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AC/DC
Lembro-me, perfeitamente, desse show. Fora organizado pelo ARA (Associação dos Reverendos Ateus — cujo secretário geral era, nada mais nada menos, do que Tsé-Tsé). Estudava na Universidade de Essex. Vivia na pindaíba, ganhando uma bolsa miserável. Naquela época, analisava a fauna e a flora do mundo dos planctônicos. Dizia sempre que o futuro estava no plancton. Ninguém acreditava, claro. Mas foi uma época grandiosa. Tudo era novidade. Parecia que o mundo iria mudar. Ledo engano.
No vídeo, estou lá no fundo. Tinha um cabelo meio power, jeitão árabe. Hoje, seria preso em qualquer aeroporto ocidental. Então, era recebido de braços abertos. A Europa precisava de mão-de-obra barata. Parecia que o racismo desaparecera para sempre. Ledo engano.
Gostava de rock pesado. Tinha muito show desse tipo na universidade. Foi aí que apareceu a banda australiana. Achei curiosíssimo uma banda de rock da terra do canguru. Fiquei impressionado. O guitarrista era completamente louco. Tudo bem, o ambiente era louco.
Em cima de meus ombros, estava o futuro psi de Intermares, ainda uma criança. Achava que um show do AC/ DC fazia parte de sua educação musical. Depois de fazê-lo decorar Stairway To Heaven do Led Zeppelin, achei que era necessário algo mais pesado, com o objetivo de relativizar a leveza de sua vida. Inclusive, em 1979, um ano depois do show, o AC/DC faria Highway to Hell, uma paródia da música angelical do Led.
Bebi tanto que, quando cheguei em casa, atinei que esquecera o coitadinho na universidade. Fui correndo buscá-lo. Não encontrei no salão. Fiquei desesperado. Foi aí que um segurança disse-me que o menino tinha sido recolhido e estava nos camarins da banda. Fui lá e o encontrei brincando com a guitarra de Angus Young. Ainda consegui uma camisa e um autógrafo da banda. Só fiquei decepcionado com uma coisa: a banda não fazia parte de nenhuma seita satânica, como apregoavam os boatos. Pena, pois fiz parte, naquele tempo, de uma seita de nome 666 e participei até de alguns sacrifícios humanos, tipo baby-beef, com rituais astecas, muito bem elaborados, por sinal.
Tempo legal.

















Eles vem ao Brasil em dezembro, salvo engano em 6/12/2009, em sampa. Farei o possível para ir.
Abs.