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A Gosma Verde e o Ateísmo
Li, na coluna de Fernandode Barros e Silva, lá da Folha, o seguinte:
As imagens de Charlie Chaplin e de Adolph Hitler estão lado a lado. Abaixo do criador de Carlitos está escrito “não acredita em Deus”; abaixo do líder nazista, “acredita em Deus”. No alto, o slogan: “Religião não define caráter”.
Essa é uma das quatro propagandas que a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea) estaria veiculando, desde ontem, em ônibus de Porto Alegre e de Salvador
Sou um ateu e acredito, piamente, que a alma é uma secreção verde que sai do nariz vinda do sistema límbico. Posso afirmar, baseado na minha longa experiência, que há muita secreção dentro de mim.
Sim, sou ateu, mas não sou burro. A burrice é o único valor universal e, assim como a peste bubônica, pega todo mundo. Por isso, afirmo que a propaganda acima é burra e terá o efeito contrário do desejado: aumentará o preconceito contra os ateus.
A ATEA parece não compreender que ateu pode ser qualquer coisa. Nada o define, exceto sua negatividade diante da existência de Deus. O ateu é possuído pela Indiferença Absoluta defronte da Grande Gosma Verde do Cosmo. Claro, pode ser uma ou várias, mas monogosma ou poligosma dá no mesmo. É só isso. Dependendo da época, a Indiferença pode ser uma conduta de resistência à intolerância religiosa, como atualmente, por exemplo. Mas, politicamente, essa resistência não precisa ser expressa como uma posição normativa, com preceitos e dogmas, pois isso seria… religião. O ateu deveria ser o mais laico dos laicos — a laicidade extremada deveria ser sua política. Só isso.
Claro, é uma bela fantasia um mundo sem religiões e sem gosma verde — sem espiritualidade, por exemplo, esse termo absolutamente irritante, que é expresso como quem masca um chiclete. Sobrariam poucas pessoas no mundo, quase ninguém, e isso seria muito bom. Aos poucos, a espécie humana desapareceria, após o último bocejo de um ímpio. As religiões são gigantescas mães que não param de parir humanos na Terra — há uma correlação positiva entre crenças religiosas e densidade demográfica. Os ateus gostam de trepar, mas não de reproduzir — há algo milagroso na vida, por isso, muito repetitivo. Quem inventou, afinal de contas, o anticoncepcional foi um ateu.
(Os comunistas soviéticos tentaram acabar com a religião. Foi uma bela empreitada, sem dúvida, um assalto aos céus. Mas não deu certo. Não atentaram que a solução mais óbvia teria sido a esterilização total da população soviética. Stalin, infelizmente, era um genocida político e não uma uma marca de contraceptivo)
Seria uma honra ser o último ateu a soprar a velinha cósmica e, enfim, terminar essa peça de teatro ridícula, produzida por Malboro, esse extraterrestre ultrapoderoso de Betelgeuse — sim, foi Ele que armou tudo: produção, roteiro, montagem, direção, cenário e figurino… Deu no que deu.

















Kubrick era ateu. Entre outros filmes, seu “Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb”, afirma isso. Dr. Stangelove era o ideal tipo do ateu que queria fazer coisa certa e acabar com a gosma verde universal de todas as nuances políticas. Deu certo, e até que ficou bonito…
Também acho essa cruzada antirreligiosa muito… religiosa. Suspeito que o único resultado disso vai ser um reforço do fundamentalismo e a criação, por default, de uma suposta identidade ateia. Não faz o menor sentido.
Imitação inglesa. Que não deu certo! Colocavam em ônibus cartazes com propaganda ateísta. Bobagem! Como a religião é de origem emocional, e de muita ignorância, qualquer coisa ostensiva, especialmente quando mal feita, dá resultados negativos. O ateísmo não precisa de propaganda. Os ateus, por outro lado, precisam de proteção contra os preconceitos. Vide o caso do apresentador Dantena que está, aliás, sendo processado por um promotor paulista. Desses promotores que têm coragem de defender os direitos humanos.
…A idéia de fundação da 1ª Igreja da Grande Gosma Verde de Intermares não é má…
No culto, todos assoariam o nariz. As catotas seriam sagradas. Guerras de meleca seriam uma forma de comunhão. Haveria, para os mais religiosos, uma piscina de catarro.
Que nojo Artur!!!!!
ECAAAA
Justo. “Eca” seria nossa reza. “Eca nosso, que que estais na Gosma, assoada seja a Vossa Forma…”
Acho que, agora, ganhei um prêmio da ATEA.
… e as catotas embaixo das cadeiras, oferendas à Grande Gosma… isso não tem fim! hehehe
O Templo Sagrado seria uma espécie de caverna com gigantescas estalactites de catotas…
E na comunhão o que seria servido aos fiéis? catota-chips?
Não concordo. Não sabia, nem nunca tinha ouvido falar desta campanha, e muito menos da associação. Mas qualquer coisa pública que faça pensar que ser ateu não significa que o cara é necessariamente mau, e que ser religioso, por outro lado, não significa o inverso, é bem vinda. Intolerância teremos sempre. Só que uma ação dessas isolada, provoca reação. Se tiver continuidade (e isso signfica dinheiro), pode gerar auto-confiança (sou do tempo do hifen, ora).
Dei um google em ATEA (o que talvez demonstre que não sou tão ateu assim) e achei o site.
Nessa campanha, tem uma frase bem legal,
“SOMOS TODOS ATEUS…
COM OS DEUSES DOS OUTROS”.
Tá, gostei dessa frase!
Mais uma notícia da ATEA:
a Agência de Transportes Públicos em Porto Alegre vetou a campanha local alegando infração de uma lei municipal que veta temas religiosos na publicidade de ônibus.
Só resta uma saída,
Ateus do mundo, uni-vos!!!