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A história não é estória

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Artigo imperdível de Jânio de Freitas (aqui – só para assinantes) sobre os historiadores revisionistas*, tipo Marco Antonio Villa (aqui – só para assinantes) — Edmar, nos comentários, tinha já alertado sobre o teor do artigo.

Diante da frase capciosa do historiador:

O regime militar brasileiro não foi uma ditadura de 21 anos. Não é possível chamar de ditadura o período 1964-1968 (até o AI-5), com toda a movimentação político-cultural.

Jânio retruca:

Os militares derrubam um governo constitucional, prendem aos milhares pelo país afora, cassam mandatos parlamentares legítimos nas três instâncias legislativas; impõem ao Congresso subjugado a escolha entre três ou quatro generais, para figurar como presidente; governam por ato institucional e decreto-lei; extinguem os partidos; excluem do serviço público, das autarquias e estatais os opositores reais ou supostos, e, para não ir mais longe, instituem a espionagem no país todo. E, fato muito esquecido hoje em dia, iniciam a tortura nos quartéis e os assassinatos. Início bem comprovado, por exemplo, pela foto de Gregório Bezerra puxado por corda no pescoço em Recife. Ou pela celebridade de pessoas como o capitão Zamith, acusado da morte por tortura de um estudante de medicina na Vila Militar do Rio (tema da edição mais importante, até hoje, de “Veja”), e do sargento Raimundo, torturado no Exército e jogado no rio em Porto Alegre, morto ou para morrer.

Mas “não é possível chamar de ditadura” ao domínio do país por tal regime. Então só pode ser “a democracia” dos historiadores à brasileira. Até por ter “movimentação político-cultural”, permitida entre 64-68 quando não incomodava o regime, servindo mesmo como válvula de escape, e reprimida com vigor quando incomodava.
Os historiadores à brasileira não sabem que as ditaduras vão até onde lhes é vitalmente necessário, e enquanto podem fazê-lo. A diferença entre elas não é a sua essência, nem a sua prática: é a medida do necessário.

Lendo o artigo do revisionista, fiquei na dúvida sobre seu conceito de ditadura. Depois, fiquei imaginando qual seria sua noção de democracia…

*Não sou contra “revisar” a história. A ciência histórica faz isso, constantemente. Sou contra o revisionismo, essa forma de utilizar o conhecimento da história para encobrir e omitir fatos. Um exemplo: é revisionista toda posição que nega o Holocausto. Ou ainda: é revisionista toda posição que nega os crimes de massa do estalinismo.

DimasLins

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