Archive for junho, 2009

Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XXIV

29 de junho de 2009, às 12:00h

Em tempo: os textos novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.

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(Confiteor Virgo)

24º CAPÍTULO

Deixei a Biblioteca tarde da noite ajudando Lippi a restaurar velhos documentos. Mas, alguma coisa mexia com minha cabeça. A idéia passava e repassava, e eu não podia captá-la com perfeição. O ratinho hamster de Irenia pulava de neurônio em neurônio. Um hamster?! Por que um hamster?! Algo não batia; algo não vinha batendo. Distraído, eu quase era atropelado por um bonde, o que mostra a minha incrível distração, pois atropelamentos por bondes são raros. Pesquisas em Harvard demonstraram que os bondes… deixa pra lá! Mas será que existe alguma relação entre bondes e cricetídeos?! Não, não, estou cansado, minha mente está fraca, preciso descansar…

Lanche no refeitório do albergue da Gregoriana e, depois, cama pra que te quero com o corpo exausto de tanto trabalho. Meu companheiro de quarto, Padre Javier, um jesuíta mexicano que terminava sua tese de Doutorado, dormia a sono solto.

Deitei-me numa banheira para aplacar as dores musculares e, de repente, cada gota d’água começava a virar um ratinho marrom e branco, outros brancos e pretos, azuis e vermelhos, uma multidão de hamsters cobria meu corpo até o pescoço. Um deles, ou uma delas, remexeu nos meus cabelos, como se fosse um ninho e pariu três filhotes.

Um hamster dos mais bonitinhos passeava pelo meu queixo e enfiou o rabinho dentro do meu nariz. Comecei, então, a gritar na maior aflição: hamsters, hamsters, hamsters!

Fui acordado aos berros e trambolhões pelo Padre Javier.

─ Padre Tsé! Acorda, acorda!

Felizmente! Suando em bicas, contei ao companheiro de quarto o pesadelo, e ele foi ao banheiro vomitar. Detestava ratos! Tentei dizer que os hamsters não são propriamente ratos, e têm cauda curta e são providos de bolsa na face interna da bochecha, mas foi tarde demais: já escutava o barulho abominável das substâncias do estômago de Xavier sendo expelidas na latrina. Quando voltou, me disse:

─ Ainda bem que foi com ratos, embora os deteste. O meu pesadelo constante e recorrente é muito pior.

─ Que tipo de pesadelo, irmão Javier? ─ Perguntei.

─ Não posso contar. Morro de vergonha, porque implica na maior blasfêmia que um cristão pode cometer. Um pecado inconfessável. Isso já vem ocorrendo há anos e, por mais que eu me esforce, o pesadelo volta.

─ E por que não experimenta a sagrada confissão? Talvez, com um padre compreensivo, você possa obter a absolvição e os pesadelos tendam a desaparecer.

─ Pode ser! Padre Tsé! O irmão me receberia em confissão? Não suporto mais os pesadelos. ─ Ofereceu-se o padre mexicano.

─ Pode começar, mas não precisa dos rituais preliminares. Fique deitado e eu me sento aqui nesta cadeira. ─ Respondi com a esperança de me acalmar do meu próprio pesadelo. Além disso, possivelmente, seria alguma besteirada e eu poderia refletir sobre os hamsters.

─ Fui educado numa missão jesuítica dentro de uma reserva indígena do México, próximo do Iucatan. ─ Começou Javier. ─ No México, nenhum homem se casa com uma mulher que não seja virgem. Logo cedo, em plena adolescência, me incutiram o culto à Virgem Maria. E eu só pensava nisso. Virei um fanático adorador da Santa Virgem Imaculada. Consagrei-me padre, entrei na Companhia de Jesus e me mandaram fazer o Doutorado aqui na Gregoriana. Ainda no México, já começara a ter meus pesadelos, mas foi aqui, em Roma, que eles se tornaram mais intensos e quase semanais.

─ Ora Javier! Deixe de parrapapá e me conte logo os tais pesadelos. ─ Interrompi o palavrório do jesuíta.

─ Pois bem! Nos pesadelos, escondo-me debaixo da cama do sagrado casal, a Virgem Maria e São José e, assim que o marido vai para sua oficina, eu pulo na cama e faço amor com a Virgem ou, melhor, tento fazer, mas ela não deixa.

─ Que horror! Ainda bem! ─ Exclamei enquanto o pobre Javier se derramava em lágrimas.

─ Às vezes, São José volta e eu me escondo novamente. Mas, não sei por que, a Virgem Santíssima sempre me protege e não me denuncia. Sempre acordo daquele jeito, Padre Tsé. Todo molhado! Peço-lhe a absolvição desse grande pecado, pois nem sei mesmo se posso defender minha tese e continuar como sacerdote. Vivo o dia inteiro pensando nisso. ─ Terminou Javier.

─ Preste atenção, Javier! Ter desejos carnais não é pecado. A coisa se complica apenas por causa da Virgem. Não dava pra mudar para a irmã ou a prima da Virgem? ─ Perguntei para provocar meu penitente.

─ Não! Tento imaginar, mas não consigo. É sempre com a Virgem com quem sonho.

─ Javier! Vamos examinar isso direitinho. Sua cabeça está cheia de cocô jesuítico. Ninguém é responsável pelos sonhos ou pesadelos que tem e, como você bem sabe, pecado implica vontade e responsabilidade pessoal. Um médico austríaco, que morreu logo no comecinho da Guerra, chamava isso que você tem de “complexo de Édipo recessivo”. E eu acrescentaria, com uma grande dose de necrofilia.

─ Necrófilo! Eu? ─ Gritou Javier revoltado, erguendo-se da cama.

─ Calma! Calma! Veja bem! Você acredita que a Virgem Maria é a Mãe de Deus? ─ Perguntei ao pobre mexicano fazendo-o deitar-se novamente.

─ Claro, Tsé! Trata-se de um dos principais dogmas da ICR, comprovado empiricamente por todos os nossos teólogos.

─ Pois bem! E nós, o que somos de Deus Nosso Senhor?

─ Ora, Tsé! Somos todos Filhos de Deus. ─ Respondeu acertadamente Javier.

