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Ainda o caso da UniBan

27 comentários

Através do Hermenauta, fui parar num blog ultraconservador (ah, se existisse um fascismo cristão… Mas não existiu um desses na Espanha de Franco?). O tal blog responde positivamente à minha preocupação de que o ovo da serpente existe e pode eclodir. O post faz uma defesa dos alunos da UNIBAN no caso já comentado, aqui, sobre a aluna Geisy Arruda, que usou uma minissaia, foi esculhambada pelos alunos e expulsa da e pela universidade. Pincei partes do post.

Primeiro, tentei compreender a intenção do autor, que intitulou seu post com o sugestivo título:

Precisamos de mais alunos como os da UniBAN

O título acima já prova que não estou tentando ser popular e principalmente ser agradável ao mainstream, não gosto do comportamento de manada nem da opinião induzida, por isso fui buscar provas com sinceridade em duvidar nas absurdas e não provadas acusações de que os alunos da UniBan vem sofrendo em nome da moral de puteiro, no qual toda moça tem o direito de usar mini-saia onde bem entende.

A dúvida nasceu da própria assertiva de que os alunos a quiseram estuprar em público pela moça estar provocando eles. Sim, ao contrário do que se entende, vários depoimentos (Que irei citar sem retoques) mostram que ela provocou diretamente o caso…

Claro, a culpa é da aluna. Mas o interessante aqui, nessa elucidativa lição sobre o fascio tupiniquim, são os depoimentos arrolados pelo blogueiro (crianças, saiam da frente do blog, vão dormir, porque o conteúdo é impróprio para seres inocentes):

Desculpe, mas a noticia está errada. Uma colega minha estuda na UNIBAN, na sala ao lado da garota, e ela afirmou que não houve “tentativa de estupro”, oq houve foi um bando de marmanjos xingando a menina pela forma que ela estava vestida. E afirmou também que a menina ficava se insinuando na frente das outras salas.

A culpa, como sempre, é da aluna…

Aqui, é muita mentira esta onda de q os alunos iam estuprar a garota. Isto não existiu… Eu estava lá!!!! Estávamos gritando PUTA! PUTA! PUTA!, e ESTUPRA!, ESTUPRA!, ESTUPRA! só de ZOAÇÃO, só de GOZAÇÃO!! Até parece q alguém iria estuprar uma mina no meio de uma universidade com todo mundo vendo!!! Até parece!! Fazer isto seria certeza de ser preso e destruir sua vida!! Ninguém iria fazer isto só porque uma destrambelhada resolveu ir pra aula com uma roupa inadequada. Destruir sua própria vida apenas porque uma mina resolveu ir pra aula mostrando sua bunda e outras partes íntimas seria demais!!!
E esta mina já é conhecida na UNIBAN de outros carnavais… Não é nenhuma santinha q de repente resolveu vestir uma roupa mais ousada!!! Ela sempre se veste de forma a provocar os outros!!
Aquela velha lição q nossa vó nos ensinou vale aqui: se queremos ser respeitados, devemos nos respeitar primeiro. E não foi isto q aconteceu, a mina não se respeitava, então os outros não a respeitaram!!!

Sim, sim, era só zoação, só gozação. Se era pra estuprar, como ninguém é burro, estuprava num descampado, num lugar mais adequado. Estupro precisa de um mínimo de estratégia e de inteligência. Lugar público? Nem pensar. Além do mais, a mina, que não se respeita, merecia a lição.

A posição dá calafrios. Uma atitude que é vista como uma provocação moral leva, invariavelmente, a uma reação violenta — uma violência provocada e, por isso, legítima. A situação tornou-se um problema moral insustentável: um problema de gênero e de dominação masculina. Lembra o filme “Acusados“, com Jodie Foster.

Outro depoimento:

Eu estudo lá. A mina ia subindo a rampa e os caras mexiam, daí ela olhava pra trás, jogava o cabelo pro lado, ajeitava o vestido, e ia caminhando rebolando. Subiu, e lá de cima provocava. E não é a 1ª vez isso, só q da outra vez (1 dia antes) não chamaram a polícia, pq ela estava mais comportada.

A mina era temerária. Antes, tinha até provocado. No fundo, pedia, implorava — o quê? Teve sorte, pois chamaram a polícia. Nada como a PM para resolver, no Brasil, questões morais e políticas.

