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Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XXXIV
Em tempo: os textos novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.

(Homo sapiens sanctus braziliensis)
34º CAPÍTULO
Estive ausente deste Blog, porque fora convidado a uma manifestação na Praça de São Pedro, em Roma. A Comunidade judaica, sabendo de minhas convicções liberais, pagou minha passagem para que eu discursasse contra a canonização de Pio XII, ansiosamente desejada por Bento XVI.
Como todos sabemos, e a ICR também, aquele papa foi conivente com o Nazismo e colaborou ativamente para a fuga de muitos criminosos de guerra.
Ocorre que Bento XVI tem uma mania recorrente; ele adora transformar em santo gente que nem mereceria um lugarzinho na Academia de Letras local. Tenho a leve impressão de que ele prepara sua própria santificação, tomando como precedente Pio XII, desde que Bento, ele próprio, fora membro da Juventude Nazista, com direito a foto na Internet e tudo.
Meu discurso foi aplaudido pela multidão de, talvez, dois a três milhões de pessoas. Atordoado com minhas condenações ao Nazismo, o Vaticano adiou sine die a canonização prevista.
Isso me lembra de outra ocasião em que estive em Roma, logo no início da minha primeira eleição como líder da Comunidade. Quando voltei a Bel-O-Kan, tomei conhecimento de que grassava uma epidemia de prisão de ventre em nosso meio o que, apesar do sofrimento das pessoas, provocava uma gigantesca economia de papel higiênico. Afinal de contas, tudo tem o seu lado bom!
Chamei o Dr. Quim em segredo e lhe perguntei o que se passava.
─ Reverendo! Nosso estoque de chá de flor do mangue está esgotado e ninguém frequenta mais o vaso. Em compensação, nossa horta está meio sem graça, sem adubo orgânico nem nada. Na feirinha orgânica da Beira-Rio, nossos produtos estão caindo de preço.
─ E que curandeiro diplomado é você, Quinzinho, que não diagnostica logo esse mal da latrina ausente? ─ Indaguei.
─ Já fizemos tudo, mas ainda não descobrimos de onde vem tal abstinência.
─ Talvez, da Uniban! ─ Explodi de indignação.
Mandei chamar Zé Malandro, nosso chefe de segurança, acompanhado do seu filho Zé Medonho, executivo dos melhores que já tivemos por aqui (uma bala só e era o bastante).
Ordenei uma investigação oficial do caso, apesar da resistência do velho companheiro:
─ Reverendo! Não vê que se trata de um assunto médico e, não, de segurança?
─ Não acredito! Pura sabotagem do Arcebispo. Algum sortilégio medieval que prende a barriga de nossos irmãos. Investigue o agente inimigo.
No outro dia, Zé Malandro acompanhou até a minha palafita (com muito carinho, aliás) a beata Alzira, do clã de Joca do Bode, e que entrara em nossa República dois anos atrás.
─ Reverendo! Desculpe, desculpe! Acho que foi minha culpa. ─ Disse a menina bonitinha e bem feitinha que usava uma minissaia que nem a outra da Uniban. Para a alegria de todos, é bom dizer. Marocas, por exemplo, usava uma mais curtinha e todo mundo gostava.
─ Como assim, Alzirinha? ─ Perguntei.
─ Reverendo! Moro na periferia das palafitas e não aguentava mais o fedor. Aí, ouvi falar de umas pílulas milagrosas que curam todos os males, inclusive a incontinência da barriga. Comprei e distribui pra todo mundo e deu no que deu.
─ Ah, já sei! Vem num pacotinho, não é mesmo? Trata-se do papelote do Frei Galvão. Jogue tudo no rio que, amanhã, todo mundo já pode se desamarrar.
Alzira, que não tivera nenhuma má intenção, obedeceu minha ordem e tudo voltou ao normal na Comunidade. Na semana seguinte, os preços de nossos produtos orgânicos voltaram a subir e ninguém falou mais disso.
Contudo, examinei alguns exemplares da pílula de papel. Não havia nada de excepcional por dentro do pacote, mas notei que os fabricantes haviam usado papel picado da revista Veja, o que provavelmente teria sido a causa do mal.
Mas, afinal de contas, quem seria esse tal de Frei Galvão que alguns confundem com Frei Damião? Este aí, por exemplo, só cura pereba do tipo Collor de Melo. Por enquanto!
A história é extraordinária, e eu conto apenas por causa de Bento, como exemplo de conduta que ele próprio deveria ter para conseguir sua futura canonização.
Houve, de fato, um frade da “Ordem dos Frades Menores Descalços”, nascido em Guaratinguetá – SP (carinhosamente chamada de Guará), em 1739. Ele gostava de brincar com seus fiéis operando inúmeros milagres, desses que estamos acostumados a ver realizados pela Igreja Universal do bispo Macedo, em quem ninguém acredita mais, ao contrário da fama cada vez mais crescente de Frei Galvão que acaba de se tornar o primeiro santo, nascido no Brasil.
