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A Troca

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Enquanto migramos, nessa viagem longa e mítica, na qual o tempo existe num compasso diferente, lanço mão de um conto antigo.

PS: sou a favor do monopólio da força contra os seres infantis. Depois de Freud, é provado que as crianças, além de taradas, já que desejam pai e mãe, são más por natureza. São perigosas. Arrancar unhas, por exemplo, constrói o caráter.

O roteiro:

No futuro, os humanos viajarão no tempo como seres espirituais. Renan e Mirtes, por exemplo, gostam muito da nossa época, baixando aqui na terrinha e se incorporando em algumas pessoas. Freqüentemente, encontram-se numa casa em Casa Forte e batem longos papos sobre a vida e o universo. Nos colóquios, têm dois hospedeiros, Paulo e Bia, um charmoso e sensual casal de amigos, ainda que um tanto pudicos, cuja acolhida é sempre cordial e amiga. Embora sejam apenas dois corpos, a conversa é a quatro, pois todos dialogam, física e mentalmente. Os papos são agradáveis, embora abstratos, do tipo sobre o papel da metafísica na repressão sexual dos paraibanos. Vale dizer que os dois hospedeiros nutrem, um pelo outro, desejos contidos e nunca percorreram juntos os caminhos impudentes de Sade. Renan sabe o que acontece com Paulo e Bia; Mirtes finge não saber.

A estória:

Mesmo na forma de espírito, Mirtes era tímida. Gostava dessa aventura de sair vagando de corpo em corpo, pois até camuflava um pouco o seu pudor. Mas, agora, a situação estava se complicando, visto que Bia (sua hospedeira) nutria um desejo desenfreado por Paulo (hospedeiro de Renan), que parecia, por sua vez, corresponder plenamente. Era-lhe estranho conversar, dessa forma, sobre metafísica e as confissões de Santo Agostinho com Renan/Paulo, sentindo as (suas) bochechas de Bia ruborizarem-se, um frisson percorrendo os (seus) nervos à flor da pele, o (seu) coração em pleno scherzo e (seus) lábios úmidos de tanto desejo. Ela não mais sabia se confundia o sentimento de Bia por Paulo com o que poderia estar sentindo por Renan. Mirtes era a própria ambigüidade: uma dialética em repouso.

Já Bia ria da sua hóspede, achava-a engraçada, embora se incomodasse com a relutância de Mirtes em parar de discutir sobre a crise da literatura pernambucana, e por que diabos o pessoal da Ufpe gosta tanto de Gilberto Freyre. Ela queria era a poesia e a filosofia na ação. Sua ânsia era premente. Um coito, mesmo que nas nuvens da Pernambucanidade.

Que me arranquem o nariz, os lábios, as orelhas, o ventre, minhas pernas, mas não me deixem nesse estado de carência! — sofria, Bia.

Mirtes vacilava, apesar de se manter inflexível. Tentou discorrer sobre o “Gênero e a Deusa Gaia”, assunto insosso por natureza, porém notou que, mesmo arrancando a cabeça da sua hospedeira, persistiria a flama do desejo. O dualismo entre o corpo e a alma dominava a atmosfera. Mas o problema não era o Céu, e sim a Terra.

Renan era, há muito, cúmplice de Paulo, embora sempre adiasse a realização das necessidades amorosas deste último. O jovem implorava-lhe um momento de glória com Bia, mas ele era irredutível: “se, e somente se, nós quatro!”, dizia para Paulo.

– Mas como, se não sabemos se Mirtes quer ou não!?
– Esse é o meu, aliás, o nosso problema! Você não quer todo mundo junto? Só Bia pra você? Está com ciúmes? — disse Renan pra si mesmo ou, melhor, pra Paulo.
Eu!? De forma alguma! Sou liberal, sou flexível! Além do mais, Bia ama a nós dois!
– Acredito que Mirtes também. Por isso, seremos nós quatro ou nada! — E, assim, Renan finalizava a discussão.

