Acompanhe o RSS: Artigos | Comentários | Email

Estória triste

4 comentários

Estória triste. Não sei bem o que dizer. Peço que retirem as crianças de junto do computador.

Li aqui. Lá vai.

Uma socióloga de São Paulo entrou com ação na Justiça para garantir o direito de ficar com seu papagaio de estimação. Soró, um papagaio-verdadeiro, mora há 26 anos com a família de Tânia de Oliveira, 63 anos, na Moema, na zona sul da capital paulista, e sofre de epilepsia. O Ibama determinou no mês passado a entrega da ave porque, segundo o órgão, as normas brasileiras não permitem mais a criação dessa espécie em cativeiro. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

O Ibama sabia da existência do animal porque, desde 2002, quando uma nova legislação entrou em vigor, a socióloga teve que pedir ao órgão autorização para criar Soró em casa. Entretanto, a lei atual não permite mais que os papagaios-verdadeiros vivam em cativeiro, e a ordem é que o animal seja entregue ao Ibama. A família se nega a entregar o animal porque no documento do Ibama, segundo os advogados, está escrito que o papagaio Soró deve ser entregue para “ser sacrificado, se doente, ou entregue à natureza, sendo sadio”. A juíza federal Tânia Lika Takeuchi, substituta da 6ª Vara Federal Cível, concordou com os argumentos do advogado para suspender a entrega em caráter liminar. A decisão final, porém, não tem data prevista para ocorrer.

Preocupado com as eleições, esqueci-me das tragédias do cotidiano. Um papagaio epiléptico…

Um deles é epiléptico

(um minuto de silêncio)

Enfim, nem a ecologia consegue escapar das garras do burocratismo. Aliás, tenho medo do Ibama, pois já matei dois morcegos. Soube que morcegos são animais sagrados para os burocratas do Ibama. Fiquei com culpa, é verdade. E fui cruel, com certeza. Simplesmente, usei um bastão e pressionei a nuca dos bichos, esmagando suas colunas vertebrais. Foi uma morte dolorosa.

E vivo em luta com besouros. Não sei se os besouros são bichos ecológicos ou se foram capturados pela burocracia do Ibama. Depois de tanta carnificina, descobri que os besouros, na verdade, oferecem-se para o sacrifício. Só isso explica a profusão de besouros na casa. Antes, achava-os a versão coleóptera dos lemingues, aqueles roedores suicidas.  De fato, os besouros, praticamente, procuram a morte. E eu sou a Morte. Mas descobri que toda aquela entrega mortal era um ritual de passagem: eram besouros adolescentes que arriscavam a pele durante um tempo, enfrentando o Deus Terrível dos Besouros: Eu! Imagino os pais dos besourinhos enviando-os ao ritual; as despedidas, o choro, a resistência. Imagino também a alegria com a volta dos besourinhos ou com a tristeza de sua perda.

Pois é…

O besourinho que escapa do Deus dos Besouros torna-se um adulto. Eis a lei maior da sociedade dos besouros — a outra é comer madeira e acabar com os móveis da casa, mas isso é outro papo.

InscritosEmPedra
  1. E eu que achava que você sempre dava chiliques diante de animais minúsculos e inofensivos… os pobres besouros você encara, né?

    Abs.

  2. Eu me lembrei de já ter lido estória semelhante aqui em BH e achei:

    http://okylocyclo.blogspot.com/2009_07_09_archive.html

    Isso já é perseguição aos psittciformes!!

  3. kkkkkk…

    Weber e Kafka explicam.

Deixe um comentário