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O cinismo ululante
A FSP chamou Fábio Konder Comparato de cínico e mentiroso naquela confusão da ditabranda (aqui e aqui). Disse que o mesmo não criticava as ditaduras de esquerda, tipo Cuba. Mas vejam o que pesquei, circulando na internet:
“O professor François Chesnais (“Ruptura radical” é a saída para o Brasil, defende professor francês”, Entrevista da 2ª, 31/5) tem dado uma excelente contribuição à causa do mundo subdesenvolvido ao mostrar, em seus vários livros, de que forma a globalização capitalista, comandada pelos EUA, aprofunda a divisão entre ricos e pobres até dentro dos países mais ricos do planeta. Mas, ao apontar em sua entrevista a experiência política cubana como exemplo a ser seguido pelos países subdesenvolvidos, especialmente o Brasil, o ilustre professor prestou um desserviço àquela nobre causa. A mundialização humanista, pela qual lutamos, funda-se no respeito integral à democracia e aos direitos humanos, caminho que, infelizmente, não tem sido seguido pelo governo cubano.”
O texto acima é de uma carta escrita pelo professor e publicada pela Folha de S. Paulo em 2004. Parece claramente que Comparato faz restrições ao regime instalado em Cuba. Parece também que os jornalistas da FSP não lêem a… FSP.
Somente para realçar a contradição, vale a pena ler novamente a Nota da Redação da FSP:
Nota da Redação: A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua ‘indignação’ é obviamente cínica e mentirosa“.
O que está acontecendo? É incompetência ou má-fé?
A acusação de cinismo e de mentira voltou-se contra o acusador.

















Nesse caso tenho que penitenciar-me, pois desconhecia o conteúdo dessa carta. Se ele o disse em público e não se desdisse depois, tenho que inferir que a manifestação continua válida, e que portanto a crítica lhe foi injusta.
Verdade verdadeira, Edmar, embora eu não saiba se ele se desdisse depois. . Lá vai o link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0106200411.htm. Não creio que Comparato tenha mudado de idéia. Ele é da esquerda democrática, que critica o totalitarismo, principalmente o estalinismo.
Comparato foi exagerado quando criticou o editorial da ditabranda, mas a nota de redação extrapolou qualquer noção de “civilidade”.
ARTUR, brilhante descoberta. Vamos divulgá-la para o ombudsman da Falha?