco conhecido até dos brasileiros e que nem é do Pará, onde ela estava. Sabe das coisas a brava senhora, ao menos quanto a parlamentares.
Mas ou não sabe o quanto ganha ou mentiu com persistência. Nas insistentes e diferentes menções à sua remuneração, omitiu sempre o pagamento que recebe da prefeitura para a alimentação, como os demais integrantes do Mais Médicos. E ainda há a moradia.
Essa história da doutora Ramona dá rumba.
DimasLins

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