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A repugnância

5 comentários

Resposta contundente do antropólogo Viveiro de Castro ao jornalismo de esgoto:

Ao Editores da revista Veja:

Na matéria “A farra da antropologia oportunista” (Veja ano 43 nº 18, de 05/05/2010), seus autores colocam em minha boca a seguinte afirmação: “Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente cultural original” .

Gostaria de saber quando e a quem eu disse isso, uma vez que (1) nunca tive qualquer espécie de contato com os responsáveis pela matéria; (2) não pronunciei em qualquer ocasião, ou publiquei em qualquer veículo, reflexão tão grotesca, no conteúdo como na forma. Na verdade, a frase a mim mentirosamente atribuída contradiz o espírito de todas declarações que já tive ocasião de fazer sobre o tema. Assim sendo, cabe perguntar o que mais existiria de “montado” ou de simplesmente inventado na matéria. A qual, se me permitem a opinião, achei repugnante.

Grato pela atenção,

Eduardo Viveiros de Castro

Antropólogo – UFRJ

Torcedor
  1. A Veja tem dessas coisas. Por isso que deixei de assinar.
    Abraços
    Blog de Um Brasileiro

  2. A veja (em minúsculas mesmo) tem dessas coisas, por isso deixei de ler. E faz muito tempo.

    Aliás, risquei todas as semanais do cardápio.

    Há sete anos não sintonizo a globo ou qualquer outra TV aberta; e estou sem televisão há dois meses.

    Em compensação, ontem e hoje assisti ao Crossroads guitar festival 2007, Avatar, Dire straits live at rockpalast(1979) e The Who at Kilburn (1977).

    Li Cadeira de Balanço (Drumond) e A mulher do Vizinho( F. Sabino) ao som Andrés Ségóvia, Fábio Zanon, Julian Bream e Medesky, Martin & Wood (Radiolarians I, II e III).

    Com pausas para o rango e umas doses de stolichnaya.

    Às vezes bate uma falta do Fut na ESPN, uns documentários, filmes e séries besteirol da Sony e da Warner. Mas logo passa e sigo em busca do tempo perdido.

  3. Ducaldo, vc é feliz, meu chapa!

    Sou uma vítima do fordismo universitário.

    Por circunstâncias, sou obrigado a ler as maluquices das duas extremas brasileiras: direita e esquerda. Tocam-se em algum extremo de uma bifurcação, mas a direita e sua extrema, no plano midiático, têm mais poder.

  4. Mas há uma conspiração em andamento para acabar com minha felicidade ou como o meu tempo – os outros habitantes da minha casa estão ensaiando uma revolta por causa da ausência da televisão.

    É até um lugar comum, mas é verdade – os extremos se tocam em algum ponto.

    No final de “A Revolução dos Bichos” Orwell descreve uma cena onde não se pode mais distinguir porcos e homens. É mais ou menos por aí.

    Um problema danado é que a segmentação do mercado editorial fez surgir um número inacreditável de publicações, o que torna difícil saber realmente o que está acontecendo. É a alienação pelo excesso.

    Talvez eu volte a ler esse febeapá, que nada me acrescenta e nunca tem nada de novo. Vou pensar.

    Enquanto isso…..

  5. Vc está no caminho certo. Não mudaria.

    Pelo menos, raramente, vejo televisão. Mas há algo que me dá uma baita inveja: faz tempo que não consigo ler um romance. Quando tento, o trabalho atrapalha, paro de ler e fica, depois, difícil de retomar. No fundo, quando leio, fico com culpa do trabalho. A pior culpa é aquela baseada na ética do trabalho.

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