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Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XXXVI

17 de dezembro de 2009, às 18:55h

Em tempo: os textos novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.

bizarro

(Natura mutantis)

36º CAPÍTULO

E nada de Herodes morrer. O assassino de criancinhas continuava com uma saúde invejável, realizando suas bacanais em pleno Templo, inclusive com a cumplicidade de alguns sacerdotes.

Assim, o primeiro Natal da História foi celebrado no Egito com apenas uma novidade: eis que Maria estava grávida de Thiago, um dos irmãos de Nosso Senhor e que seria, mais tarde, bispo de Cafarnaum. Enquanto isso, os egípcios e romanos trocavam presentes entre si, pois também se comemorava, na mesma data, o Dia do Deus Sol, Amon-Ra, para os nativos.

Ao lado do texto copta, havia uma anotação, seguramente interpolada ao original e com todos os sinais de falsidade. O padre Javier, no entanto, com toda a sua honestidade acadêmica, não deixou de transcrevê-la, embora deixando claro de que se tratava de uma blasfêmia.

Na verdade, eu concordava com o jesuíta mexicano por razões de civilidade e não dogmáticas:

“Cumpridos os tempos da primeira gravidez de Maria ─ isto é, depois do nascimento de Josué, o primogênito ─ eis que São José, temendo nova visita em sonhos do Anjo, abriu sua caixa de ferramentas e veio a conhecer sua esposa”.

No caso, Maria teria deixado de ser Virgem, derrubando o dogma sagrado da ICR que, depois de sua assunção, decretada pelo Papa Paulo VI, em 1950, deveria ficar eternamente virgem, embora ninguém saiba por quê.

Mas não é bem isso que me preocupava na discussão da Tese do irmão Javier. Ocorre que, como dizem os Evangelhos, o Menino crescia em “inteligência e sabedoria” e já era conhecido nas redondezas pela sua mania de pregar o fim do mundo. No entanto, sendo criança, gostava também de brincar e suas brincadeiras não eram nada ortodoxas.

A primeira delas, tida como milagre, ocorreu no canteiro de obras das pirâmides. O bondoso anfitrião da Sagrada Família convidou, certo dia, os amigos para assistirem a colocação da cúpula piramidal, um colosso de pedra que pesava mais de cem toneladas. O Pretor romano do Egito e o próprio Faraó de plantão estavam presentes ao grande acontecimento. Mas, infelizmente, os operários, em grande parte escravos, não conseguiram erguer tão pesado fardo. Muitos deles, aliás, ficaram aleijados com tanto esforço.

O Sagrado Menino, então, vendo a aflição do povo, piscou o olho esquerdo em direção da imensa rocha e, pouco a pouco, ela foi se erguendo até que se colocou exatamente no lugar projetado pelo Arquiteto Real, sem esquecer, claro, de curar os operários estropiados.

A multidão ajoelhou-se perante o Menino dando glórias a Amon, Ptah, Osiries e a sua esposa Ísis, esquecendo-se, ou não sabendo, que o prodígio deveria ser atribuído a Javé, o Deus da Montanha dos antigos judeus.

Maria sentiu um aperto de júbilo no coração ao lembrar-se das palavras do Arcanjo, quando da Anunciação, dizendo-lhe que seu filho Josué ─ em parceria com Espírito Santo, é bom lembrar ─ seria o Salvador da humanidade, embora as pirâmides não tivessem nada a ver com a história.

Entretanto, havia outras brincadeiras mais perturbadoras. Solitariamente, Josué ─ depois, mais conhecido como Jesus pelos falantes de língua grega ─ enfurnava-se no vasto quintal de sua casa, à beira de um dos canais do Nilo, e ficava esculpindo, em barro e em restos de madeira da oficina de carpintaria de seu pai adotivo, pequenos animais de que gostava, em especial passarinhos. Assoprava-lhes, como fizera seu Pai Jeová, e os bichinhos saiam vivos, ora voando, arrastando-se ou mesmo correndo em direção aos pântanos mais próximos…

Bem, até aí, tudo bem!

Contudo, na véspera de um shabbath, Josué chamou seus dois outros irmãos ─ o Casal Sagrado, na ocasião, já trabalhava a pleno vapor ─ para brincarem de Arca de Noé. É bom que se diga que, apesar de terem sido alfabetizados na língua egípcia, todos os filhos guardavam as tradições judaicas, inclusive, claro, sua língua de origem, o aramáico.

Thiago e Judas, que desconheciam as habilidades do irmão mais velho, ficaram temerosos, pois estavam proibidos de passear de barco pelo perigoso Nilo, cheio de crocodilos. Josué, no entanto, aclamou-os e apenas lhes pediu que amassassem o barro em forma de bichinhos pra que eles vissem o que ocorreria. Mais ainda! Como se tratava da Arca de Noé, pediu-lhes também que fizessem casais de bichinhos, como diziam as Escrituras .

