Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XXXIII

Em tempo: os textos novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.

aparecida

(Il secondo miracolo di pesci)

33º CAPÍTULO

Monsenhor Braguinha, meu Pai, costumava dizer que o Brasil é o país das falsificações. Não sei de onde ele tirou isso, mas dizia e repetia que somos réplicas de nós mesmos para enganar os estrangeiros.

Coisa de velho, seguramente!

Certa vez, visitei-o na Casa Paroquial, e ele estava em sua antiga cadeira de balanço Gerdau fazendo palavras cruzadas, hábito que adquirira recentemente. Peguei uma suculenta manga espada do quintal e lhe disse:

─ Monsenhor, meu Pai! Preciso de sua ajuda. As crianças estão com febre, encatarradas e com uma tosse danada. O chá do Dr. Quim não resolve.

Ele levantou-se, abriu um armário e me deu um vidro cheio de pílulas brancas.

─ Não deixe de administrar o chá para não magoar o velho Quim. Mas, de quatro em quatro horas, dê uma pílula dessas. Amanhã, as crianças estarão curadas. ─ Disse-me o Monsenhor. E acrescentou:

─ E volte logo, pois tenho um sério problema, aqui, com um conceito nas palavras cruzadas.

Meia hora depois, estava de volta deixando meus filhos devidamente medicados, recomendando a Socorrinho e a Madalena que não esquecessem do remédio.

Sentei-me numa velha poltrona, presente de uma beata, e interroguei Braguinha:

─ De onde vem esse vício de fazer palavras cruzadas, meu Pai?

─ Ora, Tsézinho! É para afugentar o alemão. ─ Respondeu o ilustre Pároco da Torre.

─ Ora, meu Pai! Que alemão é esse? Afinal de contas a Guerra já acabou. ─ Observei, maliciosamente.

─ Alzheimer! Alzheimer! Manter uma boa memória é um excelente remédio contra as falsificações. ─ Exclamou Braguinha, enigmaticamente. Enfim, cada doido com sua mania!

─ E qual é esse grande problema conceitual de suas palavras cruzadas? ─ Perguntei.

─ Tsé! Está escrito, aqui: “Como se chama uma pessoa que aparece de repente?”

Chupei mais uma manga e refleti bastante quando senti um clique na memória:

─ Ora, meu Pai! Quem aparece de repente é uma “pessoa aparecida”.

─ A-pa-re-ci-da! Com um ou dois pês, Tsé? Certinho! Enfim, a grade está resolvida. ─ Exclamou, alegremente, o vetusto sacerdote.

Daí em diante, tornei-me também viciado em fazer palavras cruzadas. Mas esse lance me traz à memória o início do mês de Outubro quando se comemora no Brasil o dia de Nossa Senhora Aparecida.

Lembrei-me, então, de minhas pesquisas para meu primeiro livro em aramáico sobre a revisão da História do Cristianismo, especialmente da ICR.

Na Introdução, dei-me ao trabalho de contar quantas aparições de santos e santas ocorreram nesses dois mil e tantos anos. Antes da fundação da ICR, no Concílio de Nicéia, por Decreto Imperial de Constantino, o Grande (grande assassino também), a santa mais popular do Império era Ísis, belíssima deusa egípcia que dominava o coração dos soldados romanos. Deusa do amor e da magia, Mãe de todo o Egito. Não havia um lar romano em que não houvesse uma estatueta ou imagem em seu louvor.

Foram 32.452 aparições comprovadas e mais de cinco mil milagres operados por Ísis.

No entanto, depois que seu culto foi proibido por Constantino, em 325 d.C., os soldados, que não eram bestas, elegeram a Virgem Maria para substituir Ísis como santa milagreira.

Contei 155.367 aparições da Virgem que tomava o nome dos lugares em que aparecia como, por exemplo, em Fátima e em Lourdes, ou dos bons e maus momentos que atingem a humanidade, como as Dores, os Remédios, o Bom Parto, os Aflitos, os Afogados, os Navegantes e vai por aí. Curiosamente, os milagres eram muito semelhantes aos de Ísis. Mas isso não importa. A Santíssima Mãe de Nosso Senhor era, seguramente, a recordista de aparições.