Todos os testemunhos apontam para a santidade do Frei e ninguém duvida de suas qualidades excepcionais que qualquer mortal gostaria de ter. Basta dizer que ele possuía o dom da bilocação. Não se trata de “biloca”, mas de se estar em dois lugares ao mesmo tempo, como faz, aliás, nosso Líder a bordo do seu brinquedinho aéreo.
Se ele quisesse, aliás, poderia trilocar-se ou, até mais, plurilocar-se, como ele próprio confessava. Trata-se, claro, de uma antecipação milagrosa da Mecânica Quântica que, segundo acreditam os físicos, é capaz de fazer um elétron estar em dois lugares ao mesmo tempo, não importa a distância.
Contudo, o Brasil Colônia daqueles tempos não permitia tamanha rapidez. Além do que, possuidor do talento da telepatia, não precisava de tanto. Foi o primeiro santo que dispensava a sagrada confissão, pois sabia tudo de antemão dos fiéis que o procuravam.
Além dos poderes de premonição, clarividência e telepercepção (isto é, adquirir conhecimento de fatos ocorridos a grandes distâncias e, por isso, antecipando os modernos satélites de comunicação), Frei Galvão (por favor, não confundir com Frei Damião!) nos lembra um ex-prefeito de uma cidade vizinha a Bel-O-Kan.
Com efeito, o tal ex-prefeito possuía o mesmo dom da levitação do santo oitocentista. Com uma diferença apenas. O religioso levitava para alcançar mais rapidamente as glórias do céu, o que é uma causa justa, enquanto o tal prefeito preferia se exibir perante as menininhas de Boa Viagem. Não sei com quais intenções!
Entretanto, a fama merecida de Frei Galvão advém de sua maravilhosa invenção das pílulas de papel que provocaram, sem querer, a epidemia em nossa Comunidade, já mencionada. Com efeito, talvez cansado de tanto andar descalço pelas ruas pedregosas de Guará, em vez de visitar todos os doentes que lhe pediam ajuda, o Frei lhes enviava pílulas de papel picado, devidamente embrulhadas num discreto pacotinho.
Como já sabia qual a doença do fiel, através de suas capacidades citadas, era tiro e queda. Uma pílula ao deitar e outra ao se levantar. Em dois dias, o doente era curado totalmente. Mas, sempre ficava com prisão de ventre, um mal menor certamente.
Hoje, as pílulas ainda fazem efeito e, nos fundos da Catedral de Santo Antônio (em Guará), numa pequena sala, 15 beatas de 65 anos de idade (o número e a idade delas não podem ser menor nem maior, a sucessão sendo feita na mesma família), cortam, picam e colam papeizinhos com precisão milimétrica, ou nanométrica, ou piedosa, como se diz, chegando a produzir 90 mil pílulas mensalmente.
Todos elas levam o carimbo da Anvisa e já se fala da extinção do SUS por sua inutilidade e alto custo. O preço varia, conforme a doença. É mais caro quando o paciente solicita o envio pelo Sedex. A propaganda, em torno da simpática Guará, afirma que “pague três e leve cinco”. Os atravessadores, que aumentam os preços, são acometidos, em geral, de doenças vitalícias e, com isso, são alijados do mercado. Claro que também, de vez em quando, as beatas se enganam quanto à qualidade do papel. Um dos que examinei, por exemplo, era feito de papel higiênico.
Quando relatei tudo isso a Dr. Quim, ele apenas exclamou:
─ Cuma? Esse Frei pode até ser santo, mas tem um cérebro de cupim!
Além dos papelotes, os milagres de Frei Galvão são copiosos e não vejo como duvidar de todos eles. Cito, aqui, apenas um, “ O frango do Diabo”, para a edificação de meus leitores e do papa Bento XVI.
Um escravo liberto que, ficando doente, fez promessa de levar a Frei Galvão “uma vara de frangos”, caso sarasse, o que de fato aconteceu. Por essa razão, amarrando as aves em uma vara, pôs-se a caminho. Aconteceu que, ao meio da jornada, três frangos lhe escaparam. Recolheu facilmente dois. O terceiro, um carijó, fugiu velozmente, irritando o velho, que gritou impaciente: “volta aqui, frango do diabo!” Nesse momento, entrando em uma moita de espinhos, o frango se deixou apanhar. Após a caminhada, o liberto foi alegremente entregar seu presente ao Frade, que aceitou todas as aves, menos a carijó: “Porque este frango, já o deste ao diabo!” ─ Disse-lhe o religioso.