De repente, entretanto, o fogo divino encheu seu espírito e, cansado de imitar a natureza, resolveu misturar tudo, como faziam os egípcios com seus hieróglifos, isto é, corpo de uma coisa e cabeça de outra e vice-versa. Como, aliás, os gregos também gostavam de fazer.

O resultado foi espantoso! Não posso enumerar, aqui, todos os híbridos nascidos da inspiração divina de Josué, pois nosso Blog tem os seus limites de espaço. Citarei apenas alguns, cujos nomes os três meninos iam enunciando à medida que eles recebiam vida do assopro do Sagrado Menino.

Assim, por exemplo, surgiram casais de:

Rãcaco (cabeça de rã com o corpo de macaco);

Crocopato (corpo de crocodilo com bico e asas de pato);

Cãopótamo (cabeça de cão e corpo de hipopótamo);

Elefanzé (cabeça de elefante com corpo de chimpanzé);

Cangurata (canguru com perninhas de barata);

Baratixa (barata com rabo e cabeça de lagartixa);

Marigato (mariposa com corpo de gato);

Polvardo (polvo com corpo de leopardo);

Guarázana (lobo guará com corpo de ratazana, sobreviventes, aliás, em nosso Planalto Central).

Semanas depois, no entanto, as autoridades tomaram conhecimento, através dos seus espiões, da rápida proliferação dos sagrados híbridos que nada mais faziam do que obedecer a ordem divina do “crescei e multiplicai-vos”. O povo se espantava e se amedrontava com os inocentes frutos da brincadeira dos três irmãos. Ora, ocorre que, segundo o Manuscrito copta, Herodes finalmente batera as botas, e a Sagrada Família estava arrumando suas coisas para a viagem de retorno à Galileia. Antes da partida, todavia, o Pretor romano chamou-os em seu gabinete no Palácio do Faraó e lhes pediu explicações, já sabendo que se tratava das artes do primogênito da família.

São José, inocente em quase tudo, especialmente em matéria de sonhos, ficou estarrecido e pediu desculpas pela “desordem” natural provocada pelos filhos. Foi, então, que Josué, sempre o mais falante dos três, afirmou, com sua autoridade espiritual já comprovada, que o Pretor podia ficar sossegado. Retirou-se para um quarto ao lado e, em segredo, orou a Jeová, pedindo-lhe que anulasse a bizarra e recém-criada forma da natureza. E tudo voltou ao normal, embora a Sagrada Família tivesse que pagar uma pesada multa por ter violado o equilíbrio ecológico da região. Multa, diga-se de passagem, que jamais foi paga como ocorre num certo país, bem longe do Egito.

E, assim, a Sagrada Família finalmente retornou a Nazaré, onde o mundo, quase trinta anos depois,virou de cabeça pra baixo.

(Nota do Dr. Quim, Jr: excepcionalmente, o Reverendo Tsé-Tsé deu-me a honra de ler previamente este artigo. Não entendi patavina, mas aconselho aos visitantes deste Blog a leitura urgente do excelente e maravilhoso livro de Richard DAWKINS: “O Maior Espetáculo da Terra: As Evidências da Evolução”. São Paulo, Companhia das Letras, 2009. Trata-se de um verdadeiro xeque-mate contra o Criacionismo. Como sempre, o estilo do Autor é brilhante e sua erudição é sólida. Um livro gostoso de ser lido, no qual o Reverendo se inspirou para os nomes da fauna citada).

Toda a Memória (Falsa?!):

Capítulo I
Capítulo II
Capítulo III
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI

Capítulo VII
Capítulo VIII
Capítulo IX
Capítulo X
Capítulo XI
Capítulo XII
Capítulo XIII
Capítulo XIV
Capítulo XV
Capítulo XVI
Capítulo XVII
Capítulo XIX
Capítulo XX
Capítulo XXI

Capítulo XXII
Capítulo XXIII
Capítulo XXIV
Capítulo XXV
Capítulo XXVI
Capítulo XXVII
Capítulo XXVIII
Capítulo XXIX
Capítulo XXX
Capítulo XXXI
Capítulo XXXII
Capítulo XXXIII
Capítulo XXXIV
Capítulo XXXV

Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XXXV

9 de dezembro de 2009, às 10:05h

ENFIM!!! :-D

Em tempo: os textos novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.

Travessia_do_mar_vermelho

(O Mar Vermelho é verde!)

35º CAPÍTULO

O último mês de Outubro foi terrível para mim. Vivia sonhando com N.S. de Fátima, Aparecida e o Frei Galvão. Este, então, convidava-me todas as noites para levitar por sobre o Capibaribe, cheio de soluções malucas para despoluir nosso rio.

Atormentado, contei meus sonhos ao Dr. Quim, Jr. Ele riu e me disse, com a maior cara de pau, que me vira voando com o santo e não achava nada demais. Segundo Quimzinho, eu próprio havia lhe contado que Frei Galvão amava os peixes, pra fazer contraste com São Francisco que tinha uma criação de canários. E deu a maior gargalhada:

▬ É, Tsé! Você está ficando velho!