Contudo, não encontrei em nenhum lugar o registro de uma aparição da Virgem Santíssima no Brasil, o que muito me decepcionou na época em que escrevia meu livro, desde que, como diz a ICR, o Brasil é o maior país católico romano do planeta. A Virgem não apareceu, é verdade, mas ocorreu um fato interessantíssimo, nos meados do ano de 1717, duzentos anos antes de sua aparição em Fátima.

Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves eram pescadores do rio Paraíba do Sul e conseguiram, à falta de peixes, pescar uma imagem de terracota (cerâmica amarronzada) da Virgem que chamaram, no início, de Nossa Senhora das Águas. Na verdade, a imagem estava sem cabeça e, talvez, devesse ser chamada, pelo menos no momento da pescaria, de Nossa Senhora Degolada ou, melhor ainda, dos Degolados.

Aliás, havia na ICR um grande precedente quando Denis, o decapitado, foi alçado à condição de Mártir e Santo, chegando a ser o Padroeiro da França.

Na belíssima Catedral gótica, em sua homenagem, vê-se Saint-Denis em pé e vivo, segurando sua própria cabeça numa das mãos. A mesma imagem surrealista pode ser vista, também, na fachada da própria Notre Dame de Paris. A sua devoção era tão importante que muitos dos reis da França (especialmente os Capetos) eram enterrados naquela Catedral.

No entanto, para maior glória do Brasil, Domingos Garcia lançou novamente sua rede no rio e, milagrosamente, em vez de peixes, veio enganchada a cabeça da Santa, que faltava. Depois de inúmeras restaurações e adulterações, Nossa Senhora Aparecida assumiu o seu perfil atual, embora conservando o rosto negro, produto da oxidação da terracota, rica em ferro.

No dia 12 deste mês de Outubro, o pároco da Igreja de Nossa Senhora Aparecida, no Ibura, talvez empolgado pela simpática visita à sua diocese do novo Arcebispo da cidade vizinha a Bel-O-Kan, afirmou na TV Globo, com a maior cara de pau, que o rosto negro da Santa significava “o Protesto de Nossa Senhora contra a escravidão no Brasil” (sic).

Em 1717!

Mentira? Ingenuidade? Hipocrisia, como diria o português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura?

Não! A ICR sempre foi contra a injustiça da escravidão, tanto de africanos como de índios. É verdade que não há nenhum documento que o prove. Muito pelo contrário, aliás. Mas, que importa? Se o padre disse, tá dito e ninguém é besta para desmenti-lo.

O importante é que, logo depois de colarem a cabeça de Nossa Senhora no seu devido lugar, começaram a ocorrer os milagres da Santa como, até hoje, vêm ocorrendo. Nessa última peregrinação, uma senhora chegou a afirmar que sua neta havia passado no ENEM, graças à sua milagrosa intercessão.

O importante, porém, foi o primeiro milagre, o chamado “Segundo Milagre dos Peixes”. Ora, eufórico com o achado, o pescador Domingos Garcia, que não pescava nada há vários dias, lançou pela terceira vez sua tarrafa no rio. Eis que ela voltou abarrotada dos mais belos peixes da região, inclusive alguns estrangeiros.

É bem verdade que estávamos em Outubro, época da piracema dos rios do Sudeste brasileiro. No entanto, na época, o Ibama ainda não havia proibido a pesca durante tal período. E o milagre valeu. Tanto assim que, hoje, Aparecida é uma das cidades mais visitadas por turistas.

O outro milagre significativo ocorreu numa noite serena, sem ventania, quando as velas do altar se apagaram. Logo depois, elas se acenderam espontaneamente. No meu último aniversário, meus trinetos me pregaram uma peça semelhante. Pediram-me que apagasse as muitas velas do bolo. Fui apagando e elas foram se acendendo novamente. Umas cinco vezes! Até que, impaciente, peguei todas elas e as joguei no mangue. Não tenho fôlego para tanto. Voltei rindo da brincadeira e comi uma grande fatia do delicioso bolo, preparado, aliás, pelo padeiro da esquina.

Mais interessante, talvez, seja o terceiro milagre de Nossa Senhora Aparecida. Um homem estava voltando para sua casa quando, de repente, deparou-se com uma enorme onça. Ele se viu encurralado, e a onça estava prestes a atacá-lo. Então, o homem pediu desesperado a N.S. Aparecida por sua vida, e a onça virou-se e foi-se embora.