Já no final, o autor do post, diante dos magníficos depoimentos, arremata sua conclusão:

Os alunos podem ter errado? Sim… eles admitem isso, admitem também que pouco estavam se importando que esse assunto ia parar na internet e nas mãos dos politicamentes corretos sentirem-se com a consciência mais leve acusando terceiros. Mas se não ocorreu estupro como baseio-me acima para não acreditar nesse absurdo, parabéns aos alunos da UniBAN, que não permite que seu ambiente de ensino seja maculado com as vicitudes de outros ambientes, e isso não é apenas institucional que não pode controlar tudo, é na raíz da UniBAN, os alunos realmente estavam engajados em expulsar a moça de lá independente de uma autoridade universitária, nada mais libertário que não necessitar da aprovação de terceiros para se fazer o que é certo. Eles entenderam o que significa ser um watchdog, um vigia da liberdade que só pode existir com uma moral responsável e madura não imposta, e ninguém impôs moral a esses alunos, exceto o #mimimi da internet. Meu amigo católico dizia que se pode ser conservador e conservar qualquer coisa, ele estava certo. O que há no Brasil são conservadores dos maus costumes e da imoralidade.

Sabe-se, afinal, o que é o bom conservadorismo e a defesa da verdadeira moral. Quando a política vira polícia e a liberdade, vigilância moral, estamos ferrrados. Liberdade é a liberdade de bem vigiar, o resto é “politicamente correto”. Se o acontecimento acima é um problema moral e de gênero, como já disse, seria também profundamente político.

Gosto de monitorar, na blogosfera, os blogs de extrema-direita e de extrema-esquerda. Essa posição, nos blogs de extrema-direita, não é incomum. Por enquanto, são posições minoritárias. Para eclodir, precisam de uma voz forte, com bigodinho ou histrionismo, com bota ou quepe — precisam de um símbolo; sim, precisam urgentemente de um símbolo.

Uma centelha basta, daí o perigo.

Sementeiras
  1. Eu já encontrei gente que defende essa barbaridade.
    A diferença é que a idade dos trogloditas que tive o desprazer de ouvir é bem acima da faixa dos neonazi da uniban.
    Mesmo assim, assusta.

  2. Um troll apareceu por aqui. Como somos “vigilantes” e a liberdade é a eterna vigilância, deletamos o troço daqui. Assim, avisamos: não discutimos com troll.

  3. Ótimo post,

    A situação é tão absurda, tão absurda, que não consigo compreender! sociedade doente, tenho temor dessa massa que pode ser manobrada facilmente por um cão raivoso qualquer.

    Quanto ao post conservador

    Essa frase impressiona: “os alunos realmente estavam engajados em expulsar a moça de lá independente de uma autoridade universitária, nada mais libertário que não necessitar da aprovação de terceiros para se fazer o que é certo. Eles entenderam o que significa ser um watchdog, um vigia da liberdade que só pode existir com uma moral responsável e madura não imposta, e ninguém impôs moral a esses alunos, exceto o #mimimi da internet”

    Fazer o que é certo? na visão de quem mesmo? vigia da liberdade? estamos ferrados, como você bem retratou!

    Conservadorismo religioso, é aquela velha história que depõe continuamente contra as religiões, são antes evangélicos, católicos ou qualquer outra denominação que cristãos.

    Abraços

  4. Não li o post que foi para a lixeira, lugar mais do que adequado, mas, o trecho reproduzido acima, em que pese a falta de coerência e sentido, berra um retumbante “Heil” e exala imbecilidade em grau superlativo.

    O termo “watchdog” usado pelo nazitroll tem sua origem na informática:

    “O Watchdog é um sistema de monitoramento de imagem a distância. Com ele, de qualquer lugar do mundo, é possível visualizar o que está acontecendo em casa, no escritório, empresa, condomínio, escola ou em qualquer lugar, acessando a internet.

    O sistema pode ser gerenciado e administrado à distância. É possível, inclusive, ativar gravações contínuas ou pelo sensor, que detecta movimentos e informa quando alguém entra no local.

