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A graça de viver
A luta de classes bota fogo na Europa. Ao mesmo tempo, os conservadores europeus tiram a graça de viver.
Conseguiram uma proeza. Li aqui:
–1. A Corte Européia de Justiça, nesta semana, decidiu que a proibição de venda de maconha para cidadãos não residentes na Holanda, estabelecida em algumas cidades dos Países Baixos, é legítima, ou seja, conforme as normas que regulam a União Européia.
Trata-se da primeira grande vitória dos conservadores holandeses. Só não sabem eles como fazer com o rombo financeiro a afetar o produto interno bruto (Pib). Na Holanda, o mercado da maconha movimenta, por baixo, US$10 bilhões por ano: este dado é de 2003 e se fala que em 2009 houve queda de 28%.
Para se ter idéia e conforme informou ontem o prefeito de Maastricht, os 14 coffeshops da cidade recebem 10.000 visitantes por dia. E o próprio prefeito alerta: “ 70% dos visitantes não residem na Holanda”.
Em outras palavras, só em Maastrich, –cidade sede do Tratado que deu vida à União Européia–, 3,9 milhões de pessoas fumam maconha nos 14 cafés da cidade e 70% são turistas estrangeiros.Desde novembro de 1968 é permitida, em coffe-shop e para maiores de 18 anos de idade, a venda de maconha para consumo no próprio local, ou seja, não se pode comprar e levar para fora.
O primeiro coffe-shop autorizado a vender maconha foi aberto na cidade universitária de Utrechet: coffe-shop Sarasani (aberto em dezembro de 1968).
A meta da lei era afastar o usuário do traficante.
Com o passar do tempo, notou-se que muitos turistas, principalmente dos países vizinhos, visitavam a Holanda por causa dos cafés. E estes estabelecimentos comerciais podiam vender, por noite, até meio-quilo de maconha, de excepcional qualidade.
Nas anuais “Feiras da Maconha”, existe um prêmio para o melhor produto e o cultivador consegue milionários contratos de fornecimento com os coffe-shop e os importadores de erva canábica para fins medicinais.
Para a Corte da União Européia, –que tem sede em Luxemburgo–, a medida restritiva (venda a estrangeiro) atende à manutenção da ordem pública e à tutela da saúde dos turistas.
Um proprietário de coffe-shop, segundo a Corte da União Européia, não pode valer-se dos princípios da “liberdade de circulação” e da não “discriminação local” pois é proibida o comércio de maconha nos circuitos econômicos europeus.
–2. PANO RÁPIDO. Continua livre para os não residentes na Holanda, a comercialização de bebidas alcoólicas e tabaco.
– Walter Fanganiello Maierovitch–
Fui várias vezes a Holanda. Fui para ver seus canais e museus. Como sou contra todas as drogas, inclusive cervejas, a pior de todas, passei longe dos cafés.
A Europa está tão conservadora que existe, agora, imaginem só, reaça holandês. O mundo dá voltas.


















Por essas e outras escolhi Intermares pra viver. Manter-me longe de todas as seduções modernas que tangenciam a moral e os bons costumes. Tenho aprendido que observar tartarugas pondo seus ovos ensinam muito sobre a humanidade. Mas todo esse ensinamento só pode ser apreendido, claro, sóbrio!
Sim, Intermares. E, como defensores fundamentalistas da sobriedade, devemos combater o bar do surfista, aquele café amsterdaniano da praia dos macacos.
PS: vc sabia que o nome da praia foi dado porque havia, antigamente, muito macaco-prego? Não há mais em Intermares. Ninguém se mobiliza pelos símios. Tentei até fazer uma ong, nos moldes da que defende as tartarugas, e faliu por falta de voluntários. Pregava no deserto, isto é, na praia.
Bem, uma bióloga me disse que não havia macaco-prego em Intermares, logo, era impossível prevalecer uma ong sobre uma inexistência como tal. Insinuou que era delírio da minha parte a mera especulação sobre a existência, mesmo no passado, desses macacos. Insatisfeito com o vaticínio, perguntei então sobre a origem do nome da praia. Ficou calada.