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O mal necessário

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A direita midiática é perigosa porque é composta de trânsfugas. Ao mudar de pele, o renovado reacionário precisa mostrar serviço. É o que grita mais e o que torna mais transparente o discurso conservador. Vejam a gritaria de Arnaldo Jabor, de Marcelo Madureira, de Reinaldo Azevedo, de Augusto Nunes, de Eugênio Bucci, de Demetrio Magnoli… São todos  agora ferenhos “liberais”, defensores do livre mercado, embora esqueçam do mercado fechado da mídia, e da liberdade de expressão, confundida com liberdade de imprensa. Ao recrutar trânfugas, a direita tupiniquim mostra sua indigência  intelectual. Não há mais aquele que desde bebê foi reaça de berço. Em suma, há crise de autencidade no nosso conservadorismo.

(quem sabe, a nova juventude da nova Arena não renove a estupidez do reacionarismo brasileiro. Continuarão estúpidos, é certo, mas estúpidos, pelo menos, sempre terão sido…)

Como trânsfugas, odeiam a esquerda. São “experientes”, pois passaram por lá. Tiraram suas devidas lições do tempo em que eram metade idiotas. Pela virulência do arrependimento, nota-se que ficaram traumatizados, os coitadinhos. Precisam renegar o passado com toda força retórica possível, pois só assim serão admitidos no Instituto Millenium, versão contemporrânea do Ipes, aquele de 64. Assim, no imaginário trânsfuga, a esquerda torna-se totalitária, por definição. A direita, ora, sempre defendeu a democracia e o Estado de Direito, não importa o golpe ou a ditadura.

(bem, pode-se alegar, afinal, que 64 foi organizado por militares esquerdistas, como faz o movimento Endireita Brasil. E os nazistas? Ora, eram nacional-socialistas, logo, de esquerda. E Mussolini foi de esquerda, não é mesmo? Aliás, nunca deixou de sê-lo, pois o fascismo é de esquerda)

Reinaldo Azevedo, conhecido pela eternidade como rola-bosta, definiu bem o ódio à canhota:  “como se a morte e a brutalidade não tivessem sido, como a história prova de sobejo, a seiva principal do pensamento e da prática da esquerda”.

Quem pensa assim não pode suportar um governo, mesmo de centro-esquerda, e olhe lá.  Até uma tentativa rastaquera de construir um Bem-Estar no país torna-se a antessala do comunismo totalitário. Diante da morte e da brutalidade, qual é a atitude mais lógica? Na verdade, há uma solução: a utilização do “mal necessário”, tão bem descrito pelo ministro do STF, Marco Aurélio Mello, um dos guardiões de nossa Constituição, quando refletia sobre o golpe de 64.

(Enquanto refletia, o ministro tomava tea party, ainda que com açucar, e seguia suas convicções)

O “mal necessário” muda com o tempo. Pode-se tornar até mais “suave”, seguindo as regras do Estado de Direito, imaginem só. Não precisa mais seguir conselhos americanos, e sim apenas exemplos hondurenhos e paraguaios. Enfim, não precisa mais de farda, pois a solução pode ser a toga. A farda ainda se baseia numa correlação de forças, logo, é política; já a toga não precisa de política, ao torná-la sempre decisão jurídica.

Convenhamos, é uma formidável solução e, ainda mais, afinada com a luta contra a corrupção — ah, sim, de esquerda, claro.

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