Tudo isso me fez esquecer dos meus tempos em Roma. Infelizmente, pra meu desagrado, o início do curso de Doutorado fora adiado novamente por causa da morte do Cardeal Francesco Giardini, Professor de Cosmologia da Gregoriana.

Mais um mês de espera, portanto. Já estava de saco cheio de tanto trabalho na Biblioteca. De graça, porque a bolsa que recebia mal dava pra comprar duas ou três bolachas. Já visitara Roma de frente pra trás e vice-versa, e a saudade de minha família palafiteira aumentava, danadamente. Chorava quando recebia cartas de minha terra e respondia chorando mais ainda.

Meu único consolo era conversar com o Monsenhor Lippi e, raras vezes, com o Cardeal Ferrughi, sempre ocupado com seus bois e vacas, além dos anjos medievais.

Desculpem, caros leitores! Havia mais alguma coisa. Assim como ensinara ao padre Javier, eu também paquerava as freiras do Convento de Santa Maria Maggiore. Pelo menos três freirinhas se encantaram comigo. Mas só fazia aquilo com a irmãzinha Giovana do Santo Sepulcro por quem me apaixonara. Frequentávamos, com uma certa regularidade, o Sagrado Bordel da Vila Borghesi, construído especialmente pela ICR para desafogar o alto clero romano. Oficialmente, aliás, era denominado de “Casa de Convivência dos Santos do Senhor”.

Mas, nessas férias forçadas, houve outro tormento. Javier, o jesuíta mexicano, preparava-se para defender sua tese sobre a estadia da Sagrada Família no Egito e me pedira para ler o seu calhamaço de 754 páginas, apontando críticas e erros no manuscrito para não ser surpreendido perante a banca de exame.

O Padre Javier descobrira, perdido em nossos Arquivos, um extenso papiro copta sobre o assunto e dele fizera seu objeto de tese. Ora, de tanto estudá-lo e, por mais estranhos que fossem os episódios contidos no antigo documento, Javier terminou por acreditar em tudo que lia.

De saída, disse-lhe, com toda a franqueza que me é peculiar, que não acreditava em nada daquilo. Segundo as melhores opiniões eruditas, o povo copta não passava de uma das tribos perdidas de Israel que se convertera ao deus Ptah, um dos principais do Antigo Egito. Além disso, era famoso pelo seu espírito gozador, sendo responsável pela palavra “cooptar”, ainda hoje em uso, como a ICR, aliás, aplica com raro brilhantismo.

352 autores citados, além de 87 manuscritos da época, traduzidos para o latim, o grego e o aramaico. Pra nada! No entanto, havia histórias engraçadíssimas e que valem a pena serem contadas.

O jesuíta Javier começa descrevendo a viagem da Sagrada Família, por causa, como todos sabemos, do assassinato das criancinhas atribuído a Herodes.

A Virgem montava um camelo, carregando no colo Nosso Senhor. José ia na frente segurando as rédeas do animal, enquanto um velho manco, apoiado num cajado, seguia atrás. Javier acreditava que se tratava de São Joaquim, o eventual avô de Jesus Cristo.

Para não decepcionar o padre Javier, achei melhor entrar pelo terreno de uma sutil galhofa desde o início, embora fizesse meus comentários com muita seriedade.

▬ Irmão Javier! Encontro, logo na página 54, uma ambiguidade e uma questão teológica das mais sérias. É bom se prevenir.

▬ Pelo amor da Santa Virgem! Diga logo, padre Tsé.

▬ Ora! Veja bem, irmão Javier. O texto não diz com clareza quem mancava; o camelo ou São Joaquim. Além disso, segundo consta nos Evangelhos, o pai de Nosso Senhor foi o Espírito Santo, atestado pela conversa entre o Arcanjo Rafael e Maria, gravada clandestinamente por um dos agentes de Herodes. De onde se conclui, pelo que o irmão escreve, que São Joaquim teria sido o pai da Terceira Pessoa da Trindade, o que não passa de uma grande blasfêmia. Afinal de contas, a eternidade não é pra todo mundo.

camelo1

Abraão Zacuto, o camelo manco da Santíssima Trindade

▬ Ora, Tsé! Essa eu tiro de letra. Realmente, o manuscrito copta não diz com clareza quem mancava. Isso é pura dedução de minha parte. Veja bem! Se o camelo mancasse, ninguém chegaria ao Egito. Logo, o manco era São Joaquim. Quanto à outra questão, é bom dizer que, segundo consta, José era apenas o pai de mentirinha de Nosso Senhor e, portanto, São Joaquim era apenas o avô adotivo.

O padre Javier afirmava que não houve necessidade de levar mantimentos para tão longa viagem. Além de fugirem apressados, não tinham dinheiro para comprar coisa alguma.