─ Sigamos, pois, um rigoroso raciocínio aristotélico-tomista. Premissa maior: a Virgem Maria é a mãe de Deus, como você próprio afirmou. Premissa menor: todos nós somos Filhos de Deus, como você também afirmou. Conclusão: a Virgem Maria é a nossa Avó. Correto, Javier?

─ Hum, hum! Aparentemente, Tsé, você está certo, pelo menos do ponto de vista lógico-formal. Mas, existe a Metafísica e, talvez, quem sabe, haja outra saída. ─ Respondeu o colega mexicano.

─ Aí é que está o problema. Não há Metafísica que explique e acabe com pesadelos. Explico-me, então: Complexo de Édipo recessivo porque você mantem desejos sexuais para com sua Avó, por mais divina que ela seja. E necrofilia porque se apaixonou por uma mulher que está morta há quase dois mil anos. ─ Terminei meu raciocínio, morrendo de rir por dentro do aperreio do coitado jesuíta.

─ Meu Deus! Não sou digno de tua misericórdia! ─ Bradou Javier lançando os braços para os céus.

─ Calma, Javier! Há um jeito de se livrar desses pesadelos. Precisa apenas seguir meus conselhos. E não lhe dou absolvição porque não vejo nenhum pecado em você. Pelo menos nisso. Atrás da Gregoriana, fica o Convento de Santa Maria Maggiore. Todos os dias, as noviças, todas virgens, por supuesto, tomam sol no jardim separado da rua apenas por uma grade. Andam de mãos dadas, aos pares. Já passei por lá diversas vezes e tem cada uma linda de morrer. Já surpreendi certos olhares muito pouco angelicais de algumas. Ora, Javier, com esta sua estampa de ator mexicano, que nem Pedro Armendares, é só ficar olhando, olhando, até que algumas passem por você. Aí, por exemplo, você começa um diálogo sagrado sobre os mistérios da Santíssima Trindade. Depois, volta, até que uma ou duas caiam em sua lábia de jesuíta. Se ocorrer isso, como acho provável, você convida para um passeio na Villa Borghese que fica ao norte da cidade.

─ E depois, irmão Tsé? ─ Interrompeu Javier interessadíssimo.

─ Ora, ora! Você cumpre com o seu dever de índio mexicano. Aliás, irmão Javier, isso é tão normal que ninguém liga mais na ICR. E com isso, você se livra dos pesadelos e termina sua tese em paz.

─ Ufa! Padre Tsé! Vou tentar, vou tentar. ─ Prometeu Javier.

─ Mas, ainda há uma coisinha. Por favor, pare de se masturbar no banheiro.

─ Eu? Eu? Nunca! ─ Exclamou, cheio de vergonha, Javier.

─ Ora, padre! Você se tranca no banheiro de madrugada e, depois de meia hora, fica gritando resfolegante: Aleluia! Aleluia! Santinha! Minha Santa Virgem! Se continuar desse jeito, pode até pegar tuberculose. Olhe o que lhe digo.

Botei minhas roupas de frio, vesti minha batina da Gregoriana e sai pelo frio da manhã pelas ruas da cidade. Precisava urgentemente resolver o mistério dos hamsters. Entrei num café e tomei uma xícara de chocolate quente com um grosso sanduíche. Quase derrubava tudo na mesa quando vi um olho de hamster dentro do sanduíche me espiando. Que nada! Era apenas uma casquinha de azeitona preta.

Comprei os jornais, L’Osservatore Romano, da ICR, e o chato L’Unità, do PCI. Na terceira página, o sagrado jornal dava apenas uma pequena notícia sobre um incidente com ratos mortos em frente da Biblioteca, fazendo com que alguns populares gritassem que se tratava de uma nova Peste Negra. O PCI tinha uma enorme manchete sobre a greve dos ferroviários iniciada de madrugada e que prenunciava o Socialismo na Itália. Na última página, falava sobre “a farsa do Vaticano em manipular ratos para enganar o ingênuo povo italiano”.

Nada mais! O Laudo da Gregoriana havia funcionado. Graças ao Cardeal Ferrughi.

Peguei um bonde para o trabalho. Hamster, hamster, hamster!

Parecia uma praga. Saltei um ponto antes da Praça da Biblioteca e entrei nos Correios. Naquela época, a hierarquia romana não pagava nada. Falei que era o Arcebispo de Bel-O-Kan e passei um longo telegrama para Dr. Quim, pedindo-lhe que interrogasse Dudulaidadá sobre a função dos hamsters na terra, mesmo ainda não sabendo o que aperreava minha cabeça. Solicitei reposta urgentíssima, endereçada à Biblioteca.

Segui a pé distraído, em direção do trabalho. Dei uma violenta topada no meio fio e, de repente, tudo se esclareceu. Foi quase como a alucinação de São Paulo no caminho de Damasco.

Agora, eu sabia o que havia de estranho no ratinho da menina do violino. Entrei na Biblioteca, e o padre chinês avisou-me que Monsenhor Lippi queria falar comigo com urgência. Deixei meus bagulhos sobre a mesa e entrei no Gabinete do meu chefe.

(…)

Estou cansado e, como o padre Javier, chorando muito. Piedade da Coisa que está apanhando de todo mundo. Quem sabe, amanhã, eu não termino de contar o resto da história e me livro de vez destas Memórias?

Toda a Memória (Falsa?!):

Capítulo I
Capítulo II
Capítulo III
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI

Capítulo VII
Capítulo VIII
Capítulo IX
Capítulo X
Capítulo XI
Capítulo XII
Capítulo XIII
Capítulo XIV
Capítulo XV
Capítulo XVI
Capítulo XVII
Capítulo XIX
Capítulo XX
Capítulo XXI

Capítulo XXII
Capítulo XXIII

Pelo fim da dopagem mística

28 de junho de 2009, às 12:00h

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Por que toda essa reza?

Houve ajuda sobrenatural, daí o agradecimento místico?

Mas uma ajuda de Deus — uma baita ajuda, convenhamos — não caracterizaria doping? Afinal, com Deus fica tudo muito fácil, não?!

