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Darwinismo neuronal
Certo dia, recebi o e-mail abaixo:
Uma manada de búfalos se move com a velocidade do búfalo mais lento. Quando a manada é caçada, são os búfalos mais fracos e lentos, em geral doentes, que estão atrás do rebanho, e que são mortos primeiro. Esta seleção natural é boa para a manada como um todo, porque aumenta a velocidade média e a saúde de todo o rebanho pela matança regular dos seus membros mais fracos.
De um jeito muito parecido, o cérebro humano pode operar apenas tão depressa quanto seus neurônios mais lentos. Beber álcool em excesso, como nós sabemos, mata neurônios, mas naturalmente ele ataca primeiro os neurônios mais fracos e lentos! Neste caso, o consumo regular de cerveja elimina os neurônios mais fracos, tornando seu cérebro uma máquina mais rápida e eficiente…
E ainda: 23% dos acidentes de trânsito são provocados pelo álcool. Isto significa que 77% dos acidentes são provocados por pessoas que bebem água. E ainda querem fazer campanhas contra o álcool…
Abri, agora, uma cervejinha. Brindei o argumento — darwinismo neuronal movido a cerveja. Nunca tinha pensado nisso. Tomei mais uma lata. Senti velhos neurônios pedindo arrego. Outros, os ditos lentos, feneciam sem piedade. Tive uma certa pena, é verdade. Gosto da sua lentidão — velocidade me constrange. De alguma maneira, parecia que os enganava. Sempre protegi, por pura compaixão, os meus neurônios, justamente aqueles sem bainha de mielina. Sem bainha, as informações passam mais lentamente. Assim, cada dado pode ser apreciado. Sem morosidade, como julgar esteticamente?
Em suma, sem maiores delongas, matei muitos. Virei um neurocida. Mas fiquei meio burro, confesso. Em contrapartida, creio que esteja mais feliz. Assim, acho que o e-mail está errado. O cérebro fica mais lento, e ficamos mais burros; porém, sem neurônios, a felicidade aparece. Tal fenômeno bate com algumas intuições literárias. Para a inteligência corrosiva de Flaubert, “ser burro, egoísta e ter boa saúde” eram as três condições para ser feliz. Mas, acrescentava, “se nos faltar a primeira, tudo está perdido…”.
É isso… A cerveja nos deixa burros e felizes.

















Se isso fosse verdade eu seria o Einstein !!
Einstein formulou a famosa equação e=mc2 completamente bêbado. É vera!
Finalmente descobri o fator determinante da minha mediocridade absoluta – álcool em quantidades…medianas.
Será que ainda dá tempo de recuperar?
Já no final do século XVI William Shakespeare antecipava este raciocínio. A estupidez, dizia, é resultado do entupimento dos caminhos do raciocínio no cérebro. O álcool serve para desobstruir, desentupir e até fazer evaporar as adiposidades da estupidez, permitindo com isso que as idéias fluam com mais facilidade e velocidade. Sem álcool a inteligência é uma impossibilidade.