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A tortura venceu
No dia 29 de abril, aconteceu uma derrota acachapante da cidadania brasileira. O STF manteve a anistia aos torturadores, que continuarão impunes e ocultos.
Repetindo Ulisses Guimarães, tenho nojo da ditadura:
Quando, após tantos anos de lutas e sacrifícios, promulgamos o estatuto do homem, da liberdade e da democracia, bradamos por imposição de sua honra: temos ódio à ditadura. Ódio e nojo. Amaldiçoamos a tirania onde quer que ela desgrace homens e nações, principalmente na América Latina.
Tenho nojo de torturador. Como disse o ministro Ayres Britto:
Perdão coletivo é falta de memória e de vergonha (…) O torturador é um monstro, um desnaturado, um tarado. Não se pode ter condescendência com um torturador. Se assim fossem, teríamos casos de pedofilia, estupro e genocídio sendo classificados como meros crimes políticos.
Já o relator Eros Grau, que votou pela anistia aos torturadores, fez uma interessante ressalva:
É necessário dizer, vigorosa e reiteradamente, que a decisão (…) não exclui o repúdio a todas as modalidades de tortura, de ontem e de hoje, civis ou militares.
Sei…
Repudiar, jamais condenar — eis o brasão da justiça brasileira
Perdeu-se uma grande oportunidade histórica. A tortura continuará a assombrar o país.

















Vergonhoso…
Somos um dos poucos, ou o único, país da América Latina que não condenou os torturadores dos regimes ditatoriais. A anistia não significa aminésia, e quem comete crime político é quem se opõe ao estado e não o contrário. Depois ainda querem que eu acredite na justiça desse país…
E não posso acreditar que a totura venceu. Acredito que essa tenha sido só mais uma batalha que perdemos. Eles não podem continuar vencendo.