A FIFA deveria investigar a interferência de entidades sobrenaturais e transcendentais no futebol, principalmente patrocinadas pela CBF. Ou vocês acham que não rolou muita grana nos bastidores celestiais? Aquela camisa de Kaká é propaganda paga por quem? Jesus não morreu, como todo cristão sabe; portanto, pode estar milionário nessa altura o campeonato. Foi Ele que financiou a propaganda? Em inglês? A língua original não era aramaico?!

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Juntarei umas moedas e pagarei a algum jogador do Santinha para jogar a série D com o seguinte dizer na camisa: “Deus não existe”! Além do mais, a série D é financiada pelo Diabo…

Não, não, ninguém é ateu no futebol.

Golpe em Honduras

28 de junho de 2009, às 11:00h

Não tive tempo de comentar o golpe de Estado em Honduras, nem terei tempo, na verdade. O mundo está rápido demais. É só notícia ruim. Foi um um golpe militar, pra variar, bem latino-americano. O presidente deposto é um oportunista, o diabo a quatro, mas era o presidente eleito. Não há justificativa: foi golpe.

Vídeo do golpe (Pedro Dória — recomendo sua leitura):

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Irã 2.0: os verdes e Neda

26 de junho de 2009, às 18:41h

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(Tem gente que acha que isso é a torcida do Palmeiras manipulada pelos ianques)

Texto de Fernando

A cor é verde, o slogan é  “Where is my vote?”, e a mídia deles é a internet, especialmente o Twitter (tipo de rede de relacionamento semelhante a um blog, mas com posts limitados a 140 toques, e por isso mesmo também chamada de “rede de microblogging”). Agora eles têm um símbolo: Neda, uma estudante de filosofia de 26 anos morta diante de uma câmera de celular (recolocamos o vídeo, mas se abrir saiba antes que é bem chocante).

Imagem de Amostra do You Tube

Os ingredientes de uma campanha publicitária estão presentes com força no movimento rebelde que eclodiu no Irã contra as eleições de 3 de junho. A linguagem é publicitária, mas o fato é que uma parte significativa do país se mobilizou contra o estado teocrático iraniano. Impossível quantificar esse movimento, os apoios e as contestações numa ditadura em que os jornalistas estrangeiros estão proibidos de circular. Mas os indícios são de um movimento que saiu fora do controle tanto de seus líderes quanto – principalmente – do governo iraniano. Se será abafado com a repressão, se vai se revelar como um movimento por alguma liberalização do regime ou se pode virar uma revolução para derrubar o regime dos aiatolás, ainda ninguém consegue dizer.

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(Há boatos que são torcedores da Coisa querendo mudar de cor)

Curiosamente começou no Twitter. Após a divulgação do resultado da eleição presidencial, com a vitória do atual presidente Ahmadinejad contra o opositor Moussavi, surgiram contestações à legitimidade do pleito, dentro e fora do Irã. Imediatamente o governo restringiu o acesso de correspondentes estrangeiros e passou a cortar as comunicações de sua população com o resto do mundo. Foi nesse tempo que endereços do Twitter (parece que “hashtags” é o termo) como #Iran Elections e #Where is my vote começaram a chamar a atenção do mundo. Esse foi o pontapé inicial. Rapidamente outras comunidades da internet como Facebook, YouTube e Linkedin tornaram-se canais de comunicação tanto internos, – entre os revoltosos -, quanto do movimento com o resto do mundo. A tal ponto que a empresa gerenciadora do Twitter adiou uma manutenção previamente agendada que faria do serviço, a pedido do Presidente Obama, de modo a não interromper o fluxo de informações. E foi esse fluxo de informações que viabilizou as ondas de protesto, suas motivações, seus slogans  e a cor verde generalizada nas roupas, faixas, enfeites, etc. Pela primeira vez, o governo dos aiatolás se viu em xeque e pôs-se a interferir na Web, cortando ou limitando vários serviços e bloqueando os acessos aos sites, utilizados pelo movimento. Os usuários partiram na busca de sites alternativos que os permitem acessar essas comunidades. Neste exato momento, a informação principal do Twitter #Iran Elections é a seguinte”:

“…SMS voltou a funcionar em algumas partes do país. Acesso a FB e Twitter muito difíceis. Serviços de e-mail lentos.”

Mas, certamente, o fato de maior impacto foi a postagem do vídeo com o momento da morte de Neda, baleada, deitada no meio da rua, algumas pessoas tentando socorrê-la, a sensação da impotência tomando conta dessas pessoas e, principalmente, o olhar da moça que morre voltado para a câmera. Um celular que alguém ligou quando viu a cena. Os olhos de Neda se detêm, segundos antes dela agonizar, no olho da câmera. Um olhar expressivo, forte, não dá para saber se querendo dizer alguma coisa, ou apenas mostrando a perplexidade de alguém que sente que vai morrer. É assustador. Mas serve para mostrar a face real do que significa uma história dessas. Muito mais que publicidade, mídias, internet, o escambau, é assim que isso chega na vida dessas pessoas.

E nesse momento, o governo avisou que vai endurecer pra valer com os opositores. Como não ficar contra esses caras?

PS (Artur): tem gente, sim, que é a favor desses caras. Tem gente que acha o Irã uma democracia. Acha que democracia resume-se a  eleição. Gente de esquerda (aqui). Vá lá saber o que esse pessoal acha que é… democracia. A democracia iraniana é uma teocracia doce.  O velho Lev Davidovitch Bronstein dizia que, contra o fascismo, aliava-se até com o diabo.  Se o diabo é Mousavi, que seja; se o antisemita é Ahmadinejad, que se dane.

PS2:  Saiu a seguinte notícia no Blog de Pedro Dória: “o embaixador iraniano no México, Mohammed Ghadiri, declarou ontem à CNN que desconfia que a CIA está por trás da morte da jovem Neda Agha-Soltan. Nenhum iraniano, afinal, faria algo do tipo“. Tal notícia corrobora as insinuações do pecedobê: a CIA é onipresente, onipotente e onisciente. A CIA é Stalin!

PS3: cenas da democracia iraniana (pesquei tudo, como sempre, no PD) — vejam aqui, no Huffington Post: Irã

PS4: Uma análise árabe da democracia iraniana — a indefectível Al Jazeera:

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Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XXIII

22 de junho de 2009, às 8:32h

Em tempo: os textos novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.

