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Casa Grande e Rolezinho

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Publico abaixo uma instigante avaliação do “rolezinho”:

“(…) Não toleram as “patricinhas” e os “mauricinhos”, a riqueza alheia, a civilização mais educada. Não aceitam conviver com as diferenças, tolerar que há locais mais refinados que demandam comportamento mais discreto, ao contrário de um baile funk. São bárbaros incapazes de reconhecer a própria inferioridade, e morrem de inveja da civilização (…) Os “rolezinhos” da inveja precisam ser duramente repreendidos e punidos. Caso contrário, será a vitória da barbárie sobre a civilização (…)”

Não foi um senhor de escravos que escreveu essa pérola acima. Caso fosse, poderíamos até dizer _”ah, bom, é um senhor de escravos, né; mas, a escravidão não acabou?!”

Seria mais ou menos lógico. Haveria uma coerência ideológica.

Na verdade, quem escreveu foi Rodrigo Constantino, um colunista da Veja.

Bem… er… pensando bem, qual é mesmo a diferença entre a Casa Grande e a Veja? 

Precisamos rápida e urgentemente de uma revolução francesa — ah, sim, e de muitas guilhotinas.

PS: o racismo no Brasil, não sendo assumido, seria absolutamente hipócrita. Ninguém tem a sinceridade de expor claramente uma posição racista; afinal, somos todos democratas. Há certo pudor nas argumentações, antes da ação direta, invariavelmente violenta — “a PM vai usar a força”, diz sem pudor o secretário de segurança de São Paulo. As posições contra o “rolezinho” mascaram-se por meio de pretextos e bobagens — muitas bobagens. É uma retórica repleta de subterfúgios. Lembra-me aquela senhora um tanto indignada que estava contra a construção de uma estação de metrô num bairro rico de São Paulo. Estava com medo de que o transporte público e popular atraísse “gente diferenciada”. Se não fosse uma senhora democrática e tolerante, poderia ter evitado a hipocrisia e ter dito de forma clara: “pobres e negros”.

DimasLins

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