O camelo não precisava, claro. A Virgem tampouco desde que fora abençoada desde o início através da Anunciação. Nosso Senhor, acomodado nos seios de sua mãe, mamava o tempo todo. São Joaquim e São José comiam gafanhotos do deserto, como o sobrinho João Batista faria mais tarde, além do mel das abelhas. Como sobremesa, havia sempre o maná que caía do céu. O padre não esclarecia o problema da água, mas um manuscrito egípcio da época afirmava que, naquele tempo, chovia bastante em pleno deserto.

E foi assim que a Sagrada Família chegou ao delta do Nilo, hospedando-se na casa de um trabalhador judeu que, aliás, ajudara a construir uma das enormes pirâmides de Gisé, ficando obscuro no texto de qual das três se tratava.

Desculpem meus caros leitores, mas, de tanto levitar na companhia de Frei Galvão, estou insone e cansado. Contente, no entanto, por saber que o Santinha acaba de ser Campeão de Pernambuco. Assim, deixo para outra vez a continuação dessa história empolgante, contada pelo Padre jesuíta Javier de la Concepción.

PS: pergunta curiosa que apareceu em Bel-O-Kan: com o Flamengo campeão e o Inter, vice, haverá enfim um quadrangular com a Coisa e o Bugre?!

PS2: nova campanha jurídica na palafita: “me processa, Coisa!”

Toda a Memória (Falsa?!):

Capítulo I
Capítulo II
Capítulo III
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI

Capítulo VII
Capítulo VIII
Capítulo IX
Capítulo X
Capítulo XI
Capítulo XII
Capítulo XIII
Capítulo XIV
Capítulo XV
Capítulo XVI
Capítulo XVII
Capítulo XIX
Capítulo XX
Capítulo XXI

Capítulo XXII
Capítulo XXIII
Capítulo XXIV
Capítulo XXV
Capítulo XXVI
Capítulo XXVII
Capítulo XXVIII
Capítulo XXIX
Capítulo XXX
Capítulo XXXI
Capítulo XXXII
Capítulo XXXIII
Capítulo XXXIV

A Coisa no Livro dos Recordes

18 de novembro de 2009, às 9:13h

monstro-lixo

Duas horas da manhã! Dormia a sono solto quando, sobressaltado, acordei sob intenso tiroteio de fogos de artifício vindo das Palafitas do outro lado do rio. Mandei chamar Zé Medonho, nosso Chefe de Segurança:

─ Zé! Por Nossa Senhora do Arruda, Frei Galvão e Frei Damião, o que está havendo?

─ Reverendo! Trata-se da comemoração dos torcedores da Coisa. ─ Respondeu o neto de Zé Malandro.

─ Ora, ora, Zé! Comemoração de que se eles empataram com o Porco e ainda foram pra Segundona?

─ Como o senhor vê, Reverendo! Comemoração é assim mesmo. Caíram, mas estão comemorando. Complexo de qualquer coisa, acho eu.

─ De ruindade, só pode ser. Cores malditas que envergonham e poluem a cidade. ─ Respondi.

Ocorre que, naquele momento, chegou o Dr. Quim meio aborrecido com o barulho, embora sabendo do que se tratava.

─ Desculpe, Tsé, mas não sabia que você havia acordado também.

─ E você sabe do que se trata, Quinmzinho? ─ Exclamei, limpando meus olhos ramelentos.

─ Sei! E é o troço mais esquisito do mundo.

─ Bom! Vindo da Coisa, tudo é esquisito. Mas diga logo o que foi, que estou morrendo de sono.

─ Ora, Tsé! Os torcedores da Coisa estão comemorando porque entraram no Livro dos Recordes.

─ E como pode? E que Livro safado é esse que nem o Santinha conseguiu entrar? ─ Interroguei o sábio e bem informado Dr. Quim.

Era uma pergunta muito sábia e, durante um momento, todos meditaram sobre o assunto. Afinal, todos sabiam que o Santinha era o recordista de todas as desgraças possíveis e impossíveis que acontecem e não acontecem nesse mundo velho e enfadado. Dr. Quim quebrou o encanto da meditação e perguntou:

─ Não assistiu ao jogo da Coisa contra o Porco?

─ Não! Salvo o Santinha, não assisto a futebol. Só jogo dominó com as meninas do meu clã. Explique-me isso direitinho, Dr. Quim. ─ Respondi mais furioso do que já estava.

─ Pois bem, Tsé! A Coisa é o único time do mundo que levou um gol com dois apitos. ─ Explicou nosso Curandeiro.

─ Ôxente! E quantos apitos tem esse tal de campeonato? ─ Perguntei.

─ Um! Apenas um! ─ Disse Zé Medonho, antecipando-se ao Dr. Quim.

─ Então, não entendi nada. No Dominó, a gente nem precisa de apito. Apenas de uns berros para intimidar o adversário. ─ Respondi.

─ Vou explicar, e você, Zé Medonho, fique calado. O jogador porquento preparava-se para fazer o gol de empate, absolutamente legal, aliás. Aí, houve o primeiro apito para reforçar a legalidade da posição. O jogador chutou e a bola entrou no gol. O árbitro apitou novamente validando o lance, apontando para o centro do gramado. Um gol e dois apitos! Recorde absoluto, portanto. Não acha, Tsé?

