Acompanhe o RSS: Artigos | Comentários | Email

Deus seja louvado

4 comentários

 

Em nome da laicidade, posso chutá-la?

Querem banir deus do dinheiro. Sim, querem tirá-lo do vil papel brasileiro. E tudo será feito em nome da laicidade. E é o MP, por meio do procurador Jefferson Aparecido Dias, que deseja retirar a frase “deus seja louvado” das cédulas de reais:

A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo ajuizou nesta segunda-feira (12) ação civil pública, com pedido de liminar, em que pede que as novas cédulas de real sejam impressas sem a frase “Deus seja louvado”. De acordo com a ação, a existência da frase nas notas fere os princípios de laicidade do Estado (deve se manter neutro em relação às diferentes concepções religiosas) e de liberdade religiosa.

Não é só a laicidade que está em questão. Segundo minha modesta interpretação, é o próprio capitalismo que está em jogo. “Deus seja louvado”, numa cédula de dinheiro, coloca a graça divina na acumulação do capital. É o aval do cristianismo brasileiro ao dinheiro, esse solvente universal, inclusive de crenças ditas sagradas. E foi o grande representante do mainstream tupiniquim, Sarney, que colocou a frase na cédula. Sem o apoio de deus, o capitalismo se estreparia, certamente. E, de fato, a acumulação simples é prosaica e perfeitamente humana, já a ampliada… Bem, essa precisa de muita exploração e, de acordo com uma tradição bem liberal, da mão da providência para funcionar.

Evidentemente, uma medida assim produz reações contrárias. Pensei que haveria uma contrarreação de capitalistas e empreendedores. Afinal, dinheiro benzido não é vil, nem merda, como insistia desnecessariamente Freud. Mas não houve reação. Talvez porque o capitalismo brasileiro agora seja unanimidade, tanto à direita como à esquerda. Na verdade, a crítica teceu argumentos contra a irrelevância da medida. Pra que perder tempo com isso, se existem coisas mais importantes, como a corrupção e o desmatamento na Amazônia? Deus no dinheiro, afinal, faz mal a alguém?

Para entender melhor o argumento da irrelevância, nada melhor do que pegar um exemplo paradigmático, acompanhar sua lógica e tentar entendê-la. Discuto, assim, um texto do Acerto de Contas que faz críticas demolidoras à medida.

Minhas observações estão em azul.

Por Pedro Jácome
para o Acerto de Contas

Já faz algum tempo que o Ministério Público Federal virou uma espécie de “White Knight” do ócio paraneico brasileiro. Ou seja, se você se indignou mortalmente ao ver a descrição de “cigano” no Houaiss… pode ficar tranqüilo. Antes que você proteste criando um evento no facebook, o estagiário do MP já estará a poucos passos do setor de protocolo do juízo competente.

Jácome faz uma interessante relação entre MP, ócio e paranoia. O MP não vive apenas no ócio, mas também num especial, que inclui a paranoia. Pensei que a preguiça, brasão dos Perrusi, fosse incompatível com a paranoia, até porque dá trabalho. Sendo paranoico, o ócio do MP persegue objetos irrelevantes, mas delirantemente colocados como fundamentais.

Nesse momento, já se anuncia a crítica: pra que se encasquetar com “deus seja louvado” no dinheiro? Ou, no fundo, pra que retirar deus do dinheiro em nome da laicidade? A premissa já está dada: a medida é irrelevante por definição.

Ao longo do texto, Jácome parece acreditar que o MP é composto de preguiçosos. A laicidade virou objeto do MP por causa da preguiça? Ócio e Estado Laico, talvez, tenham alguma relação?

De todo modo, o tema da preguiça é importante, pois acabou de sair no UOL a seguinte notícia: a preguiça pode ser um sinal de que a saúde não vai bem. Já avisei aos Perrusi; porém, não me escutam… 

Jácome pode ser um médico preocupado com o ócio do MP, embora o uso do termo vetusto “paraneico” seja mais maneirismo da turma do direito. Em todo caso, chamar funcionários públicos de preguiçosos não é propriamente original. É uma crítica que faz parte de uma argumentação bem conhecida. Inclusive, o argumento da irrelevância é útil para mascarar uma posição ideológica que jamais será explicitada. Como veremos, mais adiante, Jácome defende a primazia da tradição diante da laicidade — no fundo, faz uma crítica moral à defesa da laicidade pelo MP.

