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A caricatura que é literal

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Um bom vídeo cômico sobre a irracionalidade da direita:

PINGO NA PIA

Imagem de Amostra do You Tube

Pensando bem, o visto acima não é propriamente uma caricatura; na verdade, nem mesmo é humor. É, simplesmente, a direita.

Publico abaixo uma crônica de Antonio Prata (Folha de São Paulo) que gerou celeuma. Era uma ironia com o senso comum reacionário no Brasil. Aparentemente, a ironia seria evidente, mas foi entendida literalmente. Muitos aplaudiram porque pensam assim, o que é assustador; muitos repudiaram porque acreditaram que a crônica era veraz — não dizia o contrário do que queria dar a entender. No segundo caso, embora estejamos diante de uma incompreensão do texto, há a sinalização de que a ironia pode ser lida literalmente, pois existem muitas pessoas que pensam dessa forma na sociedade brasileira — somos uma legião, diria a Serpente. Em suma, Antonio Prata subestimou a força do senso comum da direita brasileira. E lembro que ele é colunista de um jornal que deu uma visível guinada à direita. Seu público… Bem, um jornal, com o tempo, cria um público à sua imagem e semelhança — eis uma fórmula óbvia, inclusive já intuída pelo jornalista americano Pulitzer: “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”.

Claro, a incompreensão de uma ironia evidente faz parte da estupidez humana. Contudo, o conservadorismo brasileiro insiste em ser reacionário e… estúpido.

Antonio Prata ficou atônico com a reação ao seu texto e percebeu que a coisa estava e está séria. Chegou a escrever o seguinte:

antonio-prata

Existe um caldeirão político-ideológico perigosíssimo no Brasil que mistura reacionarismo político, racismo, homofobia, misoginia e fundamentalismo religioso.

São visões de mundo que têm uma afinidade eletiva com o trabalho meticuloso de desinformação de colunistas de direita e extrema-direita que estão na Veja, na Folha, no Estadão, na Globo e na blogosfera.

Que os democratas tomem cuidado.

Leiam a coluna de Antonio Prata. Vejam que parecia uma gozação e…

Guinada à direita
Há uma década, escrevi um texto em que me definia como “meio intelectual, meio de esquerda”. Não me arrependo. Era jovem e ignorante, vivia ainda enclausurado na primeira parte da célebre frase atribuída a Clemenceau, a Shaw e a Churchill, mas na verdade cunhada pelo próprio Senhor: “Um homem que não seja socialista aos 20 anos não tem coração; um homem que permaneça socialista aos 40 não tem cabeça”. Agora que me aproximo dos 40, os cabelos rareiam e arejam-se as ideias, percebo que é chegado o momento de trocar as sístoles pelas sinapses.
 
Como todos sabem, vivemos num totalitarismo de esquerda. A rubra súcia domina o governo, as universidades, a mídia, a cúpula da CBF e a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, na Câmara. O pensamento que se queira libertário não pode ser outra coisa, portanto, senão reacionário. E quem há de negar que é preciso reagir? Quando terroristas, gays, índios, quilombolas, vândalos, maconheiros e aborteiros tentam levar a nação para o abismo, ou os cidadãos de bem se unem, como na saudosa Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que nos salvou do comunismo e nos garantiu 20 anos de paz, ou nos preparemos para a barbárie.
 
Se é que a barbárie já não começou… Veja as cotas, por exemplo. Após anos dessa boquinha descolada pelos negros nas universidades, o que aconteceu? O branco encontra-se escanteado. Para todo lado que se olhe, da direção das empresas aos volantes dos SUVs, das mesas do Fasano à primeira classe dos aviões, o que encontramos? Negros ricos e despreparados caçoando da meritocracia que reinava por estes costados desde a chegada de Cabral.
 
Antes que me acusem de racista, digo que meu problema não é com os negros, mas com os privilégios das “minorias”. Vejam os índios, por exemplo. Não fosse por eles, seríamos uma potência agrícola. O Centro-Oeste produziria soja suficiente para a China fazer tofus do tamanho da Groenlândia, encheríamos nossos cofres e financiaríamos inúmeros estádios padrão Fifa, mas, como você sabe, esses ágrafos, apoiados pelo poderosíssimo lobby dos antropólogos, transformaram toda nossa área cultivável numa enorme taba. Lá estão, agora, improdutivos e nus, catando piolho e tomando 51.
 
Contra o poder desmesurado dado a negros, índios, gays e mulheres (as feias, inclusive), sem falar nos ex-pobres, que agora possuem dinheiro para avacalhar, com sua ignorância, a cultura reconhecidamente letrada de nossas elites, nós, da direita, temos uma arma: o humor. A esquerda, contudo, sabe do poder libertário de uma piada de preto, de gorda, de baiano, por isso tenta nos calar com o cabresto do politicamente correto. Só não jogo a toalha e mudo de vez pro Texas por acreditar que neste espaço, pelo menos, eu ainda posso lutar contra esses absurdos.
 
Peço perdão aos antigos leitores, desde já, se minha nova persona não lhes agradar, mas no pé que as coisas estão é preciso não apenas ser reacionário, mas sê-lo de modo grosseiro, raivoso e estridente. Do contrário, seguiremos dominados pelo crioléu, pelas bichas, pelas feministas rançosas e por velhos intelectuais da USP, essa gentalha que, finalmente compreendi, é a culpada por sermos um dos países mais desiguais, mais injustos e violentos sobre a Terra. Me aguardem.
 
Antonio Prata é escritor. Publicou livros de contos e crônicas, entre eles “Meio Intelectual, Meio de Esquerda” (editora 34). Escreve aos domingos na versão impressa de “Cotidiano”.
Torcedor

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