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Sair do armário
Há duas maneiras eficazes de fazer oposição a Lula: pela esquerda ou pela direita. Pela esquerda, talvez, Marina, embora eu não esteja convencido disso. Mas, até agora, ela vem comendo pelas beiradas, fazendo críticas de centro-esquerda e de esquerda ao governo Lula. Mesmo assim, quero esperar mais um pouco para avaliar. Pela direita… bem… er… a direita no Brasil — leia-se: a tentativa de fundar um liberalismo brasileiro — não tem força política suficiente. A falta de coerência nas ideias realiza-se na incoerência de sua prática econômica, ou o contrário, como queiram. Os capitalistas brasileiros são “liberais” de editorial do Estadão — são fantásticos os editoriais liberais do Estadão –, mas não deixam de recorrer aos juros subsidiados do BNDES, à grana do Banco do Brasil e ao Tesouro Nacional. Com essa prática econômica, tão dependente do Estado, não tem liberalismo que se aguente. A forma como se organiza o capitalismo brasileiro determina, em primeira instância, o cinismo dos grandes empresários tupiniquins. Seria, por isso, que um liberal brasileiro é, antes de tudo, um hipócrita.
Assim, como fazer oposição a Lula pelo centro ou adotando uma postura social-democrata? Não tem como. E esse é o dilema do PSDB. Não é propriamente liberal e nem consegue assumir um discurso, de fato, social-democrata. O que se escuta mais, no PSDB, é o lamento de que o governo copiou seu programa e de que, no fundo, Lula continuou a obra de FHC. Verdade ou engano, tal posição é completamente esquizofrênica e só cria ressentimentos. Mágoa distorce e destrói, caros amigos: cada vez que o PSDB assume o discurso do DEM, isto é, da direita liberal, perde sua identidade e se torna inócuo e descartável.
Os tucanos estão com graves problemas de reconhecimento, isto é, de identidade. Não se assumem, coitados. Há teses de que a melhor forma de assumir é sair do armário. Como sair do armário tucano? Ora, é assumir, de vez, que é cofundador do governo petista e que PT e PSDB são primos e parceiro na construção da hegemonia social-democrata no Brasil. Os tucanos precisam sair da oposição e oferecerem um apoio crítico a Lula e sua candidata, Dilma. Assumir que a única oposição social-democrata ao governo sairá, justamente, do ventre do Lulismo — uma oposição parceira, mas crítica. Ciro percebeu isso; Aécio está percebendo.
Essa solução pegaria mal aos tucanos? Ô, se pegaria! Contudo, o constrangimento seria rápido, rapidíssimo. Pois não subestimem a capacidade de Lula e do PT de reabilitarem inimigos de classe — aliás, qualquer tipo de inimigo. Têm uma lábia, os petistas. Um incrível poder de mudar os discursos, segundo suas conveniências. Eles têm dois atributos fundamentais do maquiavelismo: frieza e pragmatismo — desse ponto de vista, faço aqui um elogio. Não reabilitaram Delfim Netto, Sarney, Collor et caterva?! Seria doce de goiaba reabilitar FHC e Serra.
(conheço muito petista que está doido para elogiar FHC e Serra. Já escuto elogios rasgados a Aécio — contanto que não saia como candidato a presidente, claro)
(se o regime brasileiro fosse parlamentarista, provavelmente, os dois “primos” seriam aliados ou já estariam unificados)

















Ótima crítica! Pirei com o “não lugar” de onde você escreve – o que é um falso comentário (meu), já que esse não lugar não deixa de ser um lugar, eheheh…