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Quase acaba…

9 comentários

sisifo

A vida é dura. Sempre achei o trabalho uma alienação. Trabalhar é um verbo maligno. É uma atividade que devora a alma. Corrói por dentro, sugando todo resto de alegria que existe no nosso espírito. Só sobra desgraça, a suprema infelicidade: a falta de tempo. Eis a delícia, já antevista por tantos utópicos: o tempo livre. Liberdade é o tempo ao nosso favor. Não falo de controle do tempo — controlar o tempo é trabalho. Falo de uma relação livre com a sucessão dos momentos. Como se obtém isso? Existe alguma situação na qual é possível essa relação livre nesse mundo velho e enfadado? Pois há um momento, sim, inclusive sem sucessão, que é um modelo para os Perrusi — o supremo modelo: dormir e sonhar 😎 ! Dormir, mais do que sonhar, aliás, já que a atividade onírica pode virar trabalho, principalmente entre psicanalisados, os trabalhadores do inconsciente. Dormir e sonhar no Capitalismo é a suprema liberdade, é a negação do Trabalho, é a emancipação do Homem! Ops! exagerei, foi mal, empolguei-me…

Sim, sonho com tempo livre. Geralmente, estou no Carnaval de Olinda, completamente pinguço, aos berros: eu não trabalho, eu não trabalho!

Quem disse que o trabalho dignifica o homem deve ser seviciado. É inimigo dos Perrusi. No eterno carnaval, quem trabalharia seriam os protestantes, em particular os calvinistas, e os comunistas (sim, Lênin era um trabalhador infatigável, por isso, adorou o fordismo). Eles têm prazer no desprazer. Seria uma boa divisão de trabalho. Mas não, recusam essa solução prosaica, pois querem a universalização do trabalho. Todo mundo trabalhando! E o trágico é que o trabalho tornou-se tão raro, que virou necessidade. No Carnaval de Olinda, haveria tanto trabalho, que ninguém trabalharia, exceto os workahoolics. E todo mundo seria feliz.

A universidade virou um moedor de carne. Fiquei moído, pronto para uma bolonhesa . Ocupação total de toda atividade pelo trabalho é incompatível com reflexão. Muito trabalho e pouco pensamento, eis a universidade. Como pensar? São aulas, aulas, aulas, virei um compulsivo por aulas —  intermináveis! — aulas na graduação e na pós-graduação, orientações ad infinitum, uma fila de SUS de orientandos (o professor é uma creche de orientandos), leitura de projetos, de monografias, de dissertações, de teses, mil páginas por mês, ad nauseam, pesquisas que viram um imbróglio burocrático… Vive-se preso numa repetição. Um martelar constante num eterno instante. Antes de tudo, o professor universitário é um neurótico. A universidade brasileira é incompatível com a produção científica.

Por isso, nos momentos difíceis da vida, quando o trabalho ri do meu fardo, diverte-se com minha angústia, brinca até comigo, penso em fechar o blog. O que era prazer está virando estorvo. Pior, está virando… trabalho. Blog é prazer. Escrever por hedonismo. É tempo livre.

Sim, penso em fechar o blog; mas, recebi uma carta de Tsé-Tsé. Darei uma chance. Uma sobrevida. Bora ver.

Prezado Perrusi Filho,

Ao saber da notícia de que, possivelmente, o Blog
dos Perrusi sairia do ar, passei a noite inteira
refletindo à beira do mangue. A coisa é séria!
Afinal de contas, temos um contrato para publicar
minhas memórias e ainda faltam 324 Capítulos.
Como reza nosso contrato, recebo dez reais por
Capítulo, o que daria uma fortuna que seria
empregada na despoluição do Capibaribe.
José Pirroiento, meu bisneto, perguntou-me o que
havia. Contei-lhe tudo. Como jovem estudante de
Direito das Faculdades Desunidas de Jaboatão,
prometeu entrar com uma ação indenizatória contra
os Perrusi. Advertiu-me de que, em cerca de 30
anos, ganharíamos a ação, tudo com juros e
correção monetária. Parte do dinheiro iria para
alimentar seu vício de cachacheiro e a outra
parte para benefícios de nosso rio moribundo. Até
lá, se o rio ainda existir, o que não é garantido.
Submeti ao meu bisneto outra solução. Oficiar à
UFPB para liberar Perrusi Filho por algumas horas
diárias pra que ele pudesse cuidar do Blog. Ainda
outra: Prometeria mandar de um a dois Capítulos
semanais, o que sustentaria o Blog por alguns anos.
Consulto o insigne amigo sobre tais
possibilidades, pois, agora mesmo, devo entrar na
análise do Currículo da Universidade do Vaticano,
além de relatar o funeral do Dr. Quim que abalou,
cinqëunta anos atrás, a cidade vizinha do Recife.
Faltam, também, as sacanagens do Vaticano com o
Fascismo de Mussolini e com a Máfia,
além do namoro de Pio XII com o Nazismo.
Ora, tais fatos, se não forem relatados, trarão
inúmeros prejuízos para nossa causa de tornar,
enfim, o Brasil num estado verdadeiramente laico.
Com sua atenção, subscrevo-me,
Reverendo Tsé-Tsé.