Pode-se, claro, inverter o argumento e pensar o contrário: na prática, a laicidade brasileira não é lá muito respeitada. Será necessário muito trabalho e, provavelmente, muita paranoia para termos, de fato, um Estado laico brasileiro. Exigirá muito labor para mostrar que a laicidade não é um tema irrelevante. Nesse raciocínio, o ócio do MP não seria paranoico e sim indiferente ao problema – la belle indifférence, quem sabe, seja o sintoma mais doentio do MP.

Jácome não pensa assim, evidentemente.

Isso não quer dizer, claro, que o Parquet vá cuidar de todos os problemas do mundo, isso seria exigir muito. Se você estiver preocupado com, sei lá, o seu dinheiro sendo desviado por milhares de gestores públicos corruptos ou com a quantidade estupidificante de drogas e armas cruzando ilegalmente a nossa fronteira, é melhor apelar pro Chapolin Colorado ou se confortar botando a culpa na Mãe Lucinda, porque o Ministério Público tem objetivos mais excelsos com os quais se preocupar.

Nesse momento, aparece o argumento clássico da irrelevância. Com a corrupção e o tráfico de drogas grassando no país, pra que perder tempo com deus no dinheiro? Por que não deixar a única divindade realmente existente locupletar-se na grana? Aliás, quem não gosta de dinheiro? Até a esquerda gosta…

Jácome compara duas questões bem diferentes: corrupção e tráfico de drogas com laicidade. Não comparou, por exemplo, dois problemas laicos, julgando-os a partir de um critério comum. Fazendo isso, Jácome estaria no campo da laicidade, tentando hierarquizar as prioridades. Não parece estar. Na verdade, ele compara três problemas distintos, sendo um, justamente o laico, considerado como sem importância.

A presepada da vez é a ação civil pública para a retirada do termo “Deus seja louvado” das notas de Real. Ora, eu creio, firmemente, que nada relacionado a notas de dinheiro pode tirar o sono de alguém mentalmente são, a não ser, basicamente, a falta delas (angústia que provavelmente não abate o nosso querido Procurador da República, que ganha mais de 22 mil reais por mês).

Se “nada relacionado a notas de dinheiro pode tirar o sono de alguém”, tudo é permitido nesse mundo velho e enfadado. Pelo visto, nem a belíssima frase “Deus nos acuda!”, colocada hipoteticamente numa cédula de dinheiro, não tiraria o sono de ninguém, nem mesmo de Jácome. Por que deus no dinheiro tiraria o sono de alguém? É a falta de dinheiro, com deus ou sem deus, que causa insônia – nesse ponto, concordo inteiramente com Jácome.

E o procurador parece desconhecer a angústia, segundo Jácome, pelo fato prosaico de ganhar 22 mil reais – compreendo perfeitamente o seu ressentimento. Afinal, se tirar deus do dinheiro é irrelevante, se “nada relacionado a notas de dinheiro pode tirar o sono de alguém”, por que diabos uma pessoa, que ganha 22 mil reais, vai se preocupar com deus no dinheiro? Realmente, parece ser um mistério a paranoia do procurador. Mesmo ganhando 22 mil reais, ele acha importante retirar deus do dinheiro.

A premissa de que o Estado é laico e consequentemente não deveria haver referências teístas nos espaços e coisas públicas é válida na exata medida em que é ridiculamente impraticável. Se fosse plausível que referências religiosas (ou teístas) ofendem de maneira significativa os “direitos fundamentais dos brasileiros que não crêem” uma série absurda de coisas teria que mudar no Brasil.

Para Jácome, a retirada de referências teístas de espaços públicos é impraticável – na verdade, “ridiculamente impraticável”. Mas será que retirar “deus seja louvado” do dinheiro é impraticável? Nem tanto. O procurador, por meio do ócio paraneico, talvez consiga a proeza – Jácome, curiosamente, foge da discussão sobre a exequibilidade da medida do procurador . Contudo, o raciocínio de Jácome parece vincular a retirada do “deus seja louvado” à remoção de todas as referências teístas dos espaços públicos. Ou se retira tudo ou não se retira nada. Ora, não se negocia e não se pratica a tolerância, se o raciocínio ou a ação impõe um “ou/ou”. É um tipo de raciocínio que tornaria, no passado, impraticável boa parte das conquistas relacionadas aos direitos dos indivíduos e à laicidade.

