Acompanhe o RSS: Artigos | Comentários | Email

Cenas de guerra

Sem Comentários

Pesquei esse vídeo da NaMariaNews, que o pescou do próprio WikiLeaks.

Assassinato Colateral from Passa Palavra on Vimeo.

As cenas são chocantes.

(…)

Voltando ao assunto “WikiLeaks” e comentando a prisão de Julian Assange, confesso minha perplexidade. Sei que o cabra está sofrendo uma perseguição odiosa de alguns governos, em particular o estado-unidense; mas, a razão de sua prisão é muito bizarra. Estupro? Quando soube da notícia, pensei: “sendo verdadeira a acusação, o cara merece prisão da braba!” Depois, a noção  de “estupro” teve um curto-circuito semântico impressionante. O que é, afinal, estupro, para as leis suecas? Descobri que, na Suécia, caso um temerário comece uma transa, mesmo consentida, com preservativo e termine, por vários motivos, sem o dito-cujo, pode ser processado. Pelo que li, esse foi o caso de Assange, um rapaz temerário, inclusive ao provocar as leis sexuais suecas.

Infiro que deve ter muito caso de estupro na Suécia. Pensando como cientista social, indago: será que tais leis fazem parte de uma cultura geral do coito? Deve ser bem paranóica. Talvez, o mais recomendável, diante de uma possível transa sueca sem preservativo, seja pedir uma autorização por escrito. O primeiro momento de carinho seria estritamente formal e jurídico, mas, depois, haveria uma relaxada geral.

Claro, o mais simples é usar preservativos e rezar para que não estourem — entendo, assim, por que os preservativos suecos são os mais densos. O aumento da espessura do contraceptivo foi uma antiga reivindicação masculina quando do início da emancipação feminina na década de 60. Desde então, a camisinha sueca é feita da coagulação natural do látex de vários vegetais, sendo o resultado desidratado para produzir uma consistência mais dura. Parece com um saco de couro. É inegável sua resistência.

O grande estudioso dos costumes suecos, J. B. Barnes, realizou uma pesquisa, mostrando como tais tipos de preservativos prejudicavam enormemente o sexo entre suecos. Os casais tinham uma vida sexual miserável. Chegava um momento, um tanto inevitável, no qual o casal desistia da proteção. Era um acordo apenas tácito, praticamente silencioso. Quando alguém via um casal rindo, já sabia do motivo: os dois pararam de usar camisinha. Muitos suecos, mesmo loucos para dar uma gargalhada de felicidade, continham-se e tentavam disfarçar. Contudo, quando a vida conjugal começava a desandar ou o homem pregava uma peça, imediatamente era processado. Por isso, segundo Barnes, o preservativo tornou-se “um dispositivo de apoderamento reverso entre as mulheres suecas”.

(a frase, de fato, é obscura, mas o hermetismo é uma das características da prosa de Barnes)

Lá na França, tive uma colega de doutorado que era sueca. Ela defendia que a penetração era uma violência androcêntrica. Achava estranhíssima sua argumentação; agora, enfim, entendo a razão. Na época, passei dias desconfiado com meu pau. Era um assassino? Pensei em cortá-lo e entregá-lo à polícia; porém, depois de muita reflexão, achei que seria um exagero.

DimasLins

Deixe um comentário