─ Acho até mais! Como houve dois apitos, o tal árbitro devia ter dado dois gols. Não acha Zé Medonho? ─ Observei com muita propriedade.

─ Não pode, Reverendo! Por mais respeito que tenha pelo senhor, se a bola só entrou uma vez, só vale um gol. ─ Respondeu nosso chefe de segurança.

─ Sei não! Dizem que, no futebol, nada é impossível! ─ Filosofei, mandando todo mundo dormir novamente.

Mesmo assim, Dr. Quim ficou pensativo na proposta filosófica: dois apitos, dois gols. Decidiu enviar um memorando à Máfia dos 13 e à CBF, expondo a ideia. Poderia, quem sabe, ganhar até um dinheirinho. O futebol brasileiro é pródigo em casuismo. Enfim, bocejou e resolveu dormir.

Zé Medonho, no entanto, disse que só iria dormir depois de soltar uns traques em homenagem à Coisa. Traques bem fedorentos, daqueles que causam pavor em qualquer coisento. Era assim que mantinha Bel-O-Kan completamente imune aos poderes maléficos da Coisa. Flatos angelicais, como dizia o Reverendo. Zé Medonho não sabia o que era “flatos”, mas gostava muito do nome…

Frodo e os portugueses

18 de novembro de 2009, às 8:38h

Muitas vezes, não entendo bem o que se passa na cabeça dos portugueses. Vejam esse vídeo que pesquei lá no Hermenauta:

Imagem de Amostra do You Tube

De todo modo, dava-me agonia assistir à agonia de Frodo e a do seu vassalo lourinho. Talvez, muito pior seria, se pior fosse. Tive a nítida sensação de que a Frescura dominava o mundo.

Memórias Falsas do Reverendo Tsé-Tsé – XXXIV

9 de novembro de 2009, às 19:56h

Em tempo: os textos novos estarão, por enquanto, abaixo das Memórias (falsas?) de Tsé-Tsé.

monje levitando

(Homo sapiens sanctus braziliensis)

34º CAPÍTULO

Estive ausente deste Blog, porque fora convidado a uma manifestação na Praça de São Pedro, em Roma. A Comunidade judaica, sabendo de minhas convicções liberais, pagou minha passagem para que eu discursasse contra a canonização de Pio XII, ansiosamente desejada por Bento XVI.

Como todos sabemos, e a ICR também, aquele papa foi conivente com o Nazismo e colaborou ativamente para a fuga de muitos criminosos de guerra.

Ocorre que Bento XVI tem uma mania recorrente; ele adora transformar em santo gente que nem mereceria um lugarzinho na Academia de Letras local. Tenho a leve impressão de que ele prepara sua própria santificação, tomando como precedente Pio XII, desde que Bento, ele próprio, fora membro da Juventude Nazista, com direito a foto na Internet e tudo.

Meu discurso foi aplaudido pela multidão de, talvez, dois a três milhões de pessoas. Atordoado com minhas condenações ao Nazismo, o Vaticano adiou sine die a canonização prevista.

Isso me lembra de outra ocasião em que estive em Roma, logo no início da minha primeira eleição como líder da Comunidade. Quando voltei a Bel-O-Kan, tomei conhecimento de que grassava uma epidemia de prisão de ventre em nosso meio o que, apesar do sofrimento das pessoas, provocava uma gigantesca economia de papel higiênico. Afinal de contas, tudo tem o seu lado bom!

Chamei o Dr. Quim em segredo e lhe perguntei o que se passava.

─ Reverendo! Nosso estoque de chá de flor do mangue está esgotado e ninguém frequenta mais o vaso. Em compensação, nossa horta está meio sem graça, sem adubo orgânico nem nada. Na feirinha orgânica da Beira-Rio, nossos produtos estão caindo de preço.

─ E que curandeiro diplomado é você, Quinzinho, que não diagnostica logo esse mal da latrina ausente? ─ Indaguei.

─ Já fizemos tudo, mas ainda não descobrimos de onde vem tal abstinência.

─ Talvez, da Uniban! ─ Explodi de indignação.

Mandei chamar Zé Malandro, nosso chefe de segurança, acompanhado do seu filho Zé Medonho, executivo dos melhores que já tivemos por aqui (uma bala só e era o bastante).

Ordenei uma investigação oficial do caso, apesar da resistência do velho companheiro:

─ Reverendo! Não vê que se trata de um assunto médico e, não, de segurança?

─ Não acredito! Pura sabotagem do Arcebispo. Algum sortilégio medieval que prende a barriga de nossos irmãos. Investigue o agente inimigo.

No outro dia, Zé Malandro acompanhou até a minha palafita (com muito carinho, aliás) a beata Alzira, do clã de Joca do Bode, e que entrara em nossa República dois anos atrás.