(mas, confesso, já utilizei o argumento de Jácome quando fui parado no Manzuá, a antiga operação policial de revista da Paraíba. Perguntei ao guarda se não seria mais interessante combater o narcotráfico do que perder tempo em revistar inocentes motoristas. O guarda não me respondeu, mas poderia ter dito: o que me impede, na prática e logicamente, fazer as duas coisas? Por que não posso multá-lo por causa de uma lâmpada quebrada e, depois, à noite, combater a criminalidade?)

Para Jácome, não é plausível que referências religiosas ofendam “direitos fundamentais dos brasileiros que não creem”; caso fosse plausível, “uma série absurda de coisas teria que mudar no Brasil”. O fato, por exemplo, de Sarney, carola praticante, ter tornado obrigatório o “deus seja louvado” no dinheiro não ofende ninguém, afinal contas. O gesto antirrepublicano não criou, enfim, uma série de coisas absurdas.

Mas quais seriam os absurdos?

O nome do estado e da cidade de São Paulo (e também o de Santa Catarina, Espírito Santo,São Lourenço da Mata, etc) teriam de ser modificados, o poder público teria de abandonar a manutenção do Cristo Redentor (ou se não, ordenar sua retirada de uma praça pública, pois a vista do Cristo de braços abertos sobre a Guanabara, poderia ofender a vista dos cariocas e turistas não cristãos), teríamos que acabar com o Natal, a Semana Santa, o Carnaval e com a própria preferência constitucional pelo descanso semanal aos domingos (que tem óbvio fundamento religioso)…. enfim, para simplificar, teríamos que reinventar a nação, destroçando suas mais profundas raízes culturais.

A lógica da laicidade levada ao seu reductio ad absurdum criaria situações absurdas. Mas, cá entre nós, tudo levado ao absurdo gera… absurdos. Por exemplo, retirar “deus seja louvado” do dinheiro implicaria, necessariamente, modificar o nome da cidade de São Paulo? Precisaria abolir o carnaval, essa festa profana, pagã, cristã e… laica? O argumento de Jácome não é “plausível”. O moço é um exagerado. O absurdo de Jácome é impor a premissa “ou se retiram todas as referências religiosas do espaço público ou não se retira nada” como verdadeira. A argumentação de Jácome é tudo menos razoável. E a laicidade é o campo da tolerância, logo, da razoabilidade.

Não só isso. Depois da impraticabilidade e da plausibilidade, Jácome utiliza o argumento da “tradição”. Com isso, pode alegar, implicitamente, que a lógica da laicidade desrespeita “raízes culturais”. Colocar a tradição acima da lei é reacionário, mesmo por argumentos enviesados. É uma velha tradição brasileira, por sinal.

Ora, como destroçar as “profundas raízes culturais” brasileiras? Tudo porque se quer retirar o “deus seja louvado” do dinheiro? O absurdo da laicidade é fichinha se comparado ao absurdo de Jácome. Retirar, em nome da laicidade, um crucifixo de uma repartição pública não se compara com a mudança de nome de uma cidade como São Paulo. E a cidade dos paulistanos nem é mesmo sagrada. E o Cristo Redentor, atualmente, é muito mais um culto turístico do que cristão. Mas, e daí?

Por que, em nome da laicidade, detonar-se-ia a Notre-Dame de Paris? Seria uma proposta absurda, até porque também não é nem um pouco laica. Laicidade não vai de encontro às tradições. Apenas a tradição, o que não é pouco, deixa de ser “universal” e uma “obrigação”. O valor que se torna “tradicional” e “universalizável” é a tolerância, base fundamental da laicidade e da vida em comum numa sociedade plural. E tolerância implica bom senso, razoabilidade, respeito à diferença, etc. e tal. Não se mantém o pluralismo de valores, num espaço público como o STF, por exemplo, sob a bênção exclusiva de Cristo, o símbolo da religião dominante no Brasil.