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(Scientia potere sed nec plus ultra)

22º CAPÍTULO

─ Trá-lá-lá, tré-lé-lé, tró-ló-ló… ─ Começou o Cardeal a leitura do Laudo Técnico da Universidade Gregoriana.

─ Ferrughi! Vamos deixar de brincadeira que o assunto é sério. ─ Interrompeu Monsenhor Lippi, bastante irritado.

─ Ora, Lippi! Você sabe muito bem que esses Laudos têm uma Introdução bajulatória ao Santo Padre e duas ou três orações ao Pai, ao Filho, ao Espírito Santo e à Virgem Maria. ─ Respondeu o Cardeal. ─ Mas, vamos lá:

“Laudo técnico e verdadeiro, inspirado pelo Espírito Santo e chancelado pelo Divino Santo Padre.

O material enviado para análise técnica consta do som de um gravador de última geração, fabricado pelos americanos, tipo XYZ, marca GE. Como todos sabem, inclusive o Santo Padre, que é Infalível pela Graça do Santo Espírito, o som se propaga por ondas semelhantes à própria luz, podendo ser, portanto, examinado tanto como onda como partícula, segundo os ensinamentos irrefutáveis da novíssima Mecânica Quântica.

Como onda, não há problema. Trata-se de um som emitido por instrumento de corda artesanal, parecido com uma rabeca, além de ser produzido pelo atrito de duas substâncias orgânicas, isto é, “tripa de bode” e “pêlos de rato silvestre” (segundo informações pelo telefone de Sua Eminência, o Cardeal Ferrugghi, membro da Academia de História da Cidade de Bari). Que viva para sempre sob a inspiração da Imaculada Virgem Maria!

Ora, as ondas se espalham em diversas freqüências, algumas delas, mas não todas, sensíveis ao ouvido humano e dos mamíferos, em geral.

Notamos pequenas distorções na freqüência das ondas sonoras examinadas e tivemos que submetê-las a um filtro, recém-inventado e produzido pela nossa egrégia Universidade, embora não fosse possível identificar sua essência, no sentido aristotélico-tomista do termo, segundo os ensinamentos do nosso sagrado Código Canônico.

Por isso, foi necessário analisar o referido objeto de investigação sob a ótica de partículas, como ensina a famosa Escola de Koppenhagen, liderada pelo festejado Prêmio Nobel Niels Bohr, ex-beque direito da gloriosa seleção de futebol da Dinamarca

Ora, segundo a mesma Escola, a Mecânica Quântica é muito divertida por que as coisas podem ser e não ser, ao mesmo tempo”.

─ Puxa! Da mesma maneira, aliás, que as doutrinas de nossa Santa Madre Igreja. Cacetada, Jesus era quântico! ─ Interrompi a leitura do Cardeal intempestivamente. E, por isso, fui presenteado com um olhar reprovador que deixou meu rosto todo avermelhado.

Ferrughi retomou então, a leitura do Laudo sem dizer uma palavra:

“Utilizamos, então, o moderno filtro quântico que nos foi presenteado pelos americanos e constatou-se que:

01 – 80% do som instrumental (embora horripilante) estavam perfeitamente de acordo com os parâmetros auditivos dos mamíferos;

02 – 15% provinham de uma algazarra típica de preces religiosas, em que se destacavam orações moderadas ao Santo Padre e algumas de caráter histérico à Virgem Imaculada;

03 – 5%, contudo, tanto das ondas quanto das partículas sonoras, são conjuntos chamados de quanta, extremamente complexos e exóticos, que se situam muito além da capacidade auditiva dos mamíferos, salvo das espécies que evoluíram em túneis no subsolo, desde os tempos dos dinossauros, no Período do Cretáceo;

04 – Para nosso júbilo, um cientista-visitante, de origem americana, identificou os 5% como emissões de ultra-som, produto do que ele chamou de “efeito quântico” e que teria servido para explodir a bomba atômica de Hiroshima e Nagasaki.

05 – Como este Laudo é secreto, tivemos que chamar o Chefe do Departamento de Biologia da Universidade para saber quais os mamíferos sensíveis ao tal “efeito quântico”. Ele nos explicou com detalhes e gráficos (em anexo) que, na altura do Cretáceo, houve um “desvio evolutivo” na audição dos mamíferos, isto é, na sincronização do martelo e da bigorna que, como todos sabem, são os órgãos responsáveis ─ o primeiro batendo no segundo ─ pelo envio ao cérebro de qualquer perturbação no meio ambiente, inclusive o som.

Em conclusão, fato já sabido pelos zoólogos, somente a família rattus muridae silvestrium permaneceu e evoluiu com tal “desvio”, sensível ao citado “efeito quântico” que, quando produzido, atrai a espécie, levando-a à morte.

Aliás, daquele ponto da encruzilhada evolutiva, segundo nosso Biólogo Chefe, evoluíram os morcegos que não passam, segundo ele, de ratos geneticamente adaptados ao ultra-som, além de terem adquirido a capacidade de voar, ninguém sabe ainda como.

06 – Ora, apesar do fato já ter sido comprovado experimentalmente, e para dirimir qualquer dúvida por ventura ainda existente, fomos ao Laboratório do Departamento de Biologia e submetemos o indigitado som aos ouvidos de nossos ratos cobaias. O resultado foi terrível. Quando acionávamos o gravador, os coitados dos ratinhos endoidavam, batiam suas cabecinhas nas paredes de suas gaiolas, furavam seus olhinhos e se flagelavam de todas as maneiras possíveis, como os verdadeiros santos de nossa Igreja. Contudo, assim que parávamos o som, eles, os ratos, se acalmavam, voltavam a se alimentar, a copular (os santos sempre se recusaram a praticar tais atos imorais) e alguns até caíam em profundo sono. Mas, quando repetíamos o som, o fenômeno anterior se manifestava, havendo, inclusive, doze suicídios bem documentados.

CONCLUSÃO: Para além de qualquer dúvida, como gostam de dizer os historiadores do Vaticano, não constatamos qualquer indício de fatos sobrenaturais ou miraculosos no episódio narrado (por telefone) por Sua Eminência, o Cardeal Pietro Ferrughi, Digníssimo Arcebispo de Bari.

