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Santíssima Trindade assassina?

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Santíssima Trindade

Jamais ouvi um cristão, ou alguém de qualquer outra religião, acusar a Santíssima Trindade – isto é, o Pai, o Filho e o Espírito Santo – de assassinato. Há boatos, inclusive, sobre a existência de um manuscrito perdido que chafurda a reputação dos Três-que-são-Um. No escrito, haveria uma fórmula matemática mostrando as consequências dessa estranha argumentação teológica: eram Três, brigaram, mataram-se, e só sobrou Um. O Um que sobrou seria o assassino, embora ninguém saiba sua Identidade. Ou era Um, que brigou consigo mesmo e se matou, ao usar o Verbo e o Fiat Lux, tornando-se Três? Não sei dizer. Acho muito confusa essa discussão. Meu velho cérebro engulha e se perde nesse labirinto de disse-me-disse. Soube que o manuscrito está guardado nos porões do Vaticano. E somente os papas têm direito a manuseá-lo. Escutei até que Ratzinger tocou fogo no pergaminho, salvando apenas uma consequência da equação: não existe Limbo — sabe-se agora o motivo de sua extinção pelo antigo Papa.

Enfim…

Voltando à instigante questão, há sim um dito cristão, o pastor-deputado Fulano de Tal, que parece saber sobre a reputação da Santíssima Trindade. Num dos seus “cultos”, disse que gostaria de estar perto do cadáver de John Lennon logo após seu assassinato para lhe dizer: o primeiro tiro foi em nome do Pai; o segundo, em nome do Filho e o terceiro, em nome do Espírito Santo.

(Há toda uma querela metafísica sobre a arma do crime. Era uma ou três? Foi Um que atirou ou cada Um dos Três teve direito ao seu tiro? Paro por aqui. Novamente, meu cérebro dói. Prefiro pensar noutro assunto).

Tudo isso, toda essa pulsão de morte, foi uma reação àquela brincadeira dos Beattles, talvez de mau gosto, de se dizerem mais famosos do que Jesus Cristo. Segundo o Pastor, ninguém zomba impunemente de Deus, o Verdadeiro, é claro, muito menos em relação à popularidade de Um dos Três. Zombar com Um é zombar com os Três.

Acrescentou, ainda, que alguém divino — Um dos Três? — havia guiado o avião dos Mamonas Assassinas ao desastre fatal.

Os evangélicos que o ouviam, histericamente, vibraram com palmas intensas.

O pastor Fulano de Tal é o atual presidente da Comissão dos Direitos Humanos e das Minorias da Câmara dos Deputados.

Imagine um mundo sem religião, como dizia Lennon.

Não preciso dizer mais nada!

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