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Repúdio e Solidariedade
Soube de um abaixo-assinado contra o editorial da FSP. Pra quem não sabe, a FSP publicou um editorial (17/02), criticando o plesbiscito que entronizou na Venezuela a reeleição ad eternum, e aproveitou o ensejo para definir a ditatura militar brasileira como uma “ditabranda” (ler mais detalhes, aqui). Confesso que tenho compulsão por abaixo-assinados. Lá na Ufpb, assino todos: das vovozinhas abandonadas da Mata do Além aos perseguidos políticos da Nigéria. É uma tradição de esquerda, convenhamos, muito divertida. Aliás, qual é a diferença entre esquerda e direita? O esquerdista assina abaixo-assinado…
Mas há um motivo fundamental para se assinar esse abaixo-assinado. Orravan disse-me que a filha de Comparato é belíssima.
_Que motivo mais superficial, Orravan.
_Superficial?! O que você entende das superfícies?! O segredo está no visível e não no invisível! A superfície diz tudo, principalmente, quando é bela!
Fiquei calado. O argumento era irrefutável.
(Em tempo — 07/03: fui ler o blog do cabra (Eduardo Guimarães) que está chamando a manifestação contra o editorial da FSP, aquele que denominou a nossa ditadura de “ditabranda”. Li seu artigo “Dulce Ditadura” (aqui). Em relação a alguns esquerdistas, o blogueiro avança, já que chama Cuba pelo seu verdadeiro nome: ditadura. Contudo, chama-a de uma ditadura “doce”. Ora, ora… A direita não tem o direito de chamar a ditadura militar de “ditabranda”, mas a esquerda tem a legitimidade de chamar Cuba de ditadura “doce”? Assim, não dá, né?! Nem branda, nem doce, as duas ditaduras são o que são, isto é, ditaduras)
Bem, lá vai o abaixo-asssinado:
Os abaixo assinados – que guardam ainda a viva lembrança da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 1964 – manifestam seu mais firme e veemente repúdio contra a arbitrária e inverídica revisão histórica contida no editorial da Folha de S. Paulo do dia 17 de fevereiro último. Ao denominar de “ditabranda” o regime político existente no Brasil de 1964 a 1985, a direção editorial do jornal paulista insulta e avilta a memória dos milhões de brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do país. Assassinatos, perseguições, torturas, prisões iníquas, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes praticados sistematicamente pela ditadura militar vigente no período mais longo e sombrio da história política brasileira. O estelionato semântico expresso pela noção de “ditabranda” não é, pois, senão a fraudulenta noção forjada por todos aqueles que, de uma forma ou outra, se beneficiaram da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pós-1964.
Nosso repúdio igualmente se manifesta, de forma firme e contundente, diante da “Nota de redação”, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3), em resposta a duas cartas enviadas à seção “Painel do Leitor”. Sem argumentos e razões, a Folha de S. Paulo investiu ataques ignominiosos, arbitrários e levianos à atuação de dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Neste sentido, manifestamos nosso irrestrito apoio e solidariedade aos profs. Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder Comparato face às insólitas críticas pessoais e políticas que sofreram da direção editorial da Folha de S. Paulo por meio da infamante nota acima aludida.
Os professores Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos.
Assine aqui a petiçao.

















Artur,
Um artigo publicado ontem, de um historiador chamado Marco Antônio Villa (salvo engano) na FSP merecia muito mais um protesto do que aquele editorial, na minha opinião. Nesse artigo eu consigo identificar a relativização da ditadura.
Abs.
Eu li. Marco Antonio Villa é conhecido por seu “revisionismo”. Revisa tanto a noção de “ditadura”, que ficamos sem saber o que, afinal contas, é uma ditadura. Claro, não causa surpresa, foi elogiadíssimo por Reinaldo Azevedo: “Ele é exemplo de um intelectual de fato independente. E comete um pecado imperdoável aos olhos de certa esquerda: é muito estudioso”.
Não se precisa de muito estudo para relativizar a ditadura militar brasileira. É só ser um neocon tupiniquim.
Um sujeito que tem no currículo um elogio de Reinaldo Azevedo dispensa maiores apresentações.