Ao contrário, o assim chamado, impropriamente, de “suicídio dos ratos” revela-se mais um dos inúmeros fatos maravilhosos, naturais e corriqueiros, criados pelo Todo Poderoso, bastando para isso que se produza perto dos ouvidos do mencionado mamífero o conhecido “efeito quântico”, analisado e comprovado experimentalmente por nossos sagrados Laboratórios.

Infelizmente, e como gostaríamos, teríamos preferido incluir o episódio como uma das provas da recente ciência, fundada pelo Santo Padre, e que vem sendo estudada com grande empenho pela nossa Universidade. Trata-se, evidentemente, da sagrada ciência da Marialogia. Mas, a verdade é sempre a verdade e nossa Igreja sempre esteve comprometida com as duas coisas indissociáveis, isto é, Veritas et Virtus.

Roma, tanto de tanto de quanto,

a) Reverendíssimo Professor Doutor (assinatura ilegível), S.J.

P.S. – Em virtude do profano sacrifício de cerca de vinte cobaias, solicitamos à Sua Eminência, o Cardeal Ferrughi, a urgente reposição das mesmas, em virtude da falta de verba que assola nossa sagrada Instituição”.

─ Pronto! Eis aí o tal Laudo, que resolve tudo. De fato, trata-se de uma brilhante e atualizada explicação científica do ocorrido. Ou do não ocorrido, ao que parece, segundo os princípios da tal Mecânica Quântica. ─ Terminou Ferrughi sem muita euforia como se não estivesse acreditando no Laudo.

─ Quero ver de onde o Cardeal Ferrughi vai tirar o dinheiro pra comprar as cobaias. ─ Zombou Lippi. ─ Mas, com isso, não vejo por que manter a tal entrevista coletiva à Imprensa. Basta mandar para os jornais a cópia do Laudo e, amanhã, eles publicarão apenas que houve um pequeno tumulto na Praça com o aparecimento de uma ou duas dúzias de ratos mortos. Afinal de contas, você mesmo disse ao Santo Padre que estávamos experimentando um novo raticida na Biblioteca. ─ Disse Lippi.

─ Não sei não, irmão Cardeal! Pensava que a Santa Madre fosse contra a Teoria da Evolução. E a sagrada narração do Gênesis? No entanto, concordo com o cancelamento da entrevista. Assim, não teremos nenhum trabalho de explicar essa tal de Mecânica Quântica, que é e não é. Coisa estranha, Virgem Santíssima! Nem tampouco o misterioso “efeito quântico” que atrai os ratos. ─ Acrescentei, intrometendo-me num assunto de tal importância.

─ Acho que vocês têm razão! Quanto às cobaias, eles que se lasquem! Besteira pura! Basta colocar um casal de ratos numa gaiola e, depois de um mês, nasce uma ninhada. Eles que esperem pela minha grana! Contudo, gostaria muito de dar a entrevista, porque pretendia divulgar meu novo livro sobre os anjos medievais. Mas, concordo que será mais prudente fechar a boca e deixar o imbróglio para os técnicos da Gregoriana. E, com isso, Lippi, você fica livre dos seus amados ratos e Tsé pode, enfim, descansar na sua villa, antes de começar sua maratona de Doutorado sob a minha mais do que sagrada orientação. ─ Arrematou Ferrughi na maior gozação.

Mas, porém, contudo, todavia…Pelos olhares de Constanza, eu duvidava bastante do tal período extraordinário de repouso. Segundo meu coração dizia, havia tanta coisa pra fazer numa paisagem campestre, tantos mistérios romenos a desvendar, sei não!

A vida é mesmo muito complicada!

Toda a Memória (Falsa?!):

Capítulo I
Capítulo II
Capítulo III
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI

Capítulo VII
Capítulo VIII
Capítulo IX
Capítulo X
Capítulo XI
Capítulo XII
Capítulo XIII
Capítulo XIV
Capítulo XV
Capítulo XVI
Capítulo XVII
Capítulo XIX
Capítulo XX
Capítulo XXI
Capítulo XXII

Sotaque

21 de junho de 2009, às 17:05h

Meu inglês é de internet e vou me virando. Mas meu sotaque é atroz. Em Londres, pensaram que eu era de Garanhuns por causa da minha pronúncia. O interessante é que, em Glasgou ou Glásgua, na Escócia, pensaram que eu era de Gravatá, vá lá saber a razão. Por isso, nesse momento, procuro inspiração no sotaque mais puro do mundo anglo-saxão. Uma beleza! É um sotaque simpático.

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Irã

21 de junho de 2009, às 17:04h

A extrema-esquerda brasileira diz que a convulsão social no Irã é produto de uma conspiração elaborada pela CIA — vide o blog absolutamente estalisnista: Vermelho. No blog, publica-se um artigo de Paul Craig Roberts, que foi secretário-assistente do Tesouro durante o governo Reagan. Curiosamente, o governo do Irã tira a mesma conclusão: tudo é uma conspiração americana (aqui). Como nos ensina a dialética vulgar: os extremos tocam-se no caminho de algum futuro totalitário.

Pesquei no blog de Pedro Dória algumas informações (quem quiser uma boa análise do conflito, visite o blog):

– as manifestações estão sendo duramente reprimidas. Fala-se de greve, repetindo a experiência da Revolução Islâmica contra o Xá;

– “Oficialmente, informa a polícia do Irã, 457 pessoas foram presas no sábado e 13 morreram. Também oficialmente, o número de mortos desde as eleições é de 17 (incluindo os 13)” — são números oficiais, provavelmente são maiores do que o divulgado. Segundo uma fonte de Pedro Dória, já haveria de 1500 a 2000 presos na prisão de Evin.

– uma análise interessante de PD:

Outra informação que recebi fala de 50 mortos na província Sistan-Baluchistan. É onde vive a minoria étnica balúchi, que tem um longo histórico de rejeição ao governo central. Lá, foi batalha aberta, com AK-47s. Uma terceira informação é que na província de Shiraz – de onde, diz a lenda, veio a uva que faz o melhor vinho – o exército regular anda demonstrando insatisfação em ter ordens para virar-se contra o povo.

