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Solitude e solidão

7 comentários

O grande Edmar mandou essa citação abaixo de Charles Bukowski (encontrada no Blog do Portinho):

Bar perto da estação rodoviária, mudou de dono 6 vezes num ano. Começou como inferninho de strip-tease. Foi passando de mão em mão, primeiro pra um chinês, depois pra um mexicano, pra um aleijado, ou vice-versa, sei lá, só sei que gostava de ficar lá sentado, olhando o relógio da torre da estação pela porta lateral entreaberta. É um lugar bem razoável – não tem muita mulher pra chatear, apenas um punhado de comedores de mandioca e jogadores de pingue-pongue, que não se metiam comigo. Passavam a maior parte do tempo sentados, assistindo um jogo idiota qualquer pela televisão. Claro que no quarto da gente é melhor, mas anos e anos de bebedeira já demonstraram que o culto da birita sozinha, tomada entre quatro paredes, não só liquida com qualquer um como também ajuda ELES a liquidar com a gente. Não há necessidade de propiciar vitórias fáceis. Saber o ponto de equilíbrio exato entre a solidão e a aglomeração, aí é que estava o truque, o golpe que a gente precisava usar para não ser internado no hospício.”

Concordo… ma non tanto. Algumas vezes, já tentei beber só e findei não gostando. Desisti, rapidamente, do culto da birita sozinha. Não tenho delírios persecutórios com ELES, mas, no cômputo geral, prefiro beber vendo pessoas, mesmo que desconhecidas. Contudo, eis a diferença com Bukowski, meu ponto de equilíbrio não seria entre a aglomeração e a solidão, e sim entre esta última e a solitude.

A solitude é a solidão poetizada, que nunca se realiza, arranhando apenas a imaginação e não a alma. Dá para curtir a solitude. Confundi-la com solidão ou não saber mais distingui-las é muito perigoso. No milímetro que separa a solidão da solitude, cabem todos os abismos — para fazer uma paródia. Não bebo só na solidão; nesse caso, procuro a aglomeração, mesmo que seja a de amigos.

Biritar na solidão deixa-me mais só, e acho isso uma desgraça.
Biritar na solitude deixa-me mais só, e acho isso muito bom.

Meu medo é, na velhice, não saber mais a diferença. Minha esperança é já ter adquirido essa pequena sabedoria.

InscritosEmPedra
  1. Eu já não tenho qualquer problema com a birita sozinha. Até gosto, de vez em quando, uma boa hora para pensar “na morte da bezerra”, como diz o velho dito. Mas geralmente minha corrida (quase) diária já mata minha necessidade de “solitude”. Não gosto muito é de muita aglomeração.

  2. É, deve ser por isso !!!!

    Em tempo: Tirei a citação do Blog do Portinho, colorado e grande fã do velho Buk: http://baudobau.blogspot.com/

  3. Concordo com Edmar.

    Porém, só faço isso se a bebida for vinho ou vodca.
    Cerveja pede aglomeração.
    Pode parecer frescura – ou vai ver, é – mas, para mim, o tipo de bebida tem influência.

  4. Solidão pra mim hoje é quando, sozinho no bar, vendo apenas pessoas estranhas (situação comum em João Pessoa para alguém de fora já a muito por aqui) começo a não mandar mais torpedos pelo celular pros amigos dizendo que estou ouvindo Led Zeppelin por desconfiar que estou sendo incoveniente. E depois que passa o alcool, ai sim, ter a certeza que estava mesmo sendo incoviniente.

  5. Ducaldo, vc é um pernambucano das minas gerais… :)

    Doido, vc manda uns duzentos torpedos quando bebe e escuta Led Zeppelin…

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