E Sarney, ao colocar “deus seja louvado” no dinheiro, foi tradicional? Seu ato está  inscrito nas “mais profundas raízes culturais” do Brasil? Digo que sim, contanto que se admita que o autoritarismo, o patrimonialismo e o antirrepublicanismo fazem parte também de nossa tradição. Claro, para Jácome, o procedimento de Sarney foi uma besteira e não um ato político que teve uma conotação religiosa.

Jácome não percebe que tornar irrelevante o argumento laico trai uma intolerância de base. Não está sendo razoável, porque nunca lhe será plausível alguém ser contra o “deus seja louvado” no dinheiro. Pois isso, por definição, é irrelevante…

Além disso, se os símbolos cristãos ofendem os “não-cristãos”, há de se admitir que os símbolos “não cristãos”, a contrario sensu, ofendem os cristãos…. então, se tirarmos a referência a Deus das notas de Real, também teríamos que substituir Marianne por um símbolo que não remeta à maçonaria (e, aproveitando o ensejo, talvez um menos afrancesado….quem sabe Carmen Miranda ou Dercy Gonçalves?). Do mesmo modo, se quisermos tirar a Cruz do pleno do STF, teremos que realocar também a Têmis que adorna a entrada do Pretório Excelso.

Nesse momento, Jácome cai nas garras da frescura. Invocou com Têmis…

Cristo na cruz é um símbolo religioso, objeto de culto da religião dominante no Brasil. Sua imagem simboliza crenças, práticas e rituais. É performativa, pois reproduz e guia comportamentos diretamente relacionados ao cristianismo. Têmis… Cadê os gregos antigos para cultuarem a deusa? Ela não é mais uma deusa, representando uma parte religiosa da sociedade, e sim um símbolo da justiça. Seria “puro”, pois metáfora de um valor ou de uma abstração. É uma imagem que não impõe uma posição particular, justamente porque não é mais religiosa. Aliás, quem quiser pode chutá-la à vontade, e não sofrerá a ira de nenhum sacerdote, nem mesmo de Jácome. Por quê? Porque ninguém a considera sagrada.

O argumento de Jácome parece irrelevante, afora que foge do problema central: “deus seja louvado” no dinheiro vai de encontro à laicidade? É razoável e factível retirá-lo? A medida preserva a pluralidade de valores e a tolerância na sociedade? Jácome não compreende que retirar deus do dinheiro é justamente sinal de tolerância.

O ponto fundamental, no fim das contas é que essa paranóia laicista é completamente abobalhada, porque ela ignora o fato indiscutível de que a religião é parte fundamental da cultura popular e é impossível defender que um Estado negue a cultura de seu próprio povo.

Ora, os pernambucanos talvez sejam os mais bairristas dos povos brasileiros… agora, imagine se os ateus resolvem tirar a cruz da bandeira pernambucana, sob a alegação de que o Estado é laico e o signo cristão os ofende. Em retaliação, os cristãos pedem que seja retirado o Sol, pois ele remeteria a crença “pagã” em Guaraci ou em Rá (sabe-se lá….), e a bancada evangélica, que, assim como o MPF, não resiste a uma causa inútil, resolve tirar o arco-íris, pois ele seria uma promoção do Movimento Gay… pronto, por causa de meia dúzia de desocupados, a bandeira de Pernambuco agora quer dizer: “Tenho um mergulhador na água, conserve-se afastado e a pouca velocidade.”.

Deduzo que retirar o “deus seja louvado” seja, para Jácome, um exemplo de “paranoia laicista”. E fico pensando o que não seria “paranoia laicista”, afinal? Reitero a pergunta: retirar o “deus seja louvado” significa um ato que nega a cultura do povo brasileiro? Significa ignorar que a religião é parte fundamental da cultura popular? Parece que a crítica de Jácome à paranoia laicista esconde, na verdade, uma crítica à própria laicidade. Ou não?

Além do mais, a bandeira de PE não é um objeto de culto religioso. E é bem tolerante, pois tem cruz, sol, arco-íris (sendo assim uma bandeira gay)… 😎

A verdade é que o Brasil é, sim, um país cheio de mazelas, mas, sinceramente,a intolerância religiosa não está nem de longe entre as principais delas (a não ser na agenda esquizofrênica do ócio esquerdista-universitário).