Não tenho como atestar pelas informações no parágrafo acima: listo porque parecem coerentes. Tem muito analista de primeira viagem que não entende o Irã falando do ‘interior conservador’ que teria votado em peso em Mahmoud Ahmadinejad. O Irã não é como os EUA ou como o Brasil onde pode-se falar de uma grande população mais ou menos homogênea que divide a mesma língua e a mesma cultura, com variações regionais. Não existe um ‘interior conservador’ que funcione e pense de uma maneira igual.

O interior iraniano de verdade é composto por azeris como Mousavi (24% da população), gilanis (8%), mazandaranis (8%, Reza Pahlavi era), curdos (7%), árabes (3%), balúchis (2%), lurs (2%), turcomenos (2%), além de outras minorias como judeus, georgianos, assírios, ciganos, hazaras, cazaques, cada qual lá com seu 1%. O povo persa compõe apenas metade da população do país e cada minoria tem sua pauta política, não raramente em oposição ao governo central. E, como muitos já falaram, é improvável e certamente inédito que, por exemplo, os azeris tenham oficialmente votado em peso contra seu candidato.

– acho sua posição coerente:

Não, não acho que Mir Hossein Mousavi seja o melhor para o Irã. Quando foi premiê, muita gente foi fuzilada no país. Mas acredito que o grupo político que ele representa, dos reformistas, é melhor para os iranianos do que os conservadores, representados por Ahmadinejad. Sim, o ideal é que não exista ditadura. Só que entre uma ditadura que permite alguma liberdade individual no modelo chinês e outra que proíbe mulheres de entrarem num estádio de futebol ou apedreja quem faz sexo antes do casamento, fico com Mousavi contra Ahmadinejad.

– aqui, publico um vídeo horripilante. A moça chama-se Neda — “em persa, ‘Neda’ quer dizer voz, chamado“. Era uma agente de viagens. Bem jovem, pelo retrato (suponho que seja verídico, claro):

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O vídeo, repito, é horripilante. Trágico, muito trágico:

Imagem de Amostra do You Tube

Foi assassinada por quem? Os estalinistas acham que foram os americanos?

Enfim… toda luta contra uma ditadura é difícil, mais ainda quando a mesma é comandada por trânsfugas do regime. Essa ambiguidade da oposição pode levar a um banho de sangue: a massa pode ficar sozinha, caso um arranjo no bloco de poder faça um acordão, salvando o regime e os neo-opositores. Mas concordo com Pedro Dória: politicamente, a melhor posição é o apoio à oposição.

Em tempo:

Uma avaliação que corrobora as discussões acima (aqui e aqui):

Não esperem um vencedor e um perdedor claros num período curto de tempo. A Revolução Iraniana teve início em janeiro de 1978 e o xá só deixou o país em janeiro de 1979. E esta é considerada uma das mais rápidas derrubadas de um regime com estrutura estável da história. Ao longo daquele ano, houve longas pausas e períodos de calma que, muitos imaginaram, indicava que a revolta popular havia morrido. Isto não é 100 metros rasos. É uma maratona. Resistência é no mínimo tão importante quanto velocidade.

Provavelmente não haverá vencedor ou perdedor claros. Os políticos iranianos são espertos. Preferem xadrez a futebol e uma ‘vitória’ pode ser, na verdade, uma solução negociada na qual todos saiam aparentemente bem. A atual liderança provavelmente cometeu um erro ao partir para a demonstração de força, mas se ela concluir que não há como vencer, vai partir para uma saída negociada. Que acordo seria esse, neste momento, é impossível dizer. Mas provavelmente significará concessões disfarçadas por uma aparência pública de que o regime está unido.

O que aconteceu, de verdade, na USP

21 de junho de 2009, às 17:01h

Um blog muito, mas muito engraçado: Professor Hariovaldo Almeida Prado!

Disse tudo sobre o que aconteceu na USP.

Lá vai:

Debelado foco guerrilheiro na USP

Arquivado em: Plano Condor Vermelho – Hariovaldo @ 10:19 pm

Em primeiro plano: guerrilheiro comunista se prepara para desferir um ataque cruel contra os soldados da Força Pública.

Em primeiro plano: guerrilheiro comunista se prepara para desferir um ataque cruel contra os soldados.

A Força Pública de São Paulo em um ato de bravura e dedicação ímpar a Pátria, venceu com brilhantismo e galhardia a feroz batalha contra os guerrilheiros comunistas que haviam tomado de assalto a USP e lá estabelecido um núcleo guerrilheiro em pleno território da prosperidade e do altivo progresso econômico que é essa verdadeira Suíça brasileira.

Combatente comunista desfere cabeçadas covardemente contras as mãos do soldado quase lhe causando fraturas no pulso.

Combatente comunista desferindo cabeçadas covardemente contra as mãos dos soldados quase lhes causando fraturas no pulso.

A ação comunista começou quando um grupo de guerrilheiros fortemente armados tentou emboscar alguns soldados que apesar de estarem em menor número resistiram bravamente, impondo forte baixas aos inimigos vermelhos.

Guerrilheiro armado com um caderno recheado de explosivo plástico se prepara para atirá-la nos PMs.

Guerrilheiro pesadamente armado com um caderno recheado de explosivo plástico se prepara para atirá-lo nos PMs.

Logo, voluntários patriotas da Força Pública que defende São Paulo cerraram fileiras na luta contra os combatentes marxistas e mesmo com seu armamento modesto, mas com muita bravura, fora derrotando pouco a pouco os subversivos e graças a sagacidade de seus comandantes, os policiais lograram êxito em capturar um dos líderes de guerrilha, elemento extremamente perigoso.

Um dos princípais líderes da guerrilha capturado pelas forças de segurança sendo levado para interrogatório.

Um dos principais líderes da guerrilha capturado pelas forças de seguranças sendo levado para interrogatório. A CIA já enviou um representante para obter mais informações sobre o grupo.

Com muita tenacidade, os representantes da Lei e da Ordem, foram conseguindo virar o jogo, apesar de terem começado o combate em situação inferior.

Já desesperados, os comunistas atiraram flores envenenadas na tentativa de matarem os soldados de alergia ou choque anafilático.