─ Reverendo! Desculpe, desculpe! Acho que foi minha culpa. ─ Disse a menina bonitinha e bem feitinha que usava uma minissaia que nem a outra da Uniban. Para a alegria de todos, é bom dizer. Marocas, por exemplo, usava uma mais curtinha e todo mundo gostava.

─ Como assim, Alzirinha? ─ Perguntei.

─ Reverendo! Moro na periferia das palafitas e não aguentava mais o fedor. Aí, ouvi falar de umas pílulas milagrosas que curam todos os males, inclusive a incontinência da barriga. Comprei e distribui pra todo mundo e deu no que deu.

─ Ah, já sei! Vem num pacotinho, não é mesmo? Trata-se do papelote do Frei Galvão. Jogue tudo no rio que, amanhã, todo mundo já pode se desamarrar.

Alzira, que não tivera nenhuma má intenção, obedeceu minha ordem e tudo voltou ao normal na Comunidade. Na semana seguinte, os preços de nossos produtos orgânicos voltaram a subir e ninguém falou mais disso.

Contudo, examinei alguns exemplares da pílula de papel. Não havia nada de excepcional por dentro do pacote, mas notei que os fabricantes haviam usado papel picado da revista Veja, o que provavelmente teria sido a causa do mal.

Mas, afinal de contas, quem seria esse tal de Frei Galvão que alguns confundem com Frei Damião? Este aí, por exemplo, só cura pereba do tipo Collor de Melo. Por enquanto!

A história é extraordinária, e eu conto apenas por causa de Bento, como exemplo de conduta que ele próprio deveria ter para conseguir sua futura canonização.

Houve, de fato, um frade da “Ordem dos Frades Menores Descalços”, nascido em Guaratinguetá – SP (carinhosamente chamada de Guará), em 1739. Ele gostava de brincar com seus fiéis operando inúmeros milagres, desses que estamos acostumados a ver realizados pela Igreja Universal do bispo Macedo, em quem ninguém acredita mais, ao contrário da fama cada vez mais crescente de Frei Galvão que acaba de se tornar o primeiro santo, nascido no Brasil.

Todos os testemunhos apontam para a santidade do Frei e ninguém duvida de suas qualidades excepcionais que qualquer mortal gostaria de ter. Basta dizer que ele possuía o dom da bilocação. Não se trata de “biloca”, mas de se estar em dois lugares ao mesmo tempo, como faz, aliás, nosso Líder a bordo do seu brinquedinho aéreo.

Se ele quisesse, aliás, poderia trilocar-se ou, até mais, plurilocar-se, como ele próprio confessava. Trata-se, claro, de uma antecipação milagrosa da Mecânica Quântica que, segundo acreditam os físicos, é capaz de fazer um elétron estar em dois lugares ao mesmo tempo, não importa a distância.

Contudo, o Brasil Colônia daqueles tempos não permitia tamanha rapidez. Além do que, possuidor do talento da telepatia, não precisava de tanto. Foi o primeiro santo que dispensava a sagrada confissão, pois sabia tudo de antemão dos fiéis que o procuravam.

Além dos poderes de premonição, clarividência e telepercepção (isto é, adquirir conhecimento de fatos ocorridos a grandes distâncias e, por isso, antecipando os modernos satélites de comunicação), Frei Galvão (por favor, não confundir com Frei Damião!) nos lembra um ex-prefeito de uma cidade vizinha a Bel-O-Kan.

Com efeito, o tal ex-prefeito possuía o mesmo dom da levitação do santo oitocentista. Com uma diferença apenas. O religioso levitava para alcançar mais rapidamente as glórias do céu, o que é uma causa justa, enquanto o tal prefeito preferia se exibir perante as menininhas de Boa Viagem. Não sei com quais intenções!

Entretanto, a fama merecida de Frei Galvão advém de sua maravilhosa invenção das pílulas de papel que provocaram, sem querer, a epidemia em nossa Comunidade, já mencionada. Com efeito, talvez cansado de tanto andar descalço pelas ruas pedregosas de Guará, em vez de visitar todos os doentes que lhe pediam ajuda, o Frei lhes enviava pílulas de papel picado, devidamente embrulhadas num discreto pacotinho.

Como já sabia qual a doença do fiel, através de suas capacidades citadas, era tiro e queda. Uma pílula ao deitar e outra ao se levantar. Em dois dias, o doente era curado totalmente. Mas, sempre ficava com prisão de ventre, um mal menor certamente.

Hoje, as pílulas ainda fazem efeito e, nos fundos da Catedral de Santo Antônio (em Guará), numa pequena sala, 15 beatas de 65 anos de idade (o número e a idade delas não podem ser menor nem maior, a sucessão sendo feita na mesma família), cortam, picam e colam papeizinhos com precisão milimétrica, ou nanométrica, ou piedosa, como se diz, chegando a produzir 90 mil pílulas mensalmente.

