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O CCC pertinho de você
Notícia velha, mas vale a pena comentá-la…
Logo no início do ano, tivemos vários sinais de que a direita brasileira estava (e está) assanhada. Ela não tem vergonha de explicitar sua visão hondurenha de democracia (ainda postarei sobre esse assunto), nem mesmo seu valor supremo, a demofobia. Entre outros exemplos, um bem sintomático foi o flagrante do preconceito de classe de um âncora importante da televisão brasileira, Boris Casoy. No vídeo abaixo, o âncora zomba dos garis que acabavam de desejar um Feliz 2010 aos brasileiros.
Casoy é um típico conservador tupiniquim e tem seu particular repertório de preconceitos. Foi pego em flagrante, mas o que disse é perfeitamente natural e aceitável em diversos segmentos sociais brasileiros, principalmente naquele que encarna o moralismo hipócrita de certa classe média. Não sabia, até então, que fosse um reaça — sim, faço uma diferença entre conservadorismo e reacionarismo, embora reconheça que, no Brasil, as diferenças são sutis. Soube isso, de fato, quando li o blog Cloaca News e descobri que os valores de Casoy forjaram-se no tempo da ditadura. Segundo o Cloaca, citando reportagem da antiga revista “O Cruzeiro”, o âncora foi do funesto CCC (Comando de Caça aos Comunistas) — aqui , aqui, aqui –, organização terrorista de direita.
Acuado, Casoy pediu desculpas. Dias depois, chamou o jurista Ives Gandra Martins, conhecido por defender a Opus Dei (aqui, aqui, aqui), para avaliar o Plano Nacional de Direitos Humanos, aquele mesmo que tornará o país uma república soviética. Foi interessante assistir à Band juntar CCC + Opus Dei para examinar esse plano comunista, cujo propósito não é de se ver para crer, pois tá na cara: acabar com o sossego do agrobusiness, a tranquilidade dos barões da mídia, a serenidade da Igreja Católica e com a mística da Gloriosa de nossos militares — não causa surpresa que o Plano atiçasse esse pessoal (latifundiários + donos de meios de comunicação + alto clero católico + oficiais das forças armadas) — uma questão de classe, diria um velho barbudo. Afinal, toda ação tem Reação, e seria ingenuidade pensar o contrário. Convenhamos, a popularidade de Lula irrita mais do que diminui os poderes centenários do Brasil.
Contudo, flagrante de reaça gera humor e música; no caso, um rap maneiro em homenagem ao caça-comunista e antigari, Casoy:

















Casoy era do CCC e um dos homens fortes da Folha de São Paulo. Junto com a empresa, colaboravam com a tortura em São Paulo, inclusive cedendo carros para serem usados nas operações de captura de suspeitos de oposição ao regime e encaminhamanto aos devidos tratos que tais suspeitos recebiam. É uma imoralidade que esse cidadão seja âncora de um jornal, e pose como defensor da “vergonha” na política. De acordo com fontes da Record, ele foi afastado do comando do telejornal não por pressões políticas, mas porque o programa tinha despencado em audiência.
Gostei da expressão “visão hondurenha de democracia”. Não entendi, mas achei legal
Explico, depois, ô do rum.
Eita, esqueci-me do “isso é uma vergonha”. O mundo gira e é irônico.
A televisão brasileira necessita urgentemente de uns garis para limpar o lixo que acumula há décadas.
Não sei se alguém terá estômago para por as mãos no Casoy.