Aliás, não sei quem ficou mais assustado, se o homem ou se a pobre onça.

Em 1930, o fundador do Estado do Vaticano, o fascista Pio XI, proclamou Nossa Senhora Aparecida como “a Rainha do Brasil e sua Padroeira Oficial”.

Até aí, tudo bem! Os católicos romanos brasileiros têm o direito de acreditar no que bem quiserem. Em suma, sem querer ofender ninguém e para não ser grosseiro, a Padroeira católica romana do Brasil não passa de um simulacro. Em linguagem mais forte, como diria o Monsenhor Braguinha, meu Pai, tudo não passa de mais uma falsificação da ICR.

Mas, em 1980, através da Lei Nº 6.802, de 30/06/1980, a Ditadura Militar reconheceu oficialmente N.S. Aparecida como Padroeira do Brasil, estabelecendo o dia 12 de Outubro como feriado nacional.

Até aí, tudo mal! É certo que Nossa Senhora é a “Mãe de Deus” e a “Rainha dos Céus e da Terra”, segundo a ICR.

Mas, porém, contudo, todavia…Segundo consta na Constituição Federal, o Brasil é um país laico e o Estado não pode impor, com lei ou sem lei, nenhum estatuto religioso aos cidadãos brasileiros. Ou pode?

Enfim, como dizia o refrão do hino oficial do Congresso Eucarístico Nacional, realizado no Recife em 1950: “Quem não crê, brasileiro não é”.

Além disso, um feriadão ensolarado é sempre bem-vindo, não é mesmo?

Toda a Memória (Falsa?!):

Capítulo I
Capítulo II
Capítulo III
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI

Capítulo VII
Capítulo VIII
Capítulo IX
Capítulo X
Capítulo XI
Capítulo XII
Capítulo XIII
Capítulo XIV
Capítulo XV
Capítulo XVI
Capítulo XVII
Capítulo XIX
Capítulo XX
Capítulo XXI

Capítulo XXII
Capítulo XXIII
Capítulo XXIV
Capítulo XXV
Capítulo XXVI
Capítulo XXVII
Capítulo XXVIII
Capítulo XXIX
Capítulo XXX
Capítulo XXXI
Capítulo XXXII

33º CAPÍTULO

(Il secondo miracolo di pesci)

Monsenhor Braguinha, meu Pai, costumava dizer que o Brasil é o país das falsificações. Não sei de onde ele tirou isso, mas dizia e repetia que somos réplicas de nós mesmos para enganar os estrangeiros.

Coisa de velho, seguramente!

Certa vez, visitei-o na Casa Paroquial, e ele estava em sua antiga cadeira de balanço Gerdau fazendo palavras cruzadas, hábito que adquirira recentemente. Peguei uma suculenta manga espada do quintal e lhe disse:

─ Monsenhor, meu Pai! Preciso de sua ajuda. As crianças estão com febre, encatarradas e com uma tosse danada. O chá do Dr. Quim não resolve.

Ele levantou-se, abriu um armário e me deu um vidro cheio de pílulas brancas.

─ Não deixe de administrar o chá para não magoar o velho Quim. Mas, de quatro em quatro horas, dê uma pílula dessas. Amanhã, as crianças estarão curadas. ─ Disse-me o Monsenhor. E acrescentou:

─ E volte logo pois tenho um sério problema aqui com um conceito nas palavras cruzadas.

Meia hora depois, estava de volta deixando meus filhos devidamente medicados, recomendando a Socorrinho e a Madalena que não esquecessem do remédio.

Sentei-me numa velha poltrona, presente de uma beata, e interroguei Braguinha:

─ De onde vem esse vício de fazer palavras cruzadas, meu Pai?

─ Ora, Tsézinho! É para afugentar o alemão. ─ Respondeu o ilustre Pároco da Torre.

─ Ora, meu Pai! Que alemão é esse? Afinal de contas a Guerra já acabou. ─ Observei maliciosamente.

─ Alzheimer! Alzheimer! Manter uma boa memória é um excelente remédio contra as falsificações. ─ Exclamou Braguinha enigmaticamente. Enfim, cada doido com sua mania!

─ E qual é esse grande problema conceitual de suas palavras cruzadas? ─ Perguntei.

─ Tsé! Está escrito, aqui: “Como se chama uma pessoa que aparece de repente?”