No fundo, sentia pena de Paulo. Tentava abordar o assunto indiretamente, mas Mirtes teimava em discutir sobre a filosofia das formas simbólicas de Ariano Suassuna, tergiversando o tempo todo. Tinha até pensado que esses assuntos metafísicos iriam atiçar o seu desejo, mas até agora não adiantara muito. Assim, estava já desistindo de um memorável coito a quatro e quase pedindo à sua parceira espiritual um pouco de compaixão para com Bia e Paulo.

Um belo dia, Mirtes debatia sobre a possibilidade de aplicar a hermenêutica de Gadamer à sociologia compreensiva de Weber quando, subitamente, ela parou, hesitou um pouco e baixou os olhos.

– O que aconteceu, Mirtes? — disse Renan, apreensivo.
– Heh… eu tenho uma coisa pra te dizer, e quero simplesmente exprimi-la da melhor forma possível, entende?
– Sim, claro! Mas eu estava achando muito boa a sua explanação! Você realmente me convenceu de que hermenêutica e compreensão são os dois lados da mesma moeda!
– Não… não é isso — disse Mirtes, dando um risinho nervoso.
– Ah, é? E o que é, então?
– Eu tive… heh … uma pequena conversa com Bia… — Mirtes continuava a hesitar.
– e aí…
– …e aí, eu acho injusto, da minha parte, persistir em negar a existência das suas necessidades físicas — Renan sentiu as mãos de Mirtes/Bia ficarem molhadas ao se aninharem nas suas.
– O que isso quer dizer?
– Ela te deseja… quer dizer… Paulo. Ela quer transar com… Paulo. E eu vou deixar que isso aconteça. Qual é o meu direito de impedir a consumação de uma paixão?

– Louvado seja Deus! Louvados sejam a poesia e a beleza! Louvada seja a compaixão feminina. Louvada toda a esperança desse mundo! (gritava a alma de Paulo)

Renan largou gentilmente as mãos delicadas de Mirtes (?) e levantou o seu mento para olhá-la face a face. Suas bochechas estavam completamente rubras.

– E você, Mirtes? O que fará durante?

Ela baixou os olhos novamente.

– Eu… bem, eu me retirarei, evidentemente. Por quê?
– Heh… nada, nada não, deixa pra lá! — disse Renan, gaguejando um pouco.
– Nossa, estou aliviada por ter resolvido esse problema, cheguei a pensar que… — Mirtes engasgou e engoliu em seco.
– Pensar em quê?
– Heh, nada, nada não, deixa pra lá! — Mirtes mudou de assunto:
– Quando faremos… heh… quando eles farão o…?

– Agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora agora (clamava Paulo).
– Calma, meu filho. Está nervoso?
Quem… eu?
Muito bem. Proponho então que seja agora — falou Renan, voltando-se para Bia/Mirtes:
– Nada como fazer agora o que você pode fazer depois.

Mirtes olhou para Paulo e viu no brilho dos seus olhos o desejo de Renan; aliás, a soma de dois desejos cúmplices, irrompendo qual cera derretida, contaminando com um cheiro agridoce o ambiente, inebriando a sua alma que, largada, estava caindo e caindo, cada vez mais, no maelström produzido pela volúpia de Bia. Teve certeza, nesse momento, de que Renan a desejava, e tal idéia deixou-a perturbada, sendo invadida por um medo todo especial, o da tentação.

– Nec plus ultra! — disse, irônico, Renan.
Mais insuportável do que a infelicidade, talvez seja a felicidade. Vamos rápido para o quarto! — Foi na onda, Paulo.
Mirtes — disse Bia — existe alguma coisa mais poderosa do que a vontade, este rio caudaloso que não espera enchente para ultrapassar as suas margens? A vontade é a superação dos nossos limites. Um ato de vontade é um sonho que se realiza em pleno dia!

Bia tinha enlouquecido de vez. Mirtes estava surda. A tentação carcomia os seus grilhões, tornando pó séculos de cultura paraibana. E, como que em uníssono com a situação, a atmosfera tornou-se densa e suada, tal qual o carnaval de Olinda. Dois corpos e quatro almas estavam, definitivamente, delirando. Todos, embriagados de sensualidade, começaram a cantarolar uma ópera[1] de um mito moderno.

