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O preço

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Comentário rápido: ao elogiar Gurgel, ao defendê-lo, Eduardo Campos atravessou o Rubicão e foi para o outro lado. Não se defende o sósia de Jó Soares à toa. Com a defesa e o elogio, sinalizam-se consequências mais amplas, na política de valores, do que uma mera contraposição ao PMDB. Defender Gurgel é defender um tipo de conservadorismo no Brasil — demofóbico e esquerdofóbico; e não causa surpresa que Alvaro Dias (PSDB-PR), tucano da raça pitbull, esteja defendendo ardorosamente o procurador-geral. E, afinal, marcar posição contra o PMDB é salutar, mas pode ser feito por várias formas, infinitas maneiras.

A tendência do PSB é ocupar o antigo espaço do PSDB. O espaço político da social-democracia, no Brasil, cobra o seguinte preço: quem ocupa sofre um processo inevitável de “endireitização”. Por isso, o ponto de partida para chegar até lá precisa ser bem à esquerda, como foi o PT. Um partido esquerdista, que se torna “social-democrata”, vira centro. Quem sai do centro e se torna “social-democrata”…

Depois da defesa de Gurgel, falta saber suas afinidades com a Mídia. Cair, por exemplo, na simpatia de Veja, Folha e Globo não ganha eleição; ao contrário, como mostram as eleições, ganha antipatia. Lançando sua campanha a presidente, é tempo de achar o tema da candidatura. Assumir o discurso do PSDB? Por enquanto, já tem Aécio, com o mote irrelevante do “choque de gestão” e Serra, com a guerra contra a corrupção — como ser uma oposição à direita de Dilma? Com qual, por exemplo, programa econômico? Assumir uma terceira via, seja lá o que isso signifique? Já tem Marina, bem mais eficiente nesse papel. Ser uma oposição à esquerda do PT? Não bate com Campos; talvez, se fosse Ciro — convenhamos, o PT esvaziou, por mil anos, a possibilidade de uma candidatura de massa à sua esquerda. Preencher esse vazio não é para qualquer um. Achar um tema e um programa, eis a questão para Campos. Será uma tarefa muito mais difícil do que se lançar midiaticamente a presidente. Tem escopo para ser uma liderança nacional? Tem envergadura política? Por enquanto, ao elogiar Gurgel, deu um passo pra frente e dois pra trás.

DimasLins

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