Chupei mais uma manga e refleti bastante quando senti um clique na memória:

─ Ora, meu Pai! Quem aparece de repente é uma “pessoa aparecida”.

─ A-pa-re-ci-da! Com um ou dois pês, Tsé? Certinho! Enfim, a grade está resolvida. ─ Exclamou alegremente o vetusto sacerdote.

Daí em diante, tornei-me também viciado em fazer palavras cruzadas. Mas, esse lance me traz á memória o início do mês de Outubro quando se comemora no Brasil o dia de Nossa Senhora Aparecida.

Lembrei-me, então de minhas pesquisas para meu primeiro livro em aramáico sobre a revisão da História do Cristianismo, especialmente da ICR.

Na Introdução, dei-me ao trabalho de contar quantas aparições de santos e santas ocorreram nesses dois mil e tantos anos. Antes da fundação da ICR, por Decreto Imperial de Constantino, o Grande (grande assassino também), durante o Concílio de Nicéia, a santa mais popular do Império era Ísis, belíssima deusa egípcia que dominava o coração dos soldados romanos. Deusa do amor e da magia, Mãe de todo o Egito. Não havia um lar romano em que não houvesse uma estatueta ou imagem em seu louvor.

Foram 32.452 aparições comprovadas e mais de cinco mil milagres operados por Ísis.

No entanto, depois que seu culto foi proibido por Constantino, em 325 d.C., os soldados, que não eram bestas, elegeram a Virgem Maria para substituir Ísis como santa milagreira.

Contei 155.367 aparições da Virgem que tomava o nome dos lugares em que aparecia como, por exemplo, em Fátima e em Lourdes, ou dos bons e maus momentos que atingem a humanidade, como as Dores, os Remédios, o Bom Parto, os Aflitos, os Afogados, os Navegantes e vai por aí. Curiosamente, os milagres eram muito semelhantes aos de Ísis. Mas, isso não importa. A Santíssima Mãe de Nosso Senhor era, seguramente, a recordista de aparições.

Contudo, não encontrei em nenhum lugar o registro de uma aparição da Virgem Santíssima no Brasil, o que muito me decepcionou na época em que escrevia meu livro, desde que, como diz a ICR, o Brasil é o maior país católico romano do planeta. A Virgem não apareceu, é verdade, mas ocorreu um fato interessantíssimo, nos meados do ano de 1717, duzentos anos antes de sua aparição em Fátima.

Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves eram pescadores do rio Paraíba do Sul e conseguiram, à falta de peixes, pescar uma imagem de terracota (cerâmica amarronzada) da Virgem que chamaram, no início, de Nossa Senhora das Águas. Na verdade, a imagem estava sem cabeça e, talvez, devesse ser chamada, pelo menos no momento da pescaria, de Nossa Senhora Degolada ou, melhor ainda, dos Degolados.

Aliás, havia na ICR um grande precedente quando Denis, o decapitado, foi alçado à condição de Mártir e Santo, chegando a ser o Padroeiro da França.

Na belíssima Catedral gótica, em sua homenagem, vê-se Saint-Denis em pé e vivo, segurando sua própria cabeça numa das mãos. A mesma imagem surrealista pode ser vista, também, na fachada da própria Notre Dame de Paris. A sua devoção era tão importante que muitos dos reis da França (especialmente os Capetos) eram enterrados naquela Catedral.

No entanto, para maior glória do Brasil, Domingos Garcia lançou novamente sua rede no rio e, milagrosamente, em vez de peixes, veio enganchada a cabeça da Santa, que faltava. Depois de inúmeras restaurações e adulterações, Nossa senhora Aparecida assumiu o seu perfil atual, embora conservando o rosto negro, produto da oxidação da terracota, rica em ferro.

No dia 12 deste mês de Outubro, o pároco da Igreja de Nossa senhora Aparecida, no Ibura, talvez empolgado pela simpática visita à sua diocese do novo Arcebispo da cidade vizinha a Bel-O-Kan, afirmou na TV Globo, com a maior cara de pau, que o rosto negro da Santa significava “o Protesto de Nossa Senhora contra a escravidão no Brasil” (sic).

Em 1717!

Mentira? Ingenuidade? Hipocrisia, como diria o português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura?

