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Spirit

2 comentários

É notícia antiga, mas não sabia. Confesso que fiquei meio acabrunhado, triste até. Não quero discutir as razões da decisão, pois não tenho competência técnica. Além do mais, aparentemente, tudo foi tentado — ao todo, foram 10 meses de tentativas frustradas. Quero apenas lamentar e sentir pena.

Imagino o pânico de Spirit quando atolou em Marte. Sempre fora um robô sensível, ao contrário de seu irmão Opportunity, mais robusto e seguro de si mesmo — afinal, fora financiado por um banco. Há boatos de que gritou e chorou lágrimas de óleo. Com o tempo, sua situação foi ficando cada vez mais aflitiva. Não podia mais se mover naquela imensidão vermelha e desértica. E fora uma bobeira o acidente: foi olhar uma pedra diferente e caiu numa armadilha arenosa. E a pedra, decididamente, não era diferente, ou seja, o sacrifício tinha sido em vão.

Mesmo atolado, Spirit ainda manda informações à Terra. É um robô idealista e fanático pela ciência. Mas querem transformá-lo numa “estação estática de monitoramento”, o que seria, para um robô tão orgulhoso, uma humilhação. Os cientistas da Nasa não notaram que Spirit prefere o suicídio a virar uma simples “estação” (rebotalho da condição robótica). Por isso, Spirit não muda de posição, apesar das ordens da Nasa. E todos sabem que, se não mudar de posição, não conseguirá captar a energia solar e, assim, não sobreviverá ao rigoroso inverno marciano, que começa em maio. Os cientistas, no seu positivismo frio e sem piedade, não entendem o movimento voluntário, consciente e suicida de Spirit.

Depois de percorrer nove quilômetros em território marciano e enviar milhares de fotos à Terra, Spirit só quer uma coisa: reconhecimento e consideração por tudo que fez pelo conhecimento humano. Virar uma estação? Jamais. Ele quer virar, isto sim, um monumento, o único monumento humano de Marte. Quer também ser lembrado nos livros de pedagogia do primeiro e segundo graus, como um herói da ciência. Spirit é um robô que adora crianças e adolescentes. Sabe que eles são os guardiões da memória futura da humanidade.

Os cientistas ainda se espantam com as últimas palavras de Spirit quando lhe  anunciaram que a Nasa desistira de desatolá-lo:

_não quero ser uma Laika…

Nasa desiste de desatolar o jipe-robô
Spirit em Marte
Nasa
10 de janeiro.

Após 10 meses de tentativas frustradas, a Nasa desistiu
oficialmente de desatolar a sonda espacial Spirit, presa em um
terreno arenoso da superfície de Marte. Segundo a agência
espacial americana, mesmo parado, o robô continuará
enviando informações à Terra, transformando-se em uma
.
Os esforços da Nasa agora são para mudar a posição do
Spirit. Do jeito que está, a sonda em forma de jipe não
consegue captar energia solar suficiente para sobreviver ao
rigoroso inverno de Marte, que começa em maio.
O Spirit chegou a Marte em 2004 junto com seu “gêmeo”
Opportunity” – ainda em operação – para uma missão de 90
dias. Desde então, já percorreu mais de nove quilômetros e
enviou milhares de fotos do planeta.

Sementeiras
  1. Agora eles vão enviar o robô definitivo, parrudo e imbatível que ao invés de Spirit vai se chamar Sporot. (Huá, huá, huá…)

  2. Antes chegou o Santirit. Reinou durante um tempo. Pensou que tinha canais em Marte. Um dia, enfiou o pescoço, como um avestruz, num buraco promissor, à procura de água e não conseguiu mais tirá-lo.

    Sua esperança atual é o uso da tecnologia FBC para retirar seu pescoço do buraco. Até agora não deu certo. Tem a impressão nítida de que o buraco é mais fundo do que pensara, inicialmente. Pensa que, talvez, precise de um pescoço mais longo.

    Ainda acredita na existência de canais em Marte.

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