PAULO
Ali, tu me darás a tua mão
Ali, tu me dirás sim.
Vê, não é muito longe.
Partamos, tesouro, partamos daqui.

MIRTES
Devo partir, devo ficar…
Meu coração acelera…
Vejo nele a felicidade?
Ou o ardil?

RENAN
Vem, meu amor!

MIRTES
Tenho medo!

PAULO
Eu farei a tua felicidade!

BIA
Rápido… o quarto!

RENAN
Vem, oh! vem…

MIRTES
Vem…

PAULO E BIA
Venham, oh! venham, meus amigos!
Saboreemos as alegrias
de um amor inocente!

E então…

Contudo (sempre existe um nessas estórias), um cheiro fedido de Recife entrou pela janela e gelou as pulsões de Mirtes. Renan, vendo que o feitiço estava desaparecendo, aproximou-se decisivo de Mirtes e tacou-lhe um beijo…

e foi correspondido!

– Eu… não sei! Eu… não tenho certeza! Eu não me sinto capaz! — falou Mirtes, distanciando-se um pouco. Seus lábios tremiam.
– Esquece teus recalques, Mirtes. Sai do mato e não o tragas contigo. Escuta as ondas galopantes do desejo e surfa nelas como uma boêmia. Não fales e não penses. Sê Sol e Carne! — disse inspirado e um tanto piegas, Renan.
– Vamos! — afirmou, com uma voz rouca, Mirtes.

Chegando ao quarto, Renan fechou a porta e trancou-a com a chave. Renan/Paulo abraçou e beijou avidamente Mirtes/Bia, caindo todos juntos em câmara lenta na cama. As duas retribuíram o beijo com sofreguidão. Toda idéia de fuga tinha sumido da mente de Mirtes. Ela entrava agora numa correnteza e estava pronta para se subsumir na cachoeira de pulsões que era o corpo de Bia. Os corpos estavam apertados, coxas contra coxas, num afã de se misturarem, de virarem um só e de se penetrarem. Apertaram-se tanto que doeu. A física não permitia a fusão completa, mas era a vontade conjunta de quatro almas, e o aperto continuou.

Renan estava estupefato com os seus sentimentos. Para ele, a transa era um embate, um assalto ao castelo, levar um combate no qual ganhador e perdedor estavam claramente definidos. Ora, o que ele queria, nesse momento, era comunhão e entrega. E, acima de tudo, não magoar Mirtes, velar pelo seu prazer, incorporá-lo ao seu… Renan era uma verdadeira pororoca passional[2]. Ele acariciou as costas de Mirtes/Bia e segurou sua bunda, levando-a a abrir ligeiramente as coxas, antes de ela ficar em califourchon[3] e oscilar contra o seu membro pétreo.

Oh, Deus! Não sei se vou agüentar mais tempo sem…
– Coragem, Paulo! Pense em outra coisa!
Estou tentando. Já recitei a tábua de multiplicação, mas não foi de grande socorro!
Ora, pense então em Serra nos flagrando!

Renan levou suas mãos aos ombros de Bia, tirando a blusa e desnudando seios pontudos, com os bicos parecendo olhinhos de guaiamum[4], e alvos como a areia de Intermares. Paulo pegou-os em suas mãos e os beijou delicadamente — seus sentidos eram preenchidos pelos gemidos de Mirtes. Seus lábios sedentos procuraram o ventre, enquanto suas mãos ajudavam outras a se desvencilharem da renda que cobria ainda a púbis. Então, ele embrenhou seu rosto entre as coxas, ao passo que mãos delicadas seguraram firme a sua nuca, pressionando-a mais ainda contra o corpo. Mirtes, com um lindo riso de cristal, levantou Paulo pelos cabelos e disse:

– tem uma coisa que quero fazer agora! — e derrubou Renan na cama. Bia tirou sua camisa, seu jeans e sua cueca preta (?!) e amparou nos seus lábios a potente ereção de Paulo.
Oh, não agüento mais, vou explodir!
– Continue a contar, continue a contar!
Duas vezes sessenta e quatro fazem cento e vinte oito, duas vezes cento e vinte oito fazem duzentos e cinqüenta e seis…

Era a vida em toda a sua complexidade e simplicidade. O mais puro egoísmo sendo o mais terno altruísmo para o outro. Amor e entrega.