Não! A ICR sempre foi contra a injustiça da escravidão, tanto de africanos como de índios. É verdade que não há nenhum documento que o prove. Muito pelo contrário, aliás. Mas, que importa? Se o padre disse, tá dito e ninguém é besta para desmenti-lo.

O importante é que, logo depois de colarem a cabeça de Nossa Senhora no seu devido lugar, começaram a ocorrer os milagres da Santa como, até hoje, vêm ocorrendo. Nessa última peregrinação, uma senhora chegou a afirmar que sua neta havia passado no ENEM, graças à sua milagrosa intercessão.

O importante, porém, foi o primeiro milagre, o chamado “Segundo Milagre dos Peixes”. Ora, eufórico com o achado, o pescador Domingos Garcia, que não pescava nada há vários dias, lançou pela terceira vez sua tarrafa no rio. Eis que ela voltou abarrotada dos mais belos peixes da região, inclusive alguns estrangeiros.

É bem verdade que estávamos em Outubro, época da piracema dos rios do Sudeste brasileiro. No entanto, na época, o Ibama ainda não havia proibido a pesca durante tal período. E o milagre valeu. Tanto assim que, hoje, Aparecida é uma das cidades mais visitadas por turistas.

O outro milagre significativo ocorreu numa noite serena, sem ventania, quando as velas do altar se apagaram. Logo depois, elas se acenderam espontaneamente. No meu último aniversário, meus trinetos me pregaram uma peça semelhante. Pediram-me que apagasse as muitas velas do bolo. Fui apagando e elas foram se acendendo novamente. Umas cinco vezes! Até que, impaciente, peguei todas elas e as joguei no mangue. Não tenho fôlego para tanto. Voltei rindo da brincadeira e comi uma grande fatia do delicioso bolo, preparado, aliás, pelo padeiro da esquina.

Mais interessante, talvez, seja o terceiro milagre de Nossa Senhora Aparecida. Um homem estava voltando para sua casa quando, de repente, se deparou com uma enorme onça. Ele se viu encurralado e a onça estava prestes a atacá-lo. Então, o homem pediu desesperado a N.S. Aparecida por sua vida e a onça virou-se e foi se embora.

Aliás, não sei quem ficou mais assustado, se o homem ou se a pobre onça.

Em 1930, o fundador do Estado do Vaticano, o fascista Pio XI, proclamou Nossa Senhora Aparecida como “a Rainha do Brasil e sua Padroeira Oficial”.

Até aí, tudo bem! Os católicos romanos brasileiros têm o direito de acreditar no que bem quiserem. Em suma, sem querer ofender ninguém e para não ser grosseiro, a Padroeira católico romana do Brasil não passa de um simulacro. Em linguagem mais forte, como diria o Monsenhor Braguinha, meu Pai, tudo não passa de mais uma falsificação da ICR.

Mas, em 1980, através da Lei Nº 6.802, de 30/06/1980, a Ditadura Militar reconheceu oficialmente N.S. Aparecida como Padroeira do Brasil, estabelecendo o dia 12 de Outubro como feriado nacional.

Até aí, tudo mal! É certo que Nossa Senhora é a “Mãe de Deus” e a “Rainha dos Céus e da Terra”, segundo a ICR.

Mas, porém, contudo, todavia…Segundo consta na Constituição Federal, o Brasil é um país laico e o Estado não pode impor, com lei ou sem lei, nenhum estatuto religioso aos cidadãos brasileiros. Ou pode?

Enfim, como dizia o refrão do hino oficial do Congresso Eucarístico Nacional, realizado no Recife em 1950: “Quem não crê, brasileiro não é”.

Além disso, um feriadão ensolarado é sempre bem-vindo, não é mesmo?

11 Comentários para “Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XXXIII”

  1. ducaldo:

    Ora, meu Pai! Quem aparece de repente é uma “pessoa aparecida”.

    Que deixa “sutil” pra falar da Santa, Reverendo (eheheheh).

    O milagre do ENEN foi antes ou depois do vazamento da prova?

  2. André Tricolor Virtual:

    “Aparecida” deve ter sido corrompida, algum milagre deve ter sido falsificado, ou forjado … E eu que pensava que quem aparecia de repente era fantasma!

  3. ducaldo:

    Reverendo, e pro Frei Galvão não vai nenhuma farpa?