Sementeiras
  1. “Work sucks, but I need the bucks”, é ou não é?

  2. Tadinho do Irmão: Não chores por mim Arghhh…Cabedelo! Acabei de receber um telegrama do Reitor da Paraíba afirmando que o irmão está liberado aos sábados, domingos e feriados somente pra cuidar do Blog. Retirei a ação indenizatória pois não quero deixar uma herança para o cachacheiro do Zé Pirroiento. Além disso, segundo Moisés, especialista em subir montanhas (V. Lev. 88:97), Sísifo, seu colega grego, exagerou na dose. Sua montanha não passava do tamanho da ladeira da Sé de Olinda; pior, muito pior, era o Sinai que ele desceu e subiu várias vezes carregando mais de dez táboas de pedra com os tais Dez Mandamentos. Depois, São Paulo, especialista em pedradas (V. Atos dos Apóstolos, 76:76), que ajudara no apedrejamento de Estevam, afirma em 3º Cor. 34:24, que o pedregulho de Sísifo não era tão grande assim. Parecia mais um paralelepípedo da mesma ladeira de Olinda. Por outro lado, Newton e Galileu, especialistas em atrito, afirmam que o tal pedregulho, de tanto rolar na ladeira, transfornou-se num inofensivo seixo de praia que o indigitado sofredor grego levava no bolso numa boa.
    Finalmente, quero saudar o Irmão Perrusi Filho pela coragem em continuar dirigindo o Blog. Livrou-se, aliás, de uma bela e infernal praga de cego. Minha bênção.

  3. Perrusi Filho: Que surpresa ver um post seu por aqui, fazia tempo que o você não aparecia, não é mesmo? Cheguei a suspeitar que o senhor estivesse nos privando de seus escritos por pura preguiça.Notícias vindas da PB me colocaram a par do volume de trabalho que tens tido por aí. Confesso que ao ler teu relato, senti pena de ti. Mas o que me chamou deveras a atenção foi a afirmação de que cogistaste o fechamento do blog. Gostaria de pedir que não nos prive do prazer da leitura não só das “Memórias Falsas do Reverendo Tsé Tsé” ( que por sinal são minhas favoritas) como dos teus posts que são muito interessantes também.

    Reverendo: Ouvi dizer que as coisas lá UFPB andam pretas pro lado de Perrusi Filho. Dizem as más línguas que nem aos fins de semana e muito menos nas férias ele será poupado, muito pelo contrário terá que trabalhar dobrado por ser um professor bem quisto por seus alunos, orientandos e por seus amigos de trabalho, por esse motivo temo pelo blog dos perrusi, porém caso ele venha a fechar o blog conte com meu apoio para reabrir o processo de indenização contra o editor do blog.

    A sua bênção!

  4. Que preguica que nada! Nem essa de falta de tempo. O que ha eh uma revolta contra o mundo que o faz ameacar encerrar o blog. Calma, rapaz, calma. Mesmo a 4a divisao (ou Serie D, como preferir), no ano que vem ha uma grande chance de acontecer de novo. A vida continua. O Blog tambem.

  5. O lance é levar essa imensa tralha de leituras para Porto de Galinhas, curtir uma boa pousada e toda essa estafa passará. Ler essas infinitas páginas num passeio de jangada é algo extremamente aconselhado nesse tipo de caso. É certo que uma folha ou outra vai se molhar e se perder no mar, mas, cá entre nós, ninguém precisa saber. Tente algo fora da sua rotina urgentemente e você voltará novo. É cedo para nos deixar! Beijos.

  6. Talvez ele devesse tambem atender os pos-graduandos na jangada. Nem precisa ser em Porto, pode ser em Areia Vermelha, que fica ali do lado. Marca sessoes jangadais com os alunos e os trabalhos muito vagabundos poderao sofrer esse acidente de cair na agua e se perder no mar. Mas as sessoes deverao ter horarios limitados, afinal, uma parte do tempo na jangada deve ser dedicada exclusivamenta aa jangada.

  7. Querido Artur, quase não acreditei ao ler seu post cogitando a possibilidade de fechar o blog. É fato que com esse calendário da UFPB não tem aluno nem professor que aguente. Duas semanas (apenas, duas semanas) de um mísero recesso. Mas, acredito que se você fizer algo pra sair da rotina talvez funcione. Concordo com o Fernando e com a Marília, você deveria levar seus orientandos, co-orientandos e afins para ler os trabalhos numa jangada. Eu na posição de co-orientanda, estressada, enfadada e entediada (por ter sempre as mesmas leituras) semestre após semestre. Aceito ser orientada numa jangada! Tente descansar e não ouça aquelas bocas malditas da UFPB. O ócio é bem mais criativo, e produtivo, do que as salas de aula da UFPB. Beijos, Ana Paula (filosofia/ufpb)

  8. Artur, para com isso.
    Depois dessa verdadeira dádiva do Reverendo, nao dá pra falar em fechar o blog.
    Se é pra fechar algo, fecha o senado e põe os bucéfalos de Brasília para trabalhar.

  9. …só acaba quando termina…
    Sugiro começar a comer carne de tartaruga.

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