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Mauvaise Conscience

3 comentários

 

O ex-sacerdote Leonardo Boff, teórico da Teologia da Libertação, xodó da esquerda católica dos anos de 1960-70, declarou, em entrevista recente a uma mídia paulista, que Bento XVI, apesar de ser um grande teólogo, deveria renunciar ao cargo de papa por “motivos de saúde”.

O senhor Boff não esclareceu de que tipo de doença sofria Sua Santidade, deixando seus admiradores livres para especulações, algumas, sem dúvida, cruéis e inoportunas.

Certamente, não seria nenhum tipo de demência senil, desde que Bento acabara de publicar o segundo volume do seu “Jesus de Nazaré”. Dizem, aliás, que ele provou, por a mais b, que Jesus realmente existiu e que teria nascido de uma virgem.

No entanto, Bento também acabara de afirmar publicamente que os ateus haviam sido uma das principais causas do Nazismo, por “tentarem esvaziar a ideia de Deus do povo alemão”.

Tenho minhas dúvidas, embora reconheça que ele deve conhecer o assunto melhor do que eu, que não pertenci à Juventude Nazista. É claro que não se pode culpá-lo disso. Na época, todos os jovens alemães eram obrigados a fazê-lo, sob o risco dos pais serem internados num Campo de Extermínio.

É verdade que dizem que as coisas que se passam na adolescência se enterram no subconsciente para, de vez em quando, atormentarem a vida adulta, em forma de mauvaise conscience.

Não sei! Não se conhece nenhuma declaração de Ratzinger contemporânea do Nazismo. Quando adolescente, ele era calado demais.

De qualquer maneira, a tese de Bento XVI é tão original e inédita, dentro da imensa bibliografia sobre o Nazismo, que, se ele conseguisse prová-la, ganharia sem dúvida o Prêmio Nobel das Ciências Sociais (existe?).

Não concordo com a opinião de Leonardo Boff. Uma vozinha frágil e, como diria, quase efeminada, não indica qualquer estado doentio. Além disso, o noticiário intelectual está tão vazio que precisamos de alguém que diga uma ou outra idiotice.

De vez em quando!

Mas, tampouco posso imaginar como caracterizar as opiniões do Papa.

Ora, ele sabe muito bem que a ICR apoiou o fascismo italiano, em troca da criação do Estado do Vaticano e do monopólio do ensino religioso obrigatório nas escolas públicas da Itália (Tratado de Latrão de 1929, entre Mussolini e Pio XI).

Ele sabe, também, que a ICR foi, no mínimo, omissa quanto ao regime nazista na Alemanha, além do seu apoio declarado e incondicional ao Generalíssimo Franco na Espanha.

E o que dizer das ditaduras recentes da América do Sul?

Não foi, por acaso, o mesmo Cardeal Ratzinger, num ato fascista de censura, que mandou Leonardo Boff se calar quando este, inclusive, criticava corajosamente nossa Ditadura Militar?

Não! Bento XVI não parece vítima de nenhuma doença. Aliás, mesmo que fosse verdade, eu não me atreveria a diagnosticá-la. Não sou médico.

Nem tampouco ousaria classificar suas opiniões como produtos de desonestidade intelectual.

Por outro lado, parece que a hierarquia católica romana esqueceu a gravidade dos crimes nazistas e se pronuncia publicamente sem um mínimo de decência sobre assuntos de moralidade privada, como sexo, por exemplo.

Javier Martinez, Arcebispo de Granada, em 31 de Dezembro último, comparou a lei do Aborto na Espanha “com o regime nazista, cujos crimes não eram tão repugnantes quanto o ato do aborto”.

Nem tampouco os de Franco, apoiado eternamente pela ICR espanhola, inclusive por Martinez.

Isso faz lembrar o episódio de outro Arcebispo, muito próximo da gente, que condenava, com os olhos brilhando de lubricidade cruel e obscena,  pela TV, uma menina de nove anos de idade, vítima de estupro, e paciente de um aborto legítimo, legal e, clinicamente, necessário.

O Arcebispo pouco se incomodou com o sofrimento da criança e de sua mãe.

Mas, o que dizer do senhor Luiz Gonzaga Bergonsini, Bispo de Guarulhos, quando afirma que “as mulheres mentem ao dizer que foram estupradas… para apenas conseguir a liberação da lei para a prática do aborto”?

Um Bispo espanhol dizia que os meninos estuprados por padres ficavam de costas, propositalmente, para provocar seus subordinados.

Outro padre espanhol, de uma maneira mais folclórica, pediu que mandassem medir seu ânus para provar que não era homossexual. Seu nobre órgão não estaria suficientemente dilatado. E precisa?

Em suma, afirmações e atitudes de membros da ICR que me provocam asco.

Dizem que a ICR é uma instituição religiosa decadente. Pode ser.

Mas poderia ter, pelo menos, um pouco mais de compostura. E menos ganância e soberba em suas fraudes habituais.

Sementeiras
  1. Doente? Seria alguma no turíbulo?
    Muito tempo sentado, idade avançada, falta de exercício…

  2. Epa! faltou uma palavra.
    Seria alguma coisa no turíbulo?

  3. Mas o Bispo de Guarulhos provou cientificamente a sua afirmação, de que o estupro só existe se for consentido. Pegou a caneta da repórter que o entrevistava, ficou segurando a tampa, devolveu a caneta para a moça e a desafiou a enfiá-la de volta na tampa. Atônita, a jornalista até que tentou, mas o Bispo, movia para cá, para lá, recuava e ela não conseguiu por a caneta de volta na tampa.
    _ Viu?, perguntou o Bispo, triunfante, demonstrando que a sua coreografia punha uma pá de cal sobre o assunto.

    Quando uma pessoa tem uma mente científica, nada a detém.

    Parece absurdo, eu sei, mas está na entrevista que esse cidadão deu ao jornal Valor Econômico de 13/06/2011. Entrevista, aliás, que tem um conjunto de pérolas que merece a leitura. Mas tem que ir com o estômago preparado.

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