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Editorial histórico
Acho que o enlace marqueteiro entre Serra e Lula foi demais para a Folha. Há limites para tudo! Seria mais fácil o cão da Menália parar de correr atrás da lebre do que acreditar nessa aproximação entre os dois adversários históricos. O jeitinho marqueteiro foi tão hipócrita, tão cínico, que era impossível esperar adesão dos setores serristas da mídia. Imaginem vocês, oito anos descendo o sarrafo em Lula e, de repente, todos reconhecem a genialidade do ex-metalúrgico. Virou o líder de todos, dos petistas aos tucanos. Não dá!
Parodiando Nelson Rodrigues:
Daqui a duzentos anos, os historiadores vão chamar a campanha eleitoral de Serra de “a mais cínica das campanhas”. O cinismo escorre por toda parte, como a água das paredes infiltradas.
O editorial da Folha é lamuriento. Passa um sentimento de traição — uma mágoa, um ressentimento, sei lá. É um editorial histórico. Ficará, para a posteridade, como uma peça humorística. A Folha jamais soube quem era Serra. Tantos anos de apoio, e só agora descobre sua verdadeira identidade: um trânsfuga que virou lulista.
Abaixo, o editorial da FSP:
São Paulo, sábado, 21 de agosto de 2010
Avesso do avesso
Tentativa do tucano José Serra de se associar a Lula na propaganda eleitoral é mais um sinal da profunda crise vivida pela oposição
Pode até ser que a candidatura José Serra à Presidência experimente alguma oscilação estatística até o dia 3 de outubro. E fatores imprevisíveis, como se sabe, são capazes de alterar o rumo de toda eleição. Não há como negar, portanto, chances teóricas de sobrevida à postulação tucana.
Do ponto de vista político, todavia, a campanha de Serra parece ter recebido seu atestado de óbito com a divulgação da pesquisa Datafolha que mostra uma diferença acachapante a favor da petista Dilma Rousseff.
A situação já era desesperadora. Sintoma disso foi o programa do horário eleitoral que foi ao ar na quinta-feira no qual o principal candidato de oposição ao governo Lula tenta aparecer atrelado… ao próprio Lula.
Cenas de arquivo, com o atual presidente ao lado de Serra, visaram a inocular, numa candidatura em declínio nas pesquisas, um pouco da popularidade do mandatário. Como se não bastasse Dilma Rousseff como exemplar enlatado e replicante do “pai dos pobres” petista, eis que o tucano também se lança rumo à órbita de Lula, como um novo satélite artificial; mas o que era de lata se faz, agora, em puro papelão.
Num cúmulo de parasitismo político, o jingle veiculado no horário do PSDB apropria-se da missão, de todas a mais improvável, de “defender” o presidente contra a candidata que este mesmo inventou para a sucessão. “Tira a mão do trabalho do Lula/ tá pegando mal/… Tudo que é coisa do Lula/ a Dilma diz/ é meu, é meu.”
Serra, portanto, e não Dilma, é quem seria o verdadeiro lulista. A sem-cerimônia dessa apropriação extravasa os limites, reconhecidamente largos, da mistificação marqueteira.
A infeliz jogada se volta, não contra o PT, Lula, Dilma ou quaisquer dos 40 nomes envolvidos no mensalão, mas contra o próprio PSDB, e toda a trajetória que José Serra procurou construir como liderança oposicionista.
Seria injusto atribuir exclusivamente a um acúmulo de erros estratégicos a derrocada do candidato. Contra altos índices de popularidade do governo, e bons resultados da economia, o discurso oposicionista seria, de todo modo, de difícil sustentação em expressivas parcelas do eleitorado.
Mais difícil ainda, contudo, quando em vez de um político disposto a levar adiante suas próprias convicções, o que se viu foi um personagem errático, não raro evasivo, que submeteu o cronograma da oposição ao cálculo finório das conveniências pessoais, que se acomodou em índices inerciais de popularidade, que preferiu o jogo das pressões de bastidor à disputa aberta, e que agora se apresenta como “Zé”, no improvável intento de redefinir sua imagem pública.
Não é do feitio deste jornal tripudiar sobre quem vê, agora, o peso dos próprios erros, e colhe o que merece. Intolerável, entretanto, é o significado mais profundo desse desesperado espasmo da campanha serrista.
Numa rudimentar tentativa de passa-moleque político, Serra desrespeitou não apenas o papel, exitoso ou não, que teria a representar na disputa presidencial. Desrespeitou os eleitores, tanto lulistas quanto serristas.

















Triste estamos. Atestado de óbito da campanha do Serra realmente já foi assinado.
Mas uma coisa é certa, a tentativa de aproximação com Lula mostra a maior crise de oposição já vista no país. Onde já se viu isso!?
O guia eleitoral é o único momento onde a política nos faz rir. O programa de Serra bem poderia se confundir com o outrora engraçado e agora chatíssimo Caceta e Planeta. Mais engraçado do que o guia, só mesmo a imprensa, que prega o terrorismo eleitoral.
Em se tratando de análise de campanha, bastante interessante o texto de Fernando, aqui mesmo no Blog dos Perrusi, sobre as posturas tucana e petista no guia eleitoral. Apenas uma dúvida, pela postura de Serra em sua campanha, melhor que chamá-lo de Zé não seria chamá-lo de Mané?
Dimas
Não seria editorial histérico?