Desesperados, os comunistas arremessavam flores envenenadas na tentativa de matarem os soldados de alergia ou choque anafilático.

Já em fuga, os combatentes ilegais marxistas tentaram se refugiar na FFLCH mas foram sitiados e derrotados e o triunfo coube aos leais defensores dos homens bons aos quais parabenizamos e emocionados agradecemos.

Além de perigosos os comunistas são mal educados e soltavam pum em grande quantidades obrigando os soldados e espargirem Bom Ar no ambiente para poderem respirar.

Além de perigosos os comunistas eram mal educados e soltavam pum em grande quantidades obrigando os soldados e espargirem Bom Ar no ambiente para poderem respirar melhor.

Avantes irmãos soldados do bem com fé suprema em São Serapião, aqui não há quem vos derrote  e nem quem desafie vossa galhardia! Alvíssaras!!!

Como funciona a imprensa brasileira

21 de junho de 2009, às 17:00h

Pesquei esse fluxograma da mídia má e golpista no blog  Quanto Tempo Dura? — curioso…

CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR e conseguir ver alguma coisa!

CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR e conseguir ver alguma coisa!

Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XXII

12 de junho de 2009, às 12:03h

Em tempo: os textos novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.

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(Veritas et virtus)

22º CAPÍTULO

Como havia escrito, saí na maior correria em direção da Ponte Milvia para proteger a menina do violino. Foi muita porrada, pontapés, empurrões, palavrões e vai por aí. Enfim, cheguei aos pés de Irenia e, usando minha autoridade de padre romano, afastei aos berros os fiéis mais ousados que queriam pegar na santa criança.

Irenia estava em pleno transe, com os olhos virados para dentro como se estivesse contemplando seu próprio interior. Os músculos rígidos, o rosto impassível. Passei as mãos diante dos seus olhos e percebi que ela estava inconsciente, num mundo muito distante dali. Em plena possessão tântrica!

No dedo anular esquerdo, notei um estigma de um pequeno leitão cujas orelhas se agitavam sem parar. Fiz o sinal da cruz invertido e rezei a Nossa Senhora das Cinzas do Vesúvio. O leitão desapareceu. Felizmente!

Ajoelhado, tirei do bolso da batina a garrafinha, que sempre levava comigo, cheia de chá de folhas de mangue, que o Dr. Quim me fizera trazer na viagem a Roma. Ensopei um lenço e passei na sua fronte, nas faces, no pescoço e nos braços. Depois, umedeci bem seus lábios ressequidos e senti uma leve resposta ao bálsamo sagrado de minha Comunidade.

A menina endireitou os olhos, abriu os lábios e gritou:

Elöi, Elöi, Lama sabactani?

A menina bradava: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”. Muito cônscio de minhas responsabilidades, retruquei:

– Menina, não seria “Eli, Eli, lamá sabactâni”?

A menina olhou-me estupefata. Numa possessão, deixe o demônio confuso. Utilize o nonsense o tempo todo. Desarma qualquer ser maligno.

Por que te alongas do meu auxílio e das palavras do meu bramido?

A menina queria uma guerra de salmos. Estava na cara. Mas estava em terreno movediço; afinal, estava recitando um salmo de Jesus, logo antes de entregar seu espírito ao Pai. Não podia cair nessa armadilha. Decidi acabar com o diálogo, pois perdia um tempo precioso:

– “E DAVI, juntamente com os capitães do exército, separou para o ministério os filhos de Asafe, e de Hemã, e de Jedutum, para profetizarem com harpas, com címbalos, e com saltérios; e este foi o número dos homens aptos para a obra do seu ministério” – disse, de forma firme e compassada. Diante de outro nonsense, a menina recobrou a razão e me perguntou:

─ Padre! Onde estou? Quero mama e papa! Quem são essas pessoas gritando perto de mim?

─ Calma, minha filha! Você está bem e seus pais estão lhe esperando na Biblioteca. Você está muito cansada e vou levar você pra lá. ─ Respondi com a voz mais suave que podia.

Logo depois, chegou o Monsenhor Lippi resfolegando e quase sem poder falar. Disse-lhe com firmeza que apanhasse o violino e o arco e os levasse à Biblioteca. Precisava examiná-los com mais cuidado. Carregaria a menina pra que ela pudesse descansar no seu gabinete.

Levantei cuidadosamente Irenia da calçada. Levinha, levinha! Parecia feita de ossos de passarinho. A multidão ajoelhava-se e abria alas, deixando um corredor livre por onde eu passava. Pareciam as ondas do Mar Vermelho abrindo-se para dar passagem a Moisés e ao povo judeu que fugia dos exércitos do Faraó. A imagem me veio à cabeça e logo sumiu. Era urgente minha caminhada até o prédio da Biblioteca, antes que a multidão de idiotas se arrependesse e me barrasse a passagem. Irenia se aconchegou nos meus braços e posou sua cabecinha no meu ombro, já quase dormindo como se fosse um bebê de colo.

Depositei suavemente Irenia na cama do Monsenhor.

─ Pronto, minha filha! Você está em segurança e, daqui a pouco, seus pais e a irmã Constanza tomarão conta de você. ─ Disse-lhe, acalmando-a mais ainda.

Tirei uma xícara da copa e derramei o que restava do meu chá de folhas de mangue. Dei-lhe pra beber em pequenos goles.

─ Engraçado, Padre! Parece com o chá que mama prepara com as folhas de uma floresta que fica num lamaçal de nosso riacho bem à beira do Vesúvio. ─ Disse Irenia, coisa que ficou gravada na minha cabeça não sabia bem o porquê.

─ Tudo bem! Agora, você vai dormir porque está muito cansada.

─ Padre! Não sei dormir sem minha mascote. Está dentro da bolsa de mama bem ali naquela mesa. ─ Exclamou Irenia.

Trouxe a bolsa que ela mesma abriu. Tirou lá de dentro um troço branquinho e vivo que se contorcia, guinchando baixinho. Tratava-se de um ratinho hamster, desses de experiências de laboratório. Que nojo! Colocou o bichinho no ombro, assumiu uma posição fetal e caiu em profundo sono.

