Acompanhe o RSS: Artigos | Comentários | Email
Pesquise no site
O Buraco Negro como a Mãe
Por falar em nosso novo colunista (aqui), o polonês Luvanor Biansky, há uma estória curiosa a seu respeito.
Luvanor era físico da Universidade Jaguelônica (Uniwersytet Jagielloński) em Cracóvia. Foi expulso porque defendeu uma extravagante teoria: o universo surgiu de um gigantesco buraco negro. Ele o chamava de “Mãe”. Teria a massa de 3.000 sóis.
Luvanor, segundo Tsé-Tsé, sempre foi contra a teoria do Big Bang.
_Crendice! E o que havia antes da explosão, hein?!
Sua hipótese… Ops! nunca lhe diga que sua teoria é uma hipótese, pois alega que é mais comprovada do que a da evolução. Bem, sua hipótese é a seguinte: dentro de todo buraco negro existe a Angústia — “não existe lugar mais angustiado do que um buraco negro”, teria dito. Quanto maior o buraco, maior a aflição. Há um momento no qual a Angústia não se aguenta e se arrebenta, produzindo um universo inteiro de ansiedades. Do ponto de vista lógico, a Angústia é anterior a tudo. Foi a famosa Angústia Primeva que gerou o primeiro fóton e, assim, o espaço-tempo. A Angústia, não aguentando sua criação, pois toda angústia é fotofóbica, podem reparar, puxou de volta a luz e transformou o espaço-tempo numa singularidade. Estava criado o primeiro buraco negro. Só que a Angústia ficou presa dentro do buraco, tornando-se ainda mais angustiada — não sei se vocês estão me seguindo no raciocínio, pois é muito complexo. Tal situação causou muita aflição e, com isso, uma explosão e o primeiro universo.
A Grande Sequência seria a seguinte, segundo os cálculos infinitesimais de Luvanor:
Angústia Primeva > Primeiro Buraco Negro > mais angústia* > explosão > Primeiro Universo.
*Não é mais a Primeva e sim uma Derivada.
Com o Primeiro Universo, surgiram as estrelas e, com isso, mais buracos negros, logo, mais angústias, explosões e outros universos.
Nos seres humanos, segundo Freud, aquele canalha que queria comer a própria mãe, que fez de sua autobiografia nojenta uma psicoterapia universal… eita, desculpe o desabafo, é que fico puto com essa história de Freud querer fornicar com a mãe; no fundo, inconscientemente, com todas as mães, principalmente a de vocês seus merdas (ops! desculpe, novamente)… a Angústia Primeva pode ser sentida quando da visualização da Cena Primitiva, isto é, o Pai fazendo aquelas coisas com a Mãe. É tão grande a aflição que a Angústia explode, gerando o Complexo de Édipo, o buraco negro da psicanálise. Daí, surgem civilizações e culturas.
Luvanor discorda da versão freudiana da Angústia Primeva.
_É uma afabulação! Minha “Mãe” não tem nada a ver com isso!
Convenhamos, a tese cosmológica de Luvanor é mais coerente do que esse papo de comer a mãe, essa safadeza inominável, essa maluquice, é pra internar um cara desse… vôte, desculpe de novo.
Pois é…

















Os primitivos povos que viviam ao largo das costas da Cabedelo pré colombiana, e em especial na Praia do Macaco, representavam a criação do universo e de tudo mais por um gigantesco buraco de tartaruga. Eles eram adoradores do cosmos. Lévi-Strauss quando teve acesso às primeiras etnografias e reproduções dos desenhos silvícolas, imediatamente descreveu a estrutura em ação: _ Óbvio ser um buraco de tartaruga! Vamos todos pro buraco, ou estamos no buraco, enfim, inconscientemente, o buraco se impõe.
Enfim, como mostra a antropologia, “uma vez no buraco, sempre no buraco”!