Todos elas levam o carimbo da Anvisa e já se fala da extinção do SUS por sua inutilidade e alto custo. O preço varia, conforme a doença. É mais caro quando o paciente solicita o envio pelo Sedex. A propaganda, em torno da simpática Guará, afirma que “pague três e leve cinco”. Os atravessadores, que aumentam os preços, são acometidos, em geral, de doenças vitalícias e, com isso, são alijados do mercado. Claro que também, de vez em quando, as beatas se enganam quanto à qualidade do papel. Um dos que examinei, por exemplo, era feito de papel higiênico.

Quando relatei tudo isso a Dr. Quim, ele apenas exclamou:

─ Cuma? Esse Frei pode até ser santo, mas tem um cérebro de cupim!

Além dos papelotes, os milagres de Frei Galvão são copiosos e não vejo como duvidar de todos eles. Cito, aqui, apenas um, “ O frango do Diabo”, para a edificação de meus leitores e do papa Bento XVI.

Um escravo liberto que, ficando doente, fez promessa de levar a Frei Galvão “uma vara de frangos”, caso sarasse, o que de fato aconteceu. Por essa razão, amarrando as aves em uma vara, pôs-se a caminho. Aconteceu que, ao meio da jornada, três frangos lhe escaparam. Recolheu facilmente dois. O terceiro, um carijó, fugiu velozmente, irritando o velho, que gritou impaciente: “volta aqui, frango do diabo!” Nesse momento, entrando em uma moita de espinhos, o frango se deixou apanhar. Após a caminhada, o liberto foi alegremente entregar seu presente ao Frade, que aceitou todas as aves, menos a carijó: “Porque este frango, já o deste ao diabo!” ─ Disse-lhe o religioso.

Bonitinho, não é verdade? Mas intrigam-me o preconceito contra o carijó e a demora do Vaticano em santificar Frei Galvão, quando se apressa no caso de Pio XII e de João Paulo II, que nem de longe possuíam as virtudes de nosso compatriota.

Em suma: a Virgem Maria recusa-se a aparecer no Brasil e nosso santo patrício demorou pra caramba a ser reconhecido.

Mas, como diz a ICR, “ quem não crê, brasileiro não é”. E priu!

Toda a Memória (Falsa?!):

Capítulo I
Capítulo II
Capítulo III
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI

Capítulo VII
Capítulo VIII
Capítulo IX
Capítulo X
Capítulo XI
Capítulo XII
Capítulo XIII
Capítulo XIV
Capítulo XV
Capítulo XVI
Capítulo XVII
Capítulo XIX
Capítulo XX
Capítulo XXI

Capítulo XXII
Capítulo XXIII
Capítulo XXIV
Capítulo XXV
Capítulo XXVI
Capítulo XXVII
Capítulo XXVIII
Capítulo XXIX
Capítulo XXX
Capítulo XXXI
Capítulo XXXII
Capítulo XXXIII

As duas…

9 de novembro de 2009, às 0:26h

Eita…

Björk and PJ Harvey- Satisfaction

Imagem de Amostra do You Tube

Ainda o caso da UniBan

8 de novembro de 2009, às 20:49h

Através do Hermenauta, fui parar num blog ultraconservador (ah, se existisse um fascismo cristão… Mas não existiu um desses na Espanha de Franco?). O tal blog responde positivamente à minha preocupação de que o ovo da serpente existe e pode eclodir. O post faz uma defesa dos alunos da UNIBAN no caso já comentado, aqui, sobre a aluna Geisy Arruda, que usou uma minissaia, foi esculhambada pelos alunos e expulsa da e pela universidade. Pincei partes do post.

Primeiro, tentei compreender a intenção do autor, que intitulou seu post com o sugestivo título:

Precisamos de mais alunos como os da UniBAN

O título acima já prova que não estou tentando ser popular e principalmente ser agradável ao mainstream, não gosto do comportamento de manada nem da opinião induzida, por isso fui buscar provas com sinceridade em duvidar nas absurdas e não provadas acusações de que os alunos da UniBan vem sofrendo em nome da moral de puteiro, no qual toda moça tem o direito de usar mini-saia onde bem entende.

A dúvida nasceu da própria assertiva de que os alunos a quiseram estuprar em público pela moça estar provocando eles. Sim, ao contrário do que se entende, vários depoimentos (Que irei citar sem retoques) mostram que ela provocou diretamente o caso…

Claro, a culpa é da aluna. Mas o interessante aqui, nessa elucidativa lição sobre o fascio tupiniquim, são os depoimentos arrolados pelo blogueiro (crianças, saiam da frente do blog, vão dormir, porque o conteúdo é impróprio para seres inocentes):

Desculpe, mas a noticia está errada. Uma colega minha estuda na UNIBAN, na sala ao lado da garota, e ela afirmou que não houve “tentativa de estupro”, oq houve foi um bando de marmanjos xingando a menina pela forma que ela estava vestida. E afirmou também que a menina ficava se insinuando na frente das outras salas.

