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Serra, maquete e outono

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Soube que Serra inaugurou a maquete da ponte que ligará Santos e Guarujá. Discordo daqueles que julgam tal ato como eleitoreiro. A maquete é uma obra pública. E sua inauguração tem seu simbolismo, pois visa uma obra que contém, na miniatura, o futuro, isto é, a futura ponte que ligará Santos e Guarujá. No fundo, inaugurar maquetes mostra a visão futurista de Serra e sua concepção de política. Creio até que inaugurar maquetes, antes de ser um ato político, é a epifania da ética — é um ato de afirmação moral. Na maquete, estaria o futuro concreto de uma política que se afasta da corrupção. Nela, não há imoralidade, pois não há como conceber a maquete da corrupção. Além do mais, ninguém inauguraria tal obra. Assim, segundo palavras serristas, maquetes demonstrariam

“uma prática transformadora na política brasileira, começando pelo repúdio ao mote fatalista e reacionário de que a desonestidade é inerente à vida pública, que o poder necessariamente corrompe o homem”

O poder que inaugura maquete é um poder purificado da imoralidade. Um poder que inaugura é um poder que abre o futuro em novas bases. Serra, ao compreender que seu futuro estaria nas inaugurações de maquetes, entendeu que o ato de inauguração, o ato mesmo, é um deus ex machina da cidadania brasileira. Há indícios de que vá mais longe ainda: Serra pretende inaugurar o outono em Sampa. Segundo os tucanos, o outono é público, logo passível de inauguração, além de ser a forma mais eficaz de combater as enchentes.

_Inaugurando o outono, contribuímos com o fim dos alagamentos — disse algum tucano.

Aposto que os petistas farão algum tipo de oposição. Dirão que as estações do ano são do povo, logo, dos petistas, seus legítimos representantes e, por que não, donos da Natureza (não, na verdade, a Dona da Natureza é Marina Silva).

Em suma, nessa questão, não devemos ser sectários.

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