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O Retorno

3 comentários

Perrusi Filho tomou chá de sumiço – simplesmente, escafedeu-se. E o blog, por causa disso, parou geral. Confesso que não entendo o pequerrucho de Perrusi Pai; afinal, tinha tanto assunto para escrever, mas sumiu completamente. Houve a greve nas universidades, o Santinha, as eleições e, principalmente, o julgamento do mensalão – ele não teria nada a dizer sobre essa aberração de vitalícios vetustos ridículos e patéticos do STF? Como é um reformista, um bombeiro dos conflitos sociais, certamente, diria que a esquerda merece o tacape do Estado de Direito.

Porém, apesar de julgá-lo um covarde, mais ainda do que seu pai, gosto dele. Aliás, o filho é mais parecido com o pai do que pensa e, sobretudo, deseja, já dizia uma senhora muito sábia. E leva essa maldição genética e fenotípica com inconformismo. Pensa escapar do Destino dos Perrusi. Tem essa esperança. Mas a vida é dura e a Sapucaí é longa. Os caminhos podem ser tortuosos; entretanto, sempre levam à mesma direção. Perrusi Filho não se livrará do sono e da preguiça – talvez, estejamos diante do motivo do sumiço: o rapaz caiu nas garras hedonistas da preguiça perrusiana. Não é uma tragédia, convenhamos, mas gera bocejos incontroláveis.

Repito: gosto do rapaz. Certo, transborda de satisfação consigo mesmo, mas não incita a ira e a desaprovação alheia. Possui a sabedoria de ser leal a quem ama, embora tenha uma dificuldade cósmica em compreender o significado da fidelidade. Não é um cachorro, digamos assim. Parece mais um urso. Exala vontade, mas, como dorme demais, mantém-na dentro de certos limites. Algumas vezes, penso que a preguiça dos Perrusi não seja destino nem mesmo uma determinação genética, e sim proposital, autoinduzida, uma espécie de estratégia poética, sem produzir poemas, no máximo, roncos. A preguiça insinua lucidez, embora o sono seja sua ficção suprema. Os Perrusi sonham? Não sei. Se sonhassem, teria até admiração, pois a preguiça, para sonhar, exige uma grande força de caráter. Sonhar, por meio da preguiça, é uma eloquência que zomba da eloquência.

Não quero exagerar. Digamos que os Perrusi personificam um paradoxo da vida: jamais amariam, se não tivessem ouvido falar do amor. Por isso, eles têm grandes orelhas.

Bem, fico por aqui. Eles voltaram e, assim, eu também. Vamos recomeçar, essa tarefa impossível. Aproveitemos, pois todos estão, agora, acordados.

Luvanor Bianski

Torcedor
  1. Luvanor & Outros Perrusi,
    Eu tenho um simpatia toda especial pela preguiça, seja genética ou induzida; não sei dizer se se trata de afinidade eletiva ou espontânea, mas acho que a eloquência zombeteira do sonho preguiçoso ainda pode salvar o mundo. Ou não.
    Em todo caso, viva o Retorno!
    Abraço

  2. Antes de tudo, de tudo mesmo, era a Preguiça. O Fiat Lux estragou geral. Quando soube disso, virei ateu na hora.

  3. Não é pra menos, grande Artur, virar ateu em tal situação. Como permitir que um deus torne-se único ao violentar desse jeito o sono dos outros?!!
    Freud foi ultrapassado; Artur Perrusi explica melhor a violência do/no mundo: nada a ver com castração ou culpa, mas com os holofotes do Performático da Luz: filhos de tal pai acordam inevitavelmente mal-humorados, neuróticos, dados à agressividade e ao exibicionismo como modo de relação.
    Continuemos então nossa cruzada pela preguiça pacificadora – a não confundir com a polícia pacificadora (esta não passa de uma tática de distração elaborada por espiões do Performático).

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