Somente no exato dia em que esse artigo está sendo escrito, somente nas últimas 24 horas, a corrupção tirou do Brasil algo em torno de 150 milhões de reais (segundo pesquisa da FIESP) e 1700 hectares da floresta amazónica desapareceram (de acordo com o INPE).

Enquanto isso, o nosso querido Procurador da República, que ganha mil reais pela jornada de trabalho, está embananado o judiciário e a Procuradoria do BACEN por uma frase de rodapé.

Ai, ai… haja senso prático e respeito pelo dinheiro público.

Deus seja louvado.

No final do texto, Jácome indica-nos que o ócio não é monopólio do MP. Há também o ócio esquerdista-universitário que, embora não seja paraneico, é esquizofrênico. Convenhamos, há muito ócio, paranoia e esquizofrenia nesse país. É sintomático que, de repente, surja uma referência aos preguiçosos esquerdistas, ainda mais universitários. Talvez, Jácome pense que o procurador, além de membro paranoico e ocioso do MP, seja professor universitário ou, horribile dictu, um esquerdista esquizofrênico – ah, isso explicaria tudo.

E, claro, não há intolerância religiosa no Brasil. Imagine… E “deus seja louvado” é uma frase de rodapé (tão irrelevante que sua retirada geraria uma série de coisas absurdas). E Jácome, seja louvado, respeita o dinheiro… público.

O ressentimento é incompatível com a tolerância. E faz parte de uma tradição do conservadorismo brasileiro. Mas “devemos sempre cuidar para que ninguém impeça a expressão daquelas opiniões que realmente odiamos”. Por isso, posso dizer: exercitei meu lado laico.

Acho que beberei uma cerveja para esquecer. Amém.

DimasLins
  1. Irmão Luvanor,
    Não me espanta ler uma crítica tão lúcida e vigorosa a um articulista de direita,vinda de um homem que fugiu de um país escravizado secularmente pela Hidra de Lerna em que veio a se constituir a ICR, especialmente depois que foi oficializada por Decreto de Constantino, como religião oficial de um Império em decadência. Infelizmente, ela continua viva no Brasil. O método vertical adotado pelo irmão, isto é, o texto original seguido pela sua crítica (em azul), pareceu-me o mais adequado. Argumento por argumento, prova seguida da contra-prova. O articulista não junta coisa com coisa e mistura tudo. O irmão, ao acontrário, descontroi o palavrório impostor, desnudando a verdadeira face da Direita nacional.
    De minha parte, como sacerdote ateu, qualquer arranhão à cidadania laica de um Estado moderno, democrático e de Direito deve ser combatido dura e racionalmente. É claro que o Sr. Sarney, papa-óstia notório e um dos principais apoiadores e aproveitadores da Ditadura Militar, não queria se referir a qualquer deus, como afirma o articulista. E se fosse? É ao Deus Católico Romano que ele resolveu dedicar o nosso Real; inconstitucionalmente, diga-se de passagem. O sr. Sarney é devoto do Deus tirânico, cruel e desonesto dos antigos judeus, isto é, Jeová, ao quel nem sequer os modernos judeus acreditam mais. Limpar nosso Real de qualquer sujeira religiosa, é um dever de todo cidadão, religioso ou não. Porque o dinheiro é do povo e provem do seu trabalho. Deve-se louvar o trabalho honesto e repudiar a opressão. Deve-se repudiar o açodamento do “jeitinho brasileiro” que tanta desgraça traz ao nosso povo. Minha bênção democrática, laica, iluminista e iluminada.

  2. André Tricolor Virtual

    Abaixo o aforçuramento …

  3. Eu nem lembrava mais da mencionada frase, até por que não costumo ler dinheiro e as letras são muito miúdas, quase ilegíveis.

    Se mudar a frase para “puta que pariu” ninguém, fora o MP, vai notar o fato.

    Irrelevante? Pode ser, ou não; depende do ponto de vista.
    Mas, se não foge a suas atribuições definidas na Constituição, creio que a discussão sobre a irrelevância de uma ação pública para retirar a expressão de fé sarneystica torna-se… irrelavante. Retire-se, pois, a dita cuja, e não se fala mais nisso.

    A argumentação do Jácome é reacionariamente ortodoxa, ortopé e ortofon, e tem como objeto denegrir o MP. Talvez ele prefira PM.

Deixe um comentário