– Ao diabo, Lula e o PT! Ainda existe esperança! — clamou Renan.
Venhaagora, não posso esperar… (Mirtes? Bia?)
Duas vezes dois mil e quarenta e oito, quatro mil e oitenta e seis… (Renan? Paulo?)

Penetrou-se lentamente, devagar, cada milímetro sendo sentido e explorado. O movimento foi se tornando mais rápido, pulsante e olhos viris – de quem? – repararam embaixo a transformação do rosto feminino: a passagem da paixão serena e madura de Mirtes à exaltação flamboyante de Bia. Paulo perdeu o controle, e Renan sentiu na alma a detonação do amor, fumegante como lava e potente como a explosão de uma supernova, abarcando todo o horizonte cósmico. Mirtes gritou do rosto de Bia que clamou da alma de Mirtes. O gozo coletivo fundiu quatro espíritos e dois corpos numa ciranda em rodopio.

Abraçados estavam os corpos, mas abandonados e largados de lassidão estavam os espíritos. Paulo e Renan estavam quase dormitando, quando Mirtes segurou o rosto de Paulo e, sapeca, olhou os seus olhos, dirigindo-se diretamente a Renan.

– Eu quero de novo!
– Mas… — disse Renan titubeante — isso leva algum tempo…
Deus seja louvado! — exclamou a alma de Paulo.

Mirtes já não escutava Renan. Bia pousou suavemente a sua língua na glande de Paulo, fez alguns rodopios em torno e, golpe fatal, enlaçou-o totalmente dentro da boca úmida. Como por um milagre ocorreu imediatamente a ereção.

– Ah, disse Renan, a exuberância da juventude!
Ahá, falou Paulo, e agora eu não preciso da tábua de multiplicação.
Ótimo, nunca fui mesmo lá essas coisas em matemática.

Paulo lançou-se pra cima de Bia, que o afastou, dizendo:

Eu quero ficar em cima!
– Incrível!
– Genial!

Após o engate, quando o coito estava num crescendo, Mirtes exclamou:

– Mude de lugar comigo, Renan, agora!
– Como…?
– Venha para Bia!
– Mas… eu não tenho certeza de…
– Eu tenho certeza. Venha!

Ela se inclinou, pegou o rosto de Paulo e olhou os seus olhos. Renan sentiu uma brisa. Pensou que fosse Mirtes. E se foi. De repente, ele se viu, ou melhor, percebeu Paulo, que o olhava com um sorriso feminino.

– Renan? disse a voz de Paulo.
– Sim, eu consegui. Como é estranho! falou a voz de Bia.
Oi, Renan.
Bia, é você! Meu Deus, você é ótima…
E você também, Renan, mas fique mais calmo e não tenha medo, por favor, senão vou perder o fio da meada.
– Vou tentar!