Chamei Constanza e os pais da menina e lhes disse:

─ Irenia vai dormir por umas duas ou três horas. Está totalmente estressada e não façam nenhum barulho, por favor. Deixem que ela acorde normalmente. Mandei o Padre chinês trazer poltronas confortáveis e, também, um bom lanche para vocês.

Voltei à Biblioteca e me juntei a Lippi e Ferrugghi na imensa mesa de trabalho. Disse-lhes que a menina estava bem e adormecera.

O Santo Padre, informado pelos seus dois tesoureiros de rua, telefonara pra saber o que acontecia. Ferrugghi atendeu e lhe disse:

─ Não aconteceu nada, Paché! Apenas uma alucinação coletiva, depois de uma serenata que a Biblioteca promoveu na Praça.

─ E os ratti? E os ratti? ─ Gritou histericamente o Cardeal Pacelli, cujo nome de guerra era Pio XII.

─ Uma dúzia de ratos mortos na praça, nada mais, Santo Padre. Foi uma experiência com um novo e poderoso raticida, inventado pelos americanos. Nada mais! Aliás, já marquei uma entrevista coletiva pra hoje à tarde e tudo será explicado. Nada de milagres! Tudo normal. Gostaria, até, de sua autorização para falar em nome da Cúria. ─ Respondeu Ferrugghi.

─ Claro, Fefé! Afinal de contas, você também é um Príncipe da Igreja. Razão, razão e razão! Já estou cheio de tanto milagre, logo agora que o Grande Líder perdeu a Guerra. Fale claramente em meu nome e pronto. A propósito, mande Lippi registrar a patente desse raticida em nome da Cúria. Precisamos de dinheiro para as obras na África e a luta contra o PC italiano. Ciau!

─ Bem! Agora é com a gente, Lippi. Ou encontramos uma explicação racional para o acontecido ou estamos lascados. Queimei o filme pra que esses idiotas medievais não encham o saco da gente. Não há imagens e ninguém viu nada. Mas o som nos interessa bastante. Já mandei o gravador para análise e o laudo técnico chega numa ou duas horas. Acho até que o mistério está escondido nesse miserável som. Violino dos infernos, aliás! Mande a família de volta pra Nápoles, acompanhada da Irmã Constanza, no trem do meio dia. A menina não pode ser entrevistada de modo algum.

─ Se não foi um milagre, eu cegue? ─ Exclamou Lippi.

─ E depois se joga no Vesúvio, né? ─ Ironizou o Cardeal. ─ E você Tsé? O que acha de tudo isso?

─ Milagre não é nem foi porque não acredito em superstição barata dos católicos romanos. Quero ver Monsenhor Lippi de óculos escuros que nem o ceguinho do Papa. Concordo com o irmão Cardeal que o mistério está no som do violino. E a ciência serve pra isso: desvendar mistérios. Aliás, notei algumas coisas estranhas no violino e no arco.

─ Diga logo, Tsé! Diga logo que ainda dá tempo de informar os técnicos de eletrônica da Universidade. ─ Interrompeu-me Ferrugghi.

─ Em primeiro lugar, as cordas do violino são de tripas de bode. ─ Comecei.

─ Não pode, não pode! E não fale nesse animal. No Vaticano, ele é sinônimo do Demo. E como você sabe disso, Tsé? ─ Esbravejou Lippi.

─ Pelo cheiro, Monsenhor! E que se lasque o Vaticano! Na Comunidade, todas as sextas feiras, a gente toma uma cervejinha com tira-gosto de tripa de bode assada na brasa. Não há a menor dúvida, portanto. O mistério está no arco.

─ Ora, ora! Não há mistério nenhum. Trata-se de um milagre e pronto! ─ Insistiu Lippi, interrompendo minha explicação.

─ Monsenhor, faça o favor de ficar calado e pare de choramingar. O talão do arco é feito de ripa de mangue e…

─ Não pode, não pode! Na Itália, não existe mangue. Isso é coisa de país subdesenvolvido. ─ Novamente fui interrompido pelo histérico Lippi.

─ Agora, sou eu quem fala. Cale-se Lippi! Lembre-se de que sou seu superior. ─ Engrossou o Cardeal. ─ Continue Tsé.

─ Pois bem! A menina me falou, e Constanza confirmou, que há uma floresta no riacho da propriedade dos pais. Quando ele passa nas encostas do Vesúvio, existe um lamaçal formado pelas lavas ainda quentes e, nele, cresce um matagal exatamente igual ao nosso mangue subdesenvolvido, como diz o preconceituoso Monsenhor. Pena que a Geografia italiana esteja tão atrasada. Culpa do Vaticano, certamente. Além disso, quando ela bebia o chá de folhas de mangue do Dr. Quim, disse que era igualzinho ao que sua mãe faz todos os dias. Não há dúvida, portanto. O problema maior está na crina do arco do violino.

─ Que problema, que problema? Fale rápido, Tsé, per favore. ─ Interrompeu-me o Cardeal.

─ Pasmem! A crina é feita de pêlos entrançados de ratos do campo. Daí aquele som ultra-esquisito. É só!

Ferrugghi saiu correndo e ficou mais de meia hora falando ao telefone.

─ Passei todas as informações. Daqui a uma hora, o laudo técnico estará chegando. E seja o que Nossa Senhora Não Sei Das Quantas quiser.

De fato, uma hora depois, o padre Giácommo chegava correndo e entregou ao Cardeal duas páginas datilografadas com o carimbo oficial da Universidade.

Era o laudo técnico!

(…)

Desculpem! Sou obrigado a interromper este relato. Está chovendo e minha palafita está cheia de goteiras. Além disso, não agüento mais! A Coisa perdeu novamente e a cachaça está rolando na praça da Comunidade. Vou aproveitar para me defender de tanta umidade, mesmo debaixo de chuva.

Toda a Memória (Falsa?!):

Capítulo I
Capítulo II
Capítulo III
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI

Capítulo VII
Capítulo VIII
Capítulo IX
Capítulo X
Capítulo XI
Capítulo XII
Capítulo XIII
Capítulo XIV
Capítulo XV
Capítulo XVI
Capítulo XVII
Capítulo XIX
Capítulo XX
Capítulo XXI