Acompanhe o RSS: Artigos | Comentários | Email

A Comédia dos Erros – Shakespeare

5 comentários

Para aqueles que gostam de ler peças de teatro, ou para os que tem curiosidade pelo assunto, vai a dica da “Comedia dos Erros”, de Shakespeare. Uma leitura muito engraçada. Quem tiver a chance de ver no palco, vale a pena. Mas também é divertido ler a peça.

É uma história toda movida por qüiproquós, ou seja, confusões. A figura do qüiproquó é um artifício dramático que acontece quando uma pessoa é confundida com a outra, isso não é esclarecido e a trama segue adiante a partir desse equívoco. Também se aplica a situações em que os personagens conversam coisas com sentidos diferentes e vão cultivando uma encrenca que cresce ao longo da história.

“A Comédia dos Erros” é sobre dois pares de gêmeos que foram separados na infância e se reencontram involuntariamente 25 anos depois. Dois vivem na cidade de Éfeso, patrão e criado. E os outros dois, também patrão e criado, chegam à cidade. Mas naquele lugar ninguém sabe da coincidência e começam a tratar e armar tramas tanto com a dupla que vive na cidade quanto com os recém chegados. E assim cresce a confusão.

“A Comédia dos Erros” é considerada a primeira peça de Shakespeare e estreou provavelmente em 1594. Sua trama é baseada na peça “Os Menecmos” (Os Gêmeos), escrita no ano de 195 a.C. pelo dramaturgo romano Plauto. Sim, Shakespeare era um grande plagiador. A pirataria era plenamente aceita naquele passado. Em muitas de suas peças, seu brilho está na recriação e no tratamento, e não na fábula que  conta, no caso dessas peças recriadas.  A trama de  “Romeu e Julieta”, por exemplo, é baseada (beirando o plágio mesmo) num conto italiano escrito em 1554 por Matteo Bandello.

Esta edição da LPM (coleção Pocquet) da “Comédia dos Erros”está muito bem traduzida e tem uma leitura agradável. Fica a dica.

DimasLins
  1. Boa dica.

    Incluirei na minha lista, que em matéria de Shakespeare é bem fraquinha.

  2. Ducaldo,
    Na literatura universal, não há ninguém que possa dizer quem seria o autor top dos top, o primeiro entre os primeiros. No teatro isso é possível, e é esse cidadão aí.

    E outra, ao contrário da impressão geral, ele não era um autor de público restrito, não escrevia para uma elite intelectual, era um autor popular. O teatro lotava com suas peças. E ganhou dinheiro com isso. Mas como escreveu na virada do século XVI para o XVII, num inglês da renascença, é difícil até para os nativos de língua inglesa entenderem. E também por isso aquelas interpertações artificialmente eruditas que costumamos ver por aí. A tradução de um texto de Shakespeare nunca de deveria ser “Oh senhora… fostes infiél… etc”, mas sim algo como “sua vaca ordinária!!!”.

  3. Pois é. Até meu cunhado italiano, bairrista pra burro, admite que Shakespeare está acima de todos e é fã declarado.

    Esse aspecto do teatro Shakespeareano nunca é abordado, talvez por que seja conveniente aos círculos intelectualóides manter o chamado “grande público” longe dos ícones que lhes são mais caros.

  4. Diria que o problema é desconhecimento mesmo. Principalmente entre os círculos “intelectualóides”, como você falou. Justamente esse público é que imagina que conhecer Shakespeare seria uma espécie de passaporte para uma elite de iluminados. E isso o que de mais artificial se inventou a respeito dele. O inglês rebuscado de suas peças era o inglês que se falava no seu tempo.

    A primeira peça dele que vi encenada, foi uma comédia chamada “Muito Barulho por Nada”, no Teatro Popular do SESI, em São Paulo. Era de graça e o público era bastante diversificado, sem a cara do público tradicional de teatro, pelo menos em São Paulo. E como foi engraçada a peça, como aquelas pessoas se divertiram sem se preocuparem se aquilo era culto ou não. Era uma comédia, era inteligente, era bem encenada, com simplicidade mas respeitando a inteliência do texto. E foi um sucesso. Isso sim é Shakespeare.

  5. não gostei

Deixe um comentário