A culpa, como sempre, é da aluna…

Aqui, é muita mentira esta onda de q os alunos iam estuprar a garota. Isto não existiu… Eu estava lá!!!! Estávamos gritando PUTA! PUTA! PUTA!, e ESTUPRA!, ESTUPRA!, ESTUPRA! só de ZOAÇÃO, só de GOZAÇÃO!! Até parece q alguém iria estuprar uma mina no meio de uma universidade com todo mundo vendo!!! Até parece!! Fazer isto seria certeza de ser preso e destruir sua vida!! Ninguém iria fazer isto só porque uma destrambelhada resolveu ir pra aula com uma roupa inadequada. Destruir sua própria vida apenas porque uma mina resolveu ir pra aula mostrando sua bunda e outras partes íntimas seria demais!!!
E esta mina já é conhecida na UNIBAN de outros carnavais… Não é nenhuma santinha q de repente resolveu vestir uma roupa mais ousada!!! Ela sempre se veste de forma a provocar os outros!!
Aquela velha lição q nossa vó nos ensinou vale aqui: se queremos ser respeitados, devemos nos respeitar primeiro. E não foi isto q aconteceu, a mina não se respeitava, então os outros não a respeitaram!!!

Sim, sim, era só zoação, só gozação. Se era pra estuprar, como ninguém é burro, estuprava num descampado, num lugar mais adequado. Estupro precisa de um mínimo de estratégia e de inteligência. Lugar público? Nem pensar. Além do mais, a mina, que não se respeita, merecia a lição.

A posição dá calafrios. Uma atitude que é vista como uma provocação moral leva, invariavelmente, a uma reação violenta — uma violência provocada e, por isso, legítima. A situação tornou-se um problema moral insustentável: um problema de gênero e de dominação masculina. Lembra o filme “Acusados“, com Jodie Foster.

Outro depoimento:

Eu estudo lá. A mina ia subindo a rampa e os caras mexiam, daí ela olhava pra trás, jogava o cabelo pro lado, ajeitava o vestido, e ia caminhando rebolando. Subiu, e lá de cima provocava. E não é a 1ª vez isso, só q da outra vez (1 dia antes) não chamaram a polícia, pq ela estava mais comportada.

A mina era temerária. Antes, tinha até provocado. No fundo, pedia, implorava — o quê? Teve sorte, pois chamaram a polícia. Nada como a PM para resolver, no Brasil, questões morais e políticas.

Já no final, o autor do post, diante dos magníficos depoimentos, arremata sua conclusão:

Os alunos podem ter errado? Sim… eles admitem isso, admitem também que pouco estavam se importando que esse assunto ia parar na internet e nas mãos dos politicamentes corretos sentirem-se com a consciência mais leve acusando terceiros. Mas se não ocorreu estupro como baseio-me acima para não acreditar nesse absurdo, parabéns aos alunos da UniBAN, que não permite que seu ambiente de ensino seja maculado com as vicitudes de outros ambientes, e isso não é apenas institucional que não pode controlar tudo, é na raíz da UniBAN, os alunos realmente estavam engajados em expulsar a moça de lá independente de uma autoridade universitária, nada mais libertário que não necessitar da aprovação de terceiros para se fazer o que é certo. Eles entenderam o que significa ser um watchdog, um vigia da liberdade que só pode existir com uma moral responsável e madura não imposta, e ninguém impôs moral a esses alunos, exceto o #mimimi da internet. Meu amigo católico dizia que se pode ser conservador e conservar qualquer coisa, ele estava certo. O que há no Brasil são conservadores dos maus costumes e da imoralidade.

Sabe-se, afinal, o que é o bom conservadorismo e a defesa da verdadeira moral. Quando a política vira polícia e a liberdade, vigilância moral, estamos ferrrados. Liberdade é a liberdade de bem vigiar, o resto é “politicamente correto”. Se o acontecimento acima é um problema moral e de gênero, como já disse, seria também profundamente político.

Gosto de monitorar, na blogosfera, os blogs de extrema-direita e de extrema-esquerda. Essa posição, nos blogs de extrema-direita, não é incomum. Por enquanto, são posições minoritárias. Para eclodir, precisam de uma voz forte, com bigodinho ou histrionismo, com bota ou quepe — precisam de um símbolo; sim, precisam urgentemente de um símbolo.

Uma centelha basta, daí o perigo.

O pulso ainda pulsa…

8 de novembro de 2009, às 19:09h

Na catástrofe generalizada que se anuncia no futebol pernambucano, um vídeo da bubônica:

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Procurei o autor do vídeo, mas quem o achou foi Ducaldo. Faço assim justiça — o nome do autor:  Weberth (mais um pouco, e era um herói romântico alemão)

“A Girl In Port” Okkervil River

7 de novembro de 2009, às 22:08h

Do disco:

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Solo:

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Ao vivo:

Okkervil River – Girl In The Port Live @ Haldern Pop Festival 09.08.2008

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Strokes: Is This It

7 de novembro de 2009, às 21:06h

Faz tempo que não escuto…

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