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O Marketing do Serra não é um desastre

5 comentários

Agora virou moda descer o cacete no marketing do Serra e, por tabela, no seu marketeiro. Isso parece coisa de torcedor vendo seu time tomar de goleada, que passa a desancar o treinador, o goleiro, o centroavante ou sei lá quem.

Esse ponto de vista parte da premissa de que o marketing político é tudo numa campanha eleitoral, que ele seria o grande responsável pelo desempenho do candidato. Pois bem, o marketing pode ter, eventualmente, grande parcela de responsabilidade por um desempenho eleitoral. Mas não é o fator mais importante. Não faz milagre. Não tem esse peso todo que lhe dão. Muito mais relevante para o posicionamento do eleitor, é a figura do candidato, considerando o candidato como o conjunto de atributos pessoais, políticos, administrativos, históricos, pitorescos, etc, que compõem esse personagem político. Isso tem infinitamente mais peso. Muitas vezes um perfil pode estar de antemão condenado a um desempenho pífio. Vamos considerar, por exemplo, que o Quércia fosse candidato a governador de São Paulo. Dificilmente o melhor marketeiro, a melhor equipe, a melhor e mais vibrante campanha o faria ganhar uma disputa como essa. Porque o eleitorado paulista não vai com a fachada dele. Passou o seu tempo, foi acusado de corrupto e ficou com a imagem suja.

Um outro fator ainda mais decisivo para uma eleição, também tomando o personagem candidato como referência, é a comparação de um candidato com os outros candidatos. A situação do Serra se aplica mais a este caso. O problema dele é a comparação com a Dilma. Porque Dilma é Lula e Lula é Dilma. Serra está enfrentando um goverrno que tem índices de aprovação inéditos na história do Brasil (nunca antes na história deste país…). 79% de ótimo e bom é muita coisa. Mas o que mais impressiona, são aqueles que acham o governo Lula ruim ou péssimo: 4%, segundo o Ibope. 4%!!! Como enfrentar um governo com esse nível de avaliação? Como enfrentar um governo assim, num momento extremamente positivo da economia? Como enfrentar um governo que, após 8 anos, viu o país criar 14 milhões de empregos, quando no passado o desemprego era crônico? Etc, etc, etc. Não estou aqui avaliando o governo Lula, não é isso. Estou avaliando uma situação eleitoral.

A resposta, na minha opinião, é que o marketing político tem muito pouco a fazer na campanha do Serra. Acho até que o Serra tem feito bons programas de televisão. O de sábado passado foi melhor que o da Dilma, mais inteligente e falando de um jeito legal, com a atenção e com o coração do eleitor. Mas não é isso que vai determinar o resultado eleitoral.

Claro que a campanha do Serra cometeu erros. Querer posar de amigo do Lula é um erro duplo. Primeiro, porque não cola. O eleitorado não é estúpido e sabe que Serra é de um partido que bate e bateu bem no Lula nos últimos anos. Segundo, porque com isso ele corre o risco de irritar aqueles que o apóiam e perder votos entre eles. O editorial da Folha, publicado aqui no blog, é um exemplo disso.

A não ser que o Serra parta para alguma ação radical está muito difícil reverter a situação. E está ficando cada vez mais tarde para alguma ação radical. E não é culpa do marketing. É a correlação de forças da campanha. Muitas vezes, o marketing é inócuo quanto a isso.

Mas eleição é como futebol, só acaba no apito final. E estamos em agosto. O tempo que ainda falta para o dia da eleição é uma eternidade, do ponto de vista de uma campanha eleitoral.

DimasLins
  1. É verdade.
    O marketeiro depende do material que tem em mãos para trabalhar, fora outras variáveis – muito bem apontadas no texto.

  2. O problema é que desde o Duda Mendonça as pessoas e a imprensa passaram a raciocinar como se o marketing fosse o fator decisivo de uma campanha. E esse pensamento se disseminou.

  3. Com Serra, não há marqueteiro que dê jeito. E não é porque ele é feio. A figura dele, a sua apresentação não passam simpatia ao eleitor e, portanto, não convencem. Dilma não é simpática mas tem Lula ao seu lado. Isso faz a diferença. Ninguém fala do marqueteiro de Dilma. Por que é?

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