Bonitinho, não é verdade? Mas intrigam-me o preconceito contra o carijó e a demora do Vaticano em santificar Frei Galvão, quando se apressa no caso de Pio XII e de João Paulo II, que nem de longe possuíam as virtudes de nosso compatriota.
Em suma: a Virgem Maria recusa-se a aparecer no Brasil e nosso santo patrício demorou pra caramba a ser reconhecido.
Mas, como diz a ICR, “ quem não crê, brasileiro não é”. E priu!
Toda a Memória (Falsa?!):
Capítulo I
Capítulo II
Capítulo III
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI
Capítulo VII
Capítulo VIII
Capítulo IX
Capítulo X
Capítulo XI
Capítulo XII
Capítulo XIII
Capítulo XIV
Capítulo XV
Capítulo XVI
Capítulo XVII
Capítulo XIX
Capítulo XX
Capítulo XXI
Capítulo XXII
Capítulo XXIII
Capítulo XXIV
Capítulo XXV
Capítulo XXVI
Capítulo XXVII
Capítulo XXVIII
Capítulo XXIX
Capítulo XXX
Capítulo XXXI
Capítulo XXXII
Capítulo XXXIII

















Alvíssaras! Eis que chega o capítulo 34.
Hilariante e ferino, como não poderia deixar de ser.
Essa constipação causada pelo papel da Veja seria só para os consumidores das pílulas/papelotes?
Acho que ela também atinge os leitores e aquele colunista amigo do Gore Vidal….. ô povinho ranheta!
Para quem tinha tantos poderes, esse milagre do frango é bem pífio. Isso conta para a canonização? Tá fácil assim?
Irmão Ducaldo: O frango carijó, na verdade, era o próprio “Coisa Ruim”. Daí, o milagre. Minha bênção.
Com esses poderes especiais ele não deveria ser o padroeiro da ABIN?
Irmão Ducaldo: Não tenho dúvida disso. Mas, como ele só gostava de velhinhas de 65 anos, acho melhor reservá-lo para padroeiro da UNIBAN. Minha bênção de minissais.
Simpatia infalível, porém não se pode voltar atrás -
Pelas forças do Trovão que a minha imagem entre no coração para que nunca mais esta me diga não. Fazei que W.N.A. sinta uma reação por mim. Oh grande Universo, trazei para mim A.B.C. Assim como o galo canta,o burro relincha, o sino toca, a cabra berra, assim tu WNA há de andar atrás de mim, assim como o sol aparece, a chuva cai, fazei que WNA seja dominado por mim preso debaixo do meu pé esquerdo, com dois olhos te vejo e com três te prendo com meu Anjo da Guarda peço que WNA sinta a minha falta, ande atrás de mim como uma cobra rastejante, que me ame loucamente e que sinta desejos só por mim, que não consiga olhar com desejos para nenhuma outra pessoa, que não seja eu, que atenda todas as minhas vontades, que nunca me faça sofrer, que durma e acorde pensando em mim e sempre me tenha em seus pensamentos e que não consiga viver sem mim.WNA que seus pensamentos e desejos sejam sempre voltados para mim, que ela seja carinhoso e romântico comigo,! Que assim seja, WNA vai vir rastejando humilde e manso para que possamos ter bom convívio e assim sermos felizes. Peço ao infinito poder do Universo que o meu amor WNA sinta uma enorme emoção ao se lembrar de mim e que passe por uma transformação e que possamos juntos ter uma comunhão, e que o meu amor WNA sinta um desejo por mim tão forte como um leão.Quando acabar de ler publique esta oração e terás uma linda surpresa.Escreva o nome dele debaixo do seu pé esquerdo e repita 3 vezes : Eu te prendo e te amarro WNA com o poder das 13 Santas Almas Benditas e São Cipriano, você vai ficar apaixonada por mim e há de me procurar o mais rápido possivel. Publicar esta oração 4 vezes ela é infalível porem não se pode voltar atrás.
Vôte!
Irmãos: A ICR está agindo subliminar e obviamente demais. Não tenho dúvidas de que o Frei Galvão escreveu, por linhas tortas, a “simpatia” acima. E mandou seu servo Ellwem, recem saído da Clínica do PsInt, invadir nosso Blog. Afinal de contas, ele, o Santo tupiniquim, não poderia confessar publicamente esse tipo de masturbação. Espiritual? Duvido! Carnal, mais do que carnal, obscena. Provavelmente, Ellwem é um dos delinquentes que agrediram a moça da Uniban. Vôte, repito, acompnahando o irmão Ducaldo. E peço, humildemente, que as 13 Almas Benditas o perdôem. E o assombrem até o fim dos seus dias. Não mando minha bênção porque nunca abençoei cachorro doido.
P.S. – E digo mais. Só pode ser coisa de alma penada ou de torcedor da coisa que acaba de cair para a Segundona.