  4. Tsé-Tsé:

    Irmão Ducaldo: Aconselho, desde já, o irmão a cultivar o belo hábito de fazer palavras cruzadas. É tão bom para a memória que a gente lembra até de coisas que jamais existiram. Quanto à “deixa”, foi o jeito. Deixa pra lá que eu precisava de uma introduçãozinha para malhar a Aparecida, hehehe…
    Chegará o tempo do Padre Cícero e do Galvão. Não estou esquecido desses dois embusteiros. Aliás, dos dois Galvão, o dos papelotes também, este já devidamente santificado.
    A velhinha deu graças a N.S. Aparecida pelo ENADA. Errei na grafia, somente isso. No mais, Minha bênção pela sua presença sempre benvinda.

  5. Tsé-Tsé:

    Irmão André: N.S.Aparecida jamais será corrompida ou falsificada. Já os seus afilhados, não dou um tostão por eles. Nenhum milagre pode ser forjado. Ou é milagre ou não é porcaria nenhuma.
    Inclino-me pela segunda hipótese. Minha bênção totalmente falsificada.

  6. André Tricolor Virtual:

    “Tsé-Tsé”,

    Mil desculpas, é que sofro de TDA !!!!

  7. Ana Paula:

    Reverendo o senhor viu o acordo feito entre Brasil e Vaticano, onde a nossa constituição (laica?) se compromete a tornar obrigatório o ensino da religião católica, reservar espaços públicos nas cidades para eventos religiosos…. Enfim, se compromete a privilegiar a ICR!
    http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u467314.shtml

    Beijos

  8. Tsé-Tsé:

    Irmãzinha Ana Paula: Acompanho, há anos, com imensa tristeza, os acordos do Governo Brasileiro com o Vaticano. Há cerca de dois meses, o Senado aprovou o Acordo, ou Concordata, faltando apenas a sanção do Nosso Embusteiro Mor. Mas, não haverá ensino católico obrigatório nas escolas públicas. Apenas, inconstitucionalmente, permite-se o “ensino religioso facultativo”, o que, pela imensa maioria das escolas públicas, em geral subordnadas às prefeituras, dá quase no mesmo. Neste Blog, Perrusi Pai e Filho têm lutado pela laicidade de nosso estado, isto é, pela nossa Constituição. Saramago declarou que a ICR e o Papa eram hipócritas. Mas, desde Voltaire, no Século XVIII, a luta continua. Ele cunhou a célebre frase “Écrazez l’Infamme”, referindo-se a ICR. Ora, desde o Iluminismo e o triunfo da Ciência Moderna, o número de católicos romanos vem descrescendo, embora os “evangélicos” aumentem. Mas, não será ainda para sua geração, irmã Ana Paula. Ainda vai demorar. Acredito que somente o conhecimento científico, o bem estar material e a educação das massas populares poderão fazer frente a esse polvo maléfico que possui um gigantesco lobby no Congresso. Aliás, minhas pobres Memórias não passam de pequenas farpas que não atingem à população. Do meu ponto de vista, a ICR poderá existir até a eternidade. Mas, o Vaticano não passa de um Estado-Nação fantasma criado pelo Fascismo de Mussolini e Pio XI. O Brasil, se fosse um Estado realmente laico, o que não é, não deveria reconhecê-lo. Nem tampopuco a ONU. Minha bênção tristonha.

  9. Ana Paula:

    Tsé lembro bem das aulas de “religião” que tive na minha infância. Era sempre religião católica, o que fazia parecer uma espécie de catecismo, nunca foi religião de um modo geral… Enfim, nosso país está longe de ser laico. Mas acho ótima a iniciativa dos Perrusi Pai e Filho em proporcionar um espaço laico.

  10. Flor de Liz:

    Reverendo, faz uns dias que não comento aqui… pra não perder o costume cá estou. Reza a lenda que Perrusi Filho por conta do excesso de trabalho entregou o blog aos seus cuidados, tal informação procede?

    A sua bênção saudosa.

  11. Tsé-Tsé:

    Irmãzinha Flor de Liz: Estava morto de saudades de você. Não é verdade que Perrusi Filho tenha feito isso. Impossível, pois datilografo minhas Memórias com uma Underwood 1927. Com um dedo só! Imagine comandar um Blog! Minha bênção bem alegre.

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