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Juro, pensei que fosse lenda

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Quando falavam comigo sobre o assunto, eu ria muito. Zombava do interlocutor. Dizia que era fantasia e pedia que o mesmo parasse de tomar chá de trombeta.

_O cara fez filme como corredor de fórmula um!
_Não era fórmula um e tinha dublê.

A argumentação do dublê, de fato, embananava-me.

_O cara não dança no palco?
_Ele só se remexe, anda um pouco, mas nunca o vi dançando.

Só de pensar na questão, tinha  dor de cabeça. Sempre achei a estória um mito, acalentado por conversas de avó. Não era fácil fazer a passagem para a credubilidade.

_Credulidade, Artur.
_Ah, sim.
_Olha aqui a notícia no jornal. É de um colunista confiável.
_Isso só pode ser uma lenda.
_Não é, não, acredite.

Li e fiquei estarrecido. Era verdade, a pura verdade. Aquela estória do trem… putz!

DEPOIS DE abrir seu glorioso show na praia de Copacabana com “Emoções”, Roberto Carlos contou que, “depois dos 35 anos, tudo fica mais difícil e eu já passei há algum tempo. Sofri um pequeno acidente de motocicleta e, por isso, estou com problema no joelho e não vou conseguir fazer o show todo em pé”. Aos 69 anos, um apoio não faz mal a ninguém.
A esta altura de sua carreira e de seu sucesso, Roberto Carlos poderia prestar uma ajuda a pessoas que, como ele, convivem com uma deficiência física. Quando tinha seis anos, um acidente no leito da ferrovia de Cachoeiro de Itapemirim cortou-lhe a perna direita, abaixo do joelho. Ele superou a deficiência e evita mencioná-la, mas evocou-a num verso da canção “O Divã”:
Relembro bem a festa, o apito
e na multidão, um grito
No início de sua carreira, a discrição talvez fosse conveniente, sobretudo para um artista que preserva sua vida pessoal. Hoje, ele poderia ser um exemplo para milhares de pessoas, estimulando políticas públicas de saúde.
José Alencar ensinou aos brasileiros como a coragem e a fé ajudaram-no a enfrentar o câncer. (Houve época em que nem se mencionava a palavra, dizia-se “insidioso mal”.) O próprio Roberto Carlos viveu uma história de amor e sofrimento quando sua mulher, Maria Rita, padeceu de um câncer que a matou em 1999. A modelo Heather Mills, ex-madame Paul McCartney, sofreu uma amputação semelhante à do cantor. Ela batalha pelos amputados e chegou a mostrar a prótese, colocando-a sobre a bancada do entrevistador Larry King.Usou sua fama para desestigmatizar a mutilação, divulgando os avanços ocorridos nesse ramo da fisioterapia. O senador Robert Kerrey, pré-candidato à Presidência dos Estados Unidos em 1992, chegou a fazer piada com o pé que lhe faltava, perdido no Vietnã.

Mas acho uma frescura essa cobrança para que RC mostre sua perna mecânica. Que fique escondida, pois só assim continuará o mistério! Ainda falarei aos netos que isso tudo é lenda.

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