    E foi utilizado -vejam só – para batizar um “Robô criado em 2007 como projeto de tcc do curso de engenharia mecatrônica da Uniban.
    Apelidado de watchdog, faz o papel de um segurança, captando imagens do local onde passa.”

    Tem um vídeo no youyube.

  5. Há uma página na internet , “texaswatchdog”, que meu inglês rastaquera não permitiu investigar mais a fundo.
    Diz-se, independente, sem partido, ideologia & que tais, dedicando-se a monitorar o governo lá deles em todas suas instâncias.
    Pelas bandas de lá a gente sabe o que isso significa….
    Mas, me parece sofisticado demais que o troll e seus coleguinhas paulistas usem o termo por essa razão.

    Em todo caso, nunca se sabe……

  6. Este artigo de Artur é bem oportuno. Não bastasse esses defensores da moral, mais grave ainda foi a decisão da Uniban de expulsá-la. A nota oficial divulgada pela universidade é pra lá de hipócrita. Alguns trechos:

    “A sindicância apurou que, no dia da ocorrência dos fatos, a aluna fez um percurso maior do que o habitual, aumentando sua exposição e ensejando, de forma explícita, os apelos de alunos que manifestavam em relação à sua postura, chegando, inclusive, a posar para fotos.”

    “Novamente, a aluna optou por um percurso maior ao se dirigir ao toalete, o que alimentou a curiosidade e o interesse de mais alunos e alunas, tendo início, então, uma aglomeração em frente ao local.”

    “Em seu depoimento perante a comissão, a aluna demonstrou um comportamento instável, que oscilava entre a euforia e o desinteresse, e estava acompanhada de dois advogados e uma estagiária vinculados a uma rede de televisão.”

    “Depoimentos de colegas indicam que, no interior do toalete feminino, a aluna se negou a complementar sua vestimenta para desfazer o clima que se havia criado. ”

    “Foi constatado que a atitude provocativa da aluna, no dia 22 de outubro, buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar.”

    Entendo que a universidade tem o direito de publicar um código de conduta, inclusive quanto à questão do vestuário. Entretanto, uma coisa é impedir que alunos vão de sunga ou biquini para a sala de aula, outra é dizer que a atitude da aluna, que se vestia de micro-saia, “resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar”. Não entendo como chamar alguém de puta ou gritar “estupra!” pode ser defesa de alguma coisa.

    A Uniban perdeu uma oportunidade de transformar o episódio num debate positivo, por exemplo, e agiu de maneira tão baixa quanto seus alunos.

    Aí eu me pergunto, o que essa universidade tem para ensinar, afinal?

    Dimas Lins

  7. Cara,
    lendo o seu texto não pude deixar de pensar em um bom símbolo para essa gente. lá do Hermê:

    http://ohermenauta.wordpress.com/2009/11/09/baratas-mutantes-gigantes-atacam/

    são resistentes, estão em todo lugar e são nojentas kkkkkkkkkkkkkkkkk

  8. O negócio é o seguinte, se os caras jogam essa agressividade toda numa mulher porque ela estaria insinuante… me pergunto, que tipo de afeição esses tipos têm por mulher. Assim o negócio é espalhar ao mundo que o nome correto daquela universidade é UNIBAMBI. Acho que a única terapia possível para trogloditas como esses é se verem chamados de UNIBAMBIS.

  9. Aiaiai, baratas gigantes, ainda mais mutantes?! Seria um símbolo assustador, além do que voador. Odeio baratas!

  10. O comentário definitivo, lá no Hermenauta:

    “Sugiro que a Uniban estabeleça um uniforme padrão (tipo burca) para todas as estudantes, marque logo o apedrejamento da moça e encerre essa questão” (André)

  11. Eheheheh! Fernando acertou em cheio.
    Xô! UNIBAMBIS.

  12. Artur, entra no link postado por “aiaiai”.
    Depois entra em outro que alguém do Amapá postou nos comentários lá do Hermenauta.
    É a foto de uma barata d’água grande pra carai, e com um par de garras. E não são privativas do Amapá.

    Lembro que uma das minhas diversões, quando morava no interior, era pisar de leva no corpo delas e arrancar-lhes a cabeça chutando com o outro pé.

    Havia uma fonte na praça – que era bem iluminada – e as baratonas davam rasantes pra tudo quanto é canto, mas só durante o inverno.

