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Muda esse negócio!
Não consigo assistir, até o fim, aos debates. Acho Dilma muito ruim. Fico meio envergonhado com sua retórica gaguejante e confusão mental. Nalguns momentos, parece ser mais chata do que Serra, o que, convenhamos, é uma proeza. Ah, se fosse Ciro Gomes, seria uma lavada. A sorte de Dilma chama-se Serra, pois o candidato da oposição consegue, muitas vezes, ser pior do que a própria, o que é extraordinário.
Discordo da campanha. Além de ter caído na armadilha medieval do aborto, Dilma vem insistindo numa discussão batida de que, salvo melhor juízo, não leva a nada na atual conjuntura: a questão da privatização. Na eleição de 2006, o tema era pertinente; agora, desconfio que seja inócuo. Já mudamos de agenda política, o que foi uma bela conquista do governo Lula. Mostrar o fantasma da privatização é uma assombração desnecessária.
Dilma deveria agarrar Lula, beijá-lo, acariciá-lo, fazer sexo explícito, qualquer coisa, pois todo mundo entende o que é apoiar Lula. É 81% de aprovação. Dilma, ao invés de rezar, deveria falar do governo Lula o tempo todo. E dizer que Serra destruirá o legado do governo Lula. Por que não repete incansavelmente que os tucanos eram contra o Bolsa-Família, vilipendiada como Bolsa-Esmola?
Por que não repete o que Mônica Serra pensa do Bolsa-Família:
“As pessoas não querem mais trabalhar, não querem assinar carteira e estão ensinando isso para os filhos”.
Chama os demotucanos de demagogos e denuncia o apoio hipócrita de Serra a Lula. É fácil mostrar que os demotucanos odeiam Lula, seu governo e seu sucesso. Seria tão óbvio mostrar que os demotucanos são oposição, inimigos do governo e que destruirão suas conquistas. Bota o povo em pânico com a possibilidade de não ter a continuidade do governo Lula.
Não, o marqueteiro de plantão prefere Dilma escrachando números esotéricos e deixando de discutir política. O programa eleitoral mudou um pouco, melhorou um pouco, e já deu resultado (Paulo Preto, respostas às baixarias), mas ainda não basta.
(…)
Marina ficou neutra. Tem sua lógica. Era a melhor posição, visando sua postulação como futura oposição a qualquer governo que saia do segundo turno. Mantém a coerência de ser a terceira via. Contudo, para qualquer posição de esquerda, é intuitivo o voto útil em Dilma. Não falo da extrema-esquerda, cujo voto nulo acompanha o raciocínio típico de que Serra e Dilma são farinha do mesmo saco. Como a esquerda tem pesadelos com a revolução, sonhando com reformas, o que mais se aproxima de um governo reformista é Lula, Dilma e quejandos. Ou nosso mínimo comum: votar em Dilma é votar contra a direita, e isso basta; inclusive, para um eleitor de esquerda que votou em Marina.
Mas Marina não é de esquerda, é verde, e só a deusa Gaia sabe qual é, afinal, a ideologia política da cor da relva no Brasil e no mundo. Vide a Europa, principalmente a Alemanha, onde os verdes compõem com a direita (muitas vezes), com a esquerda (algumas vezes), o escambau. São neutros, como um detergente biodegradável.
Algum dia, especularei que eles têm razão, quanto à estratégia, mas estão errados, em relação à tática.
(…)
Enquanto isso na sala da baixaria, Serra apronta o novo terrorismo eleitoral, segundo o Escrevinhador: um gigantesco esquema de telemarketing.
De ontem, pra hoje, recebi – via twitter e também no blog - dezenas de mensagens de pessoas que receberam ligações. É o telemarketing das sombras em ação.
Alguns exemplos:
- PaulaBeiro @rvianna Hj ligaram aqui para casa (Goiânia) com gravação contra Dilma.
- @Eleitor_2010 Eu achava q o tal telefonema do PSDB falando da Dilma era lenda! Olha o número aí! Acabei d atender: http://twitpic.com/2z1b89
Esse último link traz a foto do bina, com o número que disparou a ligação das trevas.
Porto Alegre parece ter sido a cidade mais bombardeada, nas últimas 24 horas.
Vários leitores (alguns pedem sigilo) informam ter recebido a ligação de um outro número, de São Paulo: (11) 3511-1700. Liguei para lá. Uma mensagem informa que o o telefone “está programado pelo assinante para não receber ligações”.
Com ajuda do tuiteiro “páginadois”, descobrimos o nome da empresa que está autorizada pela Anatel a prestar esse tipo de serviço. A empresa fica no bairro do Paraíso, em São Paulo. Levantamos todos os dados: endereço, sócios etc. Preservamos o nome da empresa porque – aparentemente – é apenas uma prestadora de serviço.
Pode ter sido contratada para dar suporte à central de telemarketing – mas sem responsabilidade pelo conteúdo. Basta à campanha de Dilma acionar a PF e o MPE, para saber quem contratou a empresa. É algo que pode ser feito rapidamente.
O que pode ser feito também: quem receber a ligação deve tentar gravá-la. Várias secretárias eletrônicas têm esse serviço!
Há mais números de telefone, e nomes de outras empresas de telefonia. Marco Aurelio Weissheimer, do RS Urgente, também está investigando o assunto.
Mas a campanha do terror difuso não se restringe ao telemarketing.
- Há os panfletos religiosos (alguns apreendidos, mas milhares de outros sendo produzidos e estocados). Estamos checando nesse momento a denúncia de uma outra gráfica com panfletos contra Dilma.
- Ao mesmo tempo, surgem em São Paulo faixas como a que reproduzo abaixo.
Pelo twitter, comentaristas dizem que militantes pró-Dilma já teriam ido ao local e retirado as faixas -http://twitpic.com/2z177k.
São apenas alguns exemplos do que será a campanha até dia 31. Quem acredita em eleição já definida não conhece o “Coiso”. Botou na cabeça que deve ser o próximo presidente. Se tiver que criar um clima de conflagração pra isso, vai criar!
Pode-se esperar qualquer coisa até o dia da eleição.


