(Renan jamais soubera o que poderia sentir uma mulher: o consentimento, diante da intrusão de um corpo estrangeiro, como última dádiva de si mesma. Enquanto subia e descia aquele talo maravilhoso, durante o torno, parando ali e acolá e, assim, estimulando o (seu) clitóris no momento do embalo para baixo, sentiu a entrega como uma coisa distinta da sensação sexual, embora tão forte quanto. Para o homem o sexo era conquista e recompensa, para Renan, agora, era uma oferenda emocional de si mesmo à delícia de um outro; o seu prazer não era apenas físico, mas também ligado ao ato essencial de abandono de qualquer resistência pelo meio da confiança. Confiança, palavra chave. A espécie humana não tem cio, cuja finalidade, para os outros mamíferos, é permitir um tempo de consentimento natural para o sexo. Como a questão do consentimento é resolvida numa espécie que não tem cio? Renan compreendia por que o estupro é um crime tão abominável. Que uma coisa assim tão profunda seja arrancada à força e não consentida livremente é a negação literal do humano e a prova de que o homem possui uma mancha obscura de ódio, conspurcando o seu caráter. O prazer feminino tem um fundamento ético baseado na entrega e no altruísmo. Renan sabia, agora, que quem inventou o amor foi a mulher, além… da safadeza, é claro. E o prazer… Ele sentiu uma luz quente percorrendo “seu” corpo. Como homem, seu prazer se concentrava basicamente no pênis, espécie de alfa e ômega do prazer masculino; nesse momento, sentia totalmente, “seu” corpo inteiro transbordava de excitação)

(Nota-se que Renan não leu Beauvoir e nunca ouviu falar da Teoria Queer; em suma, possui uma inocência intrínseca)

– Renan — disse Mirtes pela boca de Paulo — eu sei agora por que os homens amam tanto o futebol!

Mirtes metia e Renan arqueava. – Meu Deus, eu sei por que vocês arqueiam tanto! — pensou. A cada metida, o atrito dos púbis produzia centelhas de libido que queimavam as peles. Através do amor, entregavam-se e por esse dom recebiam à vontade. Renan ficou dormente, em lascívia, ao senti-lo entrandoentrandoentrando em Bia. Essa sensação rasgou todo o seu ser e contaminou todos os seus poros. Na hora da metida, Paulo e Mirtes investiram-se de um je ne sais quoi de comedor, perpassador, metedor-cafajeste que fez Renan (e Bia!) sentir-se cheia, pleine, acoplada, copulada, fêmea, mulher, animal, vaca. Ensandecida, Mirtes descreveu um arco viril no ar e envergou-se sobre Bia, talvez para poder fazer o melhor ângulo de metida…

Era perfeito,
mais-que-perfeito,
era absoluto.

O orgasmo navegava por ondas incontroláveis. O corpo de Bia agitava-se em sobressaltos e tentava enfiar dentro de si, até o impossível, o falo em pleno jorro de Paulo. Renan escutou um grito agudo e se percebeu rodeado de clarões brancos, sentindo-se desfalecido, beijando a morte e lhe dando adeus no retorno à vida. Ele foi aos poucos caindo sobre o tórax de Paulo, sentindo o membro enfiado emagrecer e sair de fininho do (seu) corpo. Como uma pilha, Bia foi se descarregando.

– Cacetada! Nunca pensei que fosse tão bom! — disse, extenuado, Renan

Destrocaram de corpos. Passaram um bom tempo calados. O silêncio inundava de sentido a atmosfera. As palavras não cabiam nesse ambiente. Talvez somente a poesia pudesse tudo abranger. A polissemia reinava ali. Mas o tempo foi retomando novamente os seus direitos e as cores retornaram ao normal. O verdadeiro mistério do mundo era o visível, e não o invisível. Todos sentiam, naquele momento, o martelar constante de um eterno instante.

– E então, meu querido — perguntou Mirtes, irônica — é melhor ser mulher ou homem? — E caiu na gargalhada.

Renan abraçou Bia e beijou-a ternamente. Não respondeu à pergunta e lhe ofereceu, como evasiva, o melhor sorriso de Paulo. Não estava preocupado com a resposta. Ela não tinha importância. Ele sabia, como Mirtes, Bia e Paulo, que o importante mesmo era… le dur désir de durer.


[1] Don Giovanni, de Mozart e Lorenzo da Ponte

[2] Creio que, aqui, atingi o supremo nível poético

[3] Blog é cultura. Palavra francesa de difícil tradução. Coxa de um lado, coxa de outro. Pense sentando-se num cavalo e talvez o leitor entenda o que estou querendo dizer

[4] Com essa, entrarei na Academia de Letras da Paraíba

[1]


[1] Renan leu Beauvoir, daí sua inocência intrínseca.

DimasLins

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