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Bento XVI e a Interpol

3 comentários


Perrusi Pai

O Vaticano, por meio de L’Osservatore Romano, afirma que há uma campanha de difamação contra a ICR, especialmente contra o atual Santo Padre. De fato, os jornais do mundo inteiro têm divulgado os casos de pedofilia de padres católicos, o que, para aquele sagrado jornal, não passaria de mentiras e calúnias.

Ora, foi o próprio Bento XVI quem pediu desculpas aos católicos irlandeses pelas estripulias dos seus sacerdotes no belo e atormentado país britânico. Já houvera o mesmo pedido de desculpas dirigido aos fiéis dos USA e de outros países, com milhões de dólares pagos em indenizações. O que ocorreu foi um aumento da expiação canônica:

“Papa convoca bispos da Irlanda para discutir escândalos de pedofilia”; “Papa diz a bispos irlandeses que pedofilia é crime hediondo”; “Vaticano cria ‘muro de silêncio’ sobre abusos, diz ministra alemã”; “Igreja holandesa anuncia investigação sobre abusos contra menores”; “Arquidiocese nega que papa tenha ajudado padre acusado de pedofilia”; “Vaticano critica ‘tentativas agressivas’ de envolver papa em escândalo”; “Líder católico da Irlanda pede perdão por proteger padre pedófilo”; “Papa pede desculpas às vítimas de padres irlandeses pedófilos”; “Vaticano ignorou caso de padre que molestou mais de 200″…

O Brasil não precisa disso, pois, com sagrada pedofilia ou não, milhões de brasileiros continuam acreditando em São Frei Galvão, em N.S. de Fátima, no Padim Cícero, em N.S.Aparecida, etc e etc.

E também no bom velhinho, ex-chefe da Inquisição. Em suma, acreditam em tudo, menos na pedofilia brasileira.

Ocorre que apareceu, finalmente, documentos que provam que o padre americano Lawrence Murphy, da Arquidiocese de Milwaukee, USA, “abusou” sexualmente de mais de 200 meninos surdos, entre 1950 e 1975.

Na época, Bento XVI chamava-se Cardeal Joseph Ratzinger e era o chefe da santíssima Congregação para a Doutrina da Fé, isto é, a Inquisição, de saudosa memória. Ocorre também que o Arcebispo lhe enviou uma carta relatando os fatos, embora não tivesse tomado nenhuma providência, isto é, excomungado o monstruoso padre e realizado a devida denúncia à Polícia local. Ratzinger, tampouco.

O padre Murphy, monstro criminoso — igual a todos os pedófilos laicos –,  no entanto, depois de abusar (uso um eufemismo) de cerca de 200 meninos surdos (quantas vezes, Deus do Céu?), escreveu uma carta de arrependimento (total, parcial ou, apenas, fingido?) ao Vaticano, com o que foi presenteado com a absolvição e o arquivamento do seu processo pela ICR.

Com certeza, ele deveria figurar no Livro Guiness dos Recordes!

Ora, se Murphy havia se arrependido ─ ninguém sabe se de todas as 200 vezes ─ , por que continuar com aquela história mal contada e fedorenta? Os meninos molestados que se virassem, ora bolas!

No final da semana passada, Bento XVI classificou tais histórias de “meras fofocas” da imprensa, contradizendo-se no final das contas.

No entanto, como dignitário de um Estado Nacional ─ o estapafúrdio Vaticano (sempre é bom lembrar que tal instituição foi criada por Mussolini e Pio IX, ambos fascistas de carteirinha) ─ poder-se-ia dizer que o Papa, quando ainda era chefe do Santo Ofício, cometeu o crime de prevaricação, tornando-se ele próprio objeto de investigação e, talvez, até de condenação.

É sério. O poder temporal está cercando a transcendência pedófila. Segundo o vaticanista Marco Politi,

“o monsenhor Charles J. Scicluna, promotor de Justiça da CDF, afirmou que houve 3.000 denúncias de abusos contra menores nos últimos dez anos. O que aconteceu com essas denúncias? Quantas foram julgadas? Quantos religiosos foram considerados culpados e quantos foram punidos? É preciso dar explicações e não admitir mais que os casos sejam ocultados…”

Contudo, a Interpol não mantém convênio com o Vaticano. Ou melhor, o Vaticano tem verdadeiro pavor de qualquer investigação criminal sobre seus membros, dentro e fora dos seus muros. Onde ficou a investigação, necessária, sobre a misteriosa morte do papa João Paulo I? E a do Coronel-comandante, e de sua esposa, da Guarda Suiça?

Certamente, a Interpol está infestada de demônios como, de resto, o mundo inteiro que critica a ICR.

Sairão anjos dos arquivos secretos do Vaticano? Por que o Papa não os abre? Bento XVI, infalível e impunível por Deus, não pode julgar Ratzinger que, durante 24 anos, só viu anjos entre os pedófilos clericais? Não, não pode. O poder profano, sim.

O sacerdote monstruoso, Padre Lawrence Murphy, morreu em 1998, em plena comunhão com a ICR, e devidamente elevado ao Céu com a bênção de Ratzinger.

Com tal companhia, que a Santíssima Trindade se cuide!

Sementeiras
  1. Se essa criatura foi para o céu, com a unção oficial, cabe a nós um esforço redobrado para garantir um bom luar no Inferno.

  2. Essa “criatura” deveria ter levado umas brasas no “turíbulo”.

    Garanto que pensaria um pouco antes de cometer essa barbaridade.

  3. A imprensa traz todo dia uma novidade sobre a polêmica dos padres pedófilos.
    Desta vez, foi o Pregador da Casa Pontifical, o Padre franciscano Raniero Cantalamessa, que trouxe mais um ingrediente para aumentar o debate. Durante a celebração da Paixão de Cristo, sexta-feira, o ilustre Padre leu diante do Papa, uma carta de solidariedade de um amigo judeu, na qual é traçado um paralelo entre os ataques contra o Vaticano e o anti-semitismo.
    É claro que esse absurdo logo provocou críticas de todo lado: da parte da comunidade judaica, das vítimas dos padres pedófilos e, naturalmente, do próprio Vaticano, através de seu porta-voz, Frederico Lombardi, que se apressou em dizer que isso não era uma interpretação oficial do Vaticano.
    Como tudo isso não bastasse, o Arcebispo de Canterbury, o mais alto prelado da Igreja Anglicana, provocou a ira dos católicos ao afirmar que esses escândalos afetam não somente à Igreja católica (dirigia-se em primeiro plano à Irlanda católica) mas a toda a sociedade na qual a Igreja se escora. O que é, a meu ver, absolutamente correto.
    A fúria do Arcebispo de Canterbury se explica pela decisão do Vatinano em pretender acolher no seio da Igreja Católica os dissidentes tradicionais da Igreja Anglicana. Pelo visto, tudo regido pelo poder.
    Nessa questão de abusos e escândalos contra crianças, o evangelho prega (que o diga o culto Reverendo Tsé-Tsé) que o Cristo era bem mais feroz que esse Arcebispo.
    Saudações, Erínia.

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