    Você se divertiria muito (eheheheheh).

  13. Eu vi o monstro. Vc matava aqueles baratossauros? Vc é um cabra corajoso, Ducaldo! Diante desse assombro, corria me matricular na Unibambi.

  14. Matava. Era uma matança coletiva promovida pela molecada – todos aí pelos 12 ou 13 anos.
    A técnica para matar os baratossauros de forma divertida, só posso explicar direito ao vivo.

  15. Carai…

    entrei no blog do cidadão e saí com vontade de matar judeus.

    uma frase que gostava de dizer, em péssimo portuñol, quando estava na Espanha era: Ah! si el abuelo fuera vivo…

    Que saudades do nacional catolicismo. Pelo menos era um fascimo baseado na única e verdadeira religião…

    Esses garotos merecem um lugar no Valle de los Caídos…

  16. Fui, hoje, na praia, bem cedinho. Vi umas mulheres — horribile dictu — de biquíni. Comecei imediatamente a jogar areia nas infames. Tinha até uma velhinha de maiô. Joguei uns siris na despudorada. Depois, assinei uma petição para construírem uma faculdade da UniBambi em Intermares. Com isso, certamente, acabará a pouca vergonha.

  17. Você deveria mandar esse relato para o pessoal da UniBambi. Faria sucesso. Eles o leriam em voz alta para todos os colegas durante a sauna e você seria aclamado como um Cidadão Unibambi.

  18. Calma Parrusi, praia não é ambiente de estudo…

  19. Fique tranqüilo, Bosquímano, há um fato tremendamente inverídico no relato de Artur. A cena dele jogando um siri na velhinha. Isso jamais aconteceria. A proximidade de um siri o transformaria imediatamente num aluno da UNIBAMBI e ele correria para o colo da velhinha, dando gritos e agitando nervosamente as mãos.

  20. Mas afinal, diante de quantas especies de animais minusculos e inofensivos o Sr. Artur dá esses chiliques? Isso já está indo longe demais…

  21. Animais minúsculos? Vc viu o baratossauro do Amapá? Certo, não joguei um siri vivo, e sim morto. Já visse as pinças do Siri Gigante de Intermares?

    Já o maiô da velhinha era indecentíssimo! UniBan nela!

  22. Fiquei sabendo que o respeitado professor de sociologia Dr. Artur Perrusi, acaba de pedir transferência para dar aulas na UNIBAMBI. Sentiremos sua falta Artur. ;p

  23. Será que o pessoal da unibambi não está querendo justamente isso?

    Você será carregado em triunfo por centenas de unibambis trajando minissaias….

  24. Cantando em coro em em êxtase:

    _ Nunca vi rastro de cobra, nem couro de lobisomem…

  25. Escutando os conselhos de meu mentor intelectual. Quemei todas as minhas minissaias e mini-vestidos, acabei de comprar uma burca. A UFPB nunca mais me verá naqueles trajes “indescentes”.hahaha.

  26. Alunos da UnB tiram a roupa em apoio à GeisyArruda
    Cerca de 250 alunos da UnB (Universidade de Brasília) fizeram protesto nesta quarta-feira (11) em apoio à estudante Geisy Arruda. Às 14h, cerca de 250 estudantes foram à reitoria da universidade nus ou com pouca roupa, em protesto à atitude considerada como “machista” dos estudantes da Uniban de São Bernardo do Campo (SP).
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    Os manifestantes também entregaram reitor José Geraldo de Sousa Júnior um documento com reivindicações de políticas institucionais para a segurança da mulher na instituição.
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    O grupo considera o caso de Geisy “absurdo” e o comparou com situações de preconceito e machismo registrados na UnB. Um exemplo citado durante a manifestação foram os atos de violência sexual ocorridos na universidade em abril deste ano.
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    “Todos os dias as mulheres e outras minorias sofrem agressões na universidade. São agressões verbais, falta de segurança e assédios por parte de professores e funcionários. Todas as minorias, aqui, estão vulneráveis e expostas”, diz Luana Gaudad, 20 anos, estudante de serviço social e militante do Klaus, grupo da causa GLBT da UnB.
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    *Com informações da Secretaria de Comunicação da UnB.
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    http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